A Vida Como Ela É
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Papai agarrou-me pelo braço com força, senti uma dor onde ele segurava, me arrastou para a porta de casa e eu olhei para Amanda, ela estava sem reação.
“ Vá para casa agora!” Falei em inglês sem voz.
Papai me empurrou para dentro de casa, na sala, e antes que ele fechasse a porta dos fundos vi Amanda correndo. Engoli em seco, pelo menos ela não ouviria o que ia acontecer aqui. Olhei para o papai, ele estava com um olhar furioso, deu um passo para frente, em minha direção e eu dei um passo para trás, bati minha perna na mesinha de centro da sala e senti um arrepio me percorrendo.
— Agora me explique que porra foi aquela que eu vi lá fora? — Gritou ele. Meu corpo tremeu, nunca tinha ouvido ele falar palavrão e muito menos com tanta raiva.
— Mas que está acontecendo? — Mamãe disse entrando na sala preocupada. Papai não olhou para ela, seus olhos azuis estavam me encarando.
— Vamos Charlie, explique para mim e sua mãe o que diabos você estava fazendo com Amanda — Senti minha garganta fechar. Mamãe olhou para mim sem entender nada e depois olhou para o meu pai. Papai viu que eu não iria falar e prosseguiu. — Quer saber, July o que sua filha estava fazendo? — Mamãe engoliu em seco, percebi que ela estava surpresa com a fúria do papai. — Ela e Amanda estavam sem beijando.
Os olhos da mamãe dilataram em choque, a vi ficando sem reação, olhou para mim e eu a vi ficando com raiva. Agora sim eu estou na merda, pensei.
— Explique –me Charlie, o motivo de você está beijando Amanda? Porque eu realmente não entendo! — Papai jogou os braços para cima. Vovó entrou na sala também, eu sabia que ela estava ouvindo toda a conversa, só não tinha se pronunciado ainda. Papai se aproximou de mim e segurou meus dois braços, fiquei ali presa, sem poder me afastar.
Eu estava com medo do que poderia acontecer. Senti meu corpo fraquejar e abaixei o olhar, olhei para os meus pés e senti o aperto no braço aumentando. Eu não conseguia formar uma frase que pudesse acalmar todos ou que pudesse dizer que aquilo tudo foi um mal entendi.
— Vamos! — Gritou meu pai. Eu não tinha motivos e nem deveria ter, eu amava Amanda e ela a mim, engoli em seco e encarei meu pai. Por um segundo eu tive a impressão de que havia faíscas saindo dos nossos olhos, os olhos do papai mudaram por um segundo de expressão e eu vi que ele tinha visto o que eu sentia. Então abri minha boca para falar. — Nem pense em dizer isso!
A mão dele bateu no meu rosto, do lado esquerdo, e eu cai no chão de lado. Eu não sabia o que fazer, nunca ele tinha me batido. Meu rosto estava queimando onde ele tinha batido. Olhei de canto e vi mamãe e vovó surpresas, tive vontade de chorar ali mesmo, fechei minhas mãos em punhos e me levantei devagar.
— Eu quero que você nunca mais fale com ela, me ouviu? — Disse ele, sua voz ainda estava carregada de raiva, dei uma leve confirmada com a cabeça. Ele estendeu sua mão em minha direção e eu fiquei sem entender, olhei para seu rosto e ele estava com a expressão mais fria que eu já tinha visto em toda a minha vida. — Seu celular, me entregue.
Tirei o meu celular do bolso, eu não queria entrega-lo, mas obedeci. Coloquei o celular na mão dele e o olhei nos olhos.
— Agora vá para o seu quarto, e não sai de lá a menos para ir no banheiro e comer.
Fechei minhas mãos em punhos e passei por ele. Não olhei para mamãe e vovó, já me bastava uma pessoa brigando comigo. Entrei no corredor e abri a porta do meu quarto, fechei a porta a minhas costas e cai no chão de joelhos. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, eu não sabia o que fazer. Meu rosto doía e meu peito ainda mais, senti o ar escapando de mim, tirei minha camisa e respirei fundo varias vezes, até que consegui respirar melhor.
Mas que droga pai, era tão difícil aceitar que sua filha amava outra garota? Senti raiva de mim por não ter conseguido fazer nada. Por ele ser tão mesquinho e egoísta, pois na hora que eu me sacrifiquei para o campeonato ele não tinha reclamado. Escutei mamãe e ele conversando lá fora, os dois não tinham ideia do que fazer.
— Vou ligar para Anne — Disse meu pai. Senti meu coração parar de bater, ele não podia ligar para a mãe de Amanda. Fiquei de pé e abri a porta do quarto, entrei na sala voando.
— O que você pensa que está fazendo?! — Gritei, eles olharam para mim, mamãe estava com um olhar decepcionado e papai estava com raiva.
— Eu mandei você ficar no quarto —Disse ele entre dentes, apontou com o dedo para mim e eu senti meu corpo tremer. — E não use o computador e a Tv! — Vovó apareceu do meu lado e segurou meu braço.
— Escute ele Charlie — Sussurrou ela, me puxou ate o meu quarto e fechou a porta atrás de mim. Tentei abrir, mas ela tinha pego a chave.
