A Vitória
4 Quatro
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Ela sobe a escada já ciente a que fim levaria nesta tarde. Saíra rápido de casa, mas ainda com receio da partida. Ainda não havia realmente caído a ficha de que ela já se entregara para a Indesejável de todos nós. Afinal, o que mais haveria de esperar? A tão famosa última derradei-ra, já morrera para si. A Esperança se foi. Nada mais, nada mais. Já criara um bordão de autoa-juda, caso desistisse de desistir. Estava ela parada no lugar que sempre amou, e que a acalmou, a Lessor/Bookstore Duplex. Ra um paraíso! Una as duas melhores coisas do mundo: livros+filmes= paraíso. Ou a Duplex. No primeiro andar há uma livraria com vários livros e quadros de arte por todos os lados, uns são fanart, outros apenas expressão da mais pura arte. Muito esplêndido, como um real lugar utó-pico. No segundo andar, na locadora de filmes, era ainda mais exuberante, havia pôsteres por todos os lugares das paredes e no final dos corredores, alguns “bonecos” em tamanho real de atores e atrizes. Era lá onde conseguira os pôsteres que colocara em seu quarto, tudo por pre-sente do balconista, que tinha uma pequena queda por Helena. Nada o que um pouco mais de charme impeça. Depois de apreciar aquela vista pela, talvez, última vez. Ela roda os corredores, como que atrás de um filme que ela escondera para ninguém pegá-lo, antes dela. Aparentemente, não está onde o pôs. Então ela ergue-se, meio zangada e com um ar impertinente, e dirige-se ao balcão. Há duas pessoas no balcão, um moço mediano, e o Finn, o balconista. Ela passa sem notar pelo garoto que estava sendo atendido. Com a cara emburrada fala com o balconista Finn. –Finn! Diga-me o nome de um filme em que a mocinha morre no final! Eu preciso assistir um. –... –Finn... –A voz se torna aguda. Como uma súplica. –Espera Helena, estou atendendo outras pessoas, faça como os outros clientes e espere. Por favor. –Fala Finn indiferente à Helena. Helena bufa, e sai, mas antes de sair sente um toque no ombro. Antes deste toque neste curto espaço de tempo. Ela arquiteta em sua mente. Helena já estava perdendo toda a esperança que pôs em seu último plano: encenar a cena da mocinha se ma-tando no fim do filme. Ela se vê sem saída. O tempo, antes tão precioso e rápido, agora passou a ser angustiante e mortal. Helena pensa. Vou partir dessa vida de qualquer jeito mesmo, afinal, a vida é um jogo de “bem me quer e mal me quer”. Não? As pétalas acabaram. Se a vida não me deixa outra escolha, devo partir de alguma forma. E como seria isso? Mas um toque a traz de volta para o presente. Era o moço ao qual ela havia ignorado no bal-cão. Ele sorri. E fica sem ação. Helena se vira e pelo destino, ela olha nos olhos dele. Eram olhos que brilhavam, castanhos e brilhantes. Era como se ele estivesse realmente “vivo”. Suas maças do rosto ficaram verme-lhas, Helena abaixa a cabeça. Ela ainda abalada, fala para si: “Sorria, sorria...”. E ergue a cabe-ça. –Oi! Sou Helena! –Fala ela pulando, tão alegre quanto o possível.
