A carta
6 Primeiro contato
Depois daquilo, as coisas meio que passaram voando pela cabeça de Harry. Ele se deu conta, no fundo da mente, que Dumbledore acompanhou o Sr. Hafflehub até a porta, e que Snape tinha ido com eles.
Harry não sabia o que pensar. Claro que ele tinha pensando na possibilidade de Snape ser seu pai, mas como uma realidade alternativa, tipo um mundo paralelo. Nunca uma realidade ali, próxima dele.
Dobby veio trazer uma bandeja com o café da manhã, mas Harry só comeu um pedaço de torrada com suco de laranja, ainda meio distraído, sem responder direito às perguntas do elfo. Antes de Harry dar o café por encerrado, Snape apareceu com um frasco e disse:
– Beba tudo.
Harry pegou a poção e tomou, olhando para Snape como se jamais o tivesse visto. E por um lado aquilo era a mais pura verdade.
Depois que Dobby saiu, Snape recolheu o frasco de poção e disse, numa voz que Harry nunca tinha ouvido antes:
– Acho que precisamos conversar.
Harry assentiu, a garganta seca demais para falar qualquer coisa.
– A poção o fará dormir um pouco – disse Snape – Melhor tentar descansar o máximo que puder. Voltarei mais tarde.
Harry sentiu os primeiros efeitos da poção assim que Snape fechou a porta. Ele não teria sequer tempo de ficar pensando naquilo. E caiu adormecido um minuto depois.
Quando ele acordou, parecia ser bem tarde – talvez de tardezinha. Harry tinha dormido tanto que ainda estava com sono, e ele sentia as costelas menos doloridas. Talvez o repouso estivesse mesmo dando certo.
Ele foi ao banheiro e tomou um banho, observando a miríade de frascos e vidros no chuveiro. Ao contrário do que todos imaginavam, Snape realmente sabia o que era xampu e lavava o cabelo! Harry estava impressionado.
Quando ele voltou para a cama, Snape saiu de uma porta lateral – provavelmente seu laboratório particular. Harry sentiu-se constrangido e disse:
– Acho que dormi demais.
– Bobagem. Era exatamente isso que você deveria estar fazendo: descansando.
– Sim, senhor.
– Não acredito que você tenha tido chance de refletir sobre... o que aconteceu.
Harry teve que confessar:
– Não muito. Tipo, o senhor é meu pai, e é só isso que eu pensei até agora.
Snape se sentou na cama, e Harry sentiu-o desconfortável. O rapaz chegou a sentir compaixão do Mestre de Poções. Aquilo estava sendo tão difícil para ele quanto era para Harry.
– Presumo que devamos conversar.
– Eu também acho – disse Harry – Eu... não sei direito o que dizer.
Snape ergueu a sobrancelha:
– Acho que seria um tanto inútil tentarmos ignorar tudo que aconteceu até agora. Você é uma das minhas pessoas menos favoritas, para dizer o mínimo. Eu sempre achei suas atitudes muito parecidas com... – ele se corrigiu a tempo – Thiago Potter.
– Foi meio natural – disse Harry – Todo mundo sempre me disse que eu era tão parecido com ele. Escute, eu vou ter que mudar de nome? Eu vou deixar de ser Harry Potter?
Snape fez um gesto com os ombros que Harry quase achou elegante:
– Só se você quiser. Posso chamá-lo de Harry?
– Claro. Er... posso chamá-lo de... outra coisa que não Prof. Snape?
– Você deve me chamar da maneira que achar mais confortável, Harry. Se quiser trocar seu nome, eu posso providenciar.
– Não, eu... Acho que vou ficar com esse. Pelo menos por enquanto.
– Amanhã eu estarei o dia inteiro fora cuidando de algumas formalidades que advieram da descoberta que fizemos hoje. Quando você estiver melhor de saúde, conversaremos melhor sobre outras implicações de nosso laço de parentesco.
– Eu vou ter que voltar aos Dursley?
– Não se depender de mim – disse Snape – Por outro lado, eu entendo que você queira manter relações com a única parente viva de sua mãe.
– Está brincando? O senhor viu como eles me tratavam! Não quero voltar lá enquanto viver.