— Droga! — Xiei para a porta, coloquei meu ouvido na porta e esperei eles dizerem algo.
— Alô Sra. Schmidt? — Ouvi papai perguntando, ouve uma pausa e ele começou a falar tudo que tinha acontecido. Depois de um tempo em silencio, ele disse. — Entendido, sim, vamos por um fim nisso.
Então tudo ficou em silencio. Olhei para o meu quarto, a cama, a estante com os livros e os jogos, a televisão e cerrei os punhos. Droga! Sentei no chão e abracei meus joelhos. Não havia nada que eu pudesse fazer no momento, estava presa em meu próprio quarto. A única coisa que me restava era rezar para que a mãe de Amanda não seja tão brava quanto meus pais.
Não consegui dormir durante a noite, meu rosto doía muito, fiquei de pé, rodei a maçaneta da porta e ela abriu. Olhei para a fechadura do lado de fora e vi a chave lá. As luzes de casa estavam apagadas, andei devagar até a cozinha e procurei a bolsa de gelo no armário. Ela estava junto com o quite de primeiro socorros, fui ate a geladeira e peguei gelo do congelador, coloquei dentro da bolsa de gelo e sai da cozinha. Fui até o banheiro e olhei no espelho como estava o meu rosto.
Fiquei surpresa ao ver que estava um hematoma roxo enorme, engoli em seco e passei água no meu rosto. Demoraria um pouco para o roxo sair e minhas aulas começavam semana que vem. Peguei a minha escova de dentes e escovei os meus dentes, depois disso fui para o quarto com a bolsa de gelo pressionada no rosto. Deitei na cama e senti um alivio quando a dor sumiu. Não sei quanto tempo fiquei com a bolsa de gelo no rosto, só sei que quando acordei, o gelo já tinha virado água quente.
Olhei para o despertador, duas horas da tarde, suspirei e puxei o lençol até a cabeça. Fechei meus olhos e tentei não chorar novamente. Não tive vontade de ir ao banheiro, de comer e muito menos sair da cama por muitas horas. Quando fui sentir isso já eram 9 horas da noite, levantei-me devagar da cama, peguei a bolsa de gelo e a toalha, abri a porta do banheiro e entrei.
Tomei um longo banho, meu rosto estava com uma cor verde quando olhei no espelho. Enxuguei-me na toalha e vesti uma bermuda e uma blusa comprida branca. Sai do banheiro com a toalha nos ombros e fui ate a cozinha. Não vi ninguém lá. Fiz um sanduiche e suco de laranja para mim e comi rapidamente, quando terminei enchi a bolsa de gelo novamente e voltei para o meu quarto. Deitei na cama e coloquei o gelo no rosto, senti a pele ardendo por causa do frio e respirei fundo. Ninguém veio falar comigo e nem me perguntar se estava tudo bem.
No outro dia, domingo, foi a mesma coisa. Eu sabia que estavam todos em casa, escutava-os conversando baixinho uma vez ou outra. Eu também não fiz questão de falar com eles, sabia que eles não me escutariam e nem me deixariam falar. Acordei cedo na segunda feira, Preparei o café da manha e fiz o meu obento, tomei café sozinha na cozinha e depois fui para o banheiro.
Tomei um banho rápido e fui para o quarto me arrumar. Vesti a minha camisa branca por cima da saia, coloquei a gravata em volta do pescoço frouxa, penteei o cabelo de lado, peguei meu casaco e a mochila. Abri o meu guarda roupa e peguei a maquiagem e um relógio de prata que eu tinha ganhado do vovô antes de ele morrer. Olhei para o espelho do quarto e suspirei, o roxo agora estava amarelo, passei um pouco de base e pó, tirei um pouco para não ficar muito forte e ficou perfeito. Guardei as coisas e sai do quarto, na entrada calcei meu tênis branco e preto da Nike e sai de casa.
Desci as escadas e caminhei para a estação. Yoi ainda estava se arrumando a uma hora dessas. Cheguei na estação rapidamente, caminhei para o parque e senti meu peito doer quando vi o apartamento de Amanda, passei direto e fui para a outra estação. Acho que nunca cheguei tão cedo no colégio. Troquei de sapatos e subi as escadas. Cheguei na minha turma e entrei. Não havia ninguém, soltei um suspiro e andei até a minha carteira perto da janela. Larguei minha mochila do lado da cadeira e sentei, apoiei meu rosto nas mãos e fechei meus olhos. Não tinha ideia do que falar quando visse Amanda.
Escutei os segundos se passando, depois os minutos. As alunas começaram a chegar, olhei para o relógio, 7:50 da manhã, e depois para fora da janela. A única coisa que vi foi Amanda atravessando o portão correndo, ela olhou para cima, e apertou o passo. Não demorou nem 1 minuto para ela chegar onde eu estava. Ela abriu a porta com tudo e me encarou, fiquei de pé sem reação. Andou até mim sem dizer nada e me beijou.
