A Whole New World
17 Capítulo XVII
Notas iniciais
Os gélidos cristais diamantinos ligeiramente translúcidos das esferas azuis reluzentes dos distantes olhos de Elsa,cujos as pálpebras foram recém-cobertas por uma fina camada de três distintas tonalidades de sombra cinza cintilante;—fixaram-se em sua própria imagem refletida no longo espelho emoldurado por ouro branco,postado ao lado esquerdo da penteadeira.Sua expressão apática não alterou-se mesmo após constatar o quão estava linda.O belíssimo vestido 'tomara-que-caia' na cor lilás recriado por sua irmã caçula,cuja a extensão da saia lustrosa dividia-se em diversas camadas onduladas nas pontas—caia-lhe perfeitamente bem;valorizando com extrema maestria as curvas pouco sinuosas de seu delicado corpo pequeno.Pares de luvas na mesma cor do vestido cobriam-lhe as mãos e alcançavam a altura de seus cotovelos.Uma parte de seus cabelos foram engenhosamente trançados e presos num coque no topo de sua cabeça,e o restante dos sedosos fios claros como palha,tinham-se jogados sob suas costas finas em suaves cascatas encaracoladas nas pontas.Porém,nem mesmo a maravilhosa vestimenta que contribuíra para complementar ainda mais sua já estonteante beleza,fora suficiente para modificar o humor um tanto amargurado da jovem Rainha.Elsa não via-se capaz de compartilhar do berrante entusiasmo demonstrado explicitamente por Anna e por todos os outros demais convidados que achegavam-se ao palácio para prestigiar o evento comemorativo em homenagem ao seu casamento que estava cada vez mais próximo de acontecer.O motivo que impedia-se de alegrar-se com o dito evento era o fato de que Elsa estava noiva de um homem que não amava,e sua união com o mesmo somente ocorreria para suprimir a necessidade que Arendelle tinha por um governante masculino.Não haviam reais sentimentos afetuosos em seu relacionamento com Robert,que nos últimos dias,tornara-se repentinamente conturbado.A ausência do calor aconchegante do amor,do desejo sôfrego por beijos e carícias e das palavras sinceras ditas somente por um coração apaixonado—eram as principais razões pelas quais a Rainha encontrava-se tão indiferente á seu futuro casamento.
Elsa deu as costas á encantadora mulher existente no espelho,e dirigiu-se a passos lentos até as janelas fechadas,cujas as cortinas de refinado tecido claro tinham-se semi-abertas,possibilitando uma visão pouco ampla do vasto pátio de pedra decorado especialmente para o evento de gala daquela noite.Com um suspiro,Elsa ficou a observar as incontáveis carruagens de luxo que abrigavam condes,duques,baronesas,duquesas e todo o restante da nata da sociedade nobre que viera para participar de seu baile de noivado.Um á um,os veículos conduzidos por cavalos eram organizadamente estacionados com o auxílio dos guardas reais ás proximidades da entrada do palácio.
Os andares inferiores já encontravam-se abarrotados com alguns dos convidados cuja a chegada fora relativamente antecipada,em relação aos demais.A orquestra musical composta pelos mais reconhecíveis e talentosos mestres musicistas em todo reino,já estava devidamente postada no salão principal,encarregando-se de encher o ambiente com música lenta e suave.Os empregados residentes do local locomoviam-se rapidamente por todo o vasto recinto,servindo os convidados com o quê havia de melhor das bebidas e quitutes doces e salgados.
Elsa virou-se para a porta quando ouvira alguém bater rapidamente contra a mesma.Após conceder autorização para que o indivíduo abrisse-a,Elsa virou-se para o criado que,imóvel junto á soleira da porta semi-aberta,curvou-se brevemente em sinal de respeito á sua Rainha e anunciou que deveria realizar sua entrada ao salão agora pois os convidados aguardavam por ela.
Elsa suspirou e ao redirecionar sua atenção para a imagem que estendia-se além dos vidros das portas-janelas,agradeceu ao criado que logo tratou de retirar-se.
