A Verdadeira História De Emma
7 Espere
Enchanted Forest, 17 anos após o nascimento da princesa Emma.
O inverno chegara rápido. Era só o que Annabelle conseguia pensar. Rápido e traiçoeiro, a ponto de levar à felicidade da princesa Emma. Era somente o que se passava pela cabeça da jovem princesa; sua possível morte não era mais importante, Sebastian não era mais importante. E nem ela sabia explicar o porquê de estar se sentindo assim. Só sabia que precisava ajudar o irmão. Annabelle e Derek passam o primeiro mês do inverno praticamente morando na biblioteca do palácio. Rei Baelfire ia no mínimo duas vezes ao dia passar horas junto aos filhos, até Elizabeth foi ajudar.
Annie cresceu devorando aqueles livros sabia o que cada um deles dizia, mas passou a decorar suas palavras, porém de nada adiantara. Rumpelstiltskin também tentou ajudar, gostava do neto (E Belle o obrigou). No reino de Snow Falls, James e Snow estavam desesperados atrás de respostas. Pinocchio já havia conversado com todos e, apesar de Hansel ter tido a resposta mais animadora que as demais, Pinocchio se convenceu de que procurar o Mad Hatter para mandar Emma para um mundo sem mágica não era uma boa ideia e uma péssima solução.
Todos tentavam ao menos entender as palavras da Evil Queen, que não tinham muito sentido. Mas também, de quem estamos falando? Os atos de Regina não são para fazerem sentido para os outros e sim para ela. Annabelle estava no teto da torre mais alta do castelo admirando o Lago dos Cines, o lago e o reino estavam cobertos de neve. A menina não se cansava de olhar para o lago, apesar de nunca ter ido nele, era zona proibida para todos do reino.
– É lindo, não é? – Sebastian perguntou.
Ele sentou-se em uma cadeira a lado dela, mas a princesa nem olhou para o amado. Fechou ainda mais o manto que a envolvia, mas não por causa do frio.
– Não entendo por que não podemos ir lá.
– Você chegou a conhecer o Rei Frederick?
– Cavaleiro da Corte Real do Rei Midas, casado com a princesa Abigail, antiga pretendente do príncipe James. – a garota respondeu tão fria quanto à atmosfera do inverno.
– Foi naquele lago que ele foi virou ouro, quando ainda era um cavaleiro. Rei Midas estava negociando com seu avô, Rei Edmund, na beira do lago, quando foi atacado. Frederick salvou a vida do rei ao machucar o animal, mas virou ouro.
– Eu sei da história. Só não entendo por que é proibido.
– Por precaução. O rei Midas podia ter morrido, todos ali podiam ter morrido. Frederick só conseguiu machucar a fera.
– A fera está morta, Sebastian.
– Como você sabe? – ele perguntou encarando a menina, surpreso com a frieza em sua voz.
– Nunca na história do reino o Lago dos Cines foi perigoso, daí do nada, um monstro ataca há quase trinta anos e o lago fica interditado... ele já deve estar morto.
– Faz sentido.
Sebastian parou de encarar a amada e olhou para o lago.
– Por que você está aqui? Só deveria vir para cá na primavera.
– Não aguentei ficar em casa. Mamãe e papai estão preocupados com Derek, até meus irmãos estão... não pude ficar lá, tinha de fazer algo...
– Engraçado...
– O que?
– Você disse que veio fazer algo e não está fazendo nada agora.
Ele observou o vento passar pelos lindos e longos cabelos loiros da menina, ela não parecia ter onze anos. E o modo como ela absorvia a estação estava preocupando-o; Annabelle nunca foi daquela forma, sempre fora a feliz, sonhadora, maluca e romântica da família.
– Você está bem, Annie?
– Não, não estou. E gostaria que você parasse de me chamar de Annie, sou sua cunhada, não sua noiva.
Ele pensou que ela ia corar, estava claro que ela estava com raiva. Mas não, ela não corou, nem ao menos moveu a cabeça, continuava encarando o lago congelado.
– Mas também é minha prima.
