A Verdadeira História De Emma
25 Segunda chance
Storybrooke
Na casa dos Mills, Henry havia se trancado no quarto. Regina havia decidido que o melhor a fazer era cozinhar uma torta para alegrar o filho. Quando tirou a torta do forno e colocou para esfriar, ela quase deixou o prato cair; não tinha visto que o filho estava sentado na mesa da cozinha a encarando.
– Que susto, meu amor. – ela riu.
Henry continuou encarando-a com raiva.
– Algum problema, filho? – ela disse sínica.
O menino continuava de cara feia.
– Henry? – franziu a testa, preocupada. – Henry, o que foi?
– Eu quero ir para casa. – ele disse, os braços cruzados.
– Mas querido, você já está em casa. – sorriu.
Ele continuou encarando-a seriamente.
– Eu li o livro, sabe. – falou. – Sei da sua história. Do seu passado com a vovó. Sei de tudo.
Regina engoliu em seco.
– Entendo que você esteja com raiva dela. Mas ela era só uma criança. Tinha a minha idade ou menos. – ele jogou. – Você me julgaria culpado da morte de alguém só porque eu não conseguir manter um segredo?
– Querido, é diferente... – ela parecia que estava segurando as lágrimas ou um grito de raiva.
– Não, não é. – ele disse sério. – Snow era uma criança e achava estar fazendo o certo. E você ficou tão obcecada com sua vingança que se esqueceu de viver.
Os olhos dela tentavam prender as lágrimas.
– Você acabou com o final feliz de todo mundo para se vingar e no que é que deu? – ele descruzou os braços e encostou o peitoral na mesa, inclinando-se para ela. – 18 anos sozinha. Sem ninguém. Agora que a maldição está quebrada, você continua sozinha. Ninguém quer ser meu amigo por sua causa. Minha família está dividida porque você não pode ter uma convivência pacífica com sua própria enteada e minha mãe... Hook é um vilão... ou era para ser um vilão... eu realmente não sei bem... mas ele não é mais. Ele é um homem bom. Que está virando um herói. Você pode ter isso também mãe. Basta querer.
A forma como Henry falava, a convicção... a sinceridade e seriedade... parecia tanto Snow que Regina sentiu calafrios. Já não bastava o menino ser idêntico a ela fisicamente...
– Você pode ter uma família de novo, mãe. Pode ter amigos. As pessoas podem passar por você na rua sem desviar ou correr para longe morrendo de medo. Nossa família... – ele segurou as mãos dela, os olhos de Regina estavam inchados. – pode virar realidade. Eu, você, a vovó, o vovô, Emma e Killian... podemos ser felizes juntos. Você pode amar alguém novamente um dia... – ele dava um sorriso esperançoso. – Mas para isso, vai precisar mudar. Ser a pessoa que eu sei que você pode ser. Boa, gentil. Eu sei que você é assim.
Os olhos de Regina não conseguiam mais conter as lágrimas, que caíram por suas bochechas. Ela se levantou e abraçou o menino, beijando-lhe os cabelos. Sabia que ele estava certo.
– Essa guerra com Rumpelstiltskin... isso não vai dar em nada. Só vai dar mais motivos para todos chamarem vocês de monstros. E você não quer isso, né? – ele disse abraçando-a.
– Não. – a voz dela saiu rouca.
Perto do por do sol, eles saíram juntos de mãos dadas rumo à prefeitura. A cidade inteira estava ali, surtando. Snow e David tentavam acalmar todos, mas não dava certo. Principalmente com Leroy gritando que era o fim e com Whale dizendo que o apocalipse iria começar. Quando as portas se abriram e todos puderam ver Regina e Henry, a confusão cessou. Não houve ninguém que ousasse a dizer um mísero pio. Granny apontou a besta para Regina, mas Red tirou o objeto das mãos da avó antes que causasse algum problema. Snow pegou a espada da cinta do marido e apontou para Regina, mesmo ela estando em cima do palanque.
– Meu neto. Solte-o. – disse imperativa.
– Tá tudo bem, vó! – Henry disse se colocando na frente de Regina. – Ela não vai machucar ninguém.
– Quer mesmo que acreditemos nisso? – Katheryn disse, com Jim ao seu lado, esperando para atacar a bruxa a qualquer segundo.
– É a verdade! – Henry falou alto para todos ouvirem. – Ela não é má. Regina fez más decisões, mas quem não fez?
– Nenhum de nós criou uma maldição e ferrou com a vida de todo mundo. – disse Leroy.
– Ou matou inúmeras pessoas atrás da Snow. – Granny complementou.
– Ou torturou e maltratou os cidadãos de seu reino. Deixando-nos morrer de fome só porque ela está com vontade de fazer isso. – disse Marco.
Regina revirou os olhos.
– Tá. Talvez ela tenha cometido mais erros do que a maioria das pessoas... mas isso não quer dizer que ela não possa mudar. – Henry disse.
– Henry... – David disse o mais carinhoso que pode, não queria que o neto sofresse uma desilusão tão grande.
– Regina é uma boa pessoa! Quantos de vocês não têm uma história ruim aqui? – Henry começou a discursar tão bem quanto os avós. – Vocês confiariam em qualquer lobisomem? Ou em um cara que trás os mortos de volta à vida? Confiariam em alguém que transforma tudo em ouro com um toque? Ou em troll? Um gigante?
Algumas pessoas abaixaram a cabeça, envergonhadas.
– Em Frankenstein, Whale é considerando mais um monstro do que o próprio monstro. Em qual história o lobisomem não é o inimigo? Me digam uma história, a vida de qualquer um dessa cidade, que seja igual as histórias desse mundo? – disse sério. – Eu sei que nenhum de vocês são monstros. Eu sei que todos nós fazemos escolhas erradas, algumas mais do que outras e algumas com consequências inimagináveis. Mas SEMPRE há uma segunda chance! Todos nós merecemos uma!
Ele discursava tão bem, que era impossível não se prender a suas palavras.
– Minha mãe está namorando o Capitão Gancho, pelo amor de todos os deuses! – ele riu. – Minha avó foi uma bandida durante muito tempo. Ela precisou roubar para não morrer de fome! O pai de um dos meus amigos abandonou a filha e ficou preso em outro mundo, mas a intenção dele era de dar lhe uma vida melhor! Quantos de nós não fizermos coisas que nos arrependemos?
Todos começaram a cochichar, houveram inúmeras trocas de olhares. Rumple e Belle estavam no fundo da sala, ela segurou a mão dele, que encarou os próprios sapatos pensando no que poderia fazer para salvar a vida do único filho.
– Eu vou dar uma segunda chance para minha mãe. E meu bisavô. – ele olhou em direção a Rumpelstiltskin, que assentiu com a cabeça, grato. – A questão é... e vocês? Darão a eles essa segunda chance?
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