A canção do lobo e da leoa
3 Capítulo 2-A princesa bastarda
Notas iniciais

O sonho era quase sempre o mesmo. Ela voltava para Porto Real acompanhada de sua espada juramentada, Sor Arys Oakheart, sempre sorrindo com sua alva armadura. Ela podia ver a distância o pai e a mãe sorrindo juntos, abraçados esperando por ela, crianças sempre buscam nos sonhos aquilo que não tem em vida. O irmão Tommen estava lá também sempre feliz em vê-la. Seus tios Jaime e Tyrion também e com certeza tinham boas histórias para ela. Algum dia teria ela tido visão mais doce? Teria alguma lembrança, ainda que não fosse verdadeiro, sido mais perfeita? Mas nada dura para sempre, pelo menos, nada de bom. Mal ela havia posto os pés em solo firme e ele apareceu.
"Por que não pode me deixar em paz? Eu nunca lhe fiz mal algum"
A espada atravessava primeiro o tio Tyrion dela e seu magnífico tio Jaime nem teve chance de revidar antes que fosse decapitado. Seu pai tentava proteger sua mãe e o irmão mas o cavaleiro renegado atravessava os três e ela não conseguia dizer uma palavra. Sor Arys ficava a sua frente para lhe proteger e avançava contra o Estrela Sombria. As espadas se encontravam uma, duas, três vezes até ela perder a conta e a lamina do malfeitor perfurar o estomago do cavaleiro branco dela.
"Deixe-me, por favor deixe-me"
Naquele momento ela chorava de medo, tristeza, raiva e dor. O frio beijo da lamina de Gerold Dayne cortava o rosto e arrancava-lhe a orelha primeiro. Ela caía de joelhos em prantos enquanto ele gargalhava. Seu mundo se tornava um borrão terrível. Até que finalmente ele sangrou sua garganta. Ele não parava de rir.
Acordou suada enaunto duas servas estavam em volta dela. Dessa vez os guardas não vieram, pelo visto, já haviam se habituado aos gritos que sucediam os pesadelos da princesa. As aias diziam palavras de conforto e enxugavam o suor da testa dela, mas, o medo sempre permanecia.
–Tem algo para eu não sonhar?-Perguntou para uma de suas aias-
–Posso verificar com o Meistre, princesa.
Não dormiu mais aquela noite. Na verdade, era com bastante frequência que isto acontecia desde aquele dia. Jamais conseguia esquecer aquela noite quando ela seria coroada a rainha, mas, ao invés de uma coroa perdeu uma orelha e ganhou uma cicatriz em seu rosto.
"Se a beleza era arma de uma mulher sou agora uma espada-cega"
Ela tateava sua cicatriz e o lugar onde deveria ficar sua orelha esquerda. Sentiu lagrimas quentes em seus olhos, mas , não deixou que elas caíssem sobre seu rosto. Sempre disseram a ela que uma princesa não deveria chorar e ela era uma princesa Baratheon e Lannister, jamais seria vista chorando. Decidiu procurar então pelo seu noivo Trystane Martell, a companhia dele sendo ajudava a melhorar seu espírito e ela estava ansiosa por uma boa partida Cyvasse.
No caminho, contudo, encontrou a prima dele, uma das muitas filhas de Oberyn, aquelas que eram conhecidas pela sinistra alcunha de "Serpentes da areia" e ela já conhecia aquela ali. Embora, tivesse mais intimidade com as mais novas e com Arianne Martell.
–Princesa Myrcella. Faria a gentileza de me acompanhar para uma conversa em privado?
–Oh, sim!
Nymeria Sand então enganchou um de seus braços no dela e som um tênue sorriso a guiou pelo palácio até um cômodo em particular. Um belo tapete de renda de Myr adornava o quarto e Nymeria sentava em uma poltrona convidando-a sentar-se também e Myrcella assentiu educadamente.
–Como se sente, princesa?
–Estou bem. Muito obrigado por perguntar, Lady Nymeria.
–Achei por melhor aguardar sua recuperação total para que lhe conta-se.
Dentro do peito de Myrcella seu coração batia ao ritmo de um tambor ao ouvir aquilo e ela prendeu a respiração por um instante antes de fazer a próxima pergunta pois temia o que poderia ouvir.
–Perdão, Lady Nymeria, mas , do que fala?
–Tenha calma, princesa! São notícias agradáveis as que trago. Toma-me por uma corvo para lhe trazer más notícias? Só vim lhe dizer que vamos viajar para Porto Real para fazermos uma visita ao seu amado irmãozinho.
Um sorriso atravessou o rosto da menina e ela mal pode conter sua felicidade. Queria abraçar Nymeria, esquecer que era uma princesa e correr por todo o palácio e anunciar sua felicidade para todos. Desde que viajou para Dorne pelo seu noivado e se separou do seu , até então, inseparável irmão mais novo. Sentia imensa falta de sua mãe também e apesar de Porto Real não ser a cidade mais bela do mundo ela sentia saudades dela.
Repentinamente ela se lembrou de sua cicatriz e então começou a sentir medo novamente. Medo sobre qual seria a reação de sua família ao ver como ela ficará desfigurada. O que pensariam? Teriam repulsa dela? Compaixão?
