A Verdadeira História De Emma
1 Reunião de família
Enchanted Forest, 17 anos após o nascimento da princesa Emma.
Era uma linda e nublada tarde de primavera, a floresta do reino dormia na mais profunda e tranquila serenidade. Tudo estava calmo. A fina chuva dançava ao cair e ao tocar o chão, quase invisível de tão fina. Tudo naquele reino encantado parecia calmo, feliz... normal. Pés voavam entre o chão e um vestido amarelo. Descalços, frios e agitados, eram assim que era possível descrever os pés da princesa Annabelle. A caçula do rei corria desesperada pelo terreno que envolvia o castelo real, como se sua vida dependesse daquilo.
– Annie! – gritou uma voz igualmente parecida com a sua.
A menina procurava a irmã, começando a ficar desesperada ao não vê-la perto da clareira. Correu com o que lhe restava de força e seguiu em direção ao majestoso castelo que parecia ser feito de gelo, sua casa. No pátio estavam seu pai, Rei Baelfire, e seu irmão, Príncipe Derek, mas nada de Elizabeth. Sua irmã não havia voltado. Apesar do castelo parecer ser feito de gelo, frio era algo natural naquela região, que vivia coberta de neve até mesmo na primavera.
– Papa! – a menina exclamou, eufórica.
O rei interrompeu o chá para olhar a filha. A menina parecia que havia dormido na floresta por anos; o vestido estava rasgado, a pele pálida e aparentemente gélida, cabelos bagunçados e estava coberta de lama e folhas.
– Annabelle... – o rei disse, fingindo espanto. – Você perdeu.
A menina não gostou do que ouviu, havia se esforçado muito para ganhar a brincadeira.
– Não é justo, Derek conhece a floresta melhor que eu. – reclamou indo sentar-se a mesa e tomar uma xícara quente de chá.
O irmão colocou seu manto vermelho sangue sobre o corpo frio da menina e lhe deu um sorriso carinhoso.
– E Lisa? –a garota perguntou.
– Está no banho. – Derek respondeu. – Chegou primeiro que eu.
Annabelle não se importava em perder para Derek, afinal, ele era quase dez anos mais velho que ela, mas perder para a irmã gêmea era humilhante. Os pensamentos da jovem logo mudaram ao ver o melhor amigo de seu irmão indo de encontro a eles. O duque Sebastian era um mistério para a jovem princesa, ele já havia admitido que a amava, mas pediu sua irmã em casamento.
– Sebastian! – o rei sorriu ao vê-lo. – Sua noiva está no banho.
O lindo rapaz sentou-se ao lado do amigo, ficando de frente para sua amada, que se cobria mais e mais com a capa do irmão para que ele não a visse toda suja e infantil.
– Depois falo com ela, tio. – o jovem respondeu. – Trago notícias do Reino de Snow Falls.
Os três olharam surpresos para o jovem duque. O rei na expectativa que o rei James tivesse dito sim a seu acordo. Derek e Annabelle na expectativa de que o rei James tivesse dito não ao acordo.
– Rei James e rainha Snow White disseram que só dirão uma resposta certe após um baile. Querem que a princesa Emma conheça Derek antes. – o duque anunciou.
Derek quis tirar a espada e corta a cabeça do amigo. O rei não pareceu desapontado, mas Annabelle sim.
– Ótimo! Diga ao rei James e a rainha Snow White que se eles querem um baile, um baile eles terão! Derek e Emma irão se casar! – o rei exclamou e saiu.
Sebastian esperou o tio distanciar-se um pouco.
– Você pode fugir Derek. Ninguém merece se casar com quem não ama! – Sebastian exclamou, olhando para Annabelle.
– Não posso! Se eu fugir, você sobe eu trono como marido de Elizabeth. E você não quer isso, meu primo. Tenho de ficar! Pelo meu reino! – Derek disse com lágrimas nos olhos.
– E Regina? – Annabelle questionou o irmão. – Achei que a amasse?! – disse olhando para Sebastian, que abaixou a cabeça de vergonha.
– E amo! Mas se Regina me ama, irá entender que meu reino vem primeiro! – o príncipe disse triste e saiu do jardim.
Derek já estava fora de vista quando Annabelle se levantou e começou a caminhar, mas Sebastian lhe puxou pelo braço e lhe deu um beijo sincero e apaixonado.
– Não! – a menina disse segurando as lágrimas. – Não é certo! Você vai se casar com minha irmã!
– Eu não a amo Annabelle, amo você!
– Chega Sebastian! Leve a mensagem ao rei James e a rainha Snow White, tenho certeza que a princesa Emma não vê a hora de se casar com um homem que ela não ama! – exclamou e saiu.
Sebastian encarou a amada e deixou escapar uma lágrima. Se ao menos ela soubesse o motivo pelo qual ele estava traindo seu amor.