– Você só é o filho mais velho da única meia-irmã de meu pai. Não creio nem que nosso DNA seja parecido.
Ele pensou em falar algo, queria discutir, mas o rosto pálido e a expressão gélida do rosto de Annabelle o impediu.
– Altezas! – Pinocchio os chamou chegando ao topo da torre.
Ambos olharam para o homem.
– Pinocchio? O que faz aqui? – Sebastian perguntou.
– Não sabia que vocês viriam. – disse Annabelle.
– Não viemos... eu vim! Estava com o príncipe Derek e o Rei Baelfire até agora.
– Por isso não os encontrei! – disse Sebastian.
– Trago notícias da princesa Emma... – disse Pinocchio.
Annabelle encarou a triste feição do rapaz, sabia que algo ruim havia acontecido. Antes que alguém dissesse algo, a luz em seu cérebro que ela passara meses esperando, acendeu; havia compreendido a maldição de Regina. Emma faria parte, definitivamente do reino Swan. Regina não se referiu aos cines, se referiu ao reino, a terra... e o que vai, definitivamente para a terra? Um cadáver, Emma iria morrer no reino, na terra dos cisne.
– O que aconteceu? – perguntou Sebastian.
– Emma sumiu. Hoje de manhã quando a Rainha Snow foi chamá-la, ela havia sumido. Rei James acha que a Evil Queen a sequestrou. – o homem disse segurando as lágrimas, Emma era como se fosse sua irmã.
– Não acho que ela tenha sumido. – disse Annabeth.
Os homens encararam a princesa.
– E não acho que vocês irão gostar da resposta. – a menina afirmou.
De volta à Storybrooke, Emma e a espada de Charming estavam atentos a qualquer movimento de Regina, até mesmo um piscar de olhos. Snow encarava a madrasta com o pouco de ódio que seu coração permitia. Regina estava parada encarando a dupla que ela mais odiava: Snow White e sua filhinha.
– Senhorita Swan... onde está o Henry? – perguntou como se os acontecimentos do último dia não houvessem ocorrido.
– Está no banho. – Emma respondeu com mil vezes mais raiva que a mãe. – Com o avô dele! – tratou sabiamente de acrescentar.
– Não sabia que ele tinha avô. – Regina respondeu o mais cínica possível.
– Ele tem sim... – Snow disse com sua verdadeira coragem de volta. – E também tem uma avó.
Emma olhou brevemente para a mãe, não sabia o que pensar e muito ao menos o que sentir.
– Bem... que seja, eu vim aqui pegar o meu filho. – Regina revirou os olhos.
– Ele não é seu filho! – Emma respondeu levantando a espada.
Regina deu um de seus sorrisos à la Evil Queen.
– Os juízes irão discordar disso, senhorita Swan. – disse inclinando-se para a loira.
– Duvido que haja algum juiz de verdade nessa cidade. – Emma jogou. – Sua majestade.
Regina não quis acreditar. Queria degolar mãe e filha naquele exato momento. Tinha um pingo de esperança de que Emma não houve realmente acreditado e que só por aquele momento em que Henry estava prestes a morrer é que ela havia dado algum crédito à imaginação do menino. Mesmo após a moça ter derrotado um dragão.
– Quem é? – Henry perguntou ao sair do banheiro enrolado em uma toalha.
Assim que viu a megera, David empurrou o menino para o cômodo em que haviam acabado de sair.
– Fique aí Henry. Já venho te buscar. – ele disse baixinho.
Fechou a porta e se posicionou no lado esquerdo da filha. Obviamente ele estava todo molhado por causa da fera indomável que é uma criança que não quer tomar banho.
– Que fofo! – Regina riu sínica. – A família foi reunida!
Agora sim! Ela estava parecendo a Evil Queen que conhecemos e não a Regina que se fazia de desentendida e de santinha.
– O que você quer? – Emma cuspiu.
– Meu filho! Henry... lembra-se dele?
– Você não irá levá-lo! – David exclamou.
– Acho que a idade está acabando com os poucos neurônios que você tem, garoto das ovelhas... não se esqueça de que ele é MEU filho.
