A babá
39 Bella e Victor
Sabrina: on
— Só pra deixar claro ainda dar tempo de desistir — disse Ella encostada ao lado da porta com um sorriso de lado de braços cruzados.
— Não, só preciso de um pouco tempo de para assimilar — digo respirando fundo — tem alguma ideia de como iniciar uma conversa que meio que vai ser uma bronca?
— Muitas, mas nem pense que eu vou facilitar para o seu lado — disse ela começando a se afastar — boa sorte brasinha.
— Pera ai a onde que você vai — questiono.
— Visitar os meus pais que moram aqui do lado — responde apontando para a casa do lado — desculpe eu nunca disse que te acompanharia.
— Não pode ficar pelo menos na porta? — pergunto.
— Não — responde Ella de imediato se afastando.
Depois que a outra some dentro da casa respiro fundo mais uma vez tentando arrumar coragem para tocar a campainha, então a aperto demorando pouco tempo para uma mulher que parecia muito com a Ana abrir a porta: — Posso ajudar? — pergunta ela desconfiada.
— Sim pode... é... eu gostaria de falar sobre a ... a sua filha — começando internamente me arrependendo por aquilo, o que eu tinha na cabeça para fazer isso sem pensar direito antes?
Ana: on
Aquela filha da mãe, o que tava pensando quando decidiu levar a Sabrina para a casa dos meus pais? A louca não pensou nas consequências? É claro que não é da Ella que estamos falando, ela nunca pensa nessas coisas — eu pensava aquilo enquanto conduzia a moto o mais rápido que podia até o bairro onde cresci estacionando-a ao lado do treler dela vendo a própria sair da casa dos seus pais, me fazendo ir em sua direção querendo estrangula-la: — Você tem exatos 10 segundo para me explicar o que tinha na cabeça para trazer a Sabrina pra cá — ameaço segurando-a pela gola da camisa.
— Que eu sou uma boa pessoa por fazer o que os outros pedem? — sugere ela levantando as mão em redição — alem do mais tem certeza que quer ter essa discussão?
— Cadê a Sabrina? — pergunto olhando para os lados.
— Você é bem lerda as vezes cordeirinha — disse minha amiga se soltando — mas se não correr vai acontecer um incendioso na sua casa.
— A gente conversa depois — digo antes de ir em direção do real problema.
Com isso vou rapidamente para a minha casa notando que a porta estava aberta entro sem pensar duas vezes, mas paro ao sentir a mão da Ella em meu ombro: — Não entre ainda só escute — disse ela.
— Mas...
— Ana a Sabrina veio até aqui para falar com os seus pais, deixe ela falar e escute cada palavra porque você precisa — disse minha amiga.
Eu não estava entendendo aquilo, claro a Ella sempre gostou de uma boa discussão, mas nunca foi só de ouvir, muito menos incentivar alguém a isso: — Vocês realmente acham que é certo não falar com a própria filha só porque não aceitam o jeito que ela vive a vida? — escuto Sabrina perguntar — realmente não se sentem mal por nunca ter tentado falar com ela? E só por que ela é lésbica? E isso muda o carate dela? A Ana deixou de ser uma pessoa incrível e olha que eu só convivo com ela á poucos meses, mesmo assim conseguir ver que ela é a pessoa mais positiva, alegre, divertida, inteligente, uma ótima amiga e sabe o que mais? Ela nunca falou mal de vocês nem uma vez, mas eu vejo o quanto doe para ela saber que vocês não a veem mais como filha.
— Nós sabemos, mas por que ela decidiu seguir logo esse caminho? — pergunta minha mãe finalmente se pronunciando — como podemos apoia-la se isso só lhe causará dor?
— Então decidiram se tornar o principal motivo do sofrimento dela? — questiona Sabrina — olha eu não vou dizer que não entendo o lado de vocês porque sei os pais sempre desejam a felicidade para os seus filhos e mostram o caminho mais fácil, mas as vezes é justamente esse caminho que os trazem a infelicidade, então vocês só estavam considerando o que pensavam que a deixaria feliz e esqueceram de se perguntar se esse caminho realmente a faria feliz ou simplesmente a obrigaria a passar o resto da vida com um sorriso falso só para agradar os seus princípios.
— Você estar enganada — disse minha mãe.
— Então a onde a Ana estar agora? — pergunta Sabrina.
— Essa é a sua deixa — disse Ella me empurrando para a sala fazendo todos ali me notarem.
— Ana — disseram os meus pais.
— Oi pa... Bella e Victor — digo lembrando do dia que fora expulsa.
Continua...
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