Nos beijamos por alguns segundos e ela se afastou de mim. Tocou o meu rosto com as duas mãos e eu fiz cara feia, pois ela tinha apertado bem em cima do roxo. Ela percebeu e me olhou bem.
— Está usando maquiagem? — Sua expressão facial mudou para uma face incrédula. — Eu não acredito que ele bateu em você!
— Calma — Falei segurando sua mão. — Eu estou bem, agora. Não está doendo tanto.
— Mas — Amanda fechou a boca incrédula.
— O que sua mãe disse para você? — Perguntei a interrompendo e olhando em seus olhos.
— Ela surtou quando seu pai ligou para ela — Começou a dizer enquanto sentava na minha mesa. — Disse um monte de coisas para mim, como: ” Eu não esperava isso de você, Você me decepcionou e não quero que vocês se falem nunca mais.”
— Humm — Mordi minha boca e suspirei. — Papai estava furioso, acho que ele não aceita que eu esteja namorando uma garota. Ele me deu um tapa, depois que perguntou o motivo para eu estar beijando você.
— O que você respondeu?
— Não precisei dizer nada, ele entendeu o motivo antes mesmo das palavras saírem da minha boca — Falei, Amanda me encarou sem palavras, me aproximei dela e a puxei para perto de mim. Amanda me envolveu um abraço apertado e apoiou seu rosto no meu ombro. — As coisas vão ficar mais difíceis agora.
— Sim — Sussurrou ela. Ficamos quietas, não precisávamos dizer nada para saber o que estávamos sentindo.
Escutamos a porta começar a abrir e nos afastamos. Yoi entrou na sala rapidamente, olhou para nos confusa e se aproximou. Ficou quieta nos observando e virou o meu rosto para o lado, vi seu maxiar se contrair de raiva.
— Droga — Disse ela. Observou Amanda e deu um suspiro. — Como vocês estão?
— Péssimas — Respondeu Amanda.
— Imagino — Yoi respirou fundo como se estivesse exausta e cruzou os braços. — Seu pai me ligou Charlie.
— Eu imaginei que ele tinha — Falei cruzando os braços também. — O que ele disse para você?
— Perguntou se eu sabia sobre vocês. Porem não precisei responder, pois ele sabia que eu sabia, afinal sou sua melhor amiga.
— Verdade — Concordei. — Merda.
— Perguntou também por que eu não impedi que você ficasse com Amanda — Yoi olhou para nos seria, vi um olhar preocupado e cansado estampado no seu rosto.
— Você respondeu o que? — Perguntou Amanda.
— Eu respondi a verdade — Disse ela dando de ombros, olhei para ela sem entender e ela prosseguiu. — Disse ao seu pai que não a impedi, pois eu sempre soube que quando você se apaixonasse por alguém e essa pessoa por você, você entregaria seu coração, corpo e alma a pessoa. Que eu também fiquei surpresa quando descobri que você tinha se apaixonado, pela primeira vez, por uma garota. Mas como eu queria que você fosse feliz, não a interrompi. E foi isso que aconteceu, vocês duas se entregaram totalmente uma à outra.
Amanda e eu ficamos paradas encarando Yoi, eu mesma nunca pensei que Yoi chegaria a falar isso para o meu pai. Amanda segurou minha mão e eu olhei para ela, vi um sorriso gentil em seus lábios e retribui o sorriso.
— Claro, ele disse que eu estava doida e ele pediu, na verdade mandou, que eu não deixasse vocês duas se aproximarem — Yoi ficou de pé a nossa frente e deu de ombros. — Mas como eu não sou filha dele, apesar de ele ser como um pai para mim, e sou a melhor amiga de vocês e sei que vocês se amam, vou fazer tudo que eu puder para ajudar vocês.
Yoi nos puxou para um abraço, envolvi um braço em volta da sua cintura e Amanda fez o mesmo. Ficamos um segundo daquele jeito, até que Yoi beijou a minha bochecha e a de Amanda gentilmente e se afastou.
— Acho que não preciso dizer que as coisas vão ficar difíceis — Disse ela, nos duas confirmamos com a cabeça. — Mas enfim, vai dar tudo certo.
— Assim espero — Falei dando um sorriso sem graça, fiquei feliz pelo o que Yoi tinha dito e por ela esta sempre me apoiando.
— Bem, eu vou indo para a minha sala, depois nos conversamos — Yoi deu um aceno com a mão e caminhou para fora da sala. As alunas da nossa sala começaram a entrar aos montes. Cheguei a desconfiar que Yoi tinha pedido para elas esperarem até ela terminar de conversar conosco. As meninas deram parabéns a mim e se afastaram, sentei na cadeira e respirei fundo. Olhei para o lado, para a mesa de Amanda e percebi que ela estava me olhando. Mandei um beijo para ela e ela ficou corada, comecei a rir baixinho.
A professora entrou na sala e aos poucos começamos a aula. Amanda estava incrivelmente bem nas matérias, tinha conseguido aprender perfeitamente o japonês durante aqueles meses. Na hora do almoço nos reunimos e contamos o que tinha acontecido para as meninas. Fugi tinha ficado totalmente em choque quando viu o meu rosto, mas pedi para ela ficar calma. No fim do dia Amanda e Fugi foram para casa antes, logo depois Yoi e eu fomos.
