A babá

32 Capítulo 26: Livro aberto


— Terminei, por quê? — pergunto confusa.

— É que os meus pais queriam saber se você gostaria de almoçar aqui em casa — responde Sabrina constrangida.

— Bem eu tenho que ver com os meus tios primeiro — digo — mas conhecendo eles não vai ter problemas.

— Tem certeza? — pergunta ela.

— Tenho, sem problema eu te ligo assim que confirmar — digo antes de desligar, começando a procurar o número dos meus tios nos contatos — tia Sydney.

— Ana aconteceu alguma coisa? — pergunta minha tia.

— Só uma mudança de planos — respondo num tom neutro — a Ella cancelou e os pais da Sabrina me convidaram para almoçar na casa deles.

— Nossa esse casal gosta mesmo de você — disse minha tia num tom risonho — tô quase vendo eles pedirem para adotar você.

— Mas e ai eu posso ir? — pergunto.

— Ana você ligou mais para avisar do que para pedir permissão — disse ela — então você já sabe a resposta, mas Ana tem certeza que é uma boa ideia manter essa proximidade?

— Tia não é como se eu odiasse religiosos — digo — eu mesma ainda sigo muito do que aprendi na igreja.

— Eu não estava me referindo a isso — disse tia Sydney — eu me referi sobre manter essa proximidade com a Sabrina.

— Até você notou? — pergunto sem graça.

— Ana você sempre foi como um livro aberto — disse ela — só não ver quem não quer, não me leve a mal eu adoro a Sabrina, mas eu me preocupo com você.

— É a segunda vez que estou tendo essa conversa hoje — digo.

— Então a Ella já falou com você — conclui minha tia — agora eu estou mais tranquila, sem dúvida ela disse para você dizer o que senti.

— É a Ella falou algo assim — digo meio desanimada.

— E a Ella está certa — disse minha tia — não importa se vai ser regeitada ou não, o que importa é você deixar as coisas as claras.

— Vou manter isso em mente — digo — bem já vou desligar, tchau tia.

— Juízo Ana — disse ela antes de eu desligar.

Com isso ainda demoro um pouco para me levantar juntando coragem, quando consigo vou até onde estacionei a moto colocando o capacete antes de subi nela, indo até a casa de Sabrina, ao chegar paro na porta respirando fundo antes de bater na porta: — Ana entra — disse dona Katia abrindo a porta.

— Oi Katia obrigado pelo convite — digo entrando encabulada.

— O que posso fazer, eu e o meu marido adoramos você aqui em casa — disse ela com um sorriso.

— Eu também gosto muito de vocês — digo — entao, onde está a Sabrina?

— Na cozinha, pode lá ir vê-la — responde dona Katia.

— Brigado — digo antes de ir até a cozinha a encontrando debruçada sobre o fogão.

Ana: off
Sabrina: on

Enquanto eu esperava a Ana ligar decidir ficar cuidando da comida que ainda estava no fogão, ao mesmo tempo que pensava sobre o que a Ella me dissera e ainda assim não conseguia entender: — A carne tá queimando — disse Ana aparecendo em minhas costas o que me assusta.

— Que susto Ana — digo desligando o fogo antes de virá em sua direção — a quanto tempo você estar ai?

— Acabei de chegar — responde ela sorrindo.

— Você não iria me avisar se viesse? — questiono ainda me recuperando do susto.

— Esqueci — disse Ana dando de ombros — desculpa, mas então, o que vai ter para o almoço?

— Já não tá meio óbvio? — pergunto brincando.

— Filha já posso colocar a mesa? — grita minha mãe da sala impedido a Ana de falar.

— Sim mãe — respondo limpando as minhas mãos num pano de prato — bem, vamos pra sala?

— Você primeiro — disse ela num gesto exagerado se inclinando para a porta.

Mesmo rindo do seu jeito brincalhão ainda pude sentir aquele mesmo muro que a Ana havia erguido em nossa relação, por um motivo que não tinha conseguido descobrir e isso me incomoda muito, naquele momento lembrei o que a Ella me falara. — Olhar mais fundo, né? — penso — mas o qual fundo devo ir?

— Eu realmente tava com saudades desse perfume — disse Ana me abraçando por trás enquanto encostava sua cabeça em meu ombro.

Continua...