A Vingança
16 Jôh se afunda na escuridão
Notas iniciais
Os semideuses voltaram a analisar o mapa, o puseram na grama e sentaram-se em volta.
– O próximo é aqui. – Leo aponta para o X seguinte. – Como vamos ir ate lá? Ônibus de novo?
– Temos outra opção? – Jôh pergunta, esfregando o ombro que estava machucado.
– Podemos ir de bicicleta,caminhando, voando, de carona, de pégaso... – Valdez listava as opções, contando nos dedos.
– Tudo bem! – Nico disse, se levantando. – Mas não podemos ir de pégaso, podem nos localizar. Vamos de ônibus.
O próximo local, para onde deviam ir, era uma cidadezinha pouco conhecida, ficava na Pensilvânia. O ônibus não parava nessa cidade, só um pouco antes.
Depois de três horas de viagem, mais alguns minutos de caminhada, eles chegaram a essa tal cidade.
Ela ficava em uma área mais afastada da civilização, quase no meio do nada.
– Tem certeza que é aqui? – Leo pergunta, se voltando para Nico. – Esse lugar parece tão... Vazio.
Nico consulta o mapa em suas mãos e afirma:
– É aqui. Eles devem estar escondidos.
– Por quê? – Pergunta Anne, olhando em volta.
– Gostaria de ter a resposta. – Responde Nico.
Era uma cidade pequena, todos os prédios e casas aparentavam estar abandonadas, não havia movimento algum, pessoa alguma, nem, se quer, um cachorro, ou pássaro. O único som era de seus próprios passos e do vento batendo nas janelas abertas. Parecia uma antiga cidade de velho-oeste, ande, daqui a pouco, o xerife confrontaria o vilão.
– Ok! Essa, definitivamente, é uma cidade fantasma! – Constatou Leo, depois de invadir cinco casas e sair gritando “Hellooo!”.
– O que fazemos agora? – Anne pergunta, para ninguém em especial.
– Acho que vamos para o próximo X. – Nico disse, ainda suspeitando que algo estivesse errado.
– Não! – Jôh se colocou na frente deles. – Tem alguém aqui! Ou... alguma coisa. Eu sei que tem!
– Tudo bem, mas onde? – Pergunta Leo.
– No subterrâneo. – Jôh respondeu pensativa.
– Como sabe? – Pergunta Nico, de braços cruzados.
– Eu, simplesmente, sei!
– Por favor, não comecem! – Leo para entre Jôh e Nico. – Vamos nos dividir para procurar a entrada. Deve estar dentro de alguma casa.
– Desde de quando você é tão serio e responsável, assim? – Anne pergunta a Leo, sorrindo.
Ele dá de ombros.
– Desde agora! – Leo puxa Jôh para do lado de Anne e a coloca do lado de Nico. Para e pensa. – Acho melhor não. Fica com sua prima. – Ele a puxa pelo braço e a coloca do lado de Anne de novo.
– Se encontrarem alguma coisa nos chamem, e tentem não morrer. – Leo avisa, antes de se juntar a Nico.
Em uma casa quase escondida no meio das arvores que quase passou despercebida, Jôh e Anne encontraram o que parecia ser uma passagem para o subterrâneo.
– Espere aqui! Vou chamar os garotos. – Disse Anne saindo correndo.
Jôh esperou pelo que pareceu uma eternidademas foram apenas dez minutos.
Todos desceram uma escada em caracol, que Leo achou que fosse levar para o Tártaro, de tão longa que era.
Enfim chegaram a uma de madeira, alta e provavelmente muito grossa, com três fechaduras. Anne não teve dificuldade em abri-las.
Nico empurrou a porta o mais devagar que pôde , mas mesmo assim ela rangeu.
A porta dava para um corredor escuro, que levava a outra porta, mas esta estava aberta.
– Se abaixem! – Jôh disse quando passaram pela segunda porta.
Abaixaram-se atrás de uns barris, de onde podiam ver o que realmente aguardava a seguir.
– São... Humanos! – Leo disse, confuso e se levantando, mas Nico o puxou de volta.
– Shhh! Presta atenção! – Disse ele. – Olha bem para eles.
Leo olhou atentamente percebendo algo diferente neles, eram seus olhos, completamente negros, e as tatuagens, que todos tinham em volta do pulso de uma serpente enroscada no pulso e com a cabeça sobre a mão, parecia ter sido queimada diretamente na carne.
