A Viagem
2 Jake Derrans
Notas iniciais
Bea correu até o estacionamento gigantesco,e,em seguida,abriu a porta de um Maserati.Olhei-a,incrédula.
–Você está de brincadeira.
–Corre! Vai logo,caramba!-Jake gritou,correndo em nossa direção.
Entrei na parte de trás do carro.Jake sentou-se ao meu lado,arfando.Bea estava dando partida no motor.Aquele ronco era como um alucinógeno.Os bancos cheiravam a canela e um leve toque de sangue.Perguntei-me o porquê.
Assim que saímos do estacionamento a incríveis 90km/h,vi do que Derrans estava correndo.Criaturas verdes e asquerosas,com pedaços de sua carne caindo no chão.Sangue escorria em filetes de vários lugares em sua boca.Devido ao pôr do Sol,eles já podiam caminhar pela rua.Senti meu sangue congelar.Minha respiração começou a sair rapidamente,como se eu estivesse tendo um infarto.
Jake se apavorou.Ele pôs a mão em meu ombro,e minha pele chiou.Dei um pulo,assustada com a dor.Ele franziu o cenho.Eu sentia meus olhos ardendo novamente,e eu conseguia ver meu cabelo já vermelho.Pisquei algumas vezes,demoradamente,e relaxei.Aos poucos,senti meu sangue voltando à ativa.Jake prendeu a respiração.
–Jake! Não faça isso!-Gritou Beatriz,pegando a saída 90,para a rodovia Lambrois.Ela pegou um frasco de perfume e espirrou no carro.
O cheiro de canela recomeçou,e percebi algo na boca de Derrans se retraindo.Será que...?
–Ele é um vampiro?-Gritei.
–Calma! Nós realmente precisamos ir à Halen! Está um caos lá! Vampiros invadiram a cidade e quebraram a lei mais importante,que vem sido mantida à milênios!-Beatriz explicou,aumentando a voz.
–Eu não quero ajudar! Não ao lado de um vampiro!-Gritei,histérica.Senti meu sangue congelar novamente.
Parei de gritar quando ouvi uma fungada triste.Olhei para o lado.
–Eu não sou um vampiro.Eu sou um híbrido.-Disse ele,tristemente.
Revirei os olhos.
–E daí? O risco que você está correndo estando no mesmo ambiente que eu é imensurável!-Rebati,grosseiramente.
–Eu não quis nascer assim! Já pensou nisso? Que alguns dos vampiros que você mata são mais que sanguessugas inúteis?-Ele disse,enojado.
Murchei.Enquanto passávamos por árvores e rios a 120 km/h,lembrei das quase-vidas que eu já havia tirado.Mas eu também não tinha escolhido nascer assim.
–Não é um argumento válido.Eu apenas protejo meu legado.Luto pela minha família.-Argumentei.
–O que você chama de família?-Contra-atacou ele.
–Vocês parecem um casal de velhinhos brigando,cara! Para,enche o saco!-Beatriz gritou,interrompendo.-E,se você não percebeu,Becca,Jake gosta de você!
Jake ficou irritado.Ele ia levar a mão ao pescoço de Beatriz.Dei um tapa em sua mão,e ele logou segurou meu pulso com firmeza e falou calmamente.
–Não me importa quem você é.Não tenho medo de você.
–Então porque estou sentindo sua respiração ficar mais densa?-Sussurrei,um pouco ríspida.
Ele abriu a porta do carro e Beatriz gritou,apavorada.Ele foi indo para trás,como se fosse se atirar no asfalto.Puxei-o pela camisa,rapidamente,fazendo a porta se fechar.
–Você não seria tão estúpido assim.-Falei,em seu ouvido.
–Da próxima vez vai ser você.-Ameaçou.
–Bem vindos à Halen,amigos!-Beatriz,disse,ironicamente.
Ela reduziu a velocidade e soltei Jake.Moradores começavam a andar em nossa direção,como se fôssemos uma espécie de heróis.Lá o céu ainda estava claro,como se fosse um mundo a parte.Bem,é um mundo a parte.
Atrás de fila imensas de mansões,vi o monte Halen.Acampamentos de tendas pretas,sem nenhuma abertura,sem entocavam aos montes em cavidades abrigadas do Sol.Vi dois pares de olhos vermelhos através das tendas,como se fossem lasers.
Beatriz estacionou na mansão que pertencia à ela,e desceu do carro para ir abrindo a casa.
Eu estava abrindo a porta quando Jake me puxou.
–Escute.-Olhei para ele.-Eu não quero que seja tarde demais para dizer isso.Não sabemos o que vamos encontrar por aí e...Bem,eu gosto de você,sim.
–Desculpa,Jake...Mas eu sou uma caçadora.Caçadores não vivem em paz,com suas esposas ou maridos e um casal de gêmeos em uma casa na beira de um belo e raso lago.Nossa vida é tão amarga quanto a de vocês.-Eu disse.
Ele trincou os dentes.
–Espero que alguém te mate.Vai ficar bem mais fácil.
–Não banque o machão.Eu sei que por dentro você está pensando na cor vinho dos meus olhos.-Sorri,ironizando a situação.
–É...Você tem razão.-Ele me puxou mais para perto e me beijou na bochecha.-Mas da próxima vai ser um beijo de verdade.
Ele saiu correndo do carro,e eu fiquei irritada.Uma garota de cabelos cor-de-rosa me observava,furiosa.É,eu realmente não sabia o que ia encontrar por aqui.
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