A cor dos teus olhos castanhos!
1 * Me conhecendo?! *
Notas iniciais
Boa leitura!
- “Temos nosso próprio tempo! Temos nosso próprio tempo!” – cantou, ou melhor, gritou ao som de Renato Russo. Seu nome era Bárbara Elizabethy Gunner, uma garota “normal” , que nasceu na década errada; mas que mesmo assim estava feliz.
A garota acabara de sair do banho e estava agora se arrumando para ir a mais um dia de aula, queria poder dizer que ela colocou seu all star azul, mas infelizmente ela não tem um all star, muito menos azul. A maioria das suas roupas eram compradas em brechós, sua vida era monotonia. Mas não ligava, já que todo mundo precisa ir à escola. Ou melhor, como sua mãe falara “ Você precisa estudar, Elizabethy. Não quero você como aquelas garotas que descem a ter o chão!”...
Por azar ou não, sua mãe já havia ido embora. Hoje estava livre, já que sua mãe não a levara para a escola. Afinal, quem é que tem 14 anos e é levada para a escola? Sim, sim... Elizabethy, ou melhor, Bárbara, seu primeiro nome a fazia lembrar-se do seu pai, ele havia morrido por causa de um miserável bêbado no volante. Foi em direção a cozinha e avistou a empregada cozinhado.
- E ai Graça! – como o próprio nome falara a empregada era uma graça... Nem tanto assim já que ela ás vezes se tornava sua babá; não podendo assim fazer nada a não ser jogar xadrez... pensara a garota até que resolveu ironizar um pouco. – E essa gororoba aii?
- Virgem Maria! Menina, tu não sabe diferenciar gororoba de sopa não? Em demência? – como deu para perceber, Graça já trabalha para a mãe de Bárbara ( D. Natalia) há bastante tempo; virando assim membro da família. – E para sua informação o almoço de hoje é sopa! Ordens da sua mãe!
-Argh! Sopa, logo sopa?! Nunca vi nossos vizinhos almoçando sopa! Muito menos aquele tal de Daniel que mamãe sempre paquera! Sorte dela que não vai almoçar aqui em casa! Sempre sobra para mim mesmo!
-Mas Bárbara, ela só quer o seu bem!
- Meu bem, sei... Sopa? Bem, agora tenho que ir se não me atraso, bye Graça!
Fechou a porta e foi em direção a saída, seu apartamento era no penúltimo andar. Saiu do prédio viu Seu Jonas abrindo sua banca de jornal, cumprimento-o e foi em direção ao parquinho. Lá estavam David, Stella e Beatriz, seus velhos amigos de infância.
- Oii Babih! – falou Stella e Beatriz em coro. David apenas falou oi baixinho, sentado e encarando o resultado da mega sena em suas mãos.
-Ainda não ganhou nadinha na mega sena, não foi? – David era um menino legal, que tinha vicio de apostar por tudo, e que às vezes lhe dava uma forcinha na matéria de matemática.
-Hu-hum! – suspirou o garoto
- Qual é David?! Borá animar, afinal hoje é segunda-feira ainda!-Beatriz agora ajudava-o a levantar... Bia tinha os cabelos tingidos de verde, pois como ela dizia “Não quero ser igual,a todos...” A garota era uma ótima vocalista e dançarina; sempre participava de eventos da escola, mesmo com seu lado rebelde.
-Exatamente, se não a gente se atrasa para ir ao colégio! – Stella falou pegando sua mochila e disparando na frente de todos. Ela carregava sempre consigo uma câmera fotográfica, para registrar cada momento como se fosse o ultimo. Às vezes era até chato demais para ser verdade, imaginou todo dia foto da chegada à escola, no intervalo, e na ida para casa? Sim, infelizmente Stella é um pouco “espontânea”; mas é assim que gostamos dela, pensou Bárbara.
Ás aulas haviam passado rápido, mais e mais trabalho e redação... Engraçado, poderia reclamar sobre os trabalhos, mas não sobre a redação; sim.... realmente Babih gostava de escrever, afinal seu sonho em segredo era ser escritora. Pensara que poderia até fazer algo a ver com literatura, mas a timidez era mais alta... “ Sim, a droga da minha timidez sempre vence.”
Chegou em casa com nem tão pressa assim, já que teria que “almoçar” ( se é que poderia chamar aquilo de almoçar) a bendita gororoba que Graça havia feito. Jogou sua mochila em cima da cama, e foi lentamente em direção a cozinha.
-Hm... Já chegou! Sente-se para eu poder te servir! – Graça agora colocava a panela em cima da mesa e despejava aquele liquido laranja com macarrão no prato da garota. Como a empregada não viu nenhuma reação da menina acrescentou- Vamos Bárbara! Não é o fim do mundo!
Bárbara pegou a colher com um pouco de “gororoba” e enfiou na boca... – Hm... Tá delicioso Graça! – mentira aquilo realmente era horrível – Mas... Bem que você poderia ir pegar o DVD de Sobrenatural lá na casa de Heloisa... Sabe?
-Promete que vai deixar o prato limpinho? – falou a mulher olhando seriamente para a menina.
-Hu-hum sim claro. – A garota agora pegara novamente a colher e enfiava na boca . A empregada tirou o avental e foi em direção a porta. Barbara esperou a mulher bater a porta para levantasse e ir em direção a lavanda, lá estava seu cachorrinho Ioki, sorriu para ele e despejou a comida na tigela do próprio. – Há, há ,há Graça! Ela parece que nem se lembra quem eu sou, não é mesmo Ioki? – Algum tempo depois voltou para a cozinha e sentou-se á esperar a mulher voltar...
Graça ficou contente ao ver o prato limpinho, mas a garota continha um receio por mentir para a coitada da empregada. Há noite sua mãe havia chegado e agora estará batendo na porta do seu quarto.
-Pode entrar! – Gritou a menina tentando esconder um pouco a bagunça que estava naquele cômodo.
-Filha... Temos que conversar algo....
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