A Véspera de Natal
1 Véspera
Notas iniciais
–-- MATTHEW ---
Era véspera de natal, e por alguma ironia do destino, Matthew não conseguiu passar esse momento especial com o ser que ele mais amava no mundo. Devido a vários fatores de trabalho, Francis acabou tendo que permanecer naquele maldito escritório. Acho que ele teria que comemorar, mais uma vez, essa data sozinho ou com o irmão Alfred, totalmente bêbado. Optar pela primeira ideia talvez não fosse tão ruim quanto ele imaginava.
Mesmo que ele não tenha gostado realmente da ideia de se passar o natal sozinho, ele já estava acostumado a isso. Matthew se cansou de contar quantas vezes tinha ficado ao lado da janela olhando os fogos de artifícios ganhando espaço no céu em uma noite estrelada enquanto apreciava sua pequena ceia. Vez ou outra, ele recebia a visita de seu irmão com uma grande garrafa de vinho ou de whisky na mão. Mas Alfred fala demais. Alfred fala coisas desnecessárias. E aquilo não tornava as coisas melhores.
Ele só queria poder passar um tempo com Francis. Esse iria ser o primeiro natal deles juntos! Era para ser especial. Mas pelo visto, ele teria que deixar para o ano que vem.
–- Talvez ele esteja odiando isso tanto quanto eu...
Ele olhou mais uma vez para a mesa que tinha organizado para a chegada do amado. Aquilo foi uma facada. Teria que desfazer tudo, pois se deixasse ali, não teria cabimento. E com muito pesar, Matthew retirava os talheres e o prato adicionais.
“Só chegue logo pela manhã... por favor...”
–-- FRANCIS ---
Francis queria dar uns tapas em seu chefe por fazer quase todo o seu setor trabalhar na véspera de natal. Ele é um idiota ou o que? Não acreditava que passaria esse dia sem ao menos ter sentido os fios dourados que eram os cabelos de Matthew. E passar o natal com esse bando de cachorro de escritório não era o que ele planejara fazer.
Ele olhava aquele gigante de sorriso falso como se quisesse mata-lo só por ele existir. Estragando seu dia especial. Ele só fez aquilo para poder se atracar com o secretário por mais tempo. O que aquele russo tinha na cabeça?
“Trabalhar na véspera de natal... Ivan idiota...”
Infelizmente, Francis estava encarregado de uma papelada que não parecia ter fim. Mas se ele conseguisse terminar, talvez ele chegasse a tempo para encontrar o seu doce Matthew. Ou seja, sem interrupções!
–- Ei, sapo! Você trabalha muito devagar! Termina logo isso para o setor sair de vez e comemorar o natal.
–- Cala a boca! Sobrancelhudo idiota... Se você continuar me atrapalhando, eu nunca vou terminar!
Arthur com certeza era o ser que ele mais odiava naquele cubículo que ele chamava de sala. Todo dia ele vinha com alguma ofensa desnecessária. E mesmo com Francis ignorando fielmente, era um tanto difícil de lidar com aquilo. Ele era persistente. Mas se estressar com aquele cara não o faria chegar na casa de Matthew mais cedo. Então ele voltou ao seus papéis.
“Quero tanto ver meu Matthew...”
–-- MATTHEW ---
O celular estava jogado em cima do sofá, e ele parecia extremamente atrativo naquele momento. Talvez uma mensagem para Francis não fosse tão ruim. Só uma não faria mal algum ou o atrapalharia durante o trabalho, não é mesmo?
Matthew estava muito relutante em querer falar com Francis. Ele o amava, mas não queria que ele tivesse problemas com seu chefe. De tantas histórias ruins que soube de Ivan, ele começou a nutrir um medo dele sem ao menos conhece-lo. Independente se as histórias eram reais ou não, ele resolveu que seria melhor evitar qualquer confusão que prejudicasse Francis.
“Mando a mensagem só à meia noite...”
