A cigana e o Véu

5 Capitulo 4 – Julius Carter


Capitulo 4 – Julius Carter

6 meses depois da estreia da série, início das gravações da segunda temporada...

O elenco se reuniu novamente no prédio de um dos estúdios que a produtora locava em Capitola, para as gravações. Julius estava apresentando ao elenco e produção, além do cronograma das próximas filmagens, uma breve revisão do que foi contado na primeira temporada.

-Fazendo um pequeno resumo da história até aqui:

“Tudo começa com Verônica e Joseph Lancaster na estrada, dentro do trailer deles saindo da 5ª cidade em 5 meses. Estavam morando na estrada há 10 anos. 10 anos casados. Eram dois ciganos sem tribo, viraram desgarrados. Por que o pai de Verônica era inimigo do pai de Joseph e não consentiu o casamento.

Desde então os dois vivem pelo mundo de pequenos bicos e trambiques. Mas toda alta temporada os dois partem para a pequena cidade onde o tio de Joseph, morava.

O tio Nicolas, tinha um bar em uma cidade litorânea. Lá era o lugar onde eles passavam mais tempo parados. Ficavam do início ao fim do verão, ajudando o tio com a alta da estação.

Embora eles ficassem apenas 3 ou 4 meses na cidade ao ano, eram muito queridos e aguardados, pois eles meio que agitavam a região. Pessoas de outras cidades vinham ver as atrações que os dois traziam. Sempre havia uma pessoa ou outra que aproveitava que os 2 assentavam para visitá-los. Eles sempre traziam novidades com eles. Ponto crucial do início da história: Em 10 anos de casamento Verônica nunca engravidou e para um cigano isso é motivo de tristeza não passar sua descendência adiante. Mas Joseph, já havia se conformado com isso.

Acontece que quando Joseph e Verônica já estavam prestes a sair da cidade, seu tio Nicolas faleceu. Ele só tinha um neto chamado Caleb, de 19 anos que estava na faculdade e não sabia de nada do negócio, então eles se viram na obrigação de ajuda-lo.

Foi aí que eles conheceram Lilian Lander, que imediatamente se interessou pelo bar oferecendo seus serviços de corretora, pois a região estava muito valorizada e com certeza a comissão seria altíssima.

Joseph estava pronto para apoiar seu primo no que ele resolvesse fazer, foi quando Verônica viu ali uma oportunidade. Ela propôs ao primo Caleb uma sociedade de 50% a 50%. Ela não tinha dinheiro para comprar o bar todo, mas a metade ela tinha, era todo seu dinheiro guardado. Nisso Joseph se viu desorientado: primeiro não sabia desse dinheiro da esposa, segundo nunca pensou em se firmar em lugar algum e achava que Verônica pensava da mesma forma.

Então Verônica lhe respondeu que gostava da vida de nômade, mas não poderia mais estar nela pois estava grávida e não teria um filho sem os devidos cuidados, solta no vento e sem família para apoiar. Disse que aquela oportunidade foi enviada pela Santa Sara Cáli, pois nunca se viu sendo uma mãe nômade e que sempre tomou cuidados para não engravidar, porém não fez a troca do DIU hormonal e esse deixou de ser eficaz por isso estava grávida.

Ao saber disso Joseph ficou revoltado, por que a Verônica escondeu isso dele? Ele sempre achou que os dois tinham alguma relação de confiança, mas aconteceu que Verônica achava que para ele tanto fazia. Das vezes em que conversou com o Joseph sobre filhos ele falava que não se preocupasse, que para ele mais valia estar com ela. E nunca foi segredo para ele que ela não queria ser mãe na estrada, ele só não sabia que ela estava evitando de propósito, achava que ela falava isso para não ficar por baixo porque não podia.

Voltou a perguntar por que ela não disse do DIU. Ela deu de ombros e disse que desde sempre ele fez muita questão de evitar ouvir o que ela fazia no médico, a não ser que estivesse doente e precisasse de cuidados.

A verdade era que essa era a forma dele não morrer de ciúmes por saber que outro homem estava vendo as partes mais íntimas de sua mulher. Essa vida de estrada não permitia que ele fosse seletivo quanto a quem os socorria, se era homem ou mulher.

