A besta que habita em nós
3 Temporada de Caça - 05 de abril
Notas iniciais
05 de abril de 2019
Não passava da meia noite e Elizabeth já estava em um estado deplorável de embriaguez. Após as três últimas doses de tequila, já devia ter ido ao banheiro vomitar tantas vezes que perdera a paciência para contar. Mal conseguia manter os olhos abertos. Sentiu a cabeça latejar e para resolver a dor, fez mais um pedido ao dono do bar.
— Me vê... – Parou para pensar no que pediria — mais uma dose? – A voz saiu arrastada e um tanto falha.
— Já bebeu demais, devia ir para casa! – O balconista estava costumado com homens caindo e vomitando pelo seu estabelecimento quase todos os dias, mas tudo sempre é diferente com uma mulher. Elas nunca voltam sozinhas. Às vezes, nem voltam. Vezes ou outras, desaparecem. Ele não queria isso para a menina na sua frente e para nenhuma outra mulher.
— Eu sei que eu pareço um tantinho bêbada... – Elizabeth sorriu tentando transparecer sobriedade – Mas estou ótima e pronta pra mais uma dose.
— Vou ligar para um táxi – Resmungou o balconista, pegando o celular para encontrar algum número.
— Não devia beber tanto – O homem que conversava com o balconista se aproximou da menina – É perigoso.
Ela riu – Você também tá enchendo a cara e até agora, não vi ninguém dizer pra você que é perigoso! – Ela pegou o copo de cerveja da mão do homem e tomou o líquido, em um gole só. Tossiu e sentiu novamente, vontade de colocar tudo para fora.
— Pare de beber, você não está mais se aguentando.
— Diz que é perigoso porque sou mulher – Elizabeth olhou para os olhos dele. Tão verdes. Queria saber quais as intenções dele, em seguida, imaginou-se transando com ele. Ela não gostou de seus pensamentos. Estava embriagada. Não acabaria bem para ela. Levantou-se com dificuldade do banco e bambeou as pernas. Sentiu as mãos firmes do homem em sua cintura – Me solta – Empurrou-o e saiu do bar as pressas.
Foi um choque de temperatura para Elizabeth sair do local, o vento frio fez com que sua pele se arrepiasse e ela encolhesse os braços, em uma tentativa falha de se aquecer. O vestido azul e as botas over, não estava sendo suficientes para espantar o ar gelado. Olhou para o céu e percebeu com desgosto, que logo choveria – Merda! – Praguejou enquanto começava sua caminhada para casa. A tontura venho logo em seguida e junto o enjoo. Ajoelhou-se na calçada e vomitou novamente. Não aguentava mais.
— Talvez eu devesse te levar para casa – O homem do bar surgiu na frente da garota – Venha, vou te ajudar – Ele estendeu uma mão, entretanto, tudo que se passava na mente de Elizabeth, era um alerta para o perigo.
— Obrigada, mas prefiro ir sozinha – Levantou-se e sua reação de imediato, foi sair correndo. Grande erro. O bar em questão era longe de tudo e de todos, há uns três km do centro da cidade. Não haveria ninguém para socorre-la. Ninguém para ouvi-la. Engano dela, acreditar que correria mais que ele, principalmente estando bêbada. O desconhecido a alcançou em questão de segundos. Sentiu seu corpo sendo puxado para trás e percebeu temerosa, que ele a estava levando para um canto da rua escuro e sem saída. Seria estuprada. As lágrimas correram enquanto se debatia. Mas sabia exatamente como era aquela sensação de violação. Já sentira antes. Todos os dias, de alguma forma, ela era violada. Deixou de lutar e aceitar o seu destino. Não conseguiria escapar. Foi jogada no chão com violência enquanto o estranho rasgava suas roupas. Não reaja, era isso que pensava. Se você não reagir, tudo será menos doloroso.
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