De volta à Storybrooke! Henry saiu correndo do hospital e Emma seguiu o filho feito uma louca. O menino havia acabado de voltar à vida e já estava com disposição para correr até a frente do relógio da cidade... e lá estava sua mãe biológica correndo e gritando seu nome!
– HENRY! – Emma gritou sem fôlego! – HENRY!
– Anda Emma! – rele a provocava.
Henry avistou Snow White, Prince Charming, Red, Granny e Jiminy Cricket olhando para o relógio.
– HEY! – o garoto gritou, alegre.
Os quatro olharam em direção a criança. Os olhos de Snow se encheram de lágrima.
– Henry! – ela sorriu.
A princesa correu para abraçar o neto e com lágrimas nos olhos, soluçava seu nome em meio a beijos em suas bochechas. Charming logo notou a situação e se ajoelhou na frente do menino, tocando seu rosto como se ele não acreditasse que Henry fosse real. Os demais estavam muito felizes, Red e Granny já estavam derramando lágrimas, enquanto Jiminy tentou escondê-las com um sorriso muito alegre. David deu um abraço apertado no neto e na mesma hora, Snow de levantou e enxugou as lágrimas e foi quando ela viu Emma.
A loira encarava a cena com uma expressão muito parecida com a que fez assim que lembrou quem era. Ela parecia mais pálida e com certeza, estava tão branca quanto à mãe, fazendo jus ao DNA que recebera. Snow caminhou calmamente até a filha, chorando e sorrindo a cada passo. David se levantou, com Henry sentado em seus ombros, e encarou a filha. Como ela mudara desde a última vez em que a viu, em que a beijou, em que ele foi pai e deu sua vida pela dela.
– Emma! – Snow disse num sussurro.
Ela já estava na frente da filha, com os braços abertos, pronta para acolhê-la e amá-la. A mulher não aguentou e soltou o choro. Snow abraçou a filha por quem esperou vinte e oito anos (e alguns meses de teimosia, diga-se de passagem).
– “Snif” Tudo bem, Emma “Snif”. Eu estou aqui! – Snow disse umas três vezes, até que as duas parassem de chorar.
Emma se afastou e passou as mãos nos olhos para esconder a crise de choro que acabará de ter. Ela até sorriu ao ver Mary Margaret na sua frente, Ruby, Archie e Granny ao fundo e David com Henry em sentado em seus ombros.
“Opa... Espera aì!” Emma pensou. “Não são Mary Margaret, Ruby, Archie ou David. Esses não são os nomes verdadeiros deles...” Lembrou.
Emma abraçou a mãe novamente, só que dessa vez segurando-a e puxando-a para perto. Snow passou suas mãos pelo rosto da filha enquanto ambas sorriam em meio às lágrimas.
– Ela é a sua cara! – disse Granny.
Todos riram.
– Henry também é! –Red sorriu.
– Engraçado, nenhum dos dois lembra o James! – Archie comentou inocentemente, levando uma cotovelada da família lobo.
– E agora? – Henry perguntou sentado nos ombros do avô.
– Agora... Não sei. – disse Emma.
– A maldição foi quebrada, mas não voltamos para casa. – disse Jiminy.
– Henry? – Emma olhou para ele como um aluno olha para um professor atrás da resposta da prova.
Os demais olharam para o menino, que tentou focalizar sua vista somente na imagem de meio abraço entre sua mãe e sua avó.
– Não sei. Achei que quando você quebrasse a maldição todos iam voltar para casa. – ele respondeu triste.
– Então temos um problema! – August disse chegando perto deles.
Todos se viraram para o homem de madeira. Ele voltou a ser quem sempre foi, igual ao Pinocchio no começo da história.
– AUGUST! – Emma se assustou ao vê-lo.
– Pinocchio! – Snow, Charming, Red, Granny e Jiminy gritaram assustados.
– Pinocchio. – Henry disse orgulhoso por ter sido o primeiro a descobrir.
– August... mas a madeira... quer dizer... como?... hã... – Emma tentou dizer.
– Eu sei, também me surpreendi quando acordei. Parece que agora há magia em Storybrooke. – ele deu de ombros.
– MAGIA! – Red ficou pálida. – Não! Não! NÃO! – gritou. – Granny... a capa!
A avó encarou a neta e logo se lembrou da capa. A CAPA!
– Com licença. – Granny disse, nervosa. – Precisamos encontrar uma capa mágica antes que o número de homicídios aqui aumente!
Antes que alguém pudesse dizer algo, avó e neta sumiram de vista atrás da tal capa.
– Espera aí, a nuvem roxa trouxe a magia de volta para Storybrooke? – Henry disse com a testa franzida.
– Não sei. – Pinocchio respondeu. – Mas eu voltei a ser de madeira e estou vivo, me mexendo e respirando. Então só pode significar isso!