Ele olhava em volta de seu apartamento procurando algo que o entretece até a hora dos fogos. Até que desistiu e simplesmente foi até a janela olhar a movimentação da rua. Tinha algumas famílias dançando, jogando, festejando... tudo ao ar livre. Talvez fosse muito divertido aquilo se Matthew não fosse tão tímido em relação as outras pessoas. Até para conhecer e namorar Francis foi algo difícil! Talvez ele devesse parar de pensar em coisas ruins tão próximo do natal.
“Vou beber alguma coisa... Talvez o vinho que Francis deixou aqui uma vez.”
–-- FRANCIS ---
Já estava se aproximando de meia noite quando Francis finalmente terminou aquela papelada toda. Parecia que ele tinha ganhado as olimpíadas de tão feliz que estava. Ele finalmente poderia ir para casa de Matthew e abraça-lo, mima-lo, beijá-lo... Agora o natal iria ser como ele queria!
–- Francis! Poderia vir aqui com todos? – Ivan falou com aquela voz infantil costumeira.
–- A-Ah... Claro...
–- Reúna todos para sairmos até um bar aqui perto. Vamos comemorar o natal.
–- Mas senhor??? Eu não posso ficar! – Francis queria gritar.
–- Faça isso e então perca o seu emprego. – ele esbanjava um sorriso no rosto.
Ele sabia que o seu chefe não gostava de comemorar o natal com a família, mas arrastar todos do escritório com ele não era algo certo! Isso só o fez perder as esperanças de ter um natal maravilhoso com o seu doce Matthew.
“Isso não pode estar acontecendo...”
–-- MATTHEW ---
Os fogos estavam tão lindos quanto Matthew se lembrada da última vez que ele os tinha visto. Com certeza, esse ano foi o ano com os fogos mais bonitos que ele tinha visto. Isso seria mais incrível e perfeito se ele estivesse ao lado de Francis... como seria perfeito se isso tivesse acontecido.
Matthew se agasalhou na poltrona e com o seu prato de comida em mãos, ele foi apreciando o show de luzes pela sua janela. Com certeza não era legal passar mais um ano assim, mas infelizmente, ele nada poderia fazer para mudar isso.
“Pelo menos, eu o verei amanhã...”
Ele tentava se consolar de todas as formas, mas parecia que era impossível não aguentar mais o sentimento de tristeza, e com isso, algumas lágrimas de solidão escorreram pelo seu rosto. Com isso ele pode perceber o tamanho de seu amor por Francis.
–- Volte logo... eu sinto sua falta.
–-- FRANCIS ---
Aquele maldito bar parecia uma entrada para o inferno. Fedia, tinha gente gritando, chorando que escutava músicas horríveis... Por que Ivan os levara para lá? Só com a desculpa que naquele ambiente repugnante tinha a melhor vodka? Mas infelizmente, ele só poderia sair dali muito depois de meia noite ou quando Ivan ficasse bêbado... mas isso era quase a mesma coisa. Demoraria séculos até acontecer.
–- Ei seu sapo!~~ Você está tãooooooo chato agora!~~ — falava um Arthur extremamente bêbado – Seja legal uma vez na vida!!
–- E ficar que nem você? Não obrigado.
–- Assim como?~~
–- Um bêbado idiota.
–- Se você não quer ficar aquiiii~~ vai embora!~~
–- Bem que eu gostaria...
–- OHHH!!~~ Tem alguém que você quer encontraaarrr~~ não é??
–- Isso não te interessa.
–- Vou te ajudar então!~~
Arthur acabou ficando em cima de Francis, e logo segurou o rosto dele com as suas mãos para que ele olhasse diretamente para ele. E então se aproximou e selou um beijo que fez Francis levar o maior susto de toda a sua vida. E ao notar o que os dois faziam, os outros funcionários de Ivan ficaram gritando e fazendo baderna para que continuassem.