Tenho que dizer que cada dia que se passava ficava mais difícil de ficar com Amanda. Nossos pais ficavam de olho na gente toda hora e os únicos momentos que eu podia ficar com Amanda era na escola. Eu vi a data de aniversario de Amanda se aproximando cada vez mais e cada dia que se aproximava eu sentia no peito uma agonia. Estávamos no dia primeiro de outubro, terça feira, e o aniversario dela era daqui a 3 dias, no sábado.
Anne estava preparando um jantar de aniversario para Amanda, do qual eu não estava convidada obviamente. Então, eu tinha que pensar em algo para dar para ela até lá. E acabou que chegou sexta feira e eu não tinha comprado nada para ela.
— Bem, feliz aniversario adiantado — Falei para ela dando um sorriso sem graça, estávamos no vestiário tirando a roupa de educação física. Eu já estava com o meu uniforme normal, já Amanda estava vestindo a saia, olhou para mim sem graça e sorriu. Olhei em volta e como não vi ninguém, me aproximei dela e a puxei contra mim. Pressionei meus lábios contra os seus e nos beijamos profundamente, esqueci que estávamos no vestiário e pressionei contra os armários, beijei seu pescoço e ela me deu um tapinha no ombro, parei e olhei para o seu rosto. Ela deu uma inclinada de cabeça para o lado vermelha, olhei para o lado e vi uma garota nos observando. A garota corou e sai correndo dali. Olhei para a Amanda e cai na risada. — Só não estou com o seu presente agora.
— Sem problemas, desde que você esteja comigo está ótimo — Disse ela segurando minha gravata e me puxando para mais perto, me beijou levemente e sorriu. — Eu te amo.
— Eu também te amo — Sussurrei no seu ouvido, vi um sorriso lindo se formando em seus lábios e senti minha alma se iluminar.
Fui para casa feliz, mas quando cheguei lá fingi que nada tinha acontecido, consegui enganar minha família por um mês e não era agora que eu iria estragar tudo. Tomei um banho e fui para o meu quarto, estudei um pouco matemática e fui dormir. O sábado chegou e eu fiquei agoniada, pois queria passar o dia com Amanda, mas não podia. Liguei a TV e o Xbox e fiquei jogando durante todo o dia, quando a noite caiu fiquei pensando se as meninas estariam se divertindo na casa de Amanda.
Eu realmente queria que nossos pais parassem com esse preconceito e nos deixassem ficar juntas. Durante esse mês que se passou, nos não tínhamos conversado nada, na verdade mal se olhamos, principalmente eu e meu pai. Passei o domingo jogando videogame e assistindo anime. Quando foi segunda-feira depois da aula, fui atrás de algum presente para Amanda, e achei um colar lindo prateado com um pingente de estrela, tinha um preço acessível para o meu bolso e eu o comprei.
O cordão veio em uma caixinha de prata, pedi para embalarem em papel de presente bonito e me entregaram depois enrolado em um papel dourado. Agradeci e sai da loja, guardei o presente na mochila e caminhei em direção a minha casa.
Quando cheguei em casa, troquei de roupa e fui para o dojo treinar. Vi Yoi lá, ela me deu um sorriso e me aproximei.
— Como foi sábado? — Sussurrei no seu ouvido.
— Foi bom, apesar da mãe dela esta chateada — Sussurrou de volta.
— Humm — Me alonguei com Yoi e depois começamos a lutar.
Depois da aula de karate me despedi de Yoi e fui para casa, tomei um banho, jantei e fui para a cama. Pensei em alguma coisa para Amanda eu fazermos amanha, já que não tinha passado o seu aniversario com ela. E acabei pensando em levar ela ao fliperama, me levantei da cama e peguei meu cartão passe duplo do guarda roupa, peguei um casaco com capuz e uma calça jeans, coloquei dentro da mochila e me deitei novamente. Meu pai tinha me devolvido o meu celular, mas quase todos os dias ele pegava para dar uma verificada. Peguei meu celular da mesa e passei uma mensagem para Yoi, pedindo que ela avisasse Amanda para ela levar uma calça e um casaco com capuz para a aula.
Acordei cedo para a minha caminhada matinal, que eu não vinha fazendo direito, vesti um short e uma regata, calcei meus tênis e amarrei meus cabelos. Abri a porta dos fundos e sai de casa. Caminhei pela rua deserta, passei por lojas de roupas e lanchonetes fechadas, o meu objetivo era caminhar até o calçadão da praia, mas não consegui, pois minha barriga estava doendo. Fiz meu trajeto de volta e comprei pão de coco na padaria. Cheguei em casa, tirei meus tênis e fui para a cozinha, preparei um bom café da manha e tomei sozinha. Fiz o meu obento e quando terminei levei-o para o meu quarto.
