A Vida É Um Mistério
4 Capítulo 4 - Sentimentos estranhos
Notas iniciais
Rose suspirou.
Alec a estava analisando desde o inicio da reunião. Ele podia dizer que ela estava tensa só de olhar para ela. A forma como ela o olhava e desviava logo que percebia que fora pega olhando pra ele. Era evidente que havia algo que ela escondia. Mas Alec não tinha ideia do que poderia ser.
Além das reações aparentemente sem sentindo da líder da equipe Torchwood, Alec não acreditava muito nas informações que estavam lhe dando. O Capitão Jack (por que o chamavam de capitão? Ele nem se quer tinha um título que comprovasse isso), disse que a Torchwood era uma organização privada, mas ligada diretamente com o presidente e o governo. Tinham passe livre para todos os lugares, incluindo outros países e jurisdições. Eles eram talvez, até superiores ao FBI.
Os três homens a sua frente pareciam bastante familiarizados com esse tipo de ‘negociação’. Cada um de um jeito único, expressava sua auto confiança e liderança. Jack Hankness era todo sorrisos e olhos. Parecia ate que estava tendo um ataque epilético ocular de tanto piscar para Ellie e Rose. E ate mesmo para Alec. Argh.
Jack era simpático e despreocupado. Mas não falava muito, apenas concordava e dizia algo quando lhe perguntavam. Mickey era fechado. Parecia ser um cara tão duro quanto Alec. Sempre desconfiado e preparado.
Rose Tyler. Alec já ouviu esse nome em algum lugar, mas onde? Ela era centrada e determinada. Segura de suas palavras, mas estranha. O fazia sentir como se ela fosse algum tipo de mistério enigmático que necessitava de suas habilidades para compreender quem ela era. Ela lhe despertara um sentimento novo e ao mesmo tempo velho, que nunca pensara sentir novamente. Pelo menos não depois do termino desastroso de seu casamento. Ele teve alguns encontros após a separação, mas nada relevante. Apenas casos de umas boas transas em hotéis baratos e imundos, com garotas que não ligavam para o sentimento, apenas seu status na sociedade e o saldo de sua conta bancaria. Ele não poderia culpa-las. Afinal quem se interessaria por um detetive meio falido, taquicardíaco e com 40 anos?
Rose começou a sorrir. Sorrir? Alec olhou avaliadoramente a sua volta e notou com um pouco de surpresa que todos estavam sorrindo e olhando para ele como se o aguardassem. Notou tarde de mais que ele estivera observando a senhorita Tyler no meio de uma frase e ficara em silencio amuado. Apenas a olhando. Sentiu-se corar, coisa que era completamente estranho a ele.
Ele mudou o olhar rapidamente sobre os papeis a sua frente, pensando, em uma boa desculpa para o seu comportamento nem um pouco normal no trabalho.
Ele levantou seu melhor olhar impaciente, sem uma única faísca de vergonha ou embaraço. A frieza em seu rosto fez todos desviarem o olhar para qualquer outro lugar, todos exceto, ela. Ele piscou e elevou uma sobrancelha com curiosidade para Rose.
Pov Rose:
Eu podia sentir minhas emoções em montanha russa. Ficavam baixa e decepcionada cada vez que Alec falava com seu sotaque escocês (distorcendo sua recordação da voz do Doutor perfeitamente sem sotaque) e subiam e quase faziam seu coração parar de bater quando ele olhava para ela quase, como se fosse realmente ele (aquele olhar que o Doutor lhe dava quando a estava admirando por algo inteligente que ela disse, e uma leve impressão de um sorriso sempre que ela lhe dava um sorriso com a língua entre os dentes).
Mas não era o Doutor, e a realização dessa descoberta chocante, fazia meu estomago revirar e o peito afundar de tristeza.
Era de mais para aguentar, mas ao mesmo tempo queria ficar para sempre perto dele, onde poderia ter um pequeno pedaço do Doutor para si. Era como uma droga, viciante, horrível, incrível e confusa.
Resolvi focar minha atenção em respirações lentas e profundas, tentando controlar as emoções que corriam soltas em todas as direções.
A reunião se encerrara e todos estavam se levantando. Alec apertou a mão de todos de sua equipe antes de estender a mão firme para ela. O toque formal, mas suave lhe enviou um arrepio pela espinha e um choque bom pelo seu braço. Ele a olhou significativamente por um breve instante antes de dar a saudação final com ‘Senhorita Tyler’ a soltando em seguida e saindo da sala sem um segundo olhar a suas costas.
O Doutor e Alec compartilhavam o mesmo timbre de voz, o mesmo jeito ansioso de andar, os mesmos olhos expressivos que sempre pareciam esconder algo profundo dela. Menos é claro, a alegria que o Doutor parecia ter sempre que pronunciava ‘Rose Tyler’, como uma melodia que era só deles, um segredo compartilhado, um sentimento contido. Alec, no entanto, falou seu nome com curiosidade, como que se acostumando com as palavras novas aprendidas em um dia de aula meio interessante de português. Parecia tão errado e falso aos seus ouvidos, quanto a sua existência nesse universo.
Eu segui Mickey e os outros para o carro, para podermos ir para o hotel que estávamos hospedados. A curta viagem pareceu um piscar de olhos para mim. Tinha a leve impressão dos rapazes me chamando, mas apenas acenei e fui direto para meu quarto. Era um hotel simples, mas limpo. Uma cama de casal no centro de frente a uma cômoda com uma TV em cima. Uma porta na lateral indicava o banheiro e um pequeno guarda roupa perto da janela de vidro. Eu soltei minha pequena mala junto com a bolsa no chão ao pé da cama e me joguei no colchão com um baque surdo. Senti meus olhos arderem com as lagrimas surgindo sem parar. Todo o dia foi confuso e cheio de emoções. Isso seria uma grande distração para esse novo caso em mãos. Mas não podia evitar. Eu tinha essa noite, e apenas essa para botar tudo pra fora, deixar as lagrimas, a decepção e saudades rolarem pelo meu rosto antes do sol nascer. Alec não era o Doutor. Era um completo estranho e amanha seria tratado como tal.
Fale com o autor