A canção do lobo e da leoa
11 Capítulo 10-Os doze chacais
Notas iniciais
Bosquedeouro estava em frente a eles. Myrcella enxergava uma grande beleza nela. Gerris Drinkwater não partilhava da opinião e dizia que era "merda embalada em ouro". Os não expressavam muita opinião a respeito do assunto e ela preferia assim. Embora gostasse dos companheiros, seu notório desprezo por tudo o que tivesse a miníma ligação com os Lannisters irritava Myrcella.
–Nunca vamos chegar no Oeste desse jeito-Derek resmungava.
–Acho que já estamos no oeste, Derek-Arch respondia.
–Estamos na Campina ainda-Galleon dizia com um desanimado suspiro.
–A tal Campina não faz parte do oeste?-Raya dizia.
–Não estamos nas terras dos Lannisters-Galleon respondia-Isso que importa.
"Ansioso por seu ouro, Galleon?"
Logo que entraram, Arch pediu por uma estalagem com uma boa lareira para se aquecer com uma boa comida. O guarda limitou-se a apontar para ele sem trocar palavra alguma. Mesmo as nevascas tendo cessado e o longo inverno finalmente retrocedendo, a cidade parecia quase deserta.
–Aqui esta um lugar animado-Gerris comentava ao olhar para a cidade.
–Temo que os habitantes daqui não vão se interessar pelos seus serviços bufônicos, Gerris-Milo respondia em seu tom insolente de sempre.
–A cidade foi atacada-Myrcella comentava em voz alta sem perceber.
–Como sabe disso?-Raya perguntava em tom curioso.
–Algumas casas tem vidros quebrados, os guardas não nos disseram uma palavra, mas todos eles estão olhando para nós-Myrcella respondia e depois sorria para Raya-Mas tenho certeza que você também percebeu isso, não?
–Queria eu ter percebido-Raya respondia com outro discreto sorriso-Infelizmente, não possuo esse olhar tão aguçado.
"Não possuí ou apenas quer me fazer acreditar nisto?"
De todo o grupo, era Raya quem ela mais gostava. No entanto, Myrcella nunca conseguiu confiar plenamente na jovem. Confiou em Arianne e ela queria entrega-la para Aegon. Não cometeria o mesmo erro duas vezes.
Quando entraram na taberna da estalagem o cenário era outro. Estava bem cheio e muitos bebiam em honra ao "fim do inverno". Olhares desconfiados os perseguiam e dois deles colocavam o punho na espada presa a cintura. Galleon conversava com o responsável da estalagem.
–Senhor, meu grupo e eu estamos cansados e viemos de longe. Diga-me, quantos quartos disponíveis esta boa estalagem possuí?
O homem careca, baixo, com um queixo quadrado e um corpo em forma de barril fitou Galleon com o rabo do olho, grunhindo, para responder grosseiramente.
–Um quarto.
–Um quarto?-Galleon pastenejava-Somos um grupo de sete. Como espera que fiquemos todos em um único quarto?
–Um quarto-Ele novamente respondeu de forma hostil-É pegar ou largar. E a minha estalagem é a única que esta funcionando, no momento.
Galleon cerrava o punho e uma veia de raiva aflorava em sua testa. Os outros não estavam menos insatisfeitos. Minus teve de ser contido para não atirar uma faca contra a testa do estalajadeiro.
–Que os Outros o carreguem, velho sovina-Galleon resmungava.
Arrancou com rudeza a chave da mão do estalajadeiro. O olhar que o velho homem direcionava ao cavaleiro não era o esperado por Myrcella. Ele não retribuía a raiva de Galleon e sua boca se esforçava para não esboçar um sorriso diante daquela situação.
Myrcella não gostava nada daquilo.
–Vamos embora-Ela cochichou entre os demais.
–Ficou maluca, Joanna?-Arch respondia consternado-Não vou gostar de dividir um único quarto com vocês, mas, vai ser bem melhor do que dormir na neve.
–Tem algo errado aqui-Ela insistia-Não acham estranho todas as outras estalagens terem sido destruídas pelos chacais? Só a dele esta intacta!
Minus dava com ombros em resposta e virou-se para trás. Na semblante dos outros parecia haver, ao menos dúvida, quando escutaram as palavras de Myrcella.
–É estranho mesmo-Arch virava seu corpo para observar enquanto respondia. Ele também parecia desconfiar do que estava acontecendo ali.
–A neve cessou-Raya cochichava com eles-Podemos ter uma noção melhor do que esta acontecendo se fossemos as outras estalagens.
–E fazer o que?-Minus desferia já sem paciência-As provisões que pegamos já acabaram. Temos pouco dinheiro. Vamos morrer se viajarmos para outro lugar.
–Vamos morrer é se alguém cortar nossas gargantas a noite-Gerris protestava.
Apesar da resistência de Minus, todos os cinco concordam com a ideia. Galleon havia ido sozinho verificar o quarto que alugaram e todos acharam melhor não o perturbarem ainda mais com esses problemas.
Minus então cruzou seu braços e virou o rosto igual uma criança birrenta. Preguejava na língua ghiscari. Myrcella conseguia reconhecer a palavra "vadios" no meio disso.
–Podem ir então, seus porra-loucas, eu não saio daqui-O Tyrsoh permanecia resoluto.