Peguei minha toalha e entrei no banheiro, abri o chuveiro e deixei a água esquentar para depois me molhar. Entrei na água depois de alguns minutos, passei sabonete pelo meu corpo e me enxaguei. Envolvi a toalha ao meu redor e escovei os meus dentes. Entrei no meu quarto e comecei a me arrumar. Primeiro a saia, depois a camisa, a gravata e o casaco. O outono estava começando, trazendo junto o frio e o cair das folhas. Calcei meus tênis, coloquei o obento na mochila e sai de casa. Encontrei Yoi no mesmo lugar de sempre e caminhamos juntas ate a estação.
— Então — Começou ela a dizer quando passávamos pelo parque na frente do prédio de Amanda, eu estava olhando as arvores começando a ficar amarelas. — O que você pretende fazer hoje?
— Vou levar Amanda ao fliperama depois da aula — Respondi ainda olhando para as arvores do parque.
— Hum, você sabe que é arriscado, né? — Concordei com a cabeça e suspirei. Yoi olhou para mim e continuou — Não vai ir pro clube de kendo hoje, não é?
— Vou inventar uma desculpa para a professora — Falei, olhei para Yoi que começou a balançar a cabeça negativamente com um sorriso no rosto.
Pegamos o próximo trem na estação e minutos depois chegamos na escola. Me despedi de Yoi e entrei na sala, Amanda estava conversando com Sato. Me aproximei devagar e sorri.
— Bom dia Sato e Amanda-san — Falei sorrindo.
— Bom dia Charlie —Disseram juntas dando um sorriso.
— O que estavam conversando? — Perguntei enquanto colocava minha mochila na mesa.
— A respeito da prova de matemática de hoje — Disse Sato, levantei minhas sobrancelhas.
— A prova é hoje? — Perguntei surpresa.
— Aham — Disse Amanda.
— Vixe — Falei. Eu não tinha revisado o assunto.
— Não me diga que esqueceu de estudar — Disse Amanda colocando as mãos na cintura.
— Pois é — sacudi meus ombros e me sentei na cadeira — Agora já era.
— Relaxa você é inteligente, vai tirar uma boa nota — Disse Sato colocando a mão no meu ombro.
— Assim espero — Falei. O professor Kojima de matemática entrou na sala, colocou sua pasta na mesa e tirou de lá um bolo de papel.
— Espero que tenham estudado meninas — Disse e começou a entregar as provas.
Ele me deu um sorriso quando me entregou a prova e eu olhei para as questões, não estavam difíceis. Comecei a responder a primeira questão e depois a outra e a outra. Terminei a prova e esperei o tempo acabar, quando terminou passei a prova para frente e esperamos o professor sair da sala.
— Então, como foi na prova? — Perguntou Amanda para mim.
— Não estava tão difícil — Respondi, ela me deu um soco no ombro e sorriu. O resto das aulas foram normais, almoçamos juntas e depois das aulas do almoço fomo para o prédio de clubes. Inventei uma desculpa para a professora dizendo que eu tinha que ir comprar um negocio para mamãe e que demoraria. Ela não reclamou de nada. Busquei Amanda na sala de artes e fomos para o vestiário. — Nós precisamos trocar de roupa.
— Tá — Disse ela, tirei a minha saia, o casaco e a gravata Vesti minha calça jeans, dobrei as mangas da minha camisa e coloquei o meu casaco por cima. Amanda também vestiu a calça jeans e um casaco vermelho. Amarramos nossos cabelos para trás e puxamos o capuz para cima. — Ficou legal.
Sorri para ela e saímos do vestiário com a mochila nas costas. Atravessamos o jardim e saímos do colégio, o fliperama ficava no mesmo bairro do colégio. Passamos na frente de uma lanchonete de um amigo do meu pai rapidamente, mas tive a sensação de alguém ter me visto. Paramos na frente do prédio com fumê escuro, tirei o meu cartão da mochila e mostrei para o segurança que nos deixou entrar.
— Nossa. Que fliperama precisa de um segurança? — Perguntou Amanda quando entramos. A vi engolindo em seco quando entramos no corredor escuro, me lembrei de Fugi, que tinha segurado o meu braço com medo.
—Vamos — Falei segurando o riso, chegamos a porta dupla preta e abri para ela. Vi o olhar de Amanda mudando quando viu o que tinha atrás da porta. Um teto que brilhava de varias cores diferentes, uma mini montanha russa, vários jogos por todas as partes, percebi que não havia muitas pessoas lá. — Que achou?
— Incrível — Disse ela boquiaberta, sorri e puxei ela pela mão. Fomos para a recepção e a mesma mulher que tinha me atendido quando vim com Fugi estava lá. Ela me deu um enorme sorriso.
— Boa tarde — Disse a mulher com cabelos vermelhos e olhos verdes. — Quanto tempo, hein?
— Verdade — Falei sorrindo. Ela olhou para Amanda e sorriu.
— Vejo que trouxe outra amiga — Amanda olhou para com desconfiança.
— Eu vim com Fugi — Sussurrei no seu ouvido e me virei para a mulher. — Pode me dar o cartão extra e uma chave de armário grande, por favor?
— Claro — A mulher pegou outro cartão, passou pelo leitor e digitou alguma coisa no teclado do computador, e entregou o cartão a Amanda. — Você pode usar em todos os brinquedos por 1 hora e dez minutos.
