Notas iniciais
Espero que gostem!!

Não acredito que estou aqui, não acredito... que estou MESMO aqui— Pensei, enquanto me dirigia para a saída do avião. — Isto vai correr tão mal.

Não fazia a mínima ideia de como era suposto ir para casa da minha tia. Primeiro, não ia a Vegas desde que tinha cerca de... 7 anos? Será que era suposto que eu me lembrasse da morada? Isto, se ela ainda morasse no mesmo sítio. O que eu achava muito improvável. Ri-me ao pensar nisto. Claro, como se isso fosse mesmo possível. Segundo, mal me lembrava da cara dela. Se a vi 3 ou 4 vezes na vida, foi muito.
Desci as escadas que começavam na porta do avião e terminavam no chão de cimento do exterior, fazendo um esforço terrível para não pensar na merda em que estava metida. A seguir, metemo-nos numa espécie de autocarro que nos levou até à entrada do aeroporto.

Ótimo. Agora ainda tenho de ir buscar as malas. Já me lembro porque é que detesto viajar.

Não quis prolongar ainda mais a minha estadia naquele aeroporto desconhecido e frio, e dirigi-me rapidamente ao tapete rolante de onde surgiam quantidades intermináveis de malas, bolsas, e coisas que eu nem sequer conseguia identificar. Ao fim de 1 hora, avisto a minha mala.

FINALMENTE. LIVRE.

Andei pelo aeroporto (seguindo todas as tabuletas) durante mais ou menos 45 minutos. Nunca tinha visto um aeroporto daquele tamanho. A sério. Nunca.

Ainda bem que trouxe pouca coisa.

Depois de fazer tudo o que havia a fazer e de tratar de todas as burocracias chatas e inúteis, segui para onde era suposto ser o desembarque (aquele que, FINALMENTE, me levaria para fora daquele maldito aeroporto).
Foi aqui que comecei a ficar... preocupada. Eu estava sozinha. Completamente sozinha, num país totalmente desconhecido e diferente. Não conhecia ninguém e mal me lembrava da cara da minha tia. Não fazia ideia de como ia ter a casa dela e, sinceramente, só queria voltar para o Reino Unido e viver a minha vida normal.
Dentro do meu pânico ainda havia alguma calma (se é que isto faz algum sentido) e foi isso que me permitiu ultrapassar o torniquete que separava a saída dos aviões da sala de espera e começar a olhar em volta, na esperança que a minha mãe, pelo menos, tivesse dito a alguém para me ir buscar e que essa pessoa me reconhecesse, mesmo que eu não fosse capaz de o fazer.
Os meus olhos percorreram vezes e vezes sem conta aquela sala, olhei em todas as direções e para toda a gente que me aparecia à frente, como que à espera que alguém se dirigisse a mim e me desse uma "boa" notícia.
Repeti o processo algumas vezes até que senti alguém a tocar-me no ombro, por trás.

— Olá... Anna? — Ouvi uma voz masculina bastante doce e calma.
Voltei-me para ele.
— Sim, sou eu. Quem és tu? — disse com um olhar confuso e tenso.
— Artur. Trabalho para a tua tia... Sou motorista. — Sorri para mim — deixa-me levar a tua mala, estacionei aqui perto.
— Sim... Claro. — Estendi a mão e passei-lhe a mala. Pegou nela e foi até ao carro, à minha frente, como que a pedir para que eu o seguisse.
Tinha um sorriso muito bonito, querido e não parecia ter mais de 21 anos.

Seguimos por uma rua repleta de prédios, edifícios mais pequenos com cafés e pequenas lojas bastante coloridas e amistosas, até chegarmos a um Range Rover branco lindo de morrer.

— Este carro é dela?! — Pergunto, admirada.
— Sim... — Ri-se. — Ela não vive propriamente mal.
— Pois... Parece-me que não vive nada mal. Nada, nada mal.
Ele sorri para mim mais uma vez e abre-me a porta do pendura para eu entrar.
A viagem começa num silêncio bastante desconfortável e forçado. Não estava a sentir-me nada à vontade naquela situação toda. Não estava habituada a motoristas e carros daquele género, nem mesmo do tempo em que a minha família vivia bem economicamente. Não estava habituada àquela cidade que não tinha rigorosamente nada a ver comigo e só me via a dar em louca rapidamente. Mesmo assim... Sentia-me mais calma.