Arch e Drink trocaram olhares e um grande sorriso.
–Vai sim-Arch respondia.
Então ele segurou o Tyrosh pelas pernas e o colocou sob seus ombros como se ele fosse uma criança. Minus tentava se debater, mas, o grande o homem o segurava com força. Os olhares da taberna caíam sobre eles juntos com as risadas. Arch caminhou para fora carregando Minus e os outros o seguiram.
Após saírem da estalagem o colossal dornês o pôs no chão enquanto os outros continuavam rindo. Minus estava com o rosto vermelho de raiva e os xingou dos mais variados palavrões.
–Se você não tivesse agido como uma criança não precisaríamos tê-lo tratado como uma, cabelo de pavão.-Gerris falava entre os risos quase sem fôlego.
–Foda-se todos vocês, eu vou sozinho.-O Tyrosh virou-se para a direção aposta dos companheiros caminhando à passos largos.
–Deveríamos nos dividir em duplas-Raya agora sugeria-Ficaria mais difícil de algo acontecer conosco. E lembrem-se de voltar logo.
Todos concordaram. Derek se ofereceu para ir junto com Raya. O menino tinha uma paixão juvenil adorável pela garota. Arch resolveu seguir Minus e tentar evitar que ele se envolvesse em alguma encrenca.
Sobrou Gerris para acompanhá-la. Ele pôs a mão no ombro dela e a puxou para perto dele. Myrcella sentiu-se um pouco desconfortável com aquela atitude, mas, seguiu caminhando.
–Pra onde vamos?-Ele perguntava.
–A ideia é sua. Esperava que você soubesse.
Ainda que a neve tivesse cessado, ainda havia um pouco dela acumulada ao chão. Atrapalhava um pouco a caminhada. Ela pensava como seu irmão, Edric, estaria se sentindo no norte aonde o inferno é ainda mais brutal.
Caminharam até a estalagem chamada "coelho cinza". As vidraças quebradas, as cadeiras e mesas queimadas. Ela se aproximou um pouco do lugar e analisou os cacos de vidro no chão.
–Foram quebrados de dentro para fora-Ela comentava
–Como sabe isso?-Gerris saltava de surpresa.
–Ah, eu--
E então ela ouviu o trotar de um cavalo perigosamente perto. A sua esquerda o corcel parava em frente a estalagem. Seu cavaleiro trajava uma armadura azul em tons de cobalto. Atrás dele cavalgavam dois guardas. As suas costas estava presa uma lança incomum de duas pontas, na parte que deveria ser rompe, estava uma lamina no formato de um arakh menor. O olhar que o cavaleiro lhe deu era gélido como a neve e assustador como a escuridão.
Sentiu Gerris puxando-a pelos braços para trás e a continuou a afastá-la até ele tirar os olhos dela. Os dois estavam de costas para a cena, mas, Myrcella queria escutar um pouco do que ele conversava com os guardas.
–Você ficou maluca, é garota?-Gerris ainda a arrastava para fora dali-Aquele é sor Leonard, o azul cobalto. Os homens o chamam de "a nova montanha". Ele matou um homem só por não gostar da respiração dele.
Myrcella parecia surpresa. Não era um lado de Gerris que ela conhecia.
–Estava com medo dele então?
–Medo? Claro que não. Só que se ele matasse você, aí eu ficaria furioso e o mataria. Só que, como ele é um homem da Companhia dourada e um cachorrinho do Aegon, eu perderia minha vida por isso.
Ela então sorriu lisonjeada e se inclinou para beijá-lo no rosto.
–Você é adorável, Gerris.
–Assim deixaremos Galleon com cíumes.-O dornês comenteva ao risinhos.
Ela fez uma careta
–Galleon é um bobo isso sim. E nós não temos nada.
–Bom! Ele quer ter-O dornês respondeu antes de entrarem na taberna próxima. O símbolo dela era uma rosa dourada.
O lugar parecia bem mais interessante do que a estalagem aonde se hospedaram. O lugar era bem mais âmplo e suas decorações melhor acabadas. No fundo havia um pequeno palco aonde um conjunto de bardos se apresentava. Em uma mesa os homens disputavam "queda-de-braço" e outra havia um grande homem barbudo e gordo com um tabuleiro de cyvasse para jogar por apostas.
–Visitar tabernas e estalagens é comum em grupos de aventureiros?-Ela perguntava.
–É só o que fazemos nas melhores aventuras-Ele respondeu sorrindo e piscando para uma servente-Isso e conhecemos algumas mulheres.
–Então já teve outras aventuras?
De repente o sorriso no rosto dele desapareceu completamente. Ele tentava falar, mas, nada saiu de sua boca por um tempo até ele dizer quase um sussuro e tudo o que saía de seus lábios era "Quentyn". Myrcella segurou suas mãos e tentou acalmá-lo com isso.
–Desculpe, Gerris. Por favor, me desculpe, eu apresento aquela garota para você. Olha sente-se ali e eu vou buscar vinho para você.
Ele suspirou e deu um fraco sorriso. Agradeceu e caminhou lentamente para a mesa ao lado do homem com o tabuleiro de Cyvasse.