— Ah sim, obrigada — Disse Amanda pegando o cartão da mão dela.
— Aqui esta a sua chave — Disse me entregando a chave com o numero 15 gravado, dei um sorriso para.
— Valeu — agradeci a ela e puxei Amanda pela mão. — Vem, vamos guardar nossas coisas. Entramos por uma porta que dava em uma sala enorme, nela tinha vários armários que iam desde pequenos a grandes. Achei o armário que tinha o numero 15 e destranquei a porta. Colocamos nossas bolsas e os casacos lá dentro, fechei a porta do armário e entramos na área de jogos.
Começamos indo pela montanha russa, depois jogos de sorte, jogos de tecnologia avançada, nessa parte eu ri muito de Amanda, pois ela não sabia jogar direito. Depois acho que faltando 30 minutos para o tempo acabar, apresentei a maquina de dança para Amanda.
— Então o que acha de dançarmos juntas novamente? — Perguntei subindo na maquina e estendendo minha mão para ela. Amanda me deu um enorme sorriso e agarrou a minha mão. Passei o meu cartão no leitor e a maquina ligou. — Quer escolher ou vamos aleatoriamente?
— Aleatoriamente — Respondeu Amanda puxando a manga da camisa para cima, olhou para mim e fez um sorriso de desafio. — Vamos ver se você é boa mesmo.
— Vamos nessa — Falei e apertei o botão de musica aleatório, vimos a tela brilhar e varias musicas se passaram, parando em uma que eu conhecia. Era uma eletrônica do Deadmau5 ft. Gerard Way, Professional Griefers. Olhei para Amanda e sorri. Seguimos os passos da dança em sincronia e com rapidez. Quando a musica terminou estávamos sem fôlego, olhamos para o placar para ver quem tinha ganhado e fora eu, Amanda me deu um soco no ombro e eu sorri.
A próxima musica que caiu foi uma que eu não conhecia, Mister Jam — Golden People (ft Jacq & King TEF). Amanda me deu uma surra nessa. As musicas passaram de eletrônicas para as mais populares como Gangnam style e The Harlem Shake. Amanda e eu paramos de competir para ver quem ganhava, pois estávamos jogando em musicas de duplas depois de um tempo e o nosso adversário era a maquina. Quando a musica que caiu foi Love, sex and magic do Justin Timberlake ft Ciara, Amanda e eu nos entreolhamos em duvida, pois a musica era bem sensual. A musica começou a tocar e nos começamos. Eu fui para a frente e Amanda para trás de mim, ficamos estalando os dedos para o lado e então eu desci. Fiquei abaixada, Amanda estendeu a mão para mim e eu levantei devagar, enquanto ela passava a mão pela minha boca ate a minha barriga. Senti um arrepio me percorrendo. Parei de frente para ela, nossas bocas ficaram a centímetros de distancia. Então eu virei e voltei para o meu lugar.
Colocamos a mão direita para o lado e começamos a estalar os dedos,a outra mão ficou na nossa cintura e ficamos mexendo a cintura para os lados. Depois eu fiquei de frente para ela e enquanto ela dançava, eu contava até três com os dedos, quando terminei ela segurou me braço e jogou para o lado, me fazendo virar.
Fiquei atrás dela e coloquei uma mão sobre o seu peito, mas sem tocar e a outra eu coloquei sobre a sua barriga. Meu rosto ficou ao lado do seu, vi ela respirando fundo e sorri. Amanda desceu devagar, sua bunda tocou minha perna e ela virou, ficando de frente para mim, olhei para a tela e vi que o próximo movimento era bem ousado. Amanda se levantou, quando seu rosto se aproximou do meu, ela tocou meu queixo com a língua. Senti um arrepio e um louco desejo de agarrar ela ali mesmo.
Como se tivesse lido minha mente, ela deu um pulo para o lado e se afastou de mim com um sorriso indecente. Virei meu olhar para a tela e fiz o próximo passo. Dei um giro e parei estalando os dedos, Amanda fez o mesmos. Depois fizemos uma serie de passos para frente e para o lado. Botamos as mãos para cima e rebolamos. O refrão se aproximou e eu fui para a frente dela. Amanda me abraçou, senti sua respiração no meu ouvido e engoli em seco. Colocou uma das sua mãos sobre o meu peito e eu empurrei o peito para frente, fazendo aquele passo que parece que você está respirando.
Segurei sua mão e fui para o lado. Estalamos o dedo novamente por um tempinho e para finalizar Amanda ficou do lado da minha perna esquerda, se abaixou lentamente e depois subiu, virou e ficou de frente para mim. Encostei minha testa na sua e a musica parou, olhei para os seus olhos que estavam incrivelmente azuis e quebrei a distancia dos nossos lábios, roubando um beijo. Amanda morreu de vergonha quando eu me afastei, havia algumas pessoas olhando, mas não reconhecíamos nenhuma delas.
— Sua idiota — Disse com raiva.
— Olha, estabelecemos um recorde para a musica — Falei apontando para o placar na tela, Amanda olhou para a tela e vi um sorriso surgindo, ela viu que eu tinha visto e fechou a cara de novo. Olhei para o relógio e vi que dava tempo para mais uma musica. — Vem temos mais uma musica.
