Ela nunca soubera nadar

Passava seus dias flutuando

Entre pessoas e momentos.

A vida sempre lhe parecera

Profunda demais para dar pé.

Quanto mais tentava

Encontrar apoio em algum lugar

Mais a corrente lhe puxava,

Mais ela se afastava,

Mais ela se afundava.

Sempre havia quem dizia

Que nadar era tão fácil

Que seria impossível

Ela não conseguir.

Essas pessoas eram

Aquelas que mais rápido

Desapareciam no horizonte.

De tempos em tempos

Ela encontra seus iguais,

Mas estavam tão ocupados

Nos redemoinhos

De suas próprias existências

Que nunca podia agarrá-los

À tempo de se salvarem.

Um dia foi a um prédio,

Se jogou do último andar

E se afogou nas estrelas.

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