A Verdadeira Filha de Illéa
6 Mais Encontros
Notas iniciais
Pov Melody
Cinco dos selecionados saíram no mesmo dia.
Eu teria dispensado mais, só que seria considerada uma ação precipitada demais. Meus pais ficaram um pouco surpresos, mas não perguntaram nada.
E eu tinha três encontros com três selecionados diferentes no dia seguinte. Viva!
Pelo oque eu entendi das regras, eu poderia chamar qualquer um para um encontro a hora que eu quisesse. Eles também podiam me convidar, mas eu não era totalmente obrigada a aceitar.
Minhas criadas estavam super empolgadas com os encontros, elas já tinham até preparado os vestidos! Pelo jeito, as noticias corriam MESMO!
Como eu queria fugir dos meus pais, das criadas, dos selecionados, dos guardas, dos cozinheiros, da imprensa... resumindo, de todo mundo, me tranquei na minha biblioteca. Sim, tenho uma biblioteca. Pais normais costumavam comprar pras filhas bonecas. Os meus compravam a fábrica inteira.
Passei os resto do meu dia na companhia dos meus livros. Nem me preocupei com o jantar, mais tarde passaria na cozinha e faria um lanchinho.
Quando anoiteceu, decidi que já era hora de dormir. Fui para o meu quarto rápida e silenciosamente. E dormi feito uma pedra.
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Acordei bem depois do café da manhã. Mas não me importei, não estava mesmo com fome.
Não chamei minhas criadas, decidi me arrumar sozinha. Como minhas criadas sempre diziam que eu tinha que me acostumar a usar salto, pus um. Ele era horrível, as tiras machucavam os pés e parecia que a cada passo que dava, eu tinha uma séria chance de quebrar o tornozelo.
Pus um vestido de dia azul claro e amarrei o cabelo em um coque, com algumas mechas ondulando ao redor do meu rosto.
Desci as escadas agarrada ao corrimão como se minha vida dependesse dele. Quando cheguei no térreo, meus pés já estavam cheios de bolhas.
Havia um grupo de guardas no centro do salão.
–Alteza- cumprimentou o soldado Avery, que era o braço direito do capitão da guarda.
–Olá- disse sem jeito olhando para os guardas que faziam uma reverencia.
–O recrutamento- explicou vendo a confusão no meu rosto.
O recrutamento acontecia duas vezes por ano. Minha mãe dizia que antes os soldados eram recrutados aleatoriamente por sorteio, mas hoje era voluntário para jovens de 19 anos ou mais.
–Ah, claro, por acaso viu meus pais?- perguntei.
–Sim, Alteza, estão no jardim com os parentes da rainha.
–Oque? Porque ninguém me avisou?
–Achava que já sabia, Alteza.
Olhei para minhas roupas. Merda. No dia que eu decidia usar salto, meus parentes chegam, é isso mesmo?
Sem pensar duas vezes arranquei os saltos dos pés. Os novos recrutas me olhavam surpresos.
–Segura pra mim?- sem esperar a resposta, coloquei os saltos na mão de um soldado e comecei a correr na direção do jardim.
Chegando ao jardim, vi que realmente, a família da minha mãe estava lá. Minha mãe e tia May estavam conversando com alguns dos selecionados. Meu pai, tio Gerad e o marido da tia May estavam conversando com os outros. As crianças corriam soltas brincando de pega-pega.
Minha mãe sorriu e fez um gesto para que eu me aproximasse dela. O grupinho de selecionados da minha mãe era composto por quinze garotos. Se eu dissesse que sabia o nome deles, estaria mentindo. Tia May me abraçou, me enchendo de perguntas, a maioria sobre a Seleção, mas não me dei o trabalho de responder. Minha mãe sorriu como se dissesse "Ignore sua tia, ela é assim mesmo".
–Melody, como você cresceu!- disse ela me soltando e me avaliando da cabeça aos pés.
–É, acho que sim.
–Melody, você está descalça?- ela perguntou, incrédula.
–Saltos machucam- disse sorrindo amarelo para ela.
Minha mãe riu.
–Não sei porque ainda me surpreendo- disse minha tia olhando para minha mãe — ela é igualzinha você, America.
Eu e minha mãe rimos.
Minha mãe disse que meus tios iam passar alguns dias conosco e que depois de fazer minhas obrigações, oque incluía os encontros, eu poderia conversar com eles. Não gostei disso, mas não tinha escolha.
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Voltei para meu quarto e minhas criadas já estavam com o outro vestido nas mãos.
–Não dava para ser um vestido só para todos os encontros?- reclamei e elas riram.
–Se fosse assim, qual seria a graça?- perguntou Liane.
–A graça seria facilitar minha vida.
Eu tinha apenas três criadas. O correto de uma princesa normal é ter cinco. Só que eu não sou uma princesa normal.
–Ótimo, último encontro de hoje, lá vou eu.
Pov Thomas
–Oque acha? Verde ou azul?- perguntei segurando as duas gravatas na minha frente.
–A princesa parece gostar de azul- respondeu Will.
Will tinha virado meu melhor amigo na Seleção. Ele era simples, da casta Seis. De acordo com os outros selecionados, eu, um Três de nascimento, tinha que fazer amizade com os da minha própria casta e os Dois. Os Dois eram metidinhos, como Peter e Robert. Alguns Três eram até legais, como o Max.
Eu não me importava com casta, mas sim com o conteúdo da pessoa. A princesa, por exemplo, pensei que seria uma pessoa mimada e metida. Mas ela provou o contrario para todos no primeiro dia.
–Mas a verde não fica melhor?- perguntei me voltando para o espelho.
–Então coloque a verde.
–A azul combina mais comigo.
–Então coloque a azul.
–Mas...- não consegui terminar a frase. Will pulou da cama e tirou a gravata verde da minha mão.
–Azul- ele disse enquanto guardava a gravata verde em uma gaveta.
Assenti e ajeitei a gravata azul no pescoço.
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–Alteza- disse fazendo uma reverencia.
Ela sorriu.
–Me chame apenas de Melody- ela disse.
–Tudo bem, Melody- era bem estranho chamar a princesa pelo nome dela, confesso.
–E então, Thomas, oque planejou para hoje?- ela perguntou.
Sorri. Meus mordomos e eu já tínhamos cuidado de todos os detalhes.
–Pensei em irmos assistir um filme- disse orgulhoso de descobrir o cinema antes dos outros selecionados.
–Ah, tudo bem.
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Pov Melody
O encontro até que foi divertido. Assistimos comédia