A babá

46 Um passo de cada vez


Antes que eu pudesse reclamar mais um pouco sobre a atitude repentina de minha amiga vejo que a Sabrina estava ligando assim como a Ella havia avisado: – Aquela idiota — reclamo, antes de atender — oi Sabrina precisa de alguma coisa?

– Bem na verdade eu queria saber se a Ella falou com você — responde ela parecendo meio envergonhada.

– Acabei de terminar de falar com ela — admito tentando pensar numa saída daquela situação — olha Sabrina você não precisa me acompanhar na conversa com os meus pais só por causa de algo que a Ella disse, aquela ali adora colocar lenha na fogueira.

– Na verdade a Ella não me disse nada — disse Sabrina.

Ella sua desgraçada eu sabia que tinha algo planejado: – Eu que me ofereci pra ajudar — confessa minha amiga antes que eu pudesse formular qualquer frase.

— E por que você faria isso? — questiono confusa sentindo como se faltasse alguma persa nesse quebra-cabeça.

— Bem, eu meio que me sinto culpada pelo o que aconteceu — responde Sabrina — afinal você não teria ido encontrar os seus pais se eu não tivesse ido lá.

— Sabrina não precisa se culpar por isso, a culpa é toda da maluca da minha amiga — digo, estrangulando a Ella mentalmente por toda essa situação.

Se prepara Ella porque isso vai ter volta, ah se vai ter e vai ser em dobro sua maluca manipuladora: — Ana eu sei que isso não tem nada haver comigo, mas eu gostaria muito de poder lhe ajudar — disse ela — então você aceitaria a minha ajuda?

— Tem certeza que quer entrar nessa? — questiono — dar tempo de pular fora.

— Eu tenho certeza — confirma Sabrina num tom firme.

— Tudo bem, e sendo sincera eu agradeço — digo meio sem jeito — ehh, pode vim comigo no próximo sábado?

— Claro é só dizer a hora que eu vou com você — disse ela num tom animado.

[...]

E aqui estamos nos no sábado indo até a casa dos meus pais ter a conversa mais difícil da minha vida até então, e pro bem ou pro mais não tinha o menor sinal da Ella pelo caminho: — E aí, muito nervosa? — pergunta Sabrina quando já estávamos paradas em frente a casa.

— Muito, eu nem sei como agir nessa situação — respondo sendo sincera.

— Respira fundo e lembra que estou aqui para ajudar — disse minha amiga com as mãos em meus ombros — e se você se sentir muito mal você me dar um sinal que eu invento uma desculpa e a gente vai embora.

— Obrigada Sabrina — digo respirando fundo antes de tocar a campainha.

Com isso não demora muito para que minha mãe abrisse a porta com um sorriso nervoso nos lábios mostrando que se encontrava tão nervosa quanto eu com toda essa situação: — Eh... Gostaria, de beber alguma coisa? — oferece ela enquanto abria passagem para que passássemos.

— Não precisa — respondo antes de lembrar que não avisará sobre a presença de minha amiga nessa conversa — eh..., não tem problema da Sabrina participar, não é?

— Se isso lhe deixar mais confortável não vejo problema — responde meu pai se juntando a sua mulher.

— E sabíamos que você traria alguém para ser o mediador — confessa minha mãe nos guiando até a sala indicando para que nós sentaremos em sua frente.

Se passam alguns minutos até que um de nós tivesse coragem para iniciar a conversa e cada vez que me sentia incomodada ou receosa sobre algo sentia a Sabrina apertar a minha mão para me passar coragem aquecendo uma parte em meu coração que a muito pensei que havia morrido e aquilo me assustava tanto quanto me passava paz, uma paz que precisava naquele momento por isso não fiz o menor movimento para afastar sua mão, mas notei o olhar que meus pais lançaram brevemente para ela, eu sabia que queria me perguntar algo mas eles continuaram calados: — Acho que por hoje tivemos um grande avanço — disse Sabrina quando o silêncio voltará a reinar pelo ambiente — e eu sinceramente espero não ter sindo um incomodo.

— De forma alguma, eu e o meu marido gostamos muito de dela aqui hoje — disse minha mãe.

— Creio que nenhum de nós se sentiria tão a vontade se não fosse por você — disse meu pai, com isso sinto um leve aperto em minha mão atraindo a minha atenção para minha amiga que parecia querer que eu falasse alguma coisa.

— Eu volto na semana que vez — digo, vendo que não era isso que a Sabrina queria que eu falasse.

— Tudo bem a gente espera — disse minha mãe antes que eu e a Sabrina fossemos até a minha moto.

— Você poderia ter se desperdiço melhor — disse ela.

— Eu sei só não consegui — digo colocando o capacete.

— Bem, ainda tem tempo para isso — disse Sabrina subindo na garupa — por enquanto é só foca nos pequenos avanços.

— Um passo de cada vez — digo como um mantra.

— Um passo de cada vez — repete ela antes de saímos dali.

Continua...