A Vingança Das Gárgulas
2 Capítulo 2 A tempestade de verdades
Notas iniciais
Acordei nesta tarde com muito animo, isto é fora do normal, pois esta chovendo do lado de fora da casa e não para de trovejar e esta casa velha esta cheia de goteiras. Meus tios estão agindo como se nada tivesse acontecido noite passado as imagens da cerimônia, os sons dos cânticos e as dores me afligem e o mais estranho é que no meio da confusão assustadora, o que mais marcou não foram estas coisas ruins e sim o cheiro de mel.
Eu estou indo em direção a Dorotéia e Juan agora eles não vão me escapar, quero as respostas. Ao me aproximar de Dorotéia ela disse:
- E terá todas as repostas meu caro Nicolas. – Como ela soube o que estava pensando? Será que tem haver com os dons de que me falaram?
- Sente-se Nicolas. – Juan apontou para a cadeira de madeira brasileira a sua frente. – Vamos conversar sobre o que houve noite passada. Responderemos tudo que você perguntar, claro que com algumas exceções.
Não consigo me controlar, acho que não vou pensar na pergunta e sim vou falar direto mesmo.
- O que são esses dons? E esses novos sentimentos? Por que envelheci?
- Acalme-se uma pergunta de cada vez – disse Dorotéia que aparentemente estava mais magra e jovem. – Você transitou de idade, pois agora não é mais humano seus sentimentos morreram e o que você sente é um vazio, há apenas uma maneira de preencher esse vazio, encontrando o verdadeiro amor que só aparece a cada dois séculos. – Dorotéia fez uma pausa deixando o assunto mais misterioso. – Seus dons vêm como brindes juntos a imortalidade. Cada um de nós vem com dois dons diferentes, esses dons são poderes, por exemplo, eu posso ler mentes e posso transmutar seu tio Juan pode controlar a água e utilizar o magnetismo.
- Qual a próxima pergunta? – Disse Charles que apareceu da escuridão misteriosamente.
- Não sei. – Foi o que consegui dizer, pois Dorotéia tinha respondido boa parte das minhas perguntas.
- É claro que você sabe. – disse Charles – Mas já que você não vai perguntar já vou responder. Seus pais morreram tentando salvar sua vida. Seu pai foi pego pelos caçadores e levado até a cidade Bayonne, onde foi torturado e queimado ao meio dia pelos raios do sol, enquanto isso sua mãe estava em fuga com o Leopolds, mas no meio da viagem entrou em trabalho de parto e como sua mãe e se pai abriram mão da imortalidade ao se unirem, ela morreu tendo você o resto da historia você sabe.
Então foi assim que tudo aconteceu.
- Me explique mais sobre a parte dela abrir mão da imortalidade. – Eu disse ainda não entendendo essa parte.
- Nicolas o amor é sentimento muito ruim para nós, pois o sentimos muito forte, mais que um humano qualquer. – Disse Charles que foi bruscamente interrompido por Dorotéia.
- Seus pais foram burros, esta é a verdade sentir o amor significa perder seus dons e trocá-los pelos sentimentos, e gerar um filho significa perder a imortalidade e foi isso que aconteceu sua mãe virou mortal – ela fez uma pausa um pouco prolongada, uma reflexão de tudo o que ela havia dito. – Sua mãe não morreu, ela esta presa até os dias atuais na prisão de Bastilha e sua pena é 200 anos.
- Por que estavam escondendo isso de mim? E os dons dela podem voltar? Ela é imortal?
- Como seu pai morreu, ela voltou a ser imortal e a ter os seus dons. Mas não sabemos por que ela não foge da prisão você pode salva-la, pois ela deve só estar esperando o momento certo para poder se matar e precisaremos dela para nosso plano.
- Eu irei salva-lá vou para Bastilha e voltarei com ela. Mas como saberei que ela é minha mãe mesmo.
- Você sentirá, pois os dois estão ligados. – Disse Juan com muito tempo quieto apenas observando a conversa. – Você deve se lembrar de não viajar de dia e se viajar use essa capa negra – Dorotéia me entregou uma capa negra, a mesma que tinha visto em meio ao ritual. A capa tinha detalhes de dragões e guerreiros pareciam contar uma historia. – A capa te protegera do sol e de noite te deixara invisível nos céus.
- Nos céus? – Eu disse assustado
- Sim nos céus, voe de noite e de dia ande ou se esconda e cuidado com os caçadores eles sabem desmascarar um de nós. — disse Charles.
- Tome esse colar foi de minha mãe, ela só o tirou uma única vez e logo neste dia descobriram que ela era bruxa e o resto você deve imaginar – Pude ver os olhos de Dorotéia se encherem de lagrimas, mas nenhuma caiu. – Mas antes dela morrer me ensinou tudo sobre a verdadeira bruxaria.
Nossa que interessante tenho uma tia bruxa que teve a mãe queimada na fogueira e um tio misterioso que viveu nas montanhas.
- Não só nas montanhas, mas em milhares cidades da Europa e da Ásia. Sim eu li seus pensamentos desculpe-me, não da para controlar.
Agora não vou demorar mais, já anoiteceu e eu vou para a caminho de Paris até a prisão de Bastilha, pois de Logroño até Paris é um pouco longe. Eu já perto da porta com a capa preta, quase começando a andar em direção a posas de água, Dorotéia me chama dizendo:
- Eu irei com você.
- Por quê?
- Para você não se perder é claro, e afinal você não sabe voar eu tenho que te ensinar.
- É verdade.
E assim começou nossa viajem rumo a velha cidade Paris. E com um belo começo breves ensinamentos básicos sobre como voar, com essas asas tão grandes de gárgulas.Voar foi rápido aprender ainda mais com Dorotéia como mestre.
O vou foi tranqüilo e antes do nascimento do sol já estávamos em Tarbes, França, mas não entramos na cidade e sim ficamos em uma área aberta esperando algo
- Venha Nicolas quero lhe mostrar uma coisa. – Dorotéia retirou sua capa, azul escuro. – Tire a sua capa também, rápido o sol já esta nascendo.
- Você quer nos matar?
- Não apenas vou lhe mostrar como é estar vivo novamente. — Eu tirei a capa e poucos segundos depois o sol bateu em nossas cabeças e senti meu corpo todo queimar, fumaça saia de nossa pele, meu rosto e o de Dorotéia ficavam avermelhados, mas algo aconteceu que me surpreendeu. – Você ouviu?
- Sim ouvi e senti, meu coração bater. – Disse isto eufórico e já colocando a capa, pois a dor era colossal.
Agora com as capas e protegidos do sol bastava apenas caminhar até Torbes e esperar o anoitecer, para continuar nossa jornada.
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