No calcão haviam quatro homens conversando debruçados com cornos de vinho e cerveja escutando as histórias do velho taberneiro. Notou também que um deles lhe jogava um beijo de longe com um olhar malicioso. Ela puxou seu capuz lilás de modo a cobrir ainda mais o seu rosto e sua cicatriz.
–O que deseja, senhorita?-O taberneiro perguntava.
–Uma garrafa de vinho e dois cornos.
–Sim, eu já vou buscar na dispensa.
Enquanto ele saía aquele outro homem se aproximava dela. Com sua barba e cabelos grisalhos e um hálito fedendo a embriaguez. A mão dele lhe tocava o ombro de maneira grosseira.
–Da pra ver essa cicatriz no seu rosto, gracinha. Eu não ligo, sabia? Eu sou veterano das batalhas contra os homens-de-ferro. A espada em minha cintura já matou muitos homens a que esta embaixo de minhas calças já espetou muitas mulheres.
Aquilo era mais do que ela podia aguentar. Empurrou a mão dele bruscamente e se afastou com rudeza. Seu olhar era firme e decidido como a mãe lhe ensinara. Mas, ele se limitou a sorrir.
Caminhou para a mesa aonde havia deixado e Gerris e não o encontrou. Precisou apenas virar o olhar para encontrá-lo na mesa ao lado jogando Cyvasse e perdeu. Ela o cutucou no ombro para chamá-lo.
–Gerris! Vamos embora, por favor.-O tom suplicante em sua voz era nitido.
O dornês olhou para ela como se tivesse visto um fantasma. Suas palavras falharam por alguns segundos.
–Eu...perdi...todo o meu...dinheiro.
–Mas isso era um terço do nosso dinheiro!-Ela respondia atônita.
A gargalhada do homem interrompeu os devaneios de Myrcella. O homem era gordo e alto...como seu pai. Quase um fantasma de Robert Baratheon ali, exceto pelos traços do rosto, os olhos e barba castanho-escura.
–Lamento muito, pequenina. Seu amigo não foi páreo para o velho Taylor tambor de trovão.-Ele batia em sua barriga e relaxa na cadeira sorrindo-Pode tentar também, mas, acho que a mocinha é esperta demais para mim.
"Talvez eu seja mesmo"-Ela pensava-"Pensa que vou cair nesse truque amador?"
–Quais são as regras?-Indagava.
–Conhece o Cyvasse, menininha dourada? deixo você escolher: Uma ou três partidas valendo todo o dinheiro que roubei de seu amigo e mais 100 moedas de prata. Que me diz?
–Três partidas
A ex-princesa sentou-se no lugar aonde Gerris estava. Fazia um bom tempo que não jogava Cyvasse e sequer sabia se estava afiada ainda. O seu amigo dornês parecia prestes a desmoronar ali, ele sussurava em seu ouvido direito.
–Não fala isso-Sua expressava desespero-Esse homem é um trapaceiro sem-igual. Vamos perder o pouco dinheiro que nos restou e nem temos 100 moedas de prata.
Ela permaneceu resoluta em sua decisão. Seu olhar se fixava apenas nas suas peças. Quando aprendeu a jogar gostava de imaginar que era uma grande heróina e comandava um glorioso exército composto por seus cavaleiros favoritos contra a horda composta pelos monstruosos vilões da história, Gramequins e os vagantes brancos.
O tipo de pensamento que só uma criança poderia ter. O tipo de pensamento que as pessoas costumavam esquecer quando o mundo lhes mostrava sua verdadeira face. O tipo de pensamento que a fazia sorrir.
–Além da aposta existe um preço a pagar para se jogar comigo-Seu sorriso e uma expressão serena se mesclavam no rosto do homem-Gosto de saber das coisas, então, enquanto jogamos eu irei lhe contar algo sobre o que esta acontecendo no reino e você fará o mesmo. Feito?
"E assim me distrair e aumentar suas chances de vitória"
–Feito-Esticou seus lábios o máximo que pôde em um sorriso.
–Um homem deve saber o nome de sua adversária, caso eu perca, quero avisar meus amigos para não jogarem contra você-Subitamente ele pôs as mãos na mesa e seu rosto expressava uma semblante de surpresa-Oh, pelos sete, que tolo eu sou. Esqueci de me apresentar. Meu nome é Talbart, o tapado.
"Ou seria Talbart, o trapaceiro?"
Talbart com certeza não era de nascimento baixo, o seu modo de falar denunciava isso. Entretanto, possuía um sotaque oriundo de alguma das cidades livres. A maneira como a fivela do seu cinto estava ajeitado indicava que ele era destro. Suas mãos gordas constamente massageavam seu dedo anelar indicando que perdeu algum anel de alta estima.
–Um belo nome, senhor. Meu nome é Éowyn Sand. O homem que você derrotou é meu meio-irmão então agora terei de quebrar sua invencibilidade pela honra da família-Ela terminava de posicionar suas peças de seu tabuleiro enquanto direcionava um olhar para Gerris esperando que ele confirmasse sua história.
O dornês assentia silenciosamente. Se Talbart desconfiou da história de algo na história que lhe foi contada, nunca poderiam descobrir pela enigmática semblante do homem gordo.
Pouco depois que Myrcella terminou sua declaração, seu oponente de Cyvasse desatou a rir. A gargalhada que ecoava pela taberna era terrívelmente similar a do seu pai. Uma gargalhada oriunda do verão em pleno verão.