Depois de tudo esclarecido, os dois e Caleb começaram a se acertar no novo negócio. Enquanto isso acontecia, Lilian estava sempre tentando convencer os três a vender a propriedade que começava a ficar destoante do resto dos empreendimentos da região.

Aos poucos Lílian começou a se enturmar com eles. No começo para lhes ganhar a confiança, depois meio que ela notou o conceito muito forte de comunidade que eles foram adquirindo por ali.

Lilian estava em uma crise no seu casamento com August. Os dois tinham uma filha de 18 anos, Alice, e estavam casados há 20 anos, desde a formatura de Lilian. A família suportou vários desafios inclusive a residência e especialização de August, e depois disso, sua vida corrida de cirurgião. Os dois viveram os últimos anos mais afastados do que juntos e hoje, com uma filha quase na faculdade e uma carreira de certa forma consolidada, Lilian se sentia profundamente só.

August tinha se tornado um cirurgião renomado em um grande centro médico há 4 anos. Estava mais atarefado do que nunca pois vinha cuidando dos pacientes antigos de seu tutor desde que ele faleceu. Dedicado a tudo o que se propunha, era sempre rigoroso e focado. Porém, mesmo sentindo que havia chegado onde queria não sabia mais o que fazer a partir daí. Olhando para trás sabia que tinha sacrificado muita coisa, inclusive a convivência e proximidade com sua filha e esposa.

Joseph conheceu August em um momento um pouco constrangedor para ele. Sua esposa Verônica e ele foram juntos a primeira consulta sobre a gravidez. August deu as primeiras orientações a respeito e indicou um obstetra para melhor acompanhamento e deixou-se à disposição dos 2 para dúvidas e contratempos eminentes.

De cara Joseph gostou do jeito sério e respeitoso do rapaz, empolgado ele convidou o doutor para conhecer o seu bar oferecendo um drink de cortesia. August agradeceu a gentileza, informando que já conhecia o bar há algum tempo, mas não o frequentara nos últimos tempos por conta da rotina apertada. Um tempo depois, Joseph, Lilian e Auguste se envolveram em um acidente de trânsito onde os Lander e uma terceira família saíram machucados, Joseph ajudou August a socorrer a todos, tirando pessoas de escombros e prestando socorros de emergência.

Só quando tudo acabou August notou que estava seriamente ferido e desmaiou. Ele ficou entre a vida e a morte e viu tudo o que perdeu junto à mulher e a filha, isso mudou a perspectiva dele.

Em suas divagações durante sua convalescença, August se lembrou do tempo em que era criança e que seu sonho era ter o bar do tio Nicholas, amigo do seu pai. Ele sempre gostou do ambiente, das pessoas, da música..., mas seu pai sempre o contornava e falava da importância da carreira de ser médico, que era o ápice de tudo de bom que o ser humano já havia construído... que médicos brincavam de serem deuses salvando pessoas. E nisso sua vida foi sendo direcionada para algo bem distante de seu sonho infantil.

Em seu período hospitalizado, ele e Joseph se tornaram próximos. Joseph vinha visitá-lo e lhe contava suas histórias, aventuras e trambiques para distraí-lo. Contou do bar e como ele, a esposa e o primo estavam levando as coisas.

Depois de 6 meses de recuperação, August descobriu que ficou com uma sequela nas mãos e não poderia mais ser cirurgião. O que fez ele ter mais ímpeto para o que pretendia fazer. Não conseguia estar mais como antes e precisava de uma mudança.

Resolveu reabrir o antigo consultório de seu tutor na cidade natal que era a mesma de Joseph. Desse período em diante a amizade dele se tornou mais próxima. August, resolveu ajudar Joseph com a burocracia de seu negócio já que Joseph, não tinha muita experiência com aquilo.

Caleb então viu uma oportunidade de:

A – Não desamparar sua família.

B – Não ficar preso ao negócio de seu avô.

C – Ter dinheiro o suficiente para terminar a faculdade.