Subimos novamente na maquina e dessa vez quem escolheu foi Amanda. Eu não reconheci a musica, mas tinha que admitir que era bem animada. Observei Amanda dançando e ela dançava incrivelmente bem. Aumentei o meu ritmo para acompanhar ela e por milagre consegui. A musica era Clarity – Zedd ft Foxes. Dançamos em sincronia e ritmo, quando terminamos, estávamos suadas e respirando fundo.
— Nossa, vocês dançam muito bem — Disse um adolescente de cabelos longos.
— Obrigada — Disse Amanda descendo da máquina e dando um sorriso para ele.
— Já pensaram em participar de uma competição de dança? — Perguntou ele, Amanda e eu nos entreolhamos.
— Não — Respondi dando de ombros. Ele estendeu um cartão e entregou para Amanda. Me inclinei e vi o que estava escrito. “ Competição de dança em duplas”
— É uma competição de dança em duplas, nessas maquinas de dança — Disse o garoto, me perguntei quantos anos ele tinha. — Caso se interessem, liguem para esse número, as competições começam apenas em março do ano que vem.
— Nos vamos pensar — Disse Amanda guardando o cartão no bolso da calça. O garoto se curvou e foi embora, olhei para Amanda sem ter entendido o que tinha acontecido. — Bem, sem comentários.
— Concordo — Respondi. Olhei para a maquina desligada e suspirei. — Vem vamos pegar nossas coisas e ir comer alguma coisa na lanchonete daqui.
— Aqui tem lanchonete?
— Tem, tá vendo aquela porta ali — Apontei para uma porta preta que estava perto das maquinas de Bebidas. Amanda confirmou com a cabeça — É lá.
Caminhamos para a sala dos armários em silencio, quando chegamos não havia ninguém alem de nos lá. Destranquei a porta do nosso armário e antes que tirássemos qualquer coisa, fiquei de frente para Amanda. Nossos olhos se encontraram, me inclinei e pressionei seus lábios contra os meus, envolvi sua cintura e trouxe seu corpo para junto ao meu. Amanda envolveu seus braços no meu pescoço e eu a puxei para cima. Suas pernas envolveram a minha cintura e eu sorri. Beijei sua bochecha, mordi lentamente a sua orelha, depois beijei seu pescoço e o seu ombro. As mãos de Amanda entraram debaixo da minha camisa e tocaram minha costas, senti um arrepio percorrendo meu corpo, trouxe seus lábios para os meus novamente e mordi o seu lábio inferior.
Segurei Amanda e viramos para o outro lado do armário, Amanda desabotoo minha camisa, suas mãos percorreram minha barriga, logo em seguida senti sua boca tocando minha cicatriz. Amanda fez um caminho até a minha boca, quando ela alcançou, me beijou profundamente. Foi então que a minha barriga roncou, Amanda se afastou de mim, olhou para a minha barriga e começou a rir alto, eu fiquei com muita vergonha. Depois que ela parou de se matar de rir, fechei minha camisa e fui até o armário. Tirei nossas coisas de lá, Amanda me abraçou por trás.
— Foi mal, mas foi hilário — Disse ela se segurando para não começar a rir novamente.
— Sei sei, aqui — Estendi a mochila para ela, Amanda a pegou e colocou nas costas. Vestimos nossos casacos e saímos dali.
Passamos pelo fliperama e entramos na lanchonete. Sentamos em uma mesa do fundo e esperamos a garçonete vim nos servi.
— Boa tarde, o que gostariam de pedir? — Disse uma garçonete surgindo de repente ao nosso lado.
— Boa tarde — Disse Amanda dando um sorriso simpático. Olhou para o cardápio e apontou para um sanduiche de queijo e carne. — Eu quero esse.
— Certo — A garçonete anotou em um bloco de notas e olhou para mim. — Você?
— O mesmo que o dela e dois refrigerantes de laranja, por favor — Falei para ela. A garçonete deu um sorriso e se afastou. Amanda e eu ficamos conversando sobre o cartão que o garoto tinha entregado para nós até quando o sanduiche chegou, nos duas estávamos famintas, bebemos nosso refrigerante e assistimos um anime que estava passando na Tv.
— Estava ótimo —Amanda disse soltando um suspiro.
— Verdade — Concordei encostando minha cabeça no ombro de Amanda. — Você quer sorvete?
— Você vai pagar?
— Claro — Respondi envolvendo sua mão na minha.
— Então eu quero — Disse ela, não precisei olhar para o seu rosto para saber que ela estava sorrindo. A garçonete apareceu na nossa mesa logo quando Amanda acenou para ela.
— Sim? — Disse a garçonete olhando de mim para Amanda. Vi em seus olhos que ela sabia que nós nos gostávamos e ela deu um sorriso simpático.
— Você pode trazer um sorvete de morango e baunilha para nos? — Perguntou Amanda.
— Querem dois ou só um, tamanho grande? — Amanda olhou para mim e eu dei de ombros.
— Traz só um grande mesmo.
— Pode deixar — A garçonete se afastou.
