A babá
43 Três favores
Depois daquela pequena conversa com a Ella passei todas as aulas ansiosa demais, não conseguindo nem prestar atenção na aula fazendo os meus professores chamarem a minha atenção pelo menos três vezes, mas ninguém podia me culpar por isso depois do que ouvir.
"Ora, sobre como você vai conquistar a minha melhor amiga"
Aquela garota realmente não sabia usar a sutileza na falar, estou até confusa sobre como ela irá ajudar, mas não é como se eu pudesse pedir ajuda de outra pessoa e ainda teria que resolver o problema do meu atual namoro, ah quando foi que a minha vida ficou tão complicada? Ah, lembrei, quando aceitei ser a babá de uma garota que nem conhecia:
— Sabrina tá na Terra? — pergunta Leandro chamando a minha atenção.
— Sim, sim estou — digo torcendo que ele não tenha falado nada muito importante, porque eu sem dúvida não ouvi nada.
— Não parecia — disse ele com um sorriso brincalhão.
— Desculpa você falou alguma coisa? — pergunto envergonhada por perguntar.
— Que o sinal tocou — responde ele — e as meninas tão chamando você.
Pelo visto não é só eu que está preocupada com a atual atitude da Ana, sabendo disso vou rapidamente para onde elas estavam, ao chegar noto que a Ana não estava em lugar nenhum: — Vocês também viram como a Ana está, né? — pergunto já ciente da resposta.
— Difícil não notar — disse Rebeca — mas afinal o que que aconteceu?
— Eu meio que fui indiretamente responsável pelo reencontro da Ana com os pais — respondo sentindo o meu rosto arder de vergonha.
— Como isso aconteceu? — questiona Clara mais confusa do que irritada diferente de sua amiga.
— Eu pedi para a Ella me levar pra falar com eles — digo.
— A Ella te pediu algo em troca? — pergunta Rebeca com a sobrancelha erguida.
— Pediu — digo ficando ainda mais constrangida.
— E podemos saber o que foi? — pergunta Rebeca.
— É meio pessoal — respondendo.
— Ok, só vou perguntar mais uma coisa — disse Rebeca — você sabia que a Ana iria pra lá?
— Não — digo não entendendo muito bem aquela pergunta.
— Minha cara levando em conta a nossa recente amizade só vou dizer isso uma vez — começa Rebeca — você foi usada pela Ella.
— Como assim? — questiono confusa.
— Mesmo que a Ella pareça uma pessoa bem impulsiva ela não dá ponto sem nó — disse Rebeca — ou seja ela planejou esse reencontro e usou você pra isso.
— E planeja fazer isso de novo se você entrar no jogo dela — disse Clara — acredite a gente já passou por isso.
— Então, não é para eu confiar na Ella? — pergunto.
— Não estamos dizendo isso, afinal a Ella não é uma má pessoa, só gosta que pensamos assim — disse Clara — mas ainda tome um pouco de cuidado e nunca peça mais de três favores.
— Por quê?
— Porque depois do terceiro você vai dever até a alma pra ela — disse Rebeca — tenha isso em mente quando for lhe pedi ajuda.
— E se ela oferecer a ajuda antes? — questiono já com um pouco de medo da resposta.
— Bem, se a Ella ofereceu então não tem problema já que a própria não conta isso como um favor, mas sim um acordo — disse Clara.
— Agora voltando ao assunto original, o que aconteceu nesse reencontro?
Com isso começo a contar tudo que aconteceu na casa dos cordeiros tentando não deixar nada importante de fora.
Ana: on
— Decidiu se fundir a cama, é? — pergunta uma voz vindo da porta.
— Se eu conseguir — respondo sem muita disposição para me virar e ver a pessoa que se aproximava de minha cama.
— Desculpe atrapalhar o seu objetivo de se tornar um móvel, mas levanta o dia tá nublado mas não é motivo para está deprimida — disse Ella puxando-me para fora da cama obrigando-me a levantar.
— Ella eu não estou muito afim de começar uma discussão — digo desanimada.
— Que bom, isso significa que você vai fazer o que mando sem reclamar — disse minha amiga me soltando antes de ir até o meu armário procurando alguma coisa nele — banheiro, agora.
Sem muita vontade de contraria-la caminho em passos lentos até o banheiro sabendo que se não fizesse isso era bem capaz da Ella me arrastar até ele e só sair quando eu tivesse terminado, era extremante irritante esse lado protetor dela principalmente quando me tratava feito criança, ao terminar volto para o quarto só de toalha: — Vista-se — disse minha amiga me entregando uma muda de roupas — enquanto faz isso vou falar com os seus tios.
— Por que veio Ella? — pergunto confusa por sua atitude.
— Para te levar pra o colégio, só isso — responde ela abrindo a porta.
— Sem sermão? — questiono a vendo suspirar.
— Não hoje — disse minha amiga saindo — não se você não quiser.
— Ninguém gosta de levar sermão — digo.
— Verdade, mas não é uma questão de gostar e sim de precisar — disse Ella enfim fechando a porta.
Continua...
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