A Vida de Uma quase Cinderella
17 Bye-Bye
Notas iniciais
Não poupei Natália de nenhum detalhe, falas e carinhos. Disse tudo.
"Como ele mudou"– Ela respondeu indignada. — "Ele não era fofo assim"– Ela continuou a mensagem. Claro, agora ele quer me comer e se fosse preciso, até rosas vermelhas ele me daria, ou eu pelo menos acho. De qualquer forma, para mim, era diferente de tudo o que eu já tinha sentido. Pela primeira vez eu tinha realmente estado com alguém que eu queria e muito, ou seja, a sensação era mil vezes melhor. Eu não fazia questão de levantar da cama: eu estava vivendo o sonho, aliás, eu realmente não queria sair da cama, em algumas horas eu iria embora e deixaria para trás o meu único “amor de verão.”
Enfiei a cara no travesseiro e contive as emoções. Eu não estava amando, eu só estava apaixonada pelo momento que tive com Mateus. Não era ele, nem por ele, mas era como tinha sido com ele. Lembrar das palavras que ele usou, dos elogios que escolheu, de cada toque. Dos braços me envolvendo, nosso corpo dançando sem música, o calor que tomava ambos, a sede e desejo. É inexplicável e mais que isso: inesquecível.
– Você já arrumou sua mala? – Minha mãe entrou no quarto quebrando meu flashback romântico ao som de Taylor Swift. – Vamos sair em algumas horas. – Ela reforçou o aviso.
E agora? Acho que Deus fez isso para me testar. É claro, eu não queria um romance com ele, muito menos todo o carinho dele, o amor dele ou qualquer coisa dele, tudo o que eu queria era só a oportunidade de sermos nós 2 de novo sem pudor, sem medo, sem vergonha, só 2 amigos. Mas eu sabia que as coisas mudariam, eu tinha certeza, não adianta pensar que “comigo vai ser diferente”, é mentira, é igual a todas as histórias de amigos que resolvem ficar: uma hora eles param de se falar. Eu tava pronta para isso acontecer, mas mesmo assim, eu tinha um pouco de fé que ele seria diferente, ou eu acreditava nisso.
“Onde você tá?” – Tomei coragem e mandei. Bloqueei o celular, não queria saber da resposta dele, queria esquecer que mandei mensagem (mas eu não esqueceria).
“No André” – Essa foi a resposta dele.
Sabe qual a pior parte em conhecer uma pessoa por muito tempo? É que você sabe todas as manias, vícios, conhece o jeito dela, sabe como ela é, reconhece a voz quando tá com sono, conhece as caretas e o que elas representam, sabe ler olhar e pensamento e isso acontecia com o Mateus. Ele foi direto, sem um “por que?” como ele sempre manda, e quando não tem esse “por que?” é porque pra ele tanto faz o que eu pergunto, digo, ou mando.
Eu precisava ir embora.
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