– Ele é meu filho, sua sociopata! Não vou deixar que você encoste no Henry! Muito menos agora que sei quem você realmente é. – Emma grunhiu.
– Quantas vezes vou ter que falar! Ele é MEU filho! Ele vem COMIGO! E não há nada que você possa fazer! – Regina respondeu.
– Não sei se o choque de descobrir que eu quebrei a maldição lhe afetou seu cérebro, Regina, mas agora você não é mais a mãe dele! Todos se lembram! O mundo não é mais controlado por você! – Emma exclamou.
Regina deu uma de suas risadas malévolas.
– Você não o terá de volta! E não há magia nenhuma em mundo algum que me fará desistir do meu filho! – Emma disse séria.
– Você esqueceu de colocar o 'novamente'. – disse Regina.
– Sai da nossa casa Regina! – Snow falou séria. – Deixe-nos em paz.
– NUNCA! Você e sua filhinha irão pagar por todos os sofrimentos que me causaram! – exclamou.
– PAREM! – Henry gritou.
– Eu disse para você ficar no banheiro! – Charming exclamou.
– Henry! Volte! – Snow ordenou.
– Chega! OK?! Chega! – o menino gritou. – Regina... eu amo de você, mas a minha mãe é a Emma. Snow White e Prince Charming são a minha família. Eu lamento, mas é assim que irá ser.
Os quatro encararam o menino. As lágrimas já caiam pelos olhos de Snow e Charming se segurava para não chorar. Emma não sabia o que sentir.
– Henry... – Regina tentou dizer.
– Simon! Meu nome é Simon! – exclamou.
Naquela hora, a lágrima que Emma tanto segurava caiu.
– Henry querido... – Regina choramingou. – Seu nome é Henry, lembra? Henry Daniel Mills.
– Não é não! Meu nome é Simon Swan! – respondeu sério.
Não adiantou prender, a segunda lágrima logo apareceu na bochecha da loira, seguida instantaneamente das outras. Antes que alguém falasse ou fizesse alguma coisa, Henry estava no chão. Mesmo com os olhos fechados ele via um lindo lago congelado, com a mesma menina a que cedo vira morrer num bosque com uma flecha no coração e um cisne negro voando no céu branco. Só ouvia os avós e as mães discutindo. Regina queria levá-lo para o médico, mas Emma dizia que não ia adiantar, o Dr. Whale (que agora afirmava que seu nome era Viktor) só queria saber de achar o irmão.
Snow e Charming queriam que o menino fosse visto pelo Doc, mas Regina não queria que o filho fosse tratado pelo anão. Emma queria que ele fosse cuidado por Killian, mas Regina recusou que um pirata cuidasse de seu filho. Entre as percas de consciência e a volta da audição, Henry só conseguira concluir que fora levado para o hospital e firmemente recusado pelo doutor Whale, que era na verdade o doutor Frankenstein. E que quando se tratava dele, Emma e Regina viravam BFF’s! Enquanto esperavam Snow e Charming irem para o hospital com Doc, Emma e Regina estavam cada uma situada em lados opostos do menino, mas ainda assim, quase deitando na maca com ele.
Emma disse, em certa hora entre o desmaio e as re-cobranças de consciência de Henry, que ela escolhera Simon por que era o nome que ela imaginava que seria do príncipe encantado das histórias que lera. Já que muitos livros não falavam nem o nome do príncipe, só o da heroína. Henry não ligava pelas brigas delas, amava ambas. Na casa do Mr. Gold vulgo Rumpelstiltskin...
– Onde você vai? – Belle perguntou se enrolando no lençol.
– Ao hospital. – ele disse fechando o zíper da calça.
– Rumple...
– Dearie, eu volto logo! Prometo! Só vou... começar uma pequena vingança! – disse fechando a porta do quarto.
Belle encarou a janela e viu cair mais neve. Sabia que aquilo não significava nada de bom. E estava certa, o pele de lagarto pretendia se vingar da Evil Queen tirando a vida da única pessoa que ela amava.
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