❄ ❄ ❄
Do lado de fora do palácio,um certo rapaz,dono de peculiares cabelos brancos como a neve,—argumentava insistentemente com os guardas responsáveis pela vigilância da entrada lateral do palácio,oculta em meio á vegetação silvestre do impecável jardim magnífico,onde os empregados contratados para servirem os convidados deveriam adentrar ao local;uma vez que era absolutamente inadequado que os criados se misturassem á alta sociedade burguesa.Jack trajava um longuíssimo casaco 'sobre-tudo',tão negro quanto o noturno céu estrelado.A peça fora extraíra sigilosa e ilegalmente de um aldeão civil durante sua rápida escapulida para a vila do reino.Por debaixo do 'sobre-tudo',Frost mudara seu habitual vestuário simplório que constituía somente num par surrado de calças escuras e um casaco azul-marinho,por trajes também roubados.
Ao deixar sua cela,Jack voou para a entrada principal do palácio e conseguiu,em meio a aglomeração de nobres existente no pátio,localizar rapidamente um alvo indefeso.O pobre coitado que tivera suas roupas roubadas por Frost,fora um duque idoso de baixa estatura e um tanto acima do peso.O velho homem fora deixado somente trajando suas roupas íntimas por Jack após descer de sua pomposa carruagem luxuosa.Incapaz de protestar contra aquele que o roubou,ou mesmo localizar o dito meliante,o duque ficou á deriva;semi-nu no pátio da entrada principal do palácio enquanto os demais nobres que adentravam ao local ficaram a gargalhar ruidosamente da situação deplorável da qual o duque encontrava-se.
Após conseguir as roupas,Jack dirigiu-se silenciosamente para as extremidades sombrias do jardim do palácio e mudou suas vestes em meio á mata.E mesmo que as proporções das vestimentas do duque estivessem fora do pradrão do corpo esquálido de Frost,as refinadas peças nas cores azul-caribenho e branco,rica em diversos detalhes bordados á tecido dourado e as longas botas masculinas de couro preto,— serviram perfeitamente bem em Jack.Depois de vestido,Frost encurvou seus dedos e os utilizou para investir na vã tentativa de organizar adequadamente os desgrenhados fios rebeldes de seus cabelos,penteando-os para trás.Frost apanhou o 'sobre-tudo' e trajou-o,cobrindo totalmente as luxuosas vestimentas nobres recém-roubadas.O albino então,dirigiu-se ás portas que concedia a entrada aos empregados para o interior do palácio;e utilizando a escuridão da noite á seu favor para impedir que os guardas vissem a notar a cor de seus cabelos e assim reconhecê-lo como o ladrão que fora confinado no calabouço do palácio semanas atrás,—Jack manteve a cabeça baixa,e ainda com o intuito de evitar ser identificado,alegou aos guardas que fora contratado para trabalhar na cozinha durante o decorrer do evento.Afinal,arriscar-se a utilizar a entrada principal juntamente com os nobres e ainda tentar passar-se por um deles,estava totalmente fora de cogitação,uma vez que seu nome não estava na lista de convidados.
Após ouvirem o breve relato do rapaz que dizia-se ser um empregado,os guardas,á princípio,mostraram-se um tanto relutantes.No entanto,após avaliarem a postura do rapaz e constatar que ele não parecia tratar-se de um indivíduo perigoso,os guardas vasculharam os bolsos de seu 'sobre-tudo' em busca de objetos cortantes ou quaisquer tipo de instrumentos que pudessem de alguma forma comprometer a integridade física dos convidados,ou até mesmo dos próprios criados.E,devido á ausência de quaisquer objetos que pudessem ser considerados hostis,os guardas,ainda demonstrando certa desconfiança e seriedade;finalmente cederam passagem ao jovem.
Ao passar pela porta,que logo fora novamente fechada por um dos guardas após sua entrada,Jack viu-se no interior do quê parecia ser uma dispensa.Permitindo-se suspirar em grande alívio depois de ter obtido êxito em sua ariscada tentativa de adentrar ao interior do palácio real,— Frost rapidamente tratou de livrar-se do 'sobre-tudo' que estivera trajando e então,deixou a dispensa;vendo-se num extenso corredor iluminado,cujo o caminho levava diretamente ao salão principal onde a festa acontecia.
Jack logo tomou a frente,e acompanhando os demais convidados que seguiam para a gigantesca passagem cercada por guardas imóveis,situada no final do corredor—mergulhou em meio ao conjunto de nobres ricos,adotando rapidamente uma postura repleta de uma superioridade arrogante,tal como a que os burgueses exibiam de maneira orgulhosa.Aparentando despreocupação,Jack misturou-se aos demais convidados com o intuito de se passar por um deles e com isto,impedir que os guardas viessem a reconhecê-lo.