Francis cortou logo aquele beijo empurrando Arthur para longe e começou a limpar a boca com a manga da camisa. Ele não queria ficar ali mais nem um minuto! Não já basta ele não conseguir passar o natal com seu amado, e ainda vem aquele sobrancelhudo idiota e o sai beijando extremamente bêbado?
“Beijei outro cara sem ser o meu Matthew...”
Francis se odiava por ter ido aquele maldito bar. Era melhor ter perdido o emprego do que ter vivenciado isso... O que Matthew pensará dele?
–-- MATTHEW ---
O jovem loiro encarava o celular quase que chorando. Já havia passado da meia noite e ele não recebera nenhuma mensagem de Francis, e a que ele tinha mandado não tinha sido respondida. Será que Ivan o está escravizando até nessas horas?
Ele não queria pensar nisso, mas para Francis não responder...
Então ele se aconchegou mais ainda na poltrona e ficou olhando atentamente a tela do celular para ver se chegava alguma coisa. Ele ficou encarando por alguns minutos e quase adormeceu nesse tempo, mas foi agraciado com um pequeno sinal de mensagem no canto superior da tela.
Sem demorar muito ele foi logo ver de quem era.
MENSAGEM!
Remetente: Carlos Machado
Assunto:–--
“Matthew, eu não esperava ter que lhe informar isso, mas receio que seu namorado esteja lhe traindo... sabe, eu o vi aqui no bar dos meus parentes com um outro cara em cima dele. Eles acabaram se beijando... Sinto por ter que lhe dizer isso no natal... Me desculpa!”
Matthew largou o celular. Só de pensar Francis com outro cara o deixava tão desolado que ele não sabia o que fazer. Será que ele não era o suficiente? Ou ele era sem graça? Antes de se relacionar com Matthew, Francis teve companheiros muito bonitos e que com certeza, era muito mais atraentes que ele em várias formas. Mas...
“Será que ele nunca me amou...?”
–-- FRANCIS ---
Francis estava correndo desesperado pelas ruas. Ele não tinha tempo de esperar um taxi aparecer. Ele só tinha em mente chegar logo na casa de Matthew e poder abraça-lo para que a sua noite não fosse um total desastre.
Matthew era a coisa mais preciosa que ele tinha, e ele precisava dele agora! Não queria tê-lo abandonado no natal, nem ter ido para aquele maldito bar e nem ter beijado aquele idiota. Se ele não visse o seu pequeno naquele dia, ele se marginalizaria para sempre.
“Eu quero vê-lo logo... Deixe-me chegar logo... por favor...”
E depois de mais alguns minutos correndo, ele finalmente pode avistar o prédio onde Matthew morava. Ele foi logo procurando as chaves que o menor havia dado para ele, mas antes de qualquer coisa, ele percebeu que o seu celular estava tocando.
MENSAGEM!
Remetente: Matthew Williams
Assunto:–--
“Francis... você me ama?”
Mas que tipo de pergunta era aquela? Era mais do que óbvio que Matthew era o ser que ele mais amava na vida! Então por que ele perguntaria algo do tipo?
Deve ter acontecido alguma coisa.
–-- MATTHEW ---
Matthew não sabia nem porque chorava. Ele só se sentia no fundo do poço. Talvez a vida não fosse tão feliz assim como ele tinha imaginado. Francis, possivelmente, já estava se relacionando com outra pessoa. Alguém mais interessante e bonito. Ele só não esperaria que isso aconteceria no natal. Justo nessa data que é tão cheia de sentimentos dolorosos por nunca ter ninguém para compartilhar uma pequena ceia...
“Talvez ele já nem me amasse a algum tempo... será que só eu fiquei com esse sentimento?”
Matthew não parava de chorar. Ele só queria ficar sozinho e pensar na mensagem que seu amigo cubano tinha lhe enviado. Com certeza ele não estaria lhe pregando uma peça. Não brincaria com seus sentimentos, e muito menos no natal!
Ela só queria chorar até dormir quando percebeu que a porta estava abrindo.