–Vai ter me desculpar, senhora Éowyn-Sua cara ainda estava vermelhada e seus olhos lacrimejantes pelo riso-Estou desacostumado a ver mulheres com tanta coragem mesmo em uma mesa de Cyvasse.
"Não veio de Dorne"-Ela logo concluiu-"Então de onde aprendeu o jogo?"
Os dois começaram a jogar e a habilidade de Talbart era notável, mas, ainda assim ela tinha certeza de que poderia vence-lo. O modo como mexia as peças, como cometia erros propositais, parecia estar errando de propósito. Ela resolveu jogar de forma semelhante e também jogava de negligente apenas procurando se amnter um passo a frente do seu adversário.
–O que tem a me dizer, senhora Éowyn?-Talbart interrompia o silêncio no meio da jogada. Sua expressão descontraída em nada parecia como a dos outros jogadores que conheceu-Lembra-se do outro preço? Diga-me como andam as coisas em Dorne. Seu irmão me falou que a rainha dornesa esta grávida.
Sentiu seu coração bater no ritmo de um tambor de batalha. Teria que ser rápida em inventar um motivo para não saber sobre Dorne. Nos seus anos de fugitiva, Myrcella ouviu muito pouco sobre Dorne.
–Meu irmão e eu iniciamos uma jornada de peregrinação anos atrás. Ele se tornou um cavaleiro andante e eu o acompanhei pois minhas meio-irmãs legítimas tinham o péssimo hábito de me maltratar. Sei pouco de Dorne desde a morte do princípe Doran. Sei que o primeiro filho do princípe Trystane nasceu e nada além disso.
Myrcella se esforçou para dizer com o máximo de convicção que poderia sem desviar o olhar nem mesmo por um instante. Talbart limitou-se a sorrir e continuar a mover suas peças.
–Eu já viajei muito pelas terras do oeste e conheci muitos Lannisters-Completava enquanto mexia seu dragão-Você parece muito com eles. Cabelos loiros cacheados, pele alva e os olhos verdes.
Sua respiração se tornou pesada agora. Começava a desconfiar que toda essa ideia do jogo foi um grande disparate.
–Sou filha de uma Lannister de Lannisporto.-Ela respondia rapidamente-Meu pai engravidou minha mãe em uma viagem pelo oeste e aos sete anos ela me enviou para viver com ele. O senhor meu pai me disse que o agradava foder uma Lannister sob diversos áspectos.
Novamente ele gargalhava, não tão estrondosamente quanto antes, mas ainda assim era uma risada barulhenta.
–Acabou-Ele finalmente disse-Minha catapulta acertou seu rei.
Gerris deixou escapar um suspiro de frustação. Então ela notou outros quatro homens na outra mesa que riam de sua derrota. Ela mesma quase riu de sua tolice colossal.
–Jogou mal apenas para que eu também joga-se mal também e então desviou minha atenção para o seu ataque principal vindo de uma outra peça mais fraca que o dragão.-Sua fala era carregada de surpresa e orgulho ferido.
–Menina esperta-Ele respondia se ajeitando na cadeira e começando a arrumar o trabuleiro para mais uma partida-Agora que descobriu minha pequena estratégia terei que melhorar nas próximas partidas então.
–Dê o seu melhor então.-O sorriso de Myrcella ao dizer isso era desafiador. Fazia anos que não jogava uma boa partida de Cyvasse.
Uma vez ouviu seu tio Jaime dizer que "existe um prazer amargo em encontrar um adversário digno" e o mesmo dizia que poucas vezes encontrava esse prazer. Só agora ela confirmava o quanto ele estava certo.
–Ainda não me contou nenhuma notícia, não uma que eu já não soubesse-Talbart dizia.
–Sei que os Lannisters estão convocando seus vassalos-Respondia enquanto movimentava seu elefante-Isso serve?
–Claro que serve, minha senhora.-Movimentando seu dragão ele dizia-Fiquei sabendo que Aegon vai fazer o mesmo. Os Freys foram até ele pedir ajuda desesperdamente. O demônio de Winterfell os enviou a pele esfolada de Roose Bolton e as cabeças de alguns Freys como ameaça.
"Antes as cabeças dos Freys do que as do meu irmão"
–Então creio que teremos uma guerra, não é?-Ela comentava mexendo seu dragão para bloquear a passagem do dragão inimigo-Em pleno inverno.
–A guerra já começou. As aves sussuram que o inverno já acabou.
–Sempre existe uma guerra a ser vencida-Mexeu seu elefante por fim-Mas esta batalha aqui foi vencida por mim. Seu rei esta morto. Pode ser pelas mãos do meu elefante ou do dragão, deixo que escolha.
Finalmente o sorriso de Talbart desapareceu dando lugar a uma exprassão de confusão. Gerris riu até ficar vermelho e encarou os outros homens na mesa ao lado com deboches e provocações.
–Creio que a subestimei-O sorriso voltou aos seus lábios-Uma última batalha para decidir o vencedor da guerra, então.
Myrcella deitou-lhe um olhar desafiadore deu de ombros.
–Uma última partida então.-Voltou a arrumar o tabuleiro.