–Oi... Ele fecha o sorriso, e fica sério estudando-a. –O que foi? –Helena fala, ainda com o sorriso no rosto. Ele passa a mão no cabelo, o assanhando todo. E gagueja ao tentar tomar o pensamento. –Err... que, bom, eu ouvi você e eu tenho um filme do tipo que você quer assistir. –Ele regressa com o mesmo sorriso da primeira vista. –Sério? Qual? Ela dá um pulinho. –Sim... Eu procurei muito por ele, e o encontrei. É: A Little Bit of Heaven (Pronta para amar). –Hum... e onde eu entro nisso aí? –Bom, nós poderíamos assisti-lo juntos, sabe? –Ele é muito atirado, ela pensou. –Sim, sim. Onde? De novo... –Mas e daí se ele é atirado, ele me parece “intrigante”. –No meu apartamento, não é muito longe daqui, podemos ir a pé se quiser. –Pois não. O que está esperando? –Um sim. –Então que tal... –ela dá mão para ele puxa ele de mãos dadas até a frente da escada. –Isso? –Acho que “isso”, é um talvez. –Gostei da sua definição de talvez. –Helena faz uma cara séria. –Então, vamos? Ele dá uma olhada para ela mais uma vez. E põe as mãos na própria cintura. –Como você quer ir à minha casa se nem ao menos sabe o meu nome? –Não sei, estou deixando rolar... você parece ser alguém confiável. Ele olha para os lados e sussurra. –Tá, Senhorita confiável. Mas eu não te levarei na minha casa antes de você saber meu nome. –Já que estamos num impasse e eu desejo assistir a esse filme: diga. –Ela parece mais anima-da. Quase se esqueceu dos seus não objetivos. –Sou Páris. –Ele faz uma reverência majestosa para Helena, e segura sua mão encostando os lábios suavemente nas costas desta. –Ao seu total dispor. ... Após poucos minutos andando debaixo do sol de uma tarde de outono em Londres, chegaram frente ao elevador do conjunto de apartamentos ao qual o garoto morava, não era nada muito luxuoso, chegava a ser “arcaico”, com detalhes em madeira por todos os lados. Era um prédio vermelho que tinha paredes cor de vinho nos corredores. O elevador abre-se, um casal de namorados que estavam aos beijos fica constrangido ao vê-los e saem. Helena segue-os com os olhos até a saída pela recepção. Páris, não retira os olhos dela, ainda a estudando. –As damas primeiro – diz em um som gutural. Helena abaixa a cabeça e adentra o veículo. Páris avança logo atrás, para ao lado dela e aperta o número 8. Ela fica tensa, tem um pequeno começo de claustrofobia, por uso de aparelho ortopédico, conta do espaço bem “apertado”. Helena o observa, para se acalmar, e olha as suas roupas.
O garoto está com uma blusa vermelha em V por debaixo de uma jaqueta de couro, com as mangas arregaçadas até a altura dos cotovelos, fazendo com que as mangas da blusa vermelha aparecessem por debaixo das mangas da jaqueta. Há um broche na altura do seu peito no lado esquerdo, era o brasão de uma das casas de Hogwarts: Gryffindor. Um grifinório valente, pen-sou ela. Páris usava, também, um cinto marrom escuro, em um calção marrom xadrez. Suas pernas, ou melhor, canelas, estavam nuas e ela reparou que tinham uns cabelinhos, e gostou. Hoje em dia é difícil ver homens que tem orgulho ou que gostem de seus pêlos. Para finalizar a vistoria, ela olhou para os pés do moço. Calçava um All Star de couro preto. Helena vai subindo os olhos e chega aos olhos vívidos de Páris e logo vira o rosto para o visor que mostrava os números e repara no número piscando incessantemente. –Oito? –Sim, meu pai é um amante da simetria. Helena olha para ele com cara de desdém. –Não está familiarizada com simetrias, ainda? Ela solta um sorriso tímido. –Esse é o nosso andar. –Páris abre os braços, como se retornasse ao lar. Enquanto ele anunci-ava a chegada ao andar oitavo, as portas se fechavam às suas costas. –Mas isso é só mais um corredor... Ele a olha por cima do ombro. –Não estrague o clima. É o NOSSO corredor. Me siga... –Certo. Páris para em frente ao apartamento número oito. O pai dele realmente era fanático por simetria. O corredor era totalmente simétrico e os retra-tos também, e nem sequer entramos no apartamento. O que será que me espera? Estou aqui só para atrasar um pouco o plano, me divertir com um estranho que eu gostei nunca é errado, pensara Helena. Páris abre a porta e adentra ao recinto, procurando o interruptor. Helena o segue e topa e cai em meio a algo macio. –Ai... A luz acende, os olhos dela ficam irritados com a claridade intensa. Porém, ela fica mais espan-tada com um fato: Para onde se foi a simetria? A sala de estar onde ela se encontrava estava uma bagunça! Havia tantas almofadas jogadas por todo o chão que não dava nem para saber qual seria a cor do piso. No sofá, onde prova-velmente era para estarem as almofadas, estava um prato com o resto de um sanduíche. Ele chegou até onde ela estava estatelada e a resgatou, como um bom e velho cavalheiro. Helena dar uns tapinhas nas próprias roupa e se dirige à Páris. –Por que... isso? Eu achava que veria simetria por todos os lados... –Ah, isso? –Ele retira a jaqueta e a joga sobre o sofá. –Sim, isso. E isso. E isso. E... –aponta para a jaqueta. –Isso. –Simples, odeio simetria. –Páris segue normalmente até a cozinha, com um sorriso amarelo no rosto.
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