Storybrooke

Não adiantou. Na hora em que o Henry fez jus ao gene que recebeu (porque o bisavô Leopold, a vovó Snow e a mamãe Emma são um grande exemplo de inteligência...), Regina logo aparatou da casa com o menino e não precisa ser um gênio para saber que a festa havia acabado. August, Hook, Aria, Derek, Cody e Graham foram os únicos que ficaram. August, como o bom amigo que era, ficou consolando Emma. Snow e David não sabiam se convolavam-se ou brigavam, porque a cara deles um para o outro não estava nada boa. Graham e Hook ficaram lá como bons guerreiros lutando pelo coração da princesa. E Derek passou o tempo todo brigando com Aria, dizendo que ela deveria ter impedido Regina e não ficar pensando em lhamas.

– Eu tenho TDAH! Queria o que? Que eu me concentrasse e salvasse o dia? – ela retribuía.

– Não seria uma má ideia! – Derek gritava com raiva. – Você podia, ao menos uma vez na vida, fazer algo que prestasse!

– Derek! – Cody exclamou. – Gritar com Aria não vai resolver nada. Não é culpa dela.

– Não é culpa dela? Pare de defendê-la! Só porque está apaixonado por ela não deixe o bom senso mudar seu raciocínio!

– QUEREM PARAR! – David gritou. – Meu neto provavelmente nunca mais vai voltar e vocês ficam brigando para ver de quem é a culpa? Temos que pensar num jeito de trazer o Henry de volta e não ficar apontando os dedos para os outros.

– Primeira coisa que eu escuto ele falando que faz sentido! – Aria disse baixinho.

– Como vamos fazer isso? É a Regina! Sabemos o quão poderosa ela é! – Snow disse entre as lágrimas.

– Então para isso precisamos usar alguém mais poderoso que ela! – disse August.

Todos na hora olharam para Aria.

– Ah fala sério! Eu não vou ser a isca! – resmungou.

– Aria... – disse Emma.

Ao ver a expressão no rosto da amiga, a dor que ela sentia no peito foi mais forte.

– Tá! Eu tive uma ideia. Mas não vai ser nada simples e muito menos legal de se fazer. Precisaremos do Mad Hatter para podermos falar com o Coelho.

– O Coelho? Só pode estar brincando. – disse Hook.

– Tem outra ideia? – ela rebateu.

– Ah...

– Foi exatamente o que eu pensei!

Todos olharam de Hook para Aria, se perguntando como o pirata conhecia o Coelho. Por mais que os Charmings não concordassem em pedir ajuda a Jefferson, ele era o único que podia conseguir contatar o Coelho.

– Ok! Vamos! – Aria disse liderando.

– Espere, agora? – Cody perguntou.

– É. Agora. Duh! – disse Aria.

Todos estavam já na porta quando Emma levantou e disse:

– Eu vou com vocês!

– Sem chance! – disse David.

– Sou maior de idade e é o meu filho! – ela disse pegando a jaqueta vermelha, as chaves e fechando a porta.

– Será que eles vão conseguir? – disse Snow.

– Conhecendo a Aria como eu conheço, não vai sair coisa que preste, mas que vão conseguir, a vão. – disse Cody.

Graham ficou com raiva por ter ficado no apartamento. Alguém tinha que ficar por precaução, caso Henry chegasse. Emma, Hook, Aria e aquela coisa amarela que Emma chama de carro, foram até a famosa e única cabana na floresta da série toda. Aria fez a lareira acender.

– E? – Emma perguntou.

– Esperem aqui. Vou falar com o menino maluquinho. Pretendo não demorar muito, mas convencer Jefferson a ajudar... não vai ser fácil. – Aria disse nervosa. – Mas não quer dizer que vá ser impossível. – ela acrescentou antes que Emma lhe matasse com o olhar.

– Tá legal e qual é o plano? Por que David e Snow tiveram que ir pra prefeitura com August? – Hook perguntou.

– Medidas de contenção. É melhor a cidade estar preparada e avisada de que podem enfrentar a Evil Queen do que serem pegos de surpresa. O Coelho não é muito fã de cidades, quando Jefferson chamá-lo, é bem capaz que ele apareça aqui, por tanto... alguém tem que estar esperando.

– E quando o Coelho estiver aqui... o que ele fará, extamente? – Emma perguntou.

– Mandar algumas pessoas para outros mundos... e esperar que você não seja tão idiota quando eu pensei. – disse Aria disse distraída.

– Manda algumas pessoas para outros mundos? Explica isso direito!

– Manda Regina para o mundo dos mortos, Baelfire e Derek para o mundo que o Coelho achar melhor e pronto! Podemos viver felizes para sempre. – Aria disse friamente.

– Matar a Regina? Tá maluca?

– Não deixe o que o passado influencie no seu sentimento do presente. – Aria disse indo até a porta. – E Emma, eu vou usar seu carro, volto logo!

Ela disse saindo. Emma encarou Hook, a tensão era grande e o desejo estava quase beirando ao incontrolável. Depois de uma meia hora em um silêncio constrangedor, ele falou:

– Eu e meu irmão fomos criados pela minha mãe. Nunca chegamos realmente a conhecer meu pai. Meu irmão se lembrava dele, mas não gostava de falar do assunto. Crescemos como qualquer criança camponesa da Enchanted Forest e quando completamos idade o suficiente, entramos na marinha do nosso reino. – sua voz era vazia, perdida em memórias. – Éramos bons no que fazíamos. Muito bons. Mas um dia... fomos atacados por piratas. Barba Negra.

Emma o encarou, estava com o coração apertado por causa de Henry. Mas desejava ouvir aquela história há muito tempo.

– Ele e sua tripulação matavam todos os navios que encurralavam. Só deixavam um sobrevivente, que virava seu escravo. Durante anos eu servi a ele. E quando dei por mim, estava em Neverland roubando tesouro das fadas e lutando contra Pan. Eu nunca quis fazer aquilo, mas era isso ou minha vida. Após tentar fugir, ele me tirou a mão como lição. – encarou o ganho, os olhos vazios. – Numa das aventuras e maluquices que Barba Negra se meteu, eu conheci o Coelho. Ele foi quem me salvou. É meio louquinho, mas é legal.

Emma não conseguiu dizer nada. Na verdade, ela nem sabia o que falar.

– Isso foi dias antes da maldição... bem, ser lançada e você nascer. Então... Storybrooke, Maine. Médico, filantrópico, amado pela população... parece que Regina sabe mesmo como infernizar a vida das pessoas. – ele riu sarcasticamente. – Era tudo o que eu sempre quis pra minha vida: ajudar os outros. Fiz muitas coisas das quais eu me arrependo e que me corroem desde sempre. Mas não vou deixar que me controlem mais.

Emma permaneceu calada.

– Não se preocupe, você logo, logo terá seu filho de volta. – disse sério.

– Acha mesmo?

– Eu tenho certeza.

Mais alguns minutos de silêncio mortífero.

– Você não é um homem mal, Killian. E eu já achava isso muito antes de saber quem você realmente era.

Ele deu um sorriso sem graça, mas havia dor em seu olhar. Ela caminhou até o sofá, sentou ao lado dele e deu lhe um beijo leve. Em questão de minutos, o beijo leve havia se transformado em algo mais. Logo, eles estavam... se divertindo. Se é que vocês me entendem.