Ela respirou fundo e recomeçou a partida. Desta vez, Talbart provou ser um exímio jogador de Cyvasse. Encurralou Myrcella diversas vezes e sempre tentava distraí-la com alguma conversa sobre o reino.
Ele lhe contou que a irmandade sem-bandeiras havia travado uma guerra secreta contra os chacais e os expulsado das terras fluviais; Soube que o jovem falcão estava convocando seus vassalos também mas para apioar qual lado ainda não sabia; Descobriu que Rickon Stark e seu irmão reuniram seu exército e marcharam para a Muralha; Que Asha Greyjoy retomou as ilhas-de-ferro e se declarou rainha.
Até que por fim ela conseguiu atrair o rei dele para fora da floresta e abate-lo com o seu dragão. E então Talbart voltou a rir. esticou a mão para cumprimenta-la.
–Pelos sete infernos isso foi uma partida e tanto.-Talbart declarava-Éowyn Sand a devastadora, é como deveriam chamá-la.
Os que estavam na mesa acompanhando a partida riram da derrota do homem gordo, mas, Talbart os silenciou com apenas um olhar. Ele, então, começou a recolher as peças do tabuleiro e guardá-las com muito cuidado.
–Uma derrota é mais do que posso suportar por hoje-Ainda assim manteve o sorrriso no rosto-Mas, sou um homem de palavra-Entregou a ela um saco de moedas e a bolsa moedas que Gerris estava usando-Poderia aprender um pouco dessa nobre arte com sua irmã-Gerris pareceu não gostar nada daquilo-Espero sinceramente que nossos caminhos se cruzem novamente e me conceda uma revanche, senhora Éowyn Sand.
–Espere...antes de ir eu gostaria de lhe perguntar algo: Porquê pediu por uma informação nova para poder jogar comigo?
Ele já havia se levantando da cadeira, mas, virou-se para poder olhá-la nos olhos enquanto a respondia.
–Senhora Éowyn, o conhecimento e arte são espadas que enferrujam e definham caso não venham a ter um novo dono. Creio que ambos aprendemos muito com essa pequena partida-Colocou então o chapéu pontudo e caminhou em direção a saída-Ficaria surpresa com o que poderia aprender compartilhando um pouco de informação-Ele a encarou por uma última vez e deu-lhe uma piscadela.
Myrcella, por sua vez, permanecia na mesma cadeira refletindo sobre o que aconteceu e o que ouviu. Gerris comemorava como se tivesse sido ele a vencer à partida. Ela notou que os quatro homens que estavam na mesa ao lado saíram pouco depois que Talbart foi embora.
–Haviam me dito que você era uma excelente jogadora, mas, eu não acreditaria. Agora entendi como o princípe Trystane poderia ser surrado tantas vezes.-Gerris dizia bebendo um corpo de vinho-Que chance teria ele contra a devastadora Éowyn Sand?
Até mesmo ela riu ao escutar isso.
–Mas cá entre nós, maninha.-O dornês inclinou seu corpo para ficar próximo dela e sua voz era quase um sussuro-Pensei que seu disfarce fosse Joanna Hills.
–Éowyn sand nasceu para cubrir os rastros que Joanna Hills poderia deixar. Caso Joanna chamasse muita atenção para si alguém poderia fazer alguma ligação com a princesa Myrcella e Joanna. Logo depois o rei do norte seria avisado e eu seria executada como vingança.
Gerris pareceu entender e então os dois tomaram alguns copos de vinho, não devem ter sido mais de dois. Então, saíram da taberna notando que já havia anoitecido.
–Vamos levar uma bronca com certeza-Gerris exalava um bafo de vinho ao falar.
–Vou por toda a culpa em você, maninho.
Os dois riam bastante e continuaram a caminhar. No caminho, reparou que não havia quase ninguém nas ruas, embora não estivesse nevando. O maior grupo que encontrou foram de doze homens e todos trajando um capuz azul escuro de modo que os encobria o rosto. Myrcella desviou o olhar do rosto deles, ao invés disso reparou que a maioria parecia estar escondendo espadas sob suas capas e também que caminhavam na direção da taberna que acabaram de sair.
Não demoraram para chegar até a estalagem e encontraram seus companheiros amontoados no quarto. Todos pareciam visivelmente preocupados e zanagados. Raya foi a primeira a se levantar e os interrogar.
–Ficaram loucos?-Ela dizia-Começamos a pensar que algum chacal os tivesse encontrado, levado Joanna e matado Gerris.
–Agradeço a confiança depositada-O dornês loiro cruzava os braços respondendo de forma irônica.
–Ah, Gerris. Quase todo mundo que te conhece não confia em você.-Ela ouviu Minus comentar sentando no chão e limpando suas faca com um grande sorriso.
Galleon, dentre todos, era o que parecia mais zangado. Ele estava sentado na beirada da cama com os braços, com a cara fechada e uma carranca de fazer inveja ao seu tio Stannis.
–Espero que tenham aproveitado o passeio-Disparava Galleon contra eles-Bom saber que estão íntimos assim.
–Cíumes, Galleon?-Agora era Arch quem respondia-Devia ter sido mais rápido que esse canastrão do Gerris.
Myrcella olhou para Gerris por alguns instantes e os dois começaram a rir simultaneamente. O dornês a braçou pelo ombro e beijou-lhe a testa.