Ele viu os olhos de Auguste brilhando por aquilo então decidi oferecer- lhe os outros 50% do negócio, assim August que já estava ajudando e se dando bem com os outros poderia, com mais confiança, trabalhar no negócio. August aceitou e foi assim que os dois casais entraram na vida em definitivo um do outro.“

(Esse foi o final da 1ª temporada...)

A reunião já estava acontecendo a 1h e Agatha estava notando alguma coisa de muito errado no ambiente, o clima estava muito pesado. Todo mundo quieto sem entender muito bem porque Julius formulou um resumo tão longo da primeira temporada. Tudo bem que tinham dois ou três novatos, mas ele não parou de falar por 40 minutos inteiros.

Aquilo era um sinal gritante de que ele estava nervoso. Olhou para Nick sentado no ponto mais distante que conseguiria estar do marido. Estava de calça e blusa de moletom cinza, totalmente amarfalhadas, o capuz por cima da cabeça e óculos escuros sentado totalmente rígido com as mãos no bolso da calça, uma das pernas apoiadas na outra e olhando em direção a Julius de uma forma nitidamente acusatória.

Agatha se levantou e foi em direção ao amigo, sentou ao seu lado no banco largo, passando o braço no antebraço dele. Nick catou sua mão, beijando seu dorso e segurando a em seu peito. Ela se acomodou em seu ombro, sentiu o dorso da mão molhar com a lágrima do amigo quando ele a beijou. Olhou com um frecha de olho para Julius. A merda tinha sido bem feia.

Julius continuou:

- Bom, a partir desse ponto da história vamos começar a 2ª temporada. Aqui nós vamos começar a focar mais nos problemas da comunidade com relação a especulação imobiliária da região e também nos romances paralelos de Caleb e Alice – apontou para os atores principais mais jovens ali – E o caso extraconjugal de Lilian e Joseph. – A voz dele falhou um pouco, deu uma tossida.

Nick deu uma risada sem humor se soltando de Agatha e começou a bater palmas:

- Que maravilhoso! Pena que eu só traio na ficção. Houve uns 3 segundos de silêncio tenso.

- Outro ponto que tenho que falar com vocês é sobre...

- E aí pessoal! Desculpem o atraso! Ai o trânsito daqui está horrível! – William interrompeu a reunião, de maneira mais efusiva que o normal, cumprimentando os mais próximos e se sentando ao lado de Debora que lhe lançou um olhar cúmplice.

Agatha sentiu Nick tencionando do seu lado enquanto Julius ficava pálido. Ele foi em direção a William imediatamente, o segurando pelo braço e o puxando para levantar. Willian não ofereceu resistência de início, mas quando Julius fez menção de sair com ele da sala o mesmo perguntou bem alto onde ele o estava levando. Julius sussurrou alguma coisa pra ele e o mesmo pareceu não saber mais como ser discreto.

- Mas você não me falou o porquê de eu não poder comparecer. Afinal o que é que tem a ver o meu trabalho com o corno do seu marido? Ele já deve estar acostumado a levar chifre, não é Nicanor? – Falou olhando pra figura de Nick e se arrependendo amargamente depois.

Agatha sequer viu quando Nick se levantou. Ela apenas viu aquele borrão cinza fazendo cadeiras e mesas dobráveis voarem da frente dele.

A sorte de William foram dois cameramans bombados e Julius, que conseguiram interceptar Nick no meio do seu caminho do vingador direto para o assassinato.

Mas ele ainda conseguiu empurrar William e vê-lo cair estatelado, batendo com a cabeça no chão.

- Seu michêzinho, vagabundo de merda! – Berrou Nick ainda tentando se soltar – Eu espero que você tenha feito um excelente pé de meia com esse papelzinho que você conseguiu dando a bunda pro meu marido! Por que se depender de mim, você só vai conseguir emprego na casa de prostituição de onde a porra do teu agente te tirou!

Por dois segundos William deixou transparecer a humilhação daquelas palavras, Agatha não tinha certeza, mas talvez aquilo não fossem apenas insultos soltos. Depois William riu debochado, se levantando.

- Não seja tão dramático, Nicanor! Você fez a mesma coisa que eu! Vocês traíram o Tales sem remorso algum! – dizia ele próximo demais para o seu próprio bem confiando em três homens já meio cansados de segurar o grandão – Agora você tem saudades do Tales, né Julius? Pelo menos ele deixava você comer em vez de ser comido toda vez...