— Gosto muito do teu sotaque inglês. Não sabia que vinhas de lá. — Diz-me sem desviar os olhos da estrada, quebrando o silêncio.
— Sim, eu... Sou de Londres. É muito bonito. — Faço um pequeno sorriso triste, enquanto me lembro da minha linda terra... Terra que fui obrigada a abandonar.
— Acredito que seja. — Ri-se. — E isto? Do pouco que conseguiste ver até agora através da pequena janela, que te parece?
— Horrível. — Dou uma gargalhada. — Parece uma casa de bonecas gigante, mas as pessoas andam com muito menos roupa.
Neste momento ele olha para mim, desviando os olhos da estrada, com um sorriso grande e aberto.
— Achas? Espera até veres a parte menos... Family friendly da cidade... — Ri e volta a fixar o olhar na estrada.
— Valha-me deus. Onde eu me fui meter. — Não consegui conter o sorriso. Não por estar feliz por estar aqui, mas por estar feliz por... Estar com ele? Não sei. Mas sinto-me mais calma desde que o vi naquele maldito aeroporto.
O resto da viagem continua e vamos falando sobre diversos assuntos: aulas, trabalho, principais diferenças entre Londres e Vegas (à primeira vista), relações amorosas e de amizade (acabei por descobrir que, tal como eu, não namorava), do que o levou para Vegas e como acabou a trabalhar para a minha tia, tendo apenas 21 anos de idade (acertei).
Foi para Vegas depois dos seus pais morrerem. A mãe foi a primeira, morreu quando ele tinha apenas 14 anos de idade. O pai deu em louco, começou a beber que nem um desalmado e, numa noite, partiu tudo o que havia em casa deles. As coisas iam sempre piorando, até que ele decidiu que a melhor opção era interná-lo.
Ele acabou por falecer também, dois anos depois, o que fez com que ele decidisse que tinha de se mudar e começar de novo. Saiu da escola logo que completou 18 anos e foi... à procura.
Quando chegou a Vegas, conheceu a minha tia numa festa social qualquer ainda antes de ela se mudar para aquela casa enorme, quando ainda estava tudo no início... Os seus... Negócios. Ele sabia dos negócios. Mesmo assim, não me senti à vontade para lhe contar o que a minha mãe me tinha obrigado a ir para lá fazer. Desejei que ele não suspeitasse... mas ela era minha tia. Dificilmente ele ia achar que ela me ia meter a fazer aquele tipo de trabalho.
Acabou por ir com ela e tornou-se seu motorista. Vivia lá e passava grande parte do tempo naquela casa. Dava-se muito bem com ela e tinha imensas regalias, ao contrário dos outros empregados.
Sem dar por isso, passadas 2 horas e meia, a viagem termina e o Artur estaciona o incrível Range Rover em frente à enorme casa (não, mansão) que rasgava o céu azul limpo que estava nesse final de tarde.

— Bem, Anna. Chegámos! — Olha-me mais uma vez e sorri, sendo, desta vez, um sorriso... Ainda mais amoroso que os anteriores.
— Não estavas a brincar quando disseste que ela não vivia mal, huh. — Dou uma pequena gargalhada, mudando de expressão imediatamente.
— Anna... Eu sei que deve estar a ser difícil para ti sair do teu país e vir para aqui. Não sei quais foram as razões, e não tens de me dizer. Mas espero que saibas que eu... Te percebo. Não me conheces há anos, mas se precisares de alguma coisa... — Mete a mão no meu ombro e aperta-o levemente, enquando eu olho pela janela, mirando aquela que vai passar a ser a minha casa.
— Obrigada, Artur. A sério. Foste incrível estas horas e eu só quero agradecer-te. — Sorrimos um para o outro e ficamos assim um bocado.
— Bem... É melhor irmos. Ela está à tua espera. — Abre a sua porta e sai. Dirige-se à minha.
— Está? Huh. Claro que está.

Notas finais
Deixem as vossas opiniões! Com amor, anónimo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.