–Ela é uam gracinha mesmo, mas, eu jamais poderia pensar em ter algo a mais com a minha irmãzinha. Não é mesmo, Éowyn?
Ela ria e assentia com a cabeça enquanto os outros pareciam confusos. Os anos de fugitiva haviam sido cruéis com ela, mas, estava apreciando bastante seus novos companheiros de viagem.
"São boas pessoas"-Refletia-"Mas não são minha família. Tenho de voltar ao Rochedo e convencer meu tio Gérion a apoiar Edric"
Ela lhes contou o que aconteceu e perguntou se haviam descoberto algo que pudesse fundamentar suas suspeitas. Gerris lhe disse que ele e Minus descobriram pouca coisa sobre o ocorrido, Minus havia arrumado mais confusão do que obtido qualquer informação. Raya e Derek, por sua vez, descobriram que os chacais foram responsáveis por esse ataque interno.
O que a intrigava era como um ataque desses pode ocorrer internamente em uma cidade tão grande como esta e somente esta estalagem havia ficado intacta.
–Dizem que Odrey, o dono desta estalagem, pagou alguns chacais para destruir as outras estalagens. Mas como ele iria pagar para isso?-Era Derek quem lhe contava agora.
–Ah, essa conversa é chata demais-Minus bocejava e se esticava no chão-E se isso aconteceu o que nos diz respeito? Nada! Isso é problema dos guardas da cidade e não nosso.
Galleon balançou a cabeça e o respondeu
–Você é burro, Minus? Se Odrey tiver algum tipo de acordo com os chacais eles poderiam cortar nossas gargantas e roubar qualquer coisa que tenhamos.
–Por isso um de nós ficará de vigia enquanto os outros dormem-Arch completava-E como você não saiu da estalagem hoje esse alguém será você, Galleon. Bom turno.
O cavaleiro andante bufou em resposta e então dirigiu o olhar para o irmão mais novo.
–Você vai ficar junto comigo, Derek.
–Eu!?Mas, por quê?
–Porque eu sou seu irmão mais velho e você é meu escudeiro.
O garoto resmungou e protestou, porém, de nada adiantou e ele acabou ficando de vígia durante a noite junto com seu irmão.
Odrey havia lhes dado muitos cobertores e mantos mácios que poderiam usar para formar um colchão além de sete travesseiros. Tiraram na sorte quem ficaria com a cama e Raya venceu.
Quando a hora do lobo os encontrou ela ainda estava acordada, embora, estivesse deitada. Encontrar Talbart a fez pensar em seu pai e se ele acreditaria no que Aegon dizia sobre ela. Seus cabelos eram loiros, mas, os Stark também puxaram sua mãe e ninguém jamais desconfiou deles.
"Você acredita em mim, pai?"-O pensamento lhe trazia lágrimas quentes aos olhos-"Ainda sou a princesa mais bonita do mundo para você"
E então ela ouviu um barulho...
Parecia uma batida, como se alguém tivesse caído no chão ou derrubado algo pesado. Mas, logo depois outro barulho e esse parecia o som de uma cadeira se quebrando.
"Deuses, por favor não"
Galleon levantou imediatamente e tratou de acordar os outros rapidamente. Desnorteados, os seus companheiros demoraram um pouco para levantar e pegarem suas armas.
Ouviram então vozes e o barulho de virdo sendo esmagado contra o solo. Galleon sinalizava para que todos fizessem silêncio e o acompanhassem. Ele nem se deu ao trabalho de acordá-la, mas, Myrcella achou melhor segui-los caso alguém a atacasse ali em cima ela não poderia se defender.
"Estamos tão perto. Que sejam poucos, por favor"
Sentia seu coração subir a boca enquanto caminhava em passos curtos atrás dos outros. Estar próxima de batalhas sempre a deixava assim. Rezava uma prece silenciosa quando alcançaram as escadas. Raya tomou a frente e se esgueirou na beirada da parede suavemente e inclinava o rosto na beirada para observar o que estava acontecendo no andar de baixo. E vagarosamente ela retornava até eles formando um círculo sussurando.
–Eu contei pelos menos doze.
Os olhos pareciam saltar de suas órbitas e soltou um grito devido ao susto
–DOZE!?-Logo percebeu seu erro e pôs as mãos para tapar sua boca.
Um gesto vão, porém, as vozes dos invasores abaixo deles confrimavam que eles escutaram o que o garoto disse. em seguida eles ouviram o inconfundível som do desembainhar de uma espada.
Passos vagorosos seguiram esse som, o ranger da madeira quando pressionada pelos pés fazia parecer o som dos passos do próprio estranho vindo buscá-los. O Tyrosh, Minus, desembaainhou suas duas espadas finas e caminhou ao encontro dele.
–Findou-se o tempo da furtividade, deixe-mos que as espadas falem por nós-Ele dizia sem a menor preocupação de se esconder.
Minus adentrou pela luz projetada no andar embaixo ligado pela escada. O homem gritou assim que o tyrosh mostrou seu rosto e as silhuetas dançavam pela cortina de luz projetada na parede.
Não demorava dez segundos até o som da carne sendo rasgada ser ouvido enquanto o corpo do derrotado causava um ruidoso estrondo ao despencar rumo ao chão.
–Dispare!