– Isso. Não. É. Normal. – Pontua Leo cada palavra com espanto.
– O que vamos fazer? – Anne pergunta. – Não podemos mata-los...
– Na verdade podemos, mas não com nossas armas. – Disse Jôh maleficamente, com os olhos longe dali.
Todos olharam para Jôh assustados, mas voltaram a falar normalmente.
– São humanos! Estão em quantidade muito maior.
Os “humanos” não se mexiam e também não emitiam nenhum som. Pareciam estar hipnotizados, ou esperando algum comando.
– Vamos capturar um, e o interrogar. – Disse Leo.
– Não podemos fazer isso. – Nico começou. – Não sabemos o que são. E existem centenas aqui, um deslize, e já era.
– Não custa tentar. – Nico foi se aproximando da “criatura” mais perto deles, mesmo com Nico tentando impedi-lo.
Leo pegou um deles, o imobilizou e tapou sua boca com uma fita adesiva prata que tirou do seu cinto.
A “criatura” começou a se debater, mas eles saíram correndo arrastando a criatura o mais rápido o possível para cima. Quando chegaram a superfície levaram a “criatura” para a casa mais afastada possível daquela.
Jogaram a criatura no chão, da casa. Claro que ele estava amarrado, pés e mãos.
– Fale, ou eu te mato! – Exclama Nico colocando a ponta da espada no pescoço da “criatura”.
– Nunca! Nunca, trairei minha senhora! – Grita a “criatura”, que era um garoto de cabelos castanhos e pele clara.
O garoto começou a rezar em outra língua, os deixando com receio, pois parecia que tudo estava ficando cada vez mais escuro.
Jôh foi rápida e colocou a fita adesiva na boca dele de novo.
– Sei o que fazer. – Disse Jôh, com os olhos quase pretos.
Jôh não parecia Jôh, seus olhos mostravam isso. Ela pegou o garoto pela corda das mãos, eo jogou em outro cômodo.
– O que vai fazer? – Nico perguntou, preocupado.
– O preciso! – Exclama, com os olhos negros como a noite agora.
– Que é? – Pergunta Anne, nervosa.
– Por favor. – Pede Jôh. – Eu só atrapalhei ate agora. Deixem-me ajudar! – Seus olhos começam a mostrar pontos azuis, como estrelas.
– OK. – Falam em uníssono.
Jôh sorri com maldade. Vira-se para Leo, com um sorriso malvado.
– Preciso de, uma corda, algo que sirva com cano, e algo para afiar minha adaga. – Pede com um poder total.
A noite já caia na cidadezinha abandonada, e quanto mais ficava escuro mais Jôh se afundava na escuridão.
Leo meio assustado entregou os itens que foram pedidos. Jôh entrou no cômodo, e fechou a porta.
Depois de sete longos minutos de silencio começou-se a se ouvir gritos, mas não qualquer grito, gritos de agonia. Gritos horríveis, de dor, de agonia, e às vezes se ouvia um engasgar.
Eles queriam entrar, mas tinham muito medo do que poderiam ver.
– O que ela está fazendo?! – Grita Leo, abismado.
– Não quero saber. – Respondeu Anne em um sussurro.
As horas se arrastaram com os gritos do garoto. Os primeiros raios de sol atravessou a janela, os gritos acabaram, e os três semideuses respiraram aliviados.
Jôh saiu do cômodo limpando as mãos na calça jeans. Seus olhos estavam claros agora, e nebulosos como se não soubessem onde estavam.
Nico deu dois passos para a porta, mas ela colocou uma mão em seu peito, o impedindo de entrar.
– O que está feito, está feito. – Disse colocando a adaga na bainha.
– O que você fez? – Perguntou Anne, sussurrando nervosa.
– Ele disse que seu nome é Joufrey. – Avisou. – Disse que sua senhora tinha planos para Helena... Queria causar uma morte em grande escala em NY para que os deuses parassem de existir, pois ela os odeia.
Todos olharam para ela espantados.
– Ele só falou isso nesse tempo todo?! – Exclamou Nico, segurando ela pelos ombros.
Ela baixou a cabeça.
– Não sabia que... Desculpa. – Pede. – Desculpa! – Grita.
Jôh sai correndo pela porta, como um furacão.
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