Nick conseguiu dar uma cabeçada com toda sua força em William que caiu novamente estatelado no chão, dessa vez com o supercílio rasgado e sangrando. O resto da equipe e do elenco começou a se mobilizar para acabar com a confusão, Débora ajudou William a se levantar, tinha pego alguns lenços de papel de cima da mesa e colocou- os no corte da cabeça de William. Aproveitou que ele estava meio tonto e o tirou dali, Julius procurou sua assistente pelo salão e quando a achou fez sinal pra ela seguir os dois que saíram.

Com ajuda de outras pessoas do elenco conseguiram fazer com que Nick se sentasse, ele também cortou a testa a cima da sobrancelha direita. Estava derramando sangue sobre o rosto. Trouxeram mais lenços de papel e alguém trouxe um pouco de gelo. Ele precisava ir a um hospital também.

Agatha se prontificou a levá-lo. Greg, o ator que fazia Caleb também se escalou para ajudar caso ele passasse mal no caminho devido a pancada. Mas antes de sair Nick ainda olhou para trás e apontando direto para o marido, falou:

- Se você ainda quiser ver a minha cara ou a cara do meu filho na sua frente, faça com que eu sequer lembre que aquele pedaço de estrume existe.

E saiu com Agatha e Greg servindo de apoio moral do lado dele. Agatha e Greg conseguiram fazer Nick se acalmar um pouco no caminho do hospital. Pelo menos ele chegou lá sem querer arrancar o pedaço de ninguém. Falaram para o médico residente que ele teve um encontro com uma porta.

- Uma portinha vagabunda, doutor. Tô muito melhor que ela, acredite em mim.

Greg e Agatha deram graças a Deus de não terem topado com William e Débora no hospital. A ideia de ir para o segundo hospital mais próximo deu certo e Nick estava absorto demais pra ter notado.

Agatha deixou Greg em casa depois levou Nick para casa dela. No meio do caminho Nick ligou para a babá pedindo pra ela preparar uma mochila com uma troca de roupas para LJ, filho dele com Julius, e quando fosse buscar o menino na escola levasse ele e Alexandre para casa de Agatha, como já era de costume uma ou duas vezes na semana. Os dois estudavam na mesma escola e ano.

A escola dos meninos era perto da casa de Agatha, então acabaram chegando quase juntos. Alexandre viu a mãe primeiro e correu para abraçá-la. Agatha retribuiu com dez vezes o entusiasmo.

- Oi Nick-Nick! Tudo bem, meu amor? – Agatha cumprimentou LJ o chamando para um abraço também. Ele a abraçou meio acanhado, mas sorridente.

Agatha o chamava de Nick-Nick desde que o conheceu. O nome dele era Julius Nicanor Loren-Carter a junção total do nome dos pais.

Ele também era chamado de Júnior (junção de Julius e Nicanor) ou LJ (Little Junior).

Júnior era fruto de uma inseminação artificial feita em uma barriga de aluguel. Os pais misturaram o material genético para não saber quem é o genitor, mas quando Junior nasceu a semelhança com Nick era tanta que não tinha nem como duvidar a paternidade dele. Então para Agatha ele era o Nick 2 ou Nick-Nick.

- Sim, e eu aqui? Não ganho abraços quentinhos?

- Pai? – Junior olhou para o pai confuso, depois viu a testa machucada e correu para ele. Nick o abraçou tirando ele do chão, mesmo em meio a protestos do filho. – Pai! Para com isso! Os vizinhos vão rir da nossa cara!

- Vão morrer de inveja isso sim! – E começou uma seção de beijos no rosto do menino, que tentava desviar meio sufocado. Depois de tal tortura Nick soltou Junior que quase correu do pai, mas lembrou de perguntar o que tinha sido o corte na cabeça.

- Ahhh, tentei matar uma barata com a cabeça e ela resistiu um pouquinho.

- Eca, pai! – Junior fez cara de nojo.

- É não foi uma boa ideia... – Nick concordou assentindo enquanto esfregava a cabeça do filho.

