A Viagem

4 Capítulo 4


Haviam chegado a algum lugar. Ele não sabia quando e nem como, acordou e já estavam em terra firme, pelo menos se parecia terra. Ele a procurou e não achou. \"Já deve ter saído daqui, foi conhecer o terreno e não quis me acordar\", pensou.

Decidiu ir à procura dela e já aproveitava tal empreitada para conhecer o lugar aonde estava, que, para ele, era outro planeta.

Percebeu que era um lugar que lhe lembrava uma praia. Lá, ao longe, havia o mar, ou uma espécie de mar, já que a água, que ia para a imensidão do infinito até onde seus olhos conseguiam enxergar, era negra. \"Águas negras, será um lugar poluído?\", ele pensou, temendo que se contaminassem. Não encontrou vestígio algum de população, enquanto andava por lá, então deduziu que, naquele lugar, a água deveria ser puramente negra mesmo, afinal, como algo se poluiria sem ter quem o polua?

Com isto em mente, resolveu ir até o mar. Foi andando tranquilamente pela areia, o mar com suas ondas negras ao longe. Foi quando avistou um vulto, alguém indo em direção ao mar. Andou mais rápido para ver de quem se tratava, quando finalmente os longos cabelos ficaram visíveis. Alegrou-se por um instante, mas percebeu que ela ia em cada vez mais fundo pro mar.

— Que está fazendo? Aonde você está indo? — perguntou ele.

Ao que não houve resposta, ela apenas olhou para trás, deu um sorriso como quem não sabia o que estava acontecendo, mas em momento algum parou de caminhar em direção ao alto mar.

— Me espere! Para onde você vai? — a água do mar já ia na cintura dele.

— Vou-me embora. Cansei disto aqui, vou sumir, vou ver o que tem no fundo do mar. E você trate de não vir, porque, se bem me lembro, você não sabe nadar.

Que grande confusão ela havia feito. Quem não sabia nadar era ela, ele fora um exímio nadador quando adolescente. Mas ela já ia muito longe, ele não iria alcançá-la. Ficou ali, assistindo ela sumir, não entendendo suas razões, e se perguntando o que ele iria fazer.

Quando de repente, ela sumiu. Não se afogou, ele não ouviu ninguém engasgar, se afogar: simplesmente desapareceu, fora viver sua outra vida. O que sobrara dela foi apenas uns poucos fios de cabelo nas roupas dele, que ele agora guardara-os no bolso, como uma lembrança de uma feliz época em um estranho acontecimento.

E achou estranho e ao mesmo tempo normal como, em tão pouco tempo, seus dois mundos haviam sido destruídos.

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