Finalmente,após realizar a travessia da passagem para o salão festivo abarrotado com os membros mais importantes da sociedade real,Jack cessou seus passos ao certificar-se de que estava longe o suficiente dos olhos atentos dos guardas que vigiavam a entrada.O albino permitiu-se contemplar a beleza estonteante do local por alguns breves instantes,maravilhado com o quê o via.
— Senhoras e Senhores — Anunciou o servo real de forma exageradamente majestosa em alto e bom som para que sua voz pudesse ecoar por todo o salão,assim todos os presentes o ouviriam claramente.Jack virou-se na direção de sua voz. — Eu vos apresento,sua Majestade real:Rainha Elsa.
Mesmo que a presença de incontáveis nobres que aglomeravam-se em pequenos grupos por todos os cantos do salão lhe privassem de uma visão ampla da imagem da Rainha,Jack pôde facilmente identificar Elsa quando a mesma surgiu no topo da extensa escadaria encoberta por um longuíssimo tapete de veludo vermelho-escarlate.Ao término do pronunciamento do servo,a loira cumprimentou adequadamente seus inúmeros convidados espalhados por cada canto do salão luxuoso ao acenar e sorrir graciosamente.Estes,por sua vez,ajoelharam-se brevemente em reverência respeitosa á sua governante suprema.Elsa então,foi calorosamente saudadas com uma salva de palmas.
Frost fixou seu olhar na figura belíssima da Rainha.Logo,as esferas gélidas e cristalinas de seus olhos transbordavam intensiva carga de fascínio enquanto seu olhar esquadrinhava Elsa minuciosamente.Seduzido e hipnotizado pela mulher deslumbrante que mais assemelhava-se á um anjo da neve,Jack,por algum motivo desconhecido até por ele mesmo,viu-se ofegando e subitamente dominado pelo ímpeto estrangulador de tomá-la em seus braços.Vê-la desencadeou um ritmo descompassado á seu coração,que tinha-se cheio de uma indescritível sensação de plenitude.
Elsa deu início á sua lenta e elegante descida pelos diversos degraus de mármore clara.Mas antes de fazê-lo,segurou a longuíssima saia de seu vestido com o intuito de evitar que esta acabasse por atrapalhá-la em sua caminhada até o final da escada,e com isto resultar numa queda constrangedora.
Por fim,Elsa dirigiu-se ao pavimento pouco extensivo onde jazia o reluzente trono banhado á ouro,e,medindo níveis inacreditáveis em seus movimentos sutis e graciosos como os de uma bailarina,—a loira assentou-se sob o estofamento de algodão na cor vermelha e pousou as mãos educadamente sob o colo.Novamente,os convidados saudaram sua Rainha com palmas antes de voltarem a desfrutar das festividades da noite.
❄ ❄ ❄
Robert atravessava os corredores do palácio real em uma caminhada apressada,quase transformando-a numa corrida.Seus guarda-costas pessoais tinham de esforçar-se para acompanhar o ritmo afobado com o qual seu senhor soberano movia suas longas pernas.As joviais feições másculas do rapaz tinham-se fortemente franzidas numa careta amargurada,transparecendo claramente a alta carga de aborrecimento e nervosismo soterrada em seu âmago íntimo.A razão para tremenda carranca rabugenta,dava-se ao fato de que Robert tinha-se perfeitamente consciente de que encontrava-se atrasado para seu próprio baile de noivado.E o motivo de seu atraso,fora uma discussão argumentativa que travara por longos momentos com seu pai no esconderijo secreto partilhado por ambos nas extremidades do território de Arendelle.O despejar frenético e furioso de berros ofensivos que pai e filho derramaram um sobre o outro,fora iniciado devido após uma declaração inesperada feita pelo jovem rapaz.Robert explodiu ruidosamente em gritos pois estava mais do que farto de que ter de se submeter ás ordens de seu pai,que reagiu de maneira exageradamente agressiva quando o filho resolveu confessar-lhe que acreditava estar apaixonando-se por Elsa.
Início do Flash Back—
Robert contava com a ajuda do pai para aprontar-se para o baile de noivado.Ambos estavam sozinhos no minúsculo casebre destroçado onde encontravam-se regularmente para conversarem em particular sem correr o risco de terem seus planos descobertos e arruinados por algum indivíduo indesejado,e devidamente longe do alcance dos ouvidos dos criados do palácio e das próprias Irmãs Arendelle.