- Oi, tio MarineHero...- Alexandre se aproximou meio acanhado dos dois. Nick deu aquela risadinha cansada de quem já tinha tentado horrores e deu um abraço de urso no menino.

- É tio Nick, meu bem. – falou também esfregando a cabeça de Alexandre.

Agatha riu da cena também. Alexandre ainda não tinha se acostumado com o fato de que o herói favorito dele frequentava sua casa.

As crianças foram brincar no playground enquanto ela e Nick foram para a antessala que Agatha tinha no seu quarto.

Lá Nick contou toda a história. Julius conhecia Willian a anos. Os dois começaram a vida sozinhos na adolescência de forma dura, sem apoio familiar, fugidos da repressão depois de terem se assumido.

Eles se juntaram a um grupo de amigos, sobrevivendo nas ruas da maneira que dava. Aos poucos eles foram se dispersando até só sobrarem eles dois. Então Julius e Willian conheceram Tales Juarez, que era um mexicano rico que gostava da companhia deles. Juarez tinha contatos no Show business e prometeu colocá-los em agencias de modelos em troca de se satisfazer com eles. Era uma espécie de trisal. Até que Julius começou a realmente chamar atenção no meio e começar a ser mais independente de Tales.

- Mas mesmo depois que Julius já fazia sucesso por se, a relação deles durou muitos anos... Então ele me conheceu. E a gente se apegou de cara. E você sabe como eu sou careta. Não gosto desse negócio de relacionamento aberto. Então ele me escolheu, ou pelo menos eu achei que tinha...

- Como você descobriu? – perguntou Agatha.

- Como sempre. Willian tem o prazer de me abordar no local mais público que achar e contar toda vez que Julius me trai com ele... Essa é a terceira vez em 15 anos...

- Nick... – disse Agatha pasma, meneando a cabeça.

- Ele sabe que eu odeio escândalo e que eu sempre escuto calado. Eu sempre me separo... Julius tem os momentos de “revive’ com ele, depois se arrepende... me implora perdão... e eu sempre caio como o completo trouxa que eu sou...Eu achei que as coisas tinham mudado depois do casamento e LJ... A última vez foi a mais de 10 anos...

- Por que você aceitou trabalhar com Willian?

- Por que Julius me implorou...! – Ele pôs o rosto nas mãos exaltado. Nick continuou. – Disse que Willian tinha umas provas comprometedoras do tempo em que ele e Tales saíam e o estava ameaçando.

E eu tinha que fazer a série pra ela sair, você sabe. Charlotte só liberou por conta disso.

- Eu sei...

- Ele prometeu que Willian se comportaria... Que as coisas tinham mudado...

- Mas amigo, você tem certeza? Ele te deu provas?

- Eu não precisei de prova nenhuma depois que eu confrontei o arrombado do meu marido! Eu conheço aquele infeliz a 15 anos, ele nunca conseguiu mentir quando fazia merda pra mim.

- E o que você pretende fazer agora?

- Não sei... Estava pensando em contratar uns dois jagunços pra torturar Willian até ele morrer gritando sem os dentes, depois desmembrá-lo, pôr a merda do corpo dele em uns saco de lixo e dar de comida para os peixes.

Agatha paralisou dois segundos calculando se aquilo era sério:

- Um plano B?

- Arrancar o pênis do meu marido. Conservaria o que eu preciso dele e acabaria com 100% dos meus problemas.

- Huummm... – Essa ela confessava que considerou. – Que tal essa? Você se separa desse boy lixo e faz terapia pra não ir parar na cadeia e começa uma vida nova. O que você, acha?

- Me separar de Julius, pra quê?! Agora que ele tá no topo eu vou deixá- lo?? Depois de ter trabalhado 15 anos junto com ele pra isso?! Não senhora! O contrato diz até que a morte nos separe! – Nick exclamou exaltado – Se ele quiser se ver livre de mim, ele que morra!

-Nick! Olha pra mim amigo! Você não precisa de Julius pra nada! Você sabe disso!

- Eu sei...! Não é que eu precise..., mas eu quero aquele desgraçado! É dependência emocional! Pode jogar na minha cara! E outra! Eu me recuso a deixar ele assumir a merda aquele projeto de figura pública!

