A Volta de Go Mi Nam
13 Um coração machucado
Notas iniciais
Tae Kyung pegou firme no braço dela e a arrastou até a área da casa. Ele estava furioso com aquela visita repentina e estranha. Não fazia sentido algum para ele, o fato de ela estar ali de repente.
–O que você quer?
–Ai, você me machucou!
–Por favor, pare de se fazer de desentendida.
–Eu quero... por que você é sempre assim?
–Anda logo!
–Eu... quero que a gente volte a namorar.
Ele começou a rir indignado. Passou os dedos entre seus belos cabelos lisos e negros. Já cansado daquela insistência.
–Eu já sou comprometido...
–O quê?! Você e ela, vocês não podem...
–Sim, nós estamos juntos. E eu só estou esperando que ela melhore para mim poder anunciar isso publicamente — ele colocou as mãos no bolso e virou-se de lado. Ela estava ficando vermelha de tanta raiva que sentia, ela apertou seus lábios para não começou a falar descontroladamente. — A única coisa que eu peço a você é que se você não gosta do Go Mi Nam, não fique no caminho dele. Ele realmente gosta de você. Diga a ele a verdade e termine logo com essa palhaçada entre vocês dois.
–Tae Kyung... o que eu fiz pra você que você não consegue olhar para mim?
Ele assustou-se, nunca havia parado para pensar em tal questão. Aquela pergunta o pegou em cheio pela forma branda em que ela havia falado. Nunca imaginou que ela pudesse gostar dele de verdade e ainda não conseguia acreditar, mas algo nele estava começando a duvidar da possibilidade.
–Eu não sei, eu simplesmente fui conquistado. E por favor, não me faça mais esse tipo de perguntas.
Ele tentou pegar seu caminho de volta, mas ela segurou sua camiseta com firmeza e disse com a voz engasgada:
–É a primeira vez que eu gosto de alguém de verdade e esse alguém é você.
–Quê? Por favor pare de fazer brincadeiras comigo — ele estava apreensivo. Não estava acostumado com esse lado dela. Algo ali estava ficando estranho e percebeu que ela não estava mais falando com a sua superioridade, de alguma forma ela estava diferente, mas não queria acreditar que aquilo fosse possível.
–Eu não estou brincando.
Ele respirou fundo e virou-se sério para ela. Tocou seus ombros como nunca havia feito antes e disse fitando-a com atenção:
–Então você gosta de mim de verdade? Eu nunca imaginei que isso fosse verdade mas... desculpe, eu nunca vou conseguir olhar para você dessa forma. A forma em que eu vejo você ainda é a mesma e mesmo que um dia sejamos amigos, eu nunca vou conseguir amar você, porque já há uma pessoa que eu amo e por essa pessoa eu já cruzei o oceano para protegê-la e vou fazer isso quantas vezes for preciso, só para saber que ela está bem.
Ele tomou seu caminho de volta para dentro de casa. Foi para o seu quarto pensar no que estava acontecendo. Esse quadrado amoroso agora só ia complicar mais ainda a sua vida. Yoo He Yi estava furiosa, empurrou uma cadeira com as mãos, que fez um barulho enorme assustando a todos que estavam na casa. Começou a chorar e seu rosto ficou vermelho no mesmo instante. Já havia perdido as contas de quantas vezes fora rejeitada por ele.
Go Mi Nam cansou-se de tirar fotos com as suas fãs e resolveu voltar. Estava muito irritado, nunca imaginou que seria rejeitado daquela forma tão fria e cruel. E para poder esconder o que estava sentindo, ele vestiu sua máscara e a frieza o invadiu. Queria ir ver como Mi Nyu estava. Mas quando estava pronto para subir as escadas ouviu gemidos vindo do lado de fora. Não conseguia acreditar que ela ainda estava ali, aquilo só iria piorar a situação, ele não estava pronto para ver a garota que ele gostava chorando.
Ele queria a todo custo ignorar, mas não conseguia. Sentia como se suas pernas tomassem vida e o levassem para onde ela estava. Ele caminhou com atitude, não pretendia mais mostrar suas fragilidades. Assim que chegou lá, encontrou-a sentada em uma cadeira e com os cotovelos sobre mesa, as suas mãos estavam cobrindo os olhos inchados. Ele procurou por seu capuz, sem se dar conta de que estava usando somente uma camiseta polo.
–O que você está fazendo? — perguntou retoricamente com indiferença. Sentia-se irritado ao vê-la daquela forma e no fundo estava com mais raiva de Tae Kyung do que dela.
–Por favor, sai daqui Go Mi Nam! — estava com a voz engasgada. Depois de tudo o que Jeremy havia dito sobre ela, ele nunca imaginou que a veria assim.
–Se você não sabe, essa é a minha casa, eu tenho direito de ficar onde eu quiser! — embora não fosse sua intenção, sua voz soou arrogante.
Ela nem sequer disse nada, foi em busca com a mão esquerda de sua bolsa. A direita permanecia em seus olhos para que ele não visse seus olhos inchados. Ela levantou-se sem conseguir encontrar a bolsa que estava ao lado da cadeira em que havia jogado longe.