– Essa não! – Snow exclamou. – Regina!
Charming viu sua espada no chão perto da entrada para o “covil” de Maleficent e a pegou.
– É melhor prevenir. – ele disse.
– Tem razão, príncipe. – disse Rumplestiltskin.
Todos olharam para o homem, ele estava com sua pele de lagarto de volta e Belle não parecia se importar.
– Rumplestiltskin – David disse enfurecido.
– Que adorável ver que se lembra do meu nome. – ele respondeu, sarcástico.
Charming tirou Henry de seus ombros e colocou no chão, se colocou na frente do neto, de Snow e Emma.
– O que você quer, fera?! – gritou heroicamente.
– Que fofinho... protegendo a família... muito nobre. Quando vai ensinar o moleque a manusear a espada?!
– Agora se for preciso!
– Acalme-se meu querido príncipe encantado, eu não vim fazer mal. Pelo contrário, vim agradecer! – ele disse fazendo uma falsa reverência.
– Dê o fora, não queremos nada de você, nem sua gratidão. — David gritou.
– Não seja rude, Charming. Não na frente da sua filha e do seu neto. Por falar neles, eu vim falar com a Emma, se não se importa?!
Emma abriu a boca para falar, mas Charming levantou a espada.
– Você não vai encostar em ninguém da minha família, seu verme!
Rumplestiltskin fez uma de suas caras e bocas indescritíveis e voltou sua direção ao príncipe. Ao que parecia somente os homens ali é que estavam “gostando” do rumo da conversa. Bell e Snow não estavam muito felizes, já Henry estava amando. E Emma estava tão espantada com a pele de gliter do mago que não conseguia sequer se mover.
– Eu só vim agradecer, seu ingrato. Senhorita Swan, muitíssimo obrigado por ter deixado de ser uma idiota e acreditado na verdade! Que cá entre nós, tudo estava bem óbvio.
Emma cerrou os olhos.
– Escuta aqui Rumplestiltchim... – Emma tentou falar.
– Você já agradeceu. Pode ir. – David gritou, protetor.
– Que mau humor, hein?! Como é que a Snow te aguenta? Bem, boa sorte em tentar voltar para casa e derrotar a Regina! Afinal, agora ela tem magia e você... – ele provocou.
Antes que qualquer um dissesse alguma coisa, Rumple e Belle sumiram em uma nuvem vermelho sangue.
– Isso foi... estranho... – disse Jiminy. – Pinocchio, vamos. Aposto que Geppetto está desesperado por você.
– Certo... boa sorte. – Pinocchio forçou um sorriso.
– Podia pelo menos ter me deixado falar?! – Emma exclamou.
– Eu conheço Rumplestiltskin, Emma. Ele ia tentar fazer algo contra você. – David respondeu.
– Você não sabe disso! Ao menos que você possa ler mentes, o que eu duvido, não tem como você saber! – ela rebateu.
Snow tentou impedir que pai e filha saíssem na briga. Mas Henry viu um clarão, um vulto demorado para ser mais exato. Tudo ao redor do menino parecia em câmera lenta. Do nada, ele ouviu um barulho de flecha sendo disparada e em seguida um grito de dor, segundos depois ele viu uma linda jovem deitada caída na floresta, ela estava com a flecha em seu peito e o sangue saia de seu corpo com delicadeza. Antes de tudo voltasse ao normal, ele viu a imagem de um cisne seguido por uma voz familiar gritando o nome de sua mãe.
– Mamãe?! – ele disse enquanto caia no chão.
Ela ficou desesperada ao ver o filho caindo e logo o segurou. Ele estava consciente, mas suas pernas estavam bambas.
– Henry! – Emma disse desesperada. – Eu disse que você deveria ter continuado descansando no hospital!
– SOCORRO! – gritou uma voz desconhecida.
Era a linda menina da visão de Henry, com a flecha em seu peito e o sangue caído lentamente. Charming e Snow foram até ela.
– Quem é você?! – Snow perguntou com compaixão.
– Olivia... – conseguiu dizer.
Henry fingiu ter se recuperado e foi mancando até os avós, seguido de Emma, que tentava segurando o filho.
– Olivia, quem fez isso com você? – Snow perguntou.
– Regina...
– Eu mato aquela desgraçada! – Emma cerrou os punhos.
– Regina não ama meu irmão. – disse a menina.
Emma parou com os pensamentos de raiva e voltou sua atenção para a garota.
– Como assim, Regina não ama seu irmão? – Charming perguntou enquanto tentava estancar o sangue.
– Ela não... Derek... achar... Emma... Swan... Snow... – disse e pareceu.
Pai, mãe e filho olharam para Emma. Que engoliu em seco. Ela conhecia um Derek, ela amou um Derek, mas Henry pensava que ele havia morrido em um incêndio.
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