– Acho melhor discutir isso com Dumbledore. Há ainda o pequeno assunto do laço de sangue que o protege do Lord das Trevas. Acredite em mim: quando as Trevas ficarem sabendo do que descobrimos hoje, você vai precisar de toda a proteção que puder obter.
– Mas... não pode ser meu guardião?
– Eu *já* sou seu guardião. Uma vez terminado o feitiço, isso ficou magicamente estabelecido. É uma das repercussões das quais eu lhe falei. De qualquer forma, eu costumo passar meus verões em Hogwarts, e eu entendo que isso seja um tanto quanto... entediante para você.
– Mas esse é o último verão que eu passarei aqui. Depois eu me formo.
– E já sabe o que pretende fazer da vida?
– Bom, auror é a carreira que eu mais me interesso.
– Então você deve se esforçar para obter melhores notas. Apenas os melhores das turmas são escolhidos para o treinamento.
– É, eu sei.
– Não sei o que esperava de nossa primeira conversa, Pot- quero dizer, Harry, mas acho que as coisas serão assim por algum tempo. Aproveitando que você está aqui, acho melhor você ver a primeira modificação que mandei trazer. Venha comigo.
Snape o levou à sala de onde emergiu. Era um pequeno quarto. Ali havia uma cama, algumas prateleiras vazias e uma escrivaninha.
– Este é o seu novo quarto. Não é muito, mas é apenas temporário até você voltar ao dormitório de sua casa quando as aulas começarem.
– Não vou poder ficar aqui com o senhor?
– Harry, você passou seis anos no dormitório de Grifinória. Não acredito que meus aposentos sejam assim tão atraentes.
– É que... bom, nós somos uma espécie de família, e as famílias moram juntas.
– Sim, mas regras são regras. Sinto muito.
Harry deu de ombros:
– Tudo bem.
Snape tinha uma voz engraçada ao dizer:
– Eu vou me esforçar para que sejamos uma família, Harry.
– Posso pedir uma coisa?
– Se for razoável, eu posso conceder.
– Não quero que Lúcio Malfoy seja meu padrinho.
Snape não entendeu nada:
– Mas do que você está falando, em nome de Merlin?
– Meu padrinho – disse Harry – Agora que eu sou seu filho, Sirius não é mais meu padrinho, e você pode escolher quem quiser para ser meu padrinho, mas eu não quero nenhum Malfoy para o cargo.
Aquilo tinha sido muito difícil de dizer, e Harry estava com os olhos cheios de lágrimas. Ele amava Sirius demais e ter que dizer adeus a ele seria a coisa mais dolorida que ele teria que fazer.
– Você está certo numa coisa, Harry: eu jamais convidaria Black para ser padrinho do meu filho – Harry sentiu algo no estômago quando ouviu aquilo – Mas também jamais teria Lúcio Malfoy como padrinho de um filho meu.
Aquilo aliviou Harry um pouco.
– Obrigado.
A contragosto, Snape disse:
– Na verdade, nada me resta a não ser aceitar o que já está estabelecido.
Harry não entendeu:
– Como assim?
– Black é seu padrinho há três anos. Vocês obviamente têm alguma ligação anterior que é forte. Eu reconheço isso. Ele pode continuar sendo seu padrinho. Se ele quiser.
– Sério mesmo? – Harry abriu um sorriso como se a luzinha da varinha do Sr. Hafflehub estivesse passeando de novo pelo seu corpo – Obrigado, muito obrigado!
Snape ressaltou, a voz cortante como Harry já conhecia:
– Mas se ele aprontar mais uma daquelas de deixar você solto no mundo trouxa, ele vai sofrer as conseqüências.
– Hum, isso é justo.
– Não, isso é generosidade demais para aquele vira-lata pulguento. Diga isso a ele quando você escrever para ele.
– Edwiges está aqui?
– Quem?
– Minha coruja. Aquela coruja-das-neves, uma das poucas de Hogwarts.
– Ela ainda está com Black. Vou providenciar livre passagem para ela aqui nas masmorras.
– Obrigado.
– Venha, Harry – convidou Snape – Está quase na hora do jantar. Você deve estar com fome.
Os dois comeram juntos, na grande escrivaninha de Snape no seu escritório. Harry se sentiu um pouco constrangido, a princípio, mas aquela era uma maneira de os dois irem se conhecendo. Snape disse:
– Amanhã eu não estarei aqui. Gostaria de levar você comigo, mas as ordens de Madame Pomfrey foram explícitas.