Ele respirou fundo e segurou seu braço esquerdo. Ela puxou o seu braço de volta com toda a força, mas não conseguiu fazê-lo soltar. Ele pegou seu outro braço e sem remédio ela tentou esconder seu rosto, encostando-o no ombro. Aquela visão o perturbou, ele realmente não queria vê-la triste. Assim como vê-la sorrir foi o melhor momento de sua vida assim que a conheceu, vê-la chorar foi o pior deles. Ele não sabia o que fazer, nunca havia passado por tal situação antes.
–Go Mi Nam, me solta! — a voz dela soou tremula, era mais que uma ordem, era um pedido, ela estava quase implorando. — Por favor, eu não quero que você me veja assim. Na verdade, acho que o Tae Kyung tem razão, está na hora da gente parar com isso. Está na hora de você entender que nós não fomos feitos para ficarmos juntos.
Ele soltou seus braços devagar, os segundos duraram anos. Ele não queria soltá-la, aquilo iria significar que ele já estava pronto para entregar os pontos e desistir do que tanto havia lutado. Assim que soltou os braços dela, ela passou a mão pelo rosto para limpar as lágrimas, foi em direção a sua bolsa e pegou seu pó compacto. Assim que olhou seu rosto no espelho ficou nervosa. Sentia-se feia e não queria que ninguém a visse.
–Você tem certeza do que está falando? Você tem certeza que não me quer mais na sua vida?
–Eu... — sua voz tremeu, era obvio que ela não estava pronta para aquilo. — Eu acho que... nós dois devemos nos preocupar com as nossas carreiras, temos muita coisa pela frente. Eu sei que você me ama e você sabe que eu amo o Tae Kyung. Nosso romance já começou para dar errado. Você é irmão da Mi Nyu ainda por cima. Eu tentei, juro para você que eu tentei gostar dela, mas... ela está com o cara que eu gosto, não dá para não odiá-la.
Ele respirou fundo e disse com a voz engasgada:
–Por favor, pare de falar da minha irmã.
–E mesmo que eu quisesse ficar com você... eu nunca seria uma prioridade para você. Assim como eu nunca fui para nenhum A.N.Jell.
–Você acha mesmo — ele se aproximou com passos firmes e puxou-a para que ela ficasse de frente para ele — que eu não me importo com você? Sinceramente, eu já estou me cansando. Você não enxerga como eu gosto de você — o tom da voz dele alterou e mostrar novamente seus sentimentos foi inevitável. — Você acha que sabe, mas você não sabe nada. Você acha que me conhece, não é verdade...
–E nem você me conhece! — ela puxou seu braço novamente para si e dessa vez conseguiu-o com facilidade, quase se desequilibrando. — Você sabe só o que ouviram falar de mim.
–É mesmo? O Tae Kyung já te viu dessa forma? Ele já viu como você fica depois que ele diz as coisas duras que ele fala? Você nunca mostrou esse seu lado para ninguém além de mim, não é? — a voz dele estava firme e calma novamente.
Ela olhou para baixo, e passou o cabelo para trás como fazia com perfeição. Ela nunca havia ouvido uma frase que mais a descrevesse naquele momento. Ele havia sido a única pessoa a ver que ela era mais do que um rosto bonito. Ela era uma garota como qualquer outra, que também possui sentimentos e inseguranças.
Ele permaneceu parado, suas reações repentinas haviam se esvaído e ele apenas olhavam também para o chão. Ela olhou para ele devagar, seus braços levantaram-se quase automaticamente e passaram devagar em volta do pescoço dele, aproximando muita lentamente o seu corpo do dele. Encostou sua cabeça no ombro dele e murmurou com tristeza na voz:
–Você tem razão. Ninguém nunca viu esse meu lado — Go Mi Nam assustou-se, por mais que acreditasse ter certeza do que falava, ele não estava confiante em si mesmo. — Eu fico feliz que você tenha aparecido na minha vida. Vai ser bom guardar essas lembranças.
–O quê?
–Meu empresário tem razão, está na hora de eu me afastar do A.N.Jell. Eu vou viajar para os Estados Unidos amanhã e não sei quando vou voltar.
–Espera! Você não pode fazer isso... — desesperou-se
–Me desculpe, mas... esse é o nosso último encontro. Foi bom enquanto durou.
Ele envolveu seus braços em volta do corpo dela e implorou com a voz apertada:
–Por favor não me deixe aqui. Não vai embora, por favor.
–Essa é a nossa despedida, Go Mi Nam. Então, vamos aproveitar esses últimos minutos — as lágrimas brotavam nos olhos de ambos.
Ele soltou-se do abraço dela, ela por um instante. Tocou seu rosto com as duas mãos e aproximou lentamente os seus lábios dos dela, gerando neles um forte arrepio e um aperto forte no coração. Seus corações nunca haviam batido daquela forma e nunca havia doido tanto também. Aquele era o segundo beijo. Assim que chegou ao fim, ele aproximou seu rosto do ouvido dela e murmurou:
–Não importa para onde você vá e nem quanto tempo demore, eu nunca vou desistir de você.
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