Uma voz estranha berrava enquanto o rugido da besta disparando seu dardo o seguia. Mais desesperador e ruidoso ainda foi o grito de dor que o acompanhou. A silhueta se arrastava escada acima para escuridão até se transformar em Minus com um dardo cravado na coxa esquerda. Ele caiu ao chão tão logo alcançou o topo da escada, gemendo de dor.
Arch e Galleon foram os primeiros a alcançá-lo. O rangir da escada sob a pressão dos pés de uma nova silhueta pôs Arch de pé brandindo seu martelo de guerra. O homem mal havia posto seus pés sob o último degrau quando Arch o enviou de volta abaixo com uma forte pancada de seu martelo diretamente no peito do inimigo.
–Não dá pra ficar aqui, Galleon. Eles vão continuar subindo e da próxima vez com bestas. Seremos encurralados e mortos.
–Pelos sete infernos-Galleon praguejava-Meu escudo, Derek.
O garoto corria levando o escudo de carvalho e o amarrando grosseiramente ao braço do irmão. Enquanto isso, as vozes dos invasores os desafiavam.
–Venham aqui embaixo e nos enfrentem, seus covardes-Gritava uma.
–Cuidado-Esta pertencia a Odrey-Eles são chacais.
Odrey gritou novamente, porém, desta vez não era um aviso que saía e sua boca e sim o rugido de dor que precede o silêncio eterno. Uma outra voz se sobrepunha as outras.
–Vão até em cima e levem as tochas com vocês-Ele ordenava-Queimem o lugar, já pegamos uma parte do que viemos buscar.
As chamas das tochas faziam a cortina de luz aumentar cada vez mais, enquanto as silhuetas tomavam formas demoniacas ao seu olhar.
–Venham todos-Galleon gritava.
Ele foi o primeiro a se levantar e brandir sua espada rumo a luz e os outros o seguiam logo atrás. Myrcella descia por ultimo.
A espada de Galleon cortava a garganta do besteiro que estava subindo a escada. O segundo homem carregando a tocha em uma mão brandia sua espada com outra. Galleon desceu três golpes sobre ele, porém, nenhum o acertou. E quando perecebeu que não teria o alcance suficiente com a espada, começou a balançar sua tocha ameaçando o cavaleiro com o fogo e o fazendo recuar dois degraus junto com os outros.
"Essas capas"-Myrcela finalmente notava-"São os homens que encontramos antes"
Galleon permanecia recuando e assim travando a passagem dos outros empurrando-os de volta para a escuridão acima. Como um raio, então, Raya saltava do degrau girando no ar, aterrissando suavemente no chão. Ligeira como uma corça a garota bravosi sacou seu punhal e abriu a garganta do segundo besteiro que estava no chão antes que ele terminasse de recarregar seus dardos.
"Agora temos uma chance"
Quase simultaneamente a isso, Galleon aproveitava o momento de distração para perfurar o peito de seu adversário e o lançava escadaria abaixo derrubando os outros três que estavam abaixo dela.
–Derek! Proteja a Joanna-O cavaleiro ordenou enquanto seu irmão e escudeiro obedeceu posicionando-se em frente a ela com seu pequeno escudo e espada.
Galleon, Arch e Gerris já haviam descido as escadas quando ela notou. Os três homens ainda estavam no chão quando Arch, o colossal dornês, esmagou o crânio de cada um com seu martelo.
Três homens estavam caídos sob os pés de Raya enquanto ela se desviava do golpe de um quarto oponente. Ele lançava uma investida vertical contra a cabeça dela, mas, a bravosi se agachava desferindo uma estocada contra a garaganta dele.
Ela mal havia acabado de retirar sua espada da garganta ensanguentada quando uma investida horizontal caiu sobre ela. Ela pôs sua esapda contra a lamina inimiga, mas, ainda assim a força de seu inimigo lançava a bravosiana contra o chão.
–Puta desgraçada-Ele dizia com uma voz familiar.
Jogou sua espada em uma investida contra a menina enquanto ela ainda estava no chão, e a bravosiana girou seu corpo para o lado agilmente escapando da lamina por um triz. O chacal praguejou e então desferiu um violento chute na boca do estômago de sua amiga.
–Deu-me mais trabalho do que muitos homens-Ele pressionava o rosto dela com seu pé contra o chão enquanto ela gemia de dor-Uma pena desperdiçar tamanho potencial.
Myrcella estava simplesmente paralisada de desespero. Era como assistir a morte de Sor Arys outra vez. Outro amigo abatido em sua frente como um animal sem que ela pudesse fazer nada.
A espada desceu com velocidade...encontrando outra espada em seu caminho. Galleon desviou o lanceiro com quem estava lutando e avançou contra o homem salvando Raya da morte certa.
–É muito bom em lutar contra garotinhas, não?-Ele segurou a espada com duas mãos e disparou uma furiosa investida vertical bloqueada pelo pelo escudo do chacal-Vamos ver como se saí contra um homem.
O capuz do homem caiu revelando cabelos grisalhos, um rosto com uma barba rente e um queixo quadrado. Ele sorria ao escutar a provocação de Galleon, revelando um dente quebrado.
–Se ainda restou um aqui chame-o.-Devolveu com um golpe contra a cabeça do cavaleiro que o parou com seu escudo de carvalho.