– Eu entendo – Harry se sentiu ousado – Prof- Quero dizer, o senhor ficou feliz com a decisão?
Snape pousou os talheres no prato e disse cuidadosamente:
– Harry, eu estaria mentindo se dissesse que não fiquei surpreso. Mas uma coisa é bom aprender a meu respeito. Eu geralmente faço o que devo, e reconheço meus deveres. Não sou dado a pequenos prazeres nem emoções. Claro que saber que sou pai foi no mínimo, impactante. Não sou de viver no passado, mas nesses últimos dias tenho me lembrando muito dele, a ponto de ficar imaginando o que teria acontecido se eu tivesse tomado decisões diferentes. Essa não é minha natureza. Não sou normalmente assim. Acho que ambos estamos muito impactados para reconhecermos direito nossas emoções. Talvez fosse bom nos darmos conta de tudo que isso implica, e irmos nos dando ao direito de irmos sentindo as coisas quando elas acontecerem.
Harry estava de olhos arregalados ao ouvir aquilo. Snape estava sendo honesto, sincero e até gentil com ele. Ele não tinha esperado aquilo.
– Mas... nós somos uma família?
– Mais do que você imagina, Harry.
– Me diz uma coisa: o senhor tem namorada?
– Não, não tenho. Eu não tenho... perfil para essas coisas.
– Mas o senhor não é tão velho assim.
– Não se trata apenas de uma questão de idade, Harry. É muito... complicado e particular.
– Desculpe. Não quis parecer enxerido. Eu só queria ver se a família poderia...er... aumentar.
– Isso, Harry, é assunto para mais tarde. Mas fique tranqüilo: eu lhe prometo uma família.
Aquelas palavras fizeram algo engraçado dentro de Harry. A vida toda de Harry, ele sempre quis ter uma família. Agora parecia que ele ia conseguir uma. Mesmo que fosse com Snape, a perspectiva o fazia se sentir animado como se tivesse cinco anos novamente.
– Já terminou? – perguntou Snape – Rapazes da sua idade costumam comer muito mais.
– Já terminei, obrigada.
Snape franziu o cenho, mas não insistiu. Ao invés disso, tirou um vidro com uma poção roxa e disse:
– Bem, aí está. Já sabe o que fazer.
Harry tomou a poção, fez uma careta e logo sentiu os efeitos. Ele se enfiou debaixo das cobertas leves de verão e em minutos, estava adormecido. Seu pai o encarava, com feições imperscrutáveis e um coração ainda pesado.
***
Harry passou um dia inteiro praticamente sozinho, mas não era grande coisa, porque ele passou o dia inteiro praticamente dormindo. Ele encontrou três vidrinhos de poções, cada um com um bilhetinho: depois do café, depois do almoço, antes de dormir. Conclusão: Harry mal ficou acordado naquele dia.
No dia seguinte, ele deixou a cama e foi tomar um banho, pensando que, se pudesse, ficaria acordado por três dias seguidos para compensar o tanto que tinha dormido. Em compensação, constatou, suas costelas não doíam mais tanto quanto antes.
Deixou o banheiro e entrou no escritório, onde Snape o surpreendeu, esperando com a mesa posta para duas pessoas. Harry disse:
– Bom-dia.
– Espero que tenha descansado bastante – Snape inclinou a cabeça – Gostaria de companhia para o café?
– Obrigado – ele se sentou diante do prato vazio e a comida apareceu magicamente – Resolveu tudo que tinha que resolver?
Snape assumiu uma expressão indecifrável no rosto e ele disse, sem se comprometer:
– A maior parte, sim. Mas acho que vai gostar de saber que consegui arranjar para seus dois amigos virem para cá.
O rosto de Harry se abriu no sorriso:
– Rony?
– E a Srta. Granger, também. Eles deverão chegar a qualquer momento, para passar alguns dias com você.
– Sério? Isso foi muito legal. Obrigado.
– Mas minha palavra vale: nada de se exceder nos próximos dias. Vocês poderão explorar o terreno em Hogwarts, mas nada de nadar no lago ou andar de vassoura. Seus ossos ainda estão frágeis.
– Sim, senhor.
