Depois de ter desafivelado o cinto em sua poltrona de primeira classe, no voo direto de Los Angeles para São Paulo, sabendo que já estava a milhas de distância e que dali não poderia mais voltar, Agatha finalmente se deu permissão para ler o conteúdo que segurava nas mãos frias de ansiedade. Ali talvez estivesse seu futuro e a esperança de ter alguém que amaria de verdade ou apenas o alivio de não deixar nada que a ligasse ao seu passado.

Agatha ainda sentia o peito sangrando pelos ataques que recebeu, tanto da mídia quanto do público que acompanhou seu trabalho desde mais jovem, mas principalmente pelo abandono do homem a quem ela ainda amava, que jugou integro, honesto, de palavras e atitudes fortes, mas que no final quando mais precisou dele se viu sozinha. Ele simplesmente sumiu, depois de uma cena mal compreendida, mesmo com tudo o que viveram juntos e as promessas que fizeram um ao outro.

Abriu o envelope e desdobrou o papel devagar. Ao ver o que estava escrito soube que nunca mais na vida poderia ser nada além de forte. Se aquele serzinho dentro dela vingasse, teria que descobrir como protegê-lo de toda aquela podridão ao qual ela própria escapara.

Precisava descobrir: Como esconder o filho de uma estrela.