Notas iniciais
Apareceu um novo personagem, Arthur. Ele vai ser importante no decorrer de Janeiro.

Tentei disfarçar e cara amassada com um pouco de corretivo e blush, mas era evidente que eu tinha caído em um sono profundo. Optei por continuar com a roupa amassada e marcada pelo lençol, se fosse para encontrar meu príncipe, que ele fosse um sapo e me aceitasse assim.

– Vou descer. – Falei com tom rouco (de sono) para minha mãe, que por acaso estava dormindo no sofá da sala com a tv ligada. Me esforcei para fazer pouco barulho e não acordá-la, missão cumprida.

Já passava da meia noite, minha real intenção era apenas fazer uma observação da área e não permanecer perto para não me decepcionar mais. Foi quando de longe já ouvia risadas e vozes, meu primeiro pensamento: “não acredito”. Passei reto pelo lado com a desculpa de que estava indo ver o mar (caô), Mateus, André e mais algumas pessoas (talvez umas 10) sentadas em roda, repletos de bebida, rindo, tagarelando e jogando. Se eu ficasse por 10 minutos perto eu provavelmente surtaria, todavia, fiquei por 1 hora aguentando tudo aquilo. Acreditem, quando eu quero, eu não desisto.

– Estamos indo, amanhã nos encontramos na praia então. – Foi quando ouvi uma das garotas do grupo se levantar com as amigas e se despedir. Era minha oportunidade. Esperei um por um levantar até restarem poucos.

– Pri – Alguém me chamou. – Você pode me colocar para dormir? – Arthur coçou o olho e se sentou ao meu lado.

Arthur é um garoto de 14 anos que tem um irmão mais velho. Eles andam com os mais velhos, incluindo Mateus e André. André cuida deles como irmãos mais novos, mas naquela hora ele estava tão bêbado que Arthur me pediu refúgio, e eu não consegui negar.

– Vamos. – Segurei a mão dele enquanto ele dava boa noite para os amigos.

– Magrela – Alguém gritou. Alguém não, André. – Você vai subir? – Ele tentou se levantar, mas cambaleava.

– Sim. – Fui direta e dei as costas. – Vamos Arthur. – Falei baixinho enquanto o abraçava. Ele fedia a pinga, eu odiava o deixar com o André, ao invés de protege-lo, ele só o expunha para esse mundo viciante. – Você tá bem? – Perguntei preocupada.

– Acho que to enjoado. – Ele parecia pálido. Xinguei em pensamento ambos que deixavam uma criança beber dessa forma. – Você e o André brigaram? – Ele me perguntou em um tom triste. – Vocês não podem brigar.

– Não Arthur – Eu comecei a rir. – Nós não brigamos, só não nos falamos ainda... – Eu tentei contornar a situação.

– Ele só fala de você, sabia? – Arthur disse em meio a bocejos.

– Amanhã eu converso com você sobre isso, tá? – Beijei sua testa e o deixei em seu apartamento. – Toma bastante água e vomita se precisar, mas não bebe mais. — Esperei ele entrar e apagar as luzes. Para minha infelicidade, foi só virar em direção as escadas e dei de cara com meu fantasma: André.

– Por que você não ficou com a gente lá embaixo? – Ele me puxou e me encostou na parede.

– Você tá bêbado, para. – Tentei fugir, mas ele usou força me pressionando. – Eu não quis. Eu não falo com ninguém do seu grupo. – Inventei uma desculpa.

– É mentira... – Ele passava os lábios por meu pescoço enquanto eu tentava escapar. – Você fala comigo.

– Não. – Virei o rosto – Eu não falo com você, eu beijo você escondida dos seus amigos, essa é a diferença. – Tentei o empurrar mas nada o tirava de lá. — Você sab... – Fui interrompida por um barulho antes de concluir a fala. Olhamos para os lados para ter certeza de que não tinha alguém por perto. Meu coração disparou.

– É só o Mateus – Ele começou a rir. Eu não achei graça alguma.

– Ele tá-tá ve-vendo? – Eu gaguejei.

– Você acha o que? – André tentou me beijar forçadamente, então por uma brecha consegui escapar.

Levando em consideração que eu estava no 13º andar e meu apartamento é no 5º, desci as escadas apressadamente, enquanto pedia para Deus para eu não tropeçar no meu próprio pé. Será que ele viu mais do que ele devia?