– Estaremos fazendo nossas refeições na sala dos professores. Espero que os três se apresentem vestidos decentemente e limpos pontualmente no horário marcado.
– Sim, senhor. Como eles estão vindo para cá?
– Eu arrumei passagens para ambos no Expresso de Hogwarts, que faz essa viagem três vezes por semana no verão. O Prof. Dumbledore concordou que eles ficassem na Torre de Grifinória. Você prefere ficar lá enquanto eles estiverem aqui?
Harry ficou dividido. Claro que ele queria ir para a Torre e ficar com os amigos, mas por outro lado, era a chance de conhecer seu pai.
– Não, eu... posso ficar aqui nas masmorras.
Ele ainda brincou mentalmente com a idéia de que era filho do Snape. A coisa toda parecia ainda ser um tanto quanto fantasiosa, mas parecia que o mundo estava começando a voltar para os eixos. Com Rony e Hermione do lado dele, ele teria mais facilidade em lidar com tudo que estava acontecendo.
O café da manhã foi rápido. Snape alegou ter poções para fazer e convidou Harry a assistir enquanto seus amigos não chegavam. Harry concordou, observando o Mestre de Poções em ação. Ele imaginou que poderia usar sua recém-estabelecida conexão paterna para pedir ajuda extra em Poções par seus NIEMs. Ele bem que podia usar uma mãozinha.
Mas tudo isso foi esquecido assim que Harry chegou ao portão principal de Hogwarts, onde Rony e Hermione lutavam para trazer seus malões para dentro, ambos com os olhos muito vermelhos e aparência cansada. Só então ocorreu a Harry que seus amigos passaram a noite viajando. Aquilo tocou o coração do rapaz: como eles eram seus amigos.
– Harry! – gritou Hermione, correndo para abraçá-lo fortemente.
– Bom ver você, Hermione – ele sorriu, sincero – Você também, Rony.
– Ei, cara! – Rony sorriu – Como você está?
– Agora estou melhor. Não posso fazer muita coisa ainda. Estou proibido de nadar e andar de vassoura.
– Soubemos o que aconteceu – disse Hermione, séria – Ainda bem que o Prof. Snape tirou você logo daquele lugar.
Rony disse:
– Minha mãe mandou um monte de coisas para você. Nunca a vi tão brava como ela estava depois que soube o que os trouxas fizeram com você.
Harry não queria falar sobre aquilo. Ia parecer um fraco, e ele não queria se sentir assim.
– Vamos para a Torre de Grifinória – convidou Hermione, antes que ele abrisse a boca – Lá você pode nos contar tudo que está acontecendo. Estou louca para saber as novidades!
Eles terminaram apenas deixando a bagagem na torre e foram passear perto do lago, aproveitando o dia quente e ensolarado. Hermione tirou os sapatos e colocou os pés na água.
– Harry, eu nem sei como perguntar isso. Rony me falou sobre a carta de sua mãe. Estou pasma com tudo isso que está acontecendo.
Rony disse:
– Harry, não precisa mais se preocupar: meu pai disse que existe um feitiço que pode dizer quem é seu verdadeiro pai.
– Eu sei – disse Harry, que já tinha tirado os sapatos e estava olhando para o lago – Eu... fiz o feitiço.
Hermione soltou um grito agudo:
– Harry! Aquele feitiço é perigoso! Cria laços mágicos e de sangue! Você não ia contar para a gente?
– É claro que eu ia. Mas... não sei quando.
A verdade é que Harry mal tivera tempo de pensar naquilo tudo, e ele ainda se sentia dividido. Ele não sabia se estava feliz ou triste por ser filho de Snape.
– E aí? – quis saber Rony – O que deu?
Harry jogou uma pedra no lago e respondeu sem olhar para seus amigos:
– Eu sou filho dele.
Rony soltou um assovio curto. Hermione andou até ele e indagou, preocupada:
– Como se sente?
– Sei lá – ele deu de ombros – Acho que ainda não me dei conta direito do que aconteceu. Parece que é com outra pessoa, entende? Estou me sentindo muito estranho.
– Dá para entender – disse ela – É um assunto sério, Harry.
Rony quis saber:
– Ele gostou da idéia? Digo, ele te trata mal?
Harry respondeu:
– Não mesmo. Ele cuidou de mim quando eu me recuperava. Não foi tão babacão – ele abaixou a voz – Ele prometeu que seríamos uma família.