–-- MATTHEW & FRANCIS ---
Quando a criatura atravessou a porta, era notável a respiração ofegante e uma pele brilhante devido ao suor que escorria pela sua testa e que manchava a roupa. Francis estava muito inquieto devido a mensagem que recebera do menor logo na entrada. Qual era a razão daquilo? Era por que ele não tinha conseguido chegar a tempo para a ceia ou por causa do trabalho?
–- Francis... o que faz aqui...? – Matthew enxugava as lágrimas.
–- Matthew...
–- Eu pensei... que você estaria trabalhando...
–- Eu... precisava te ver...
–- Por que?? – Matthew elevou um pouco a voz.
–- O que aconteceu? – Francis estava surpreso com aquela reação – Eu fiz algo errado?
Matthew não queria confirmar com a cabeça, mas ele precisava falar sobre a mensagem. Ele então puxou o celular e mostrou a mensagem do amigo para que Francis pudesse compreender a situação.
Acabou que Francis entrou em desespero. Matthew pensava que tinha sido traído. E sendo sensível do jeito que ele é, isso só lhe causou sofrimento. Ele se remoía por dentro por saber que tinha causado tais emoções no seu pequeno precioso.
–- Se você gosta dessa pessoa... – Matthew começou a falar devido ao silêncio – você deveria passar o natal com ela... – ele queria chorar mais – ... não quero atrapalhar em nada...
–- Mas você nunca vai me atrapalhar... E eu estou passando o natal com quem eu gosto... bem, pelo menos o resto do natal eu estou passando com quem eu realmente gosto.
–- Mas e esse beijo... você o beijou?
–- Eu não beijei ninguém! Ele que se atracou bêbado em cima de mim... E eu logo o afastei! – Francis sentiu nojo ao lembrar da cena – Não suportei aquilo e vim correndo para cá! Não queria passar o meu natal daquele jeito. Eu queria passar meu natal com você! Com a pessoa que eu mais amo no mundo!
–- Francis... – Matthew queria chorar novamente — ... isso tudo... é verdade?
–- Tão verdade quanto você está nessa sala agora... Eu só quero ficar com você e mais ninguém...
Matthew começou a chorar e escondeu o rosto entre as pernas já que estava sentado na poltrona. Ele queria se matar por ser tão idiota a ponto de pensar que Francis faria uma coisa dessas com ele. Ele não queria que seu natal terminasse assim. Chorando e se remoendo de culpa.
Ele continuou agarrado as suas pernas até sentir braços o cobrindo. Aqueles reconfortantes braços sempre lhe acalmavam em qualquer situação. E quando percebeu que eles continuariam sendo seus, Matthew apenas os segurou.
Francis não queria largar o menor por nada. Ele era seu, e mais ninguém o faria sofrer. Ele não aguentara o fato de ter feito isso, mesmo que indiretamente, ao seu pequeno Matthew. Ele só queria vê-lo bem a qualquer custo.
–- Eu te amo Matthew... Não se esqueça disso.
–- Eu também te amo, Francis...
Então Francis segurou o queixo de Matthew e o levantou para que ficasse na altura de seu rosto. Se aproximou e encostou seus lábios aos do menor. Ele queria sentir cada vez mais aquele pequeno pedaço macio de pele se encostando aos seus, então abraçou Matthew com um pouco mais de força para que ele percebesse que aquele beijo era o que ambos careciam.
Saudade, ternura, carinho, amor... Tudo se misturou com aquele beijo. Eram milhares de sentimentos que envolviam os dois. Talvez o natal não estivesse perdido ainda.
Matthew interrompeu o beijo ao levar um susto com mais alguns fogos estourando mais próximos de onde morava. Francis riu daquela cena, e acabou fazendo um cafuné em Matthew para que ele se acalmasse.
Acho que, eles só precisavam de um pré-texto para fortalecer mais ainda esse amor que já era muito evidente entre os dois.
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