Enquanto Robert vestia-se,George exclamava entusiasmadamente a respeito de todas as mulheres,riquezas e terras que tomaria para si quando assumisse o pleno e total controle de Arendelle depois que Elsa fosse assassinada.George,no entanto,enquanto revelava abertamente o quão eufórico encontrava-se para tomar posse de todo o luxo que iria usufruir assim que se tornasse o novo proprietário do palácio,—não notara que o filho demonstrava não estar apreciando a forma com a qual ele falava sobre a futura morte da Rainha.O simples lembrete de que logo teria de matá-la,feriu profundamente o íntimo sensibilizado do rapaz,que nos últimos dias encontrara-se preso em algo que parecia um interminável conflito interno.O rapaz via-se dividido entre seus sentimentos intensos e compulsivos pela Rainha,que a cada dia pareciam florescer mais,e os deveres que seu pai lhe impôs.Embora não estivesse inteiramente certo de seus reais sentimentos por Elsa,e ciente de que talvez pudesse estar criando desilusões á si mesmo ao acidentalmente confundir seu sôfrego desejo carnal por ela com amor;Robert permitiu-se desabar com o pai,acreditando que o mesmo seria capaz de passar-lhe um conselho produtivo sobre o quê fazer em meio a tal delicada situação.
Suspirando,Robert disse:
— Sabe,pai,eu estive pensando:Talvez não seja prudente que assassinemos Elsa logo após o casamento.A iminente e inesperada morte dela levantará suspeitas que rapidamente serão direcionadas á mim,e isso nos colocará em perigo de perder tudo que lutamos tanto para conquistar.Talvez...— Robert fez uma breve pausa abrupta,procurando pelas palavras corretas para dar continuidade á seu argumento.O rapaz hesitou,e George,que agora tinha-se os olhos estreitados fixos na figura alta e musculosa do mais novo,aguardou pacientemente em silêncio para o mesmo desse continuidade.Mesmo de costas para o mais velho,Robert pôde sentir a intensiva carga de suscetibilidade que o pai direcionava á si através de seus tempestuosos olhos que eram gradualmente encobertos por uma névoa crescente de fúria.
Robert engoliu a seco,e por fim,prosseguiu:
—...Talvez seja melhor que adiemos isto,apenas por alguns dias.
George aproximou-se do filho,mirando-o com os olhos pequenos transbordando incredulidade.
— Mas que diabos está dizendo,Robert...?!
O rapaz finalmente virou-se para sustentar o olhar do mais velho.
— Pai,eu...— Robert não atreveu-se a interromper sua fala para refletir a respeito das palavras que estava prestes a proferir.Mais tarde,no entanto;o rapaz descobriria que sua ansiedade impulsiva que o levaram inconscientemente a tomar decisão de derramar a verdade que ele vinha sufocando em seu peito durante os últimos dias,—fora um grande erro.
—...Eu estou apaixonado pela Elsa.Eu...eu a amo! — Concluiu ele por fim,incapaz de acreditar que fora corajoso o suficiente para revelar isto explicitamente ao pai.
E fora sua revelação inesperada,que logo fora violentamente repelida por George,que desencadeara a pior discussão que pai e filho já tiveram em anos de convivência.Ao demarrar uma série frenética e brutal de repreensões severas,proferidas em berros irados,George avançou sobre o filho e desferiu-lhe tapas e mais tapas.Embora sua força física e altura fossem significantemente inferiores se comparadas ás do filho,George permitiu-se ser totalmente consumido pela fervorosa fúria inigualável que queimava em seu âmago sombrio,e com isto,tomar posse de uma força surpreendente.Robert gritava,implorando ao pai que parasse,porém,suas súplicas pareciam somente impulsioná-lo a continuar.
O motivo para tal exagerada reação,dava-se por conta do fato irrevogável de que os planos ambiciosos de George seriam totalmente arruinados caso Robert,que alegava nutrir sentimentos românticos pela Rainha,viesse a desistir de dar continuidade á operação.Isto,inevitavelmente,frustaria a concretização da ambição de George por posse de todas as riquezas de Arendelle.E isto,era que o conselheiro de Elsa jamais permitiria-se aceitar.