O chacal desferiu mais um golpe, desta vez, na horizontal enquanto Galleon projetava o escudo acima da cabeça. O cavaleiro andante segurou firme sua espada e tentou uma estocada contra o peito do inimigo, sem sucesso, o chacal era mais ágil do que parecia e conseguia se desviar e ainda contra-atacou na cintura de Galleon, que teve de usar sua espada para bloquear o golpe.
Gerris, por sua vez, travava um intenso duelo com o outro espadachim. Uma fazia chover golpes de espada sobre o outro em uma velocidade que os olhos de Myrcella já não mais conseguiam acompanhar.
Arch joagava seu martelo contra o lanceiro e esmagava apenas uma cadeira vazia. O chacal conseguiu cortar-lhe uma vez no peito e outra no braço sem parar de rir nem por um instante.
Galleon avançava desferindo fortes golpes contra o homem de cabelos grisalhos e o mesmo recuava se defendendo de todos os golpes fosse com o escudo ou com a própria espada.
–Muito bom, garoto-O velho chacal dizia-Creio que podemos fazer uso de alguém habilidoso como você.-Fintava um golpe na vertical abaixo das costelas somente para golpear com a espada em um ângulo diagonal contra o pescoço de Galleon, e embora ele tenha bloqueado o golpe com sua própria espada, o cavaleiro andante caiu para trás de joelhos com a força do golpe-Todos voces tem lugar entre os chacais.
–Pro inferno com seus chacais-O cavaleiro andante disparou sua espada furiosamente contra ele ao seu levantar, enquanto o chacal apenas jogava seu corpo para trás deixando a espada passar direto.
–Pro inferno vai você-Quando Galleon tentou fazer sua espada voltar na mesma direção vertical, o chacal apenas projetou a sua lamina na mesma direção e em sentido oposto empurrando a espada do cavaleiro de volta e o desequilibrando no processo. Em seguida ele desferiu um encontrão certeiro no rosto de Galleon lançando-o ao chão com o nariz sangrando.
Derek descia as escadas desesperadamente brandindo sua espada e gritando para chamar a atenção do oponente de seu irmão. Myrcella corria atrás dele para segurá-lo.
Então Gerris o segurou pelos braços fazendo-o largar sua espada enquanto Arch avançava com seu martelo partindo o escudo do velho chacal com um único golpe. Só então, Myrcella notou o chacal decapitado e o outro com o peito esmagado.
–Tsc! que os outros carreguem vocês-O velho chacal disse antes de derrubar uma mesa na direção de Arch.
O dornês não foi ferido pela mesa, mas, o chacal aproveitou a oportunidade para escapar. Quando ele atravessou a porta, Myrcella caiu lentamente sobre uma parede com a mão no coração soltando um longo suspiro alívio.
–Isso não fica assim-Raya levantava devagar com uma expressão de pura fúria em seu rosto-Vou despedaçá-lo como um lobo despaça uma ovelha.
A garota correu impetuosamente em direção a saída mesmo com os gritos de protesto dos seus companheiros. Atrevessou a porta e ninguém conseguiu impedi-la.
–Aquela idiota-Arch resmungava-Vai acabar sendo morta desse jeito.
–Ela sabe se virar muito bem. Temos que cuidar dos nossos feridos. Vou lá em cima ver como o Minus esta.-Gerris lhes disse e subiu as escadas em direção ao companheiro Tyrosh.
Arch e Derek colocavam Galleon sentado em uma cadeira. O nariz parecia quebrado com a pancada que levou.
Bruscamente, então, a porta foi aberta não pelo velho chacal ou por Raya, mas sim, pela guarda da cidade. Seis deles entraram armados com lanças e espadas. Analisaram a situação sem sequer lhes dirigir a palavra primeiro. Gerris desceu carregando Milo no ombro.
Um homem de grande porte físico, uma barba densa castanha e um nariz achatado se apresentou como o capitão e exigiu saber o que havia acontecido.
–Somos hóspedes da estalagem-Myrcella começava a lhe dizer-Um grupo de doze chacais invadiu e matou Odrey, o dono da estalagem, felizmente, conseguimos acordar antes que eles queimassem todo o lugar.
Eles estavam em maior número, mas, somos também um grupo de aventureiros experientes e conseguimos sobrepujá-los.
–E só vocês acordaram?-o capitão perguntava.
–Houve uma grande comemoração por causa do fim do inverno e provavelmente a maioria dos hóspedes estavam bêbados. Como disse antes, senhor, tivemos sorte.
O capitão deitou seu olhar mais uma vez sobre o cenário e então estalou os dedos e seus soldados oscercaram suas lanças apontadas para eles.
–Sorte? Eu acho que não.-O capitão parecia quase feliz ao fazer isso-Tiveram muito azar hoje. Senhores, capturamos aqui seis chacais aqui responsáveis por matar o bom Odrey.
A compreensão a antingiu com a força de um soco. Havia uma núvem negra de confusão em seu futuro, mas a mente de Myrcella finalmente havia se clareado. É claro que os chacais não poderiam se infiltrar naquela cidade tão facilmente sem uma ajuda interna.
Myrcella escapou dos chacais apenas para cair diretamente nas mãos dos seus donos. Saiu da frigideira para o fogo.
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