A busca pela Estrela Gelada
2 2. O acordar a uma nova realidade
Notas iniciais
2. O acordar a uma nova realidade
Emily acordou com a cabeça ainda rodando, mas sua visão já havia voltado ao normal:
–Ela acordou – disse uma voz feminina vinda de algum lugar
A jovem ruiva olhou para o lado e viu uma pessoa sentada ao seu lado, uma garota como ela, mas visivelmente um pouco mais velha e com orelhas grandes e pontudas. A mulher vestia uma calça marrom de linho e um par de sapatos que pareciam ser feitos de cascas de algum inseto, sua camisa era de linho branco e era tão fina que era possível distinguir com razoável facilidade os seios da jovem que não estavam cobertos por um sutiã. Os olhos da moça brilhavam em um tom violeta enquanto a alguns fios de seu cabelo dourado caia sobre seu rosto e seu sorriso era parecido ao de uma criança se não fosse pelo seu rosto alongado e fino:
–Esta se sentindo melhor? – perguntou a garota ajudando Emily a se levantar e abrindo um leve sorriso – Pode me chamar de Lia
–Eu sou... – antes que a ruiva pudesse terminar de falar o dedo longo e fino da mulher tocou seu lábio pedindo silêncio
–Você não pode dizer seu nome a ninguém, jovem childling, ou deveria dizer wilder, sua aura está tremula demais para definir
–O que você quer dizer com isso?
–Logo mais você vai entender, mas antes precisa de um nome, algo que você ache que defina você – a fala da mulher saiu de tal forma que Emily não conseguiu pensar em mais nada além do que ela disse
–Rose, quero que me chame de Rose – a ruiva sentiu suas memórias surgindo, memórias sobre a infância quando a mãe a apelidara daquilo por dizer que seus cabelos lembravam ela de uma rosa que uma vez viu, mas ela só o chamou assim algumas poucas vezes e nunca mais poderia falar agora que estava morta
–Desculpe por não conseguir salvá-la, Rose – disse a mulher como se pudesse perceber os sentimentos da jovem – Quando chegamos já era tarde demais, o veneno de uma víbora da morte é um dos mais fortes do mundo e mata rapidamente mesmo em pequena quantidade, provavelmente se tivesse administrado o soro um segundo depois você não tivesse sobrevivido
As palavras da mulher soaram sinceras e misturadas a mesma sensação de antes a agora Rose não conseguiu odiá-la, ela sabia que a verdadeira culpada pela morte de sua mãe não fora ela:
–Onde está aquela.... – a garota tentava conseguir a palavra para melhor descrever aquela coisa
–O nome pelo qual ela é chamada é Hel – disse a mulher soltando um suspiro e seu rosto jovial pareceu mais velho – Ela é uma mercenária, foi paga por alguém para te matar, você jamais sairia viva daqui se não fosse por nós
Nós. A garota olhou pelo consultório e viu que não estavam a sós, alguém vestindo um manto negro estava sentada onde antes a médica estava e a garota sabia que ele as observava mesmo que não fosse possível ver seus olhos sob o capuz.
A ruiva já ia perguntar o nome do rapaz quando a memória da frase de Lia voltou a sua mente:
–Como quer ser chamado? – a garota se virou para a loira e viu um largo sorriso surgir no rosto dela, havia feito corretamente
Diferente da mulher o encapuzado soltou algo que lhe pareceu um escárnio, um som saído pela boca como se ele debochasse de suas palavras. Rose observou melhor e viu que na cintura do homem havia uma espada amarrada na cintura por uma corda gasta, a arma parecia ter um metro e dez e era guardada em uma bela bainha de madeira rubra adornada com desenhos dourados que lembrava chamas:
–Ele gosta de ser chamado de Ulf – disse Lia depois de um longo silêncio e se virou na direção do encapuzado – Podia ser um pouco mais educado sabia?
–Eu não gosto de ser chamado de Ulf – o rapaz falou enfim com uma voz grossa e calma – É o meu titulo e o fez por merecer, nada mais, e você não consegue perceber se ela é uma childer ou uma ilder porquê ela não é nenhum dos dois, ela está durante a transição
–Entendo – disse a loira batendo uma mão na outra e esbugalhando os olhos como se tivesse feito uma grande descoberta – Foi por isso que ela veio atacá-la só agora, ela precisava ter certeza que era você e os poderes de alguém só despertam durante a primeira transição, quantos anos você tem, Rose?
–Vou completar quinze anos amanhã – a garota disse observando os olhos violeta exóticos e curiosos da mulher
–A idade normal da primeira transição, sei que tem muitas perguntas sobre suas visões e coisas do gênero, mas por hora se controle, quando chegarmos a Arcádia você terá todas as suas respostas, pelo menos as que merecer ter
–Como assim merecer?
–Você ainda é uma childer, ainda não completou a transição, acabou de escolher seu nome, não fez nada além de ser atacada por uma mercenária estúpida, você ainda não é ninguém na nossa sociedade, nem escolheu seu rei ainda, você ainda não tem merecimento suficiente para ouvir tudo que deseja – disse Ulf novamente com calma – E caso se pergunte onde está aquela desgraçada da Hel entenda que ela desapareceu com sua Arte
–Arte?
–Você ainda não é digna de saber – disse o homem com calma e Rose se virou na direção de Lia esperando alguma resposta, mas a loira apenas balançou a cabeça em concordância
–Quando chegarmos a Arcádia você terá essa resposta e algumas outras, não posso prometer todas as respostas, pois você ainda não as merece e eu jamais saberia todas elas, mas você talvez um dia saiba
–Arcádia?
–Você faz perguntas demais para uma childer, mas acho que faz parte da sua natureza – falou o encapuzado se erguendo da cadeira
–Essa resposta você terá agora – disse Lia cortando a frase dele e ajudando-a se levantar e com um simples movimento das mãos abriu um circulo dourado no ar com dois metros de diâmetro – Se quiser suas respostas terá que nos seguir sem fazer perguntas até eu disser que pode, entendeu?
A garota tinha entendido, ela tinha milhares de perguntar a fazer, mas se controlou:
–Agora me mostre todo objeto metálico que tiver – disse a loira e Rose pegou o único objeto que tinha consigo, o colar que tinha desde pequena, sua mãe adotiva disse que estava com ela quando a achou na porta de casa – Entendo, já que não é de ferro pode vir
A ruiva quis perguntar qual era o problema com o ferro, mas mais uma vez se controlou e quando a loira percebeu isso pegou-a com um sorriso no rosto e a guiou para o portal que assim que o trio passou se desfez em pó dourado.....
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