"Não! Tommen e minha mãe vão me amar sempre e não importa se meu rosto estiver inteiro ou não eles vão me amar e cuidar de mim."
Agora pensava em Sor Balon Swann e se ele teria sucesso em vinga-la. Sentia tanta falta de Sor Arys Oakheart queria que ele estivesse ali com ela. Arianne havia convencido Myrcella a mentir e dizer que havia sido o traidor Gerold Dayne que havia matado Sor Arys Oakheart.
–Não é uma mentira, princesa! Sor Arys morreu porque o estrela sombria contou nossos planos ao meu pai. Não teria sido ele o culpado pela morte do nosso cavaleiro branco?-Disse Arianne para ela quando ainda estava de cama-
Por mais que ela deseja-se ver Sor Balon esmagar a cabeça daquele guarda que matou Sor Arys, aquele homem assustador chamado Areo Hotah, era o mais sábio faze-lo punir o responsável por tudo aquilo.
Alguns dias depois a caravana partiu através do caminho chamado de "Caminho do Espinhaço" que passaria pelas terras da tempestade, as terras de seu pai, e talvez eles passassem por lá.
"Talvez possamos ver Edric lá"
Tyene os acompanhou e Myrcella até agora não sabia muito bem o motivo ela apenas dizia que tinha uma enorme curiosidade em conhecer Porto Real e isso bastava para ela. Além do mais, gostava da companhia dela, embora preferi-se que Arianne estive-se ali com ela. A viagem estava sendo demorada e lenta. Infelizmente, soube que não poderiam passar pelas terras da tempestade pois ela estava sob ataque.
Eles montaram acampamento perto do caminho através das Montanhas Vermelhas. Um cavaleiro e seu escudeiro abordaram o acampamento por um curto período de tempo e conversaram com alguns soldados dorneses da caravana e logo foram embora. O mais estranho era o que veio á seguir da conversa, pois os soldados a olharam de forma estranha e imediatamente foram ter com Nymeria sobre isso. Aquilo deixou Myrcella apreensiva.
Antes que Tyene fosse encontrada, todos no acampamento já olhavam para ela daquele jeito. Myrcella podia sentir o coração prestes á pular de sua boca. Tyene e Nymeria não lhe deram explicações e também a olhavam daquela forma estranha. A situação estava se tornando insuportável.
Ela então se esgueirou por uma das cabanas enquanto três soldados conversavam e bebiam. Certamente a bebida os tornaria mais descuidados e propensos e contar seja lá o que não contaram à ela. Esgueirava-se atrás da cabana deitando-se sobre o chão e torcia para nenhum escorpião aparecer para picá-la.
–Sim! Um julgamento por combate foi o que disseram-Um deles disse-
–E o campeão dela quem era?
–Um homem novo na Guarda Real e dizem que era enorme. Mas o tal Aegon o derrotou e agora ele é o rei-o guarda parecia satisfeito em dizer isso-Só quero ver o que ele vai fazer com aquela rainha fode-irmão e o bastardozinho dela. Deve matar os dois.
–Um brinde ao nosso novo rei Aegon
–Um brinde ao novo rei Aegon, o Dragão de Westeros.
Ela ouviu tudo mas ainda não conseguiu acreditar em uma palavra do que ouvirá. O trono de seu irmãozinho fora tomado por um dragão misterioso chamado Aegon. Mas os dragões estavam todos mortos e seu pai havia matado o ultimo deles no tridente. Então quem era aquele Aegon? E um julgamento por combate pelo que? As ofensas ao seu irmão e a sua mãe ela soube decifrar facilmente e já ouvirá os boatos maldosos que diziam sobre ela e seu tio Jaime.
"Um terrível ardil para tirarem meu doce irmão do trono"
Havia repetido essas palavras para si mesmo mais de uma vez e sua convicção nelas era firme. Era verdade que não se parecia em nada com o pai, mas, ela se lembrava dos Stark e nenhum deles, exceto Arya, se parecia com o pai deles. esse tal Aegon era o novo rei, segundo diziam, e o que teria sido feito de sua mãe e seu irmão?
"Se ele for um Targaryen certamente vai matá-los."
Teve vontade de se desmanchar em lágrimas só de cogitar essa possibilidade, mas, não podia ou seria descoberta. Quando recuperou-se do choque ela esgueirou-se de volta para dentro de sua cabana e lá chorou longe de todos. A família estaria perdida e eles estariam levndo-a para Porto Real aonde Aegon aguardaria por ela com uma espada e as cabeças de seu irmão e mãe.
"Tenho de fugir ou serei morta. Executada e minha cabeça adornará as muralhas da cidade"
Mas para onde? Tudo estava desmoronando ao redor dela. Seu tio Stannis se virou contra a coroa e foi quem primeiro espalhou esses boatos. Seu tio Renly estava morto e com eles estavam seu avô, seu irmão Joffrey, Robb Stark e não havia refúgio em lugar algum para uma princesa renegada. Seu tio Jaime certamente a protegeria e ninguém jamais poderia vence-lo, mas, ela não sabia aonde ele estava e Rochedo Casterly ainda estava longe demais. As terras da tempestade estavam sob ataque. Restava só uma opção para ela.
"Sim! Não há outra alternativa. A não ser que eu queira ser morta."
E no dia seguinte ela fugiu.
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