A amante
1 Era pedir demais?
Notas iniciais
A batalha finalmente tinha acabado. Lora voltava pra casa cansada de todo o sangue que tinha feito jorrar. Suas espadas precisavam ser novamente afiadas, pois não tinham o mesmo brilho da inexperiência, porém um sorriso aparecia em sua face. Estava satisfeita por ter vencido, por ter sobrevivido. À anos tinha deixado sua casa em busca de paz para o seu coração. Os yokais haviam levado sua criança e em alguns dias seu corpinho apareceu destroçado por todo o vilarejo ao qual vivia. E lá ela prometeu vingança. E lá traçou todo o seu futuro, onde apenas destruição almejava.
Agora que finalmente podia descansar e encontrar novamente a felicidade, decidiu voltar para a família que deixou para trás. Estava com grande expectativas, porém também pesarosa. Seu pai era um homem doente e idoso, sua mãe já não existia e seu marido um lavrador que não concordava com suas intenções de assassinar quem lhe fizera mal.
Porém ela voltava e esperava que não tivesse sido esquecida.
Deixou suas armas atrás de uma pedra. Pegou o vestido que comprou no meio do caminho e trocou suas vestes. Já sentia o peso de tudo aquilo indo embora.
Ao longe via como o local prosperara, as casas estavam mais cuidadas e aumentaram exponencialmente em proporção. Encontrou algum comércio e seu rosto era ainda mais feliz. Viu crianças correndo e pensou como seu filho gostaria de correr entre eles, em um local tão pacifico.
Estaria pronta para tentar novamente ser mãe? Nunca tinha pensado tão longe, mas a ideia lhe tentou.
A leveza daquele ambiente moveu seus pés, nem a deixando perceber como chegava perto de seu destino. Mas lá estava, frente à frente a sua antiga morada. Bateu palmas. Uma, duas, três vezes. E foi recepcionada.
Ela era uma mulher baixinha, com uma barriga enorme e um bebê ao colo. Lora desfez seu sorriso e questionou se Abel ali residia. A mulher respondeu positivamente, dizendo que o marido estava no trabalho. Perguntou se gostaria de entrar, porém Lora se reteve na palavra marido. Seus olhos jorraram suas dores e a mulher grávida desceu as escadas, chegando perto da desconhecida.
— Você está bem moça? – Questionou.
Ela assentiu, mesmo não conseguindo segurar as lágrimas. Tentou limpa-las com a mão e nisso a aliança ficou exposta, e Anne reconheceu a mesma, pois tinha uma igual.
— Lora? – Perguntou. A mesma a olhou sem entender. – Lora? Não acredito, você está viva?!
— Estou. – Respondeu.
Ela colocou a sua criança no chão, a qual saiu caminhando pelo terreno e abraçou a mulher que chorava. Lora ficou vendo a menina, que alheia a tudo aquilo arrancava florzinhas no meio da grama.
— Eu não acredito. Depois de todo esse tempo... Eu achei... Nós achamos, que você tinha morrido. – Tremia. Falava descompassadamente. — Rezamos sempre pela sua volta, mas não acreditávamos nisso.
— Você rezava? – Questionou.
— Sim. Meu marido realmente te ama e eu não poderia desejar o seu mal. Porém, as coisas vão ser complicadas agora. – Chorou. – Nem sei o que pensar... Bem, entre... Abel logo chegará. – Sugeriu. Lora entrou, abatida. Sua casa já não era mais sua. Porém ela não sabia se depois de tanto tempo, poderia desejar que assim fosse.
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