Agatha contou até dez, pra não dar na cara do amigo, enfurecida.

Nick passou o resto da tarde brincando com os meninos pelo quintal com mais energia até que as crianças. Parecia querer evitar mais tentativas de Agatha, para convencê-lo de que ele deveria mandar Julius pastar. Os dois só foram embora depois do jantar. Agatha quase que pede pra LJ dormir lá. O menino estava caindo de sono.


Nick disse que não precisava se preocupar. Ele pôs LJ no carro e fechou a porta para se despedir de Agatha. Ele completou dizendo que aquele menino nunca viu uma briga dos pais. Depois que ele nasceu os dois desenvolveram a habilidade de brigar civilizadamente.

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*


Dias depois a alguns quilômetros dali, no escritório de Henry...

- Mas que merda, Julius! O que diabos você fez?! Por que você não me falou do problema que era William Fischer! – Disse Henry sem preâmbulos assim que Julius abriu a porta do seu escritório.


Julius bateu a porta ao passar se sentando exasperado a frente de Henry.


- Não achei que seria um problema. – disse Julius pela enésima vez, com as mãos nas têmporas, cotovelos apoiados na mesa. – Achei que ele não seria idiota ao ponto de atirar no próprio pé!

Faziam dias que todos estavam tentando lhe dar com a situação de Willian Fischer. Ele estava ameaçando abrir para a imprensa toda a história. A SUA versão da história... caso não lhe dessem o que ele queria.

-Ele atirou no SEU pé, Julius! É VOCÊ QUE ESTÁ MANCANDO! – Henry esfregava os olhos tentando se controlar – Ele ligou diretamente para o escritório do meu sócio contando o lado dele da história! Disse que vai processar você e Nick por difamação, calúnia e agressão, a não ser que façamos um acordo generoso com ele. – Henry esfregou o queixo. – Por último ele exigiu que Nick saísse pra ele continuar na série.

Julius começou a rir sem humor.


- É um idiota pretencioso mesmo. Ele acha que Nick está ali por minha causa, por que eu o quis lá. Se ele soubesse o trabalho que eu tive pra convencê-lo. – Julius parou pensativo um instante – Sabe o que é o pior? Dessa vez eu não fiz nada! Bom, não que eu me lembre pelo menos...


- Ah Julius me poupe...!

- É sério! Eu me encontrei com Willian no bar do nada! Faziam mais de 10 anos que não nos víamos, desde que eu casei oficialmente com Nick. Nós ficamos conversando normalmente, botando o papo em dia. Eu me lembro de beber alguns drinks e depois apaguei. Acordei pelado no apartamento dele. Alguns dias depois ele me mandou algumas fotos de nós dois na cama e me perguntando sobre a série, que ele ficaria perfeito como August e já estava ansioso para começar. – Julius coçou a cabeça como se tentasse lembrar de algo – Porra, foi tão confuso pra mim que quando Nick me confrontou nem me defender eu consegui!


Henry ponderou alguns instantes, depois pediu mais informações sobre o nome do bar, datas, horários e o que mais Julius lembrasse. Então ligou para a agencia de investigação de sempre e passou aqueles detalhes sobre o caso. Apesar de fazer um tempo, talvez conseguissem o suficiente para montar algo contra Fischer e reverter a situação.

- De qualquer forma a males que vem para o bem. – disse por fim.

- Do que você tá falando?


- August. De você. Agora ele está livre pra ser todo seu. Henry meneou com a cabeça.

- Não sei se seria boa ideia... Agatha...


- Você vai ter que enfrentar ela em algum momento, meu caro! Se não for agora não vai ser nunca. E outra, nenhum personagem lhe favoreceria tanto uma aproximação quanto August. Veja bem, do meio para o fim dessa temporada ele e Verônica começarão a se aproximar gradativamente. É perfeito!


Henry assentiu, parando pra pensar sobre como certas coisas nessa história toda tinham seu próprio jeito explosivo de acontecer.


Notas finais
Esse livro está completo na Amazon! Compre ou baixe de graça usando a sua assinatura da Kindle! Aproveite e ajude a autora!😁👍🏽♥️ https://a.co/d/hV4CvAV
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.