A babá
41 Silêncio
Sabrina: on
Depois que saiamos da casa dos pais da Ana ela continuara andando em silencio o que já estava me deixando preocupada, mas também sabia que ela precisava daquilo toda aquela descarga emocional devia ter sido muito difícil de lidar e eu não sabia o que dizer ou fazer para fazer-la se sentir melhor, sendo sincera acho que não sou a melhor pessoa para está com a Ana nesse momento, quando de repente ela para, se vira e me puxa para perto me abraçando:
— Obrigado e desculpa — disse encostando o rosto no meu ombro — sei que não gosta quando faço isso tão de repente, mas só deixe-me ficar assim um pouco.
Aquilo me pegou desprevenida nunca havia escutado a voz da Ana tão triste, com tanta dor aquilo partiu o meu coração, então fiz a única coisa que pudia no momento, a abracei de volta ouvindo alguns soluços que escapavam de sua boca: — Ana eu sei que estar doendo, mas acho melhor irmos para um lugar mais calmo — sugiro notando as pessoas parando para nós observar — claro se você quiser falar sobre o que está sentindo.
— Eu deixei a minha moto lá atrás — responde ela com a voz ainda modificada — e... eu... não quero voltar pra lá, não agora.
— Tudo bem, então que tal você me levar para um lugar calmo por aqui? — pergunto querendo fazer qualquer coisa para tirá aquela dor de seus olhos.
Sem dizer uma única palavra Ana limpa o rosto antes de voltar a segurar andando para longe só parando na frente de uma igreja, mas não parecia querer tentar: — Lá atrás tem um balanço — disse ela — a Ella me levou um dia pra cá quando estava chorando durante uma misa.
Com isso Ana dá a volta mostrando o balanço se sentando evitando olhar em meus olhos esperando que eu fizesse o mesmo com o que estava ao lado: — Ella me disse que se um dia eu quisesse me sentir mais perto de Deus deveria vim aqui — disse Ana — na época não entendi muito bem o que ela quis dizer com aquilo, principalmente por estamos logo atrás da igreja e a questionei sobre aquilo, e sabe o que ela disse?
— Não — responde balançando a cabeça — o que ela disse?
— Que Deus se mostrava mais presente no silencio — disse ela olhando para cima — o engraçado é que eu só fui entender aquilo anos depois quando comecei a me sentir mal por vim pra misa, já que o padre vivia dizendo que todos os gays iriam para o inferno por terem escolhido o caminho do diabo, todas aquelas palavras magoavam era difícil acreditar que o Deus que decidi seguir me odiava por algo que não escolhi ser, mas inevitavelmente era o que eu era, então foi difícil ouvir-lo no meio de tanto barulho e foi quando lembrei daqui e vi que a Ella estava certa eu realmente me sentir próxima de Deus aqui, dês de então não coloquei mais os pés na igreja, mas nunca quis abrir mão da minha religião faz parte de mim tanto quanto ser lésbica.
— Nunca pensei que você era assim — digo surpresa.
— Como poderia se eu nunca contei? — questiona Ana tirando um crucifixo de prata do bolso deixando em sua mão — os meus pais me deram quando terminei a catequese, nunca mais usei dês da briga, mas também não tive coragem de jogar fora e sempre deixei perto de mim para me lembrar de uma época onde os meus pais eram felizes pelo o que eu era, de uma época que me amavam acima de tudo.
— Eles ainda te amam Ana, do jeito deles claro, mas te amam — digo — isso não vai mudar.
— Que tipo de amor é esse que machuca tanto? — pergunta ela.
— Todo amor machuca, mas eles estão querendo falar com você de novo isso é um bom sinal — digo.
— Não sei não, eu não quero deixar eles entrarem na minha vida só para me machucar de novo — disse Ana com os olhos brilhando por causa das lágrimas que ameaçavam cair.
— Tudo bem você não precisa tomar essa decisão agora — digo — então, por que você não me conta um pouco mais sobre você?Já que pelo visto eu não sei muito.
— Não sei, está disposta a passar até o dia de amanhã comigo? — pergunta Ana com um brilho de seu velho humor.
— Bem eu sou uma boa ouvinte e saber um pouco mais sobre você sempre vale apena — respondo sorrindo vendo o seu rosto ganhar uma pequena coloração de vermelho — pensei que eu fosse a tímida aqui.
— Pra você ver o quanto estou alterada — disse ela — bem, por onde eu começo?
Depois daquilo ficamos conversando por um bom tempo sobre varias coisas e aos poucos pude ver a Ana voltando ao normal, mas aquela dor não desaparecera só voltara para o fundo de seu coração onde ela tentava esquecer que existia e eu queria poder tirá aquela dor, mas não podia, não fui eu que a pois ali, então não seria eu a tira-la, a unica coisa que realmente podia fazer é ameniza-la e que á muito mais na vida do que essa dor,não porque estou apaixonada, mas por acima de tudo ser a sua amiga e torcer para que o dia que essa dor suma esteja próximo:
— Acho que eu me empolguei — disse Ana vendo que o sol começara a se pôr.
— Nós duas nos empolgamos — digo me levantando do balanço — mas sabe? Eu não importaria de ficar mais um pouco.
Continua...
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