A Vingança
25 Suspeitos
Notas iniciais
Nico e Jôh foram procurar os outros.
Pouco tempo depois todos já estavam com o pé na estrada, literalmente, porque descartaram a ideia de roubar outro carro e decidiram ir a pé, pelo menos, por enquanto, como nos velhos tempos.
Caminhavam normalmente, como se nada estivesse acontecendo, o que era bom, porque por alguns minutos conseguiam esquecer a grande responsabilidade que era tentar salvar o mundo. Mas alguém sempre acabava tocando no assunto, e dessa vez, foi Leo que começou.
– Você acha que Helena ainda pode estar viva? — Valdez perguntou a Nico.
– É bem provável que sim. Se ela estivesse morta eu teria sentido.
– Mas, afinal, o que essa garota tem de tão importante? — questionou Jôh, já começando a se irritar novamente com esse assunto.
– Ela é, simplesmente, a semideusa mais poderosa da face da terra! — Nico respondeu.
– Mas que tipo de coisa ela é capaz e fazer, para ser tão "poderosa" assim? — Anne perguntou, dessa vez.
– Ela mata.
– Todos somos capazes de matar! — Jôh disse.
– Você não entende. Enquanto você mata um ou dois em poucos minutos, ela consegue matar centenas, em alguns segundos! Isso a torna alvo de muitos deuses e semideuses que querem acabar com os olimpianos. O lado bom, é que ela é esperta o suficiente para não se deixar enganar ou ser capturada por qualquer um... espero. — Esse último, Nico falou baixo, só Jôh, que estava ao seu lado conseguiu ouvir.
– Então você acha que ela resolveu dar uma volta por aí sem avisar ninguém? Sei lá! Deu a louca! — Anne perguntou.
– Não sei, ela teria mandado uma MdÍ, sabe que eu fico preocupado. — Nico respondeu, pensativo.
Okay, Jôh, definitivamente, não gostou desse comentário. Mas não disse nada.
– Então tudo está interligado? O sumiço... a profecia... — perguntou Leo.
– Claro! — Anne respondeu. — Mas quem está por trás disso?
– Talvez um titã, ou um deus esteja planejando algo. — Jôh supôs. — Mas, quem? Essa é a grande questão, se soubessemos com quem, ou o quê, vamos lutar, facilitaria bastante.
Todos ficaram um bom tempo pensando sobre isso, tentando lembrar de qualquer coisa que pudesse ter passado despercebido nos últimos dias. Mas não conseguiram nada.
– Quem são nossos suspeitos? — Jôh perguntou.
– Bom, temos Prometeu... — Nico disse. — Ele já esteve aliado a Cronos, a um tempo atrás. Ele jurou lealdade aos deuses, mas ainda não é de total confiança. Também tem Atlas, que já tentou escapar de sua maldição a alguns anos.
– Atlas, o carinha que segura o céu? — Anne perguntou.
– É. — Leo respondeu. — Pai daquela garota amaldiçoada a ficar em uma ilha, sozinha, para sempre... uma tal de Calipso.
– Temos uma suspeita também, Circe. — disse Nico. — Talvez ela tenha conseguido escapar daqueles marinheiros que tinha transformado em porquinho-da-índia.
– A maioria de nossos suspeitos, até agora, são homens, não deveriamos tentar fazer uma lista de todas as mulheres que podem estar por trás disso? — Jôh perguntou.
– Tudo bem, todos até agora só se referiram a ela como "senhora", mas e se isso for um pseudônimo? Se, na verdade, tivermos um "senhor" por trás disso? — Anne disse.
– É uma possibilidade... — Jôh refletiu sobre o assunto. — Quem quer que seja, planejou isso com muita antecedência, parece estar dando tudo certo para ela... está nos atraindo até a isca, como um gato atrás de um rato.
Já estava começando a escurecer quando encontraram um parque com um pequeno bosque onde puderam acampar.
– Eu fico de vigia primeiro. — Leo disse, se sentando perto a pequena fogueira que havia feito, talvez não fosse uma boa ideia, mas precisavam de uma fonte de luz e calor. — Descansem.
– Eu... fico com você. — Anne se ofereceu.
– Não precisa! Está tudo bem, pode dormir.
– Mas eu não quero dormir! — ela disse. — Vou ficar aqui com você. — se sentou perto de Valdez, ele sorriu.
Jôh e Nico arrumaram seus sacos de dormir em um canto e em seguida já haviam adormecido.
– Então... — Anne disse, tentando pensar em algo para conversar com Leo. — O que você acha que está acontecendo entre aqueles dois. — ela indicou Nico e Jôh com a cabeça.
– Não sei, é difícil compreender o que eles sentem um pelo outro, mas, com certeza, Nico gosta dela, é meio óbvio isso.
Anne concordou. — É, todo mundo já sabe isso.
– Você acha que Jôh gosta dele? É que, tipo, é complicado tentar entender os sentimentos dela, são confusos. — Valdez perguntou.
– Tá de brincadeira, não é?! É claro que ela gosta dele, rola um clima entre os dois já a um bom tempo. Como garotos não conseguem perceber essas coisas?
Leo deu de ombros.
A noite começou a esfriar drasticamente, a fogueira não podia ser muito alimentada, se não faria fumaça. E não haviam saído do acampamento preparados para o inverno que estava chegando.
Anne se aproximou mais de Valdez e apoiou sua cabeça no ombro dele. Pelo menos o frio era uma boa desculpa para ficar perto de Leo, que, incrivelmente, estava quentinho.
Ficaram ali, quietos, até chegar a hora de acordar Nico, que havia combinado de ser o próximo a vigiar.
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