Quando George finalmente o soltou,ofegando descompassadamente,fixou seu olhar fumegante na figura miserável de seu filho jogado desajeitadamente sob o piso imundo repleto de pequenas rachaduras,e apontou-lhe o dedo indicador,anunciando em tom ameaçador:
— Agora me escute bem,seu tolo cretino:Você vai matar aquela mulher depois de casar-se com ela.E é bom que eu não volte a ouvir quaisquer tipo de objeções suas em relação á isto.Elsa é apenas uma mulher,Robert.Tenha em mente que um belo par de seios pode envelhecer,mas riquezas e ouro não! Pouco me importa se que está realmente apaixonado por ela,ou se apenas acredita que a ama;apenas...mate-a!!
Fim do Flash Back—
Após George ter deixado o casebre,Robert irrompeu em ruidosos gritos de ódio e indignação.O rapaz manteve-se inerte sentado em posição semi-fetal junto á parede cuja a pintura envelhecida fora parcialmente consumida por degradação causada por fungos e mofo,e socou o chão abaixo de si inúmeras vezes,descontando sua ira descomunal no assoalho de madeira apodrecida.
Quando Robert finalmente deu-se conta que seus futuros súditos e Elsa aguardavam-no em seu próprio baile de noivado,e que deveria apressar-se para comparecer ao mesmo,o rapaz rapidamente tratou de recompor-se e finalizar sua preparação para a festa.No entanto,quando deixou o casebre,notou que o fizera tarde demais pois já encontrava-se seriamente atrasado.O episódio brutal decorrido com o pai transtornara totalmente o antes bom humor que o rapaz mantivera durante todo o dia para desfrutar adequadamente do evento de gala que ocorreria á noite.E fora com muito esforço,que o jovem pudera reunir tudo que era necessário para restabelecer a máscara galanteadora e respeitável que deveria manter perante Elsa.No entanto,esta máscara viera a cair pela segunda vez naquele mesmo dia quando Robert adentrou ao palácio e deparou-se com a cena de um rapaz cujos os cabelos eram de uma peculiar coloração branca,e que deveria ser somente alguns centímetros mais baixo do que ele próprio,aproximar-se de sua futura esposa e estender-lhe a mão formalmente,convidando-a para dançar.
Elsa ergueu seus olhos para contemplar a figura do jovem que colocou-se perante si,e ao fazê-lo,teve o ar violentamente arrancado de seus pulmões.O queixo da Rainha foi ao chão ao emitir um grunhido incredúlo.Seus olhos arregalados fixaram-se em Jack,e mantiveram-se encarando mutuamente a face do mesmo pelos próximos breves instantes de silêncio que se seguiram.Jack,por outro lado,mostrava-se irredutivelmente despreocupado;sua face serena quase beirava ao cinismo e por um breve momento,Elsa tendeu a acreditar que ele estivesse silenciosamente divertindo-se com sua expressão espantada.
Jack esboçava mais um de seus característicos sorrisos tortos que tinha o poder de arrancar suspiros de quaisquer jovens donzelas,inclusive da própria Elsa,que naquele momento viu-se ser tomada por um misto de surpresa e admiração ao constatar o quão bem as vestimentas excessivamente formais ficavam em Frost.
— Oi. — Disse ele,baixo o suficiente para que somente ela o ouvisse.
— Frost! — Devolveu Elsa após engolir a seco,utilizando o mesmo tom sussurrante usado por Frost.
O albino demonstrava sutis sinais de genuíno nervosismo,embora mantivesse o sorriso esplendoroso.
— Eu sei que muito provavelmente deve estar tão zangada quanto surpresa com minha presença aqui,e sei que acabará por me repreender por ter vindo;mas...mesmo que isto soe bizarro e talvez até um tanto inadequado...daria-me a honra de conduzi-lá em uma dança? — O andarilho ofereceu a palma aberta de sua mão estendida para ela.
Os olhos de Elsa foram rapidamente da mão de Jack para seu rosto diversas vezes,e ela não pôde conter o riso.
— Você sabe dançar?
Jack deu de ombros.
— Um pra lá,dois pra cá...se seguirmos esse padrão talvez eu consiga dançar com você sem pisar em todos os dedos de seus pés.
Novamente,a Rainha riu.
— Eu quero lhe propor um concordo. — Declarou ela ao abrir um iluminado sorriso aberto.
Jack franziu a testa,demostrando-se deveras interessado no quê a Rainha diria a seguir.
— Enquanto dançamos,quero que me dê cinco razões que me convençam totalmente a não ordenar que os guardas o expulsem daqui.
Jack assentiu,ampliando seu sorriso caloroso.
— Fechado!
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