— Ela é legal — Comentou Amanda, concordei com a cabeça e sorri. — Me diga, esse é o meu presente de aniversario?
— O quê? O sorvete? — Respondi com uma pergunta.
— Não só o sorvete, mas a diversão que tivemos a tarde inteira.
— Ah, também — Falei me sentando direito no banco. — Mas o seu verdadeiro presente está na minha mochila.
Amanda olhou para a minha mochila que estava no chão e depois olhou para mim com as sobrancelhas levantadas. Dei um sorriso e acenei para ela ir em frente. Amanda pegou minha mochila e começou a procurar, depois de uns dos minutos, ela puxou de dentro uma caixinha com papel dourado.
— Hum, com licença — Olhei para a garçonete que tinha acabado de chegar na nossa mesa com o sorvete nas mãos. Ela olhou para a caixinha nas mãos de Amanda e deu um olhar surpreso para mim, dei um sorriso para ela e ela colocou o sorvete na mesa. Amanda nem tinha percebido que o sorvete tinha chegado. A garçonete se afastou da gente, mas tive quase certeza que ela estava nos observando.
— Vamos, abra logo — Pedi. Amanda tirou o papel de presente com cuidado e segurou nas mãos a caixinha prateada. Olhou para mim e eu apontei para a caixinha. Amanda abriu a caixinha e eu vi o sorriso mais lindo de todos surgir no seu rosto. Pegou o colar nas mãos e o girou nas mãos. Ela levantou o olhar para mim, seus olhos estavam em azul profundo, lindo e sincero, se inclinou para mim e me deu um beijo na bochecha. — Então?
— Nossa Charlie, eu amei — Disse ela olhando para o pingente com um sorriso lindo no rosto. Olhou para mim e me deu um beijo rápido na boca e depois um abraço apertado. — Obrigada.
— Vira — Falei animada, eu estava feliz por ela ter amado o presente, Amanda virou de costas e levantou os seus cabelos. Abri o colar e coloquei gentilmente no seu pescoço.
— Então? — Perguntou ela virando para mim, olhei para aquela garota linda a minha frente e sorri.
— Ficou perfeito — Respondi. Amanda me abraçou novamente e depois olhou para a mesa.
— Eita, que sorvete grande — Sorri com a animação dela e peguei uma colher. Comemos o sorvete em silencio, acho que não foi preciso falar nada naquele momento. Quando terminamos o sorvete a garçonete se aproximou da gente. Ela estava com uma câmera Polaroid preta nas mãos.
— Com licença, a nossa lanchonete tira fotos instantâneas também, por apenas 1 Iene ( moeda japonesa) a mais. Vocês aceitam?
— Sim, tire duas — Respondi. Amanda virou de frente para a garçonete e eu abracei Amanda por trás. Nos duas sorrimos para a câmera e a garçonete tirou a foto.
— Ficou bonita — Disse ela, então virou a câmera para nos duas. A câmera pegou bem o nosso olhar de felicidade e o colar de Amanda.
— Pode imprimir essa — Amanda deu um sorriso para a garçonete.
— Certo. Enquanto imprimo, vocês querem ver a conta ou desejam pedir mais alguma coisa?
— A conta, por favor — Pedi.
Dois minutos depois ela apareceu com as nossas fotos e a conta. A conta tinha dado 350 ienes, entreguei 400 ienes para ela.
— O troco é seu — Falei quando ela viu que tinha mais dinheiro ali.
— Obrigada e volte sempre — Disse ela se curvando e sorrindo.
Pegamos nossas coisas e saímos da lanchonete. Entramos no fliperama novamente e paramos na recepção para entregar o cartão e a chave.
— Tenha uma boa noite — Disse a mulher de cabelos vermelhos.
— Para você também!
Amanda e eu entramos no corredor e antes de sairmos de vez olhei para Amanda.
— Gostou do dia?
— Adorei — Disse ela se inclinando para me dar um beijo.
Nos afastamos e colocamos o capuz sobre a cabeça e abrimos a porta.
A vida das pessoas sempre sofre muitas reviravoltas durante o decorrer do tempo. Uma hora você está incrivelmente feliz e no outro segundo seguinte, você pode descobrir que um parente seu sofreu um acidente e morreu. É nesses momentos que descobrimos se somos capazes de caminhar por esse mundo e se temos forças para encarar as dificuldades desse mundo. Agora a pergunta que não saia da minha cabeça era: Porque de todos os momentos na minha vida, o mundo quis me passar a perna agora?
Encarei o meu pai e a mãe de Amanda a minha frente. Não tive reação. Vi Amanda travando atrás de mim e como se fosse reflexo, ela jogou o colar para dentro da camisa. Nós tínhamos enganado eles durante um mês inteiro, então o que tinha saído de errado? O que tinha nos denunciado? Será que era agora que viria o meu teste o de Amanda? Para sabermos se éramos capazes de caminhar nessa Terra cheia de dificuldades?
Eu não tinha a resposta para nenhuma dessa questões. A única coisa que eu sabia, era que estávamos na mais profunda merda de todas.
Notas finais
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Até a proxima =P
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