Hermione tocou o braço do amigo, emocionada:
– Oh, Harry...
Rony quis saber:
– É isso que você quer?
– Bom, eu sempre quis saber como seria ter uma família. Mas claro que nunca imaginei que seria com Snape.
– Você sempre sentiu falta de um pai, Harry, mesmo pensando que ele era Thiago Potter – lembrou Hermione – E pelo que você está dizendo, Snape parece disposto a ser um pai para você. Se você lhe der uma chance.
Harry concordou:
– É, e... é estranho, sabe? Ele fala comigo normalmente, agora está tudo diferente. Não sei como explicar. Não é mais aquele nojento seboso que a gente conhece.
– Vai com calma, Harry – disse Rony – Ele não vai mudar de uma hora para outra. Você sabe que ele continua sendo um nojento seboso.
– Eu sei, Rony, mas ele está se esforçando. Ele não olha mais para mim com tanto ódio. Antes, quando ele olhava para mim, parecia sempre que queria me esganar. Agora ele está mais... normal.
Hermione disse:
– O feitiço pode ter ajudado. Se é que estamos falando do Feitiço da Paternidade. Ele cria laços entre pais e filhos. Dizem que até interfere nos sonhos.
Harry confessou:
– Tenho sonhado com minha mãe. Ela está sorrindo para mim, mas meu cabelo está todo estranho e minha roupa está toda preta.
– Que doido! – disse Rony – E você tem sentindo alguma diferença? Sabe, se aquilo que ela disse sobre a sua aparência ir mudando gradativamente...
– Ainda não senti nada. Mas eu olho meu nariz todos os dias, sabem, para ver se ele está ficando em forma de gancho.
Hermione disse:
– E se ficar? Você vai ficar igual ao seu pai, assim como Rony tem cabelo igual ao do pai dele. Isso é natural, Harry.
– É que eu ainda estou tendo dificuldade para me adaptar a certas coisas. O que as pessoas vão dizer? Será que eu vou ter que passar pelo Chapéu Seletor de novo?
– No último ano? – quis saber Rony – Como assim?
– Lembra que o Chapéu queria me colocar em Sonserina e eu não deixei? Agora não tem mais nada que impeça de eu ir para lá.
– Ew! Você vai ser colega do Malfoy!
– Tolice – disse Hermione – Você não vai ter que mudar de casa, Harry. Não é o que você quer e duvido que o Prof. Snape faça você passar de novo pelo Chapéu Seletor.
Harry deu um sorriso:
– Sabem que ele deixou Sirius ser meu padrinho?
Rony arregalou os olhos:
– Tá brincando! Mas eles se odeiam! Você precisava ver como os dois brigaram quando eu fui avisar que seu tio tinha te levado, Harry! Parecia que Snape ia avançar em cima de Sirius!
Hermione disse:
– Ele sempre se preocupou com sua segurança, Harry. Mas acredito que não deva ter sido uma decisão fácil para ele. Aliás, isso tudo não deve estar sendo fácil para ele tampouco.
– Mas nós temos seis meses para pensar numa solução antes que isso tudo venha a público. Até lá, temos que manter o mais absoluto segredo.
– Mas por quê?
– Voldemort – disse Harry – Se Voldemort descobrir, ele vai ficar em perigo.
Rony quis saber:
– Harry, do que você vai chamar o Snape? De pai, papai, Snape? Desde que não chame de "Pai", com aquele jeito afetado do Malfoy, né? Mas não pode ficar o tempo todo chamando de "ele".
– Eu não sei... – disse Harry, tacando outra pedrinha no lago – Ele me disse que eu deveria usar o que achasse mais confortável. O problema é que eu não acho nada confortável.
– Tenho certeza de que você pode resolver isso em alguns dias – disse Hermione – Mas para isso precisa conviver mais com seu pai. Acho ótimo você ter escolhido ficar nas masmorras com ele e não na Torre com a gente. Aproveite esse tempo para conhecê-lo.
– Onde ele está?
– No laboratório dele. Disse que tinha poções para fazer.
Hermione disse:
– Vamos voltar. Daqui a pouco vai ser hora do almoço, e eu gostaria de fazer uma visita a Hagrid de tarde.
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