A Vingança
37 Reviravoltas do amor
Notas iniciais
A morte é algo estranho... Uns dizem que é o fim, outros, que é apenas o começo, uns aceitam ela numa boa, outros, a desafiam.
Os mortais veem o que quiserem , por isso o Hades, mesmo sendo um lugar escuro e horrível, aos olhos dos mortais é um campo de margaridas em um dia ensolarado de verão. Mas para nós, semideuses, a historia é outra, na verdade ela é sempre outra, ela é sempre pior... Nos sabemos a verdade, nos vemos a verdade e nos convivemos com a verdade. Nosso mundo é estranho e cheio de deuses bipolares que estão sempre brigando. Então, na maioria das vezes, a única forma de fugir de todo esse caos é morrendo... Ou dormindo mesmo!
Jôh e Anne acordam ambas com a respiração acelerada. Haviam sido colocadas em macas próximas, assim, quando se viraram, viram-se e disseram em uníssono:
– Tive um sonho estranho. – Sorriram, mas os sorrisos logo foram substituídos por caretas de dor. O corpo todo doía.
– Hey! As Belas Adormecidas acordaram! – Leo disse, levantando de uma poltrona ali perto. – Graças aos deuses!
Jôh olhou ao redor, esperando que mais alguém aparecesse para parabeniza-la por acordar. E Valdez percebeu isso...
– O seu príncipe encantado, no momento, não está disponível. – Disse ele.
– O que? – A garota perguntou ainda meio atordoada por passar muito tempo dormindo.
– O Nico. Ele passou dias aqui esperando você acordar. Mas ontem tive que o mandar ir contar carneirinhos no chalé dele, o cara estava parecendo um zumbi.
Uma filha de Apolo se aproximou.
– Vocês precisam descansar. – Disse ela, entregando um pedaço de Ambrosia a Anne e um copo de Nectar a Jôh. – Leo, por favor, elas estão se recuperando, precisam descansar.
– Tudo bem, já to saindo. Até mais tarde. – Disse, e saiu.
Anne e Jôh não haviam percebido, mas estavam realmente cansadas. Pouco tempo depois já estavam dormindo.
Ao acordarem, de novo, as duas sentiam-se bem melhor, as dores quase tinham desaparecido e a falta de força já estava melhor. A filha de Apolo dá de comer para as duas, logo depois chega Leo com sua cara de gnomo de jardim.
– Eai? Como estão minhas ex-doentes favoritas? — Pergunta Leo indo dar um selinho em Anne.
– Melhores, acho. – Responde a mesma.
– Então, é serio mesmo? – Pergunta Jôh tentando sentar na sua maca.
Jôh vê que seu estado é de se ter pena, membros enfaixados, coluna imobilizada, parte do crânio enfaixado, tampão em um dos ouvidos e mais de 160 pontos, que eram possíveis de contar. Calipso fez um ótimo trabalho.
– Sim. Não te contei por que estava muito ocupada. – Sorri Anne apertando, carinhosamente, a mão de Leo.
– Cuide bem dela. Ok? Se não, arranco sua língua e faço engoli-la. – Declara com um sorriso maligno. — Brincadeira. Desejo felicidade!
– Ooook. – Concorda a ajudando a sentar.
– Onde está Helena? – Anne olha para os lados a sua procura.
– Bom. – Senta-se do lado da sua namorada. – A dois dias ela chegou aqui conversou com Quíron logo depois comigo e com Nico. Disse que precisava de um tempo sozinha , por isso ia viajar por um tempo. Agora Helena está por ai. Espero que ela fique bem.
– Que pena. – Suspira Jôh com ironia.
– Quanto amor de irmã. – Zomba Anne.
– Eu sei, sou uma ótima irmã. – Sorri. – Mudando de assunto. Onde está o Nico? Ele está bem? – Jôh parece nervosa.
Leo esfrega os dedos olhando para os lados.
– O que?! – Exclama Jôh começando a sentir as dores.
– Nico não vem aqui desde que você acordou. Eu pedi que viesse, principalmente quando você o chama a noite quando fica com febre, mas ele diz que não a conhece, que nunca ouviu seu nome. Sinto muito.
Jôh tenta formar palavras, mas uma dor cortante atinge sua cabeça como uma faca fatiando seus neurônios. Seus olhos reviram e desmaia. Os filhos de Apolo advertem Leo por ter falado aquilo, pois a deixou muito nervosa o que elevou sua pressão, o que fez seu cérebro voltar a inchar.
– Lembre-me de matar Nico quando sair daqui. – Pede Anne muito preocupada com a prima.
– Pode deixar.
Anne apoia a cabeça no garoto, que começa afagar seus cabelos com gentileza.
– Anne. – Chama.
– Fala.
– Eu te amo.
Anne sente aquela coisa estranha no peito, como se uma bola de luz estivesse crescendo em seu coração e iluminando tudo. Seus lábios abrem em um sorriso enorme. Abre os olhos e o encara.
– Verdade?
– Obvio. Sei que é meio prematuro, mas quem salvaria o mundo com você e não se apaixonaria? E quando você estava quase morrendo tudo que eu pensava era como preferia morrer ao ver você morrer. Varias vezes pedi aos deuses que me levassem no seu lugar. Tudo bem se você ainda não me ama. È claro, seria muito legal se você me amasse. – Termina um Leo constrangido.
Anne fica apatetada com a declaração. Tudo que consegue fazer é puxa-lo pela gola e o beija-lo com tamanha intensidade que conseguia. O beijo era urgente, quente e todas essas coisas, mas ele só fazia o que Anne e Leo sentia crescer. No meio do beijo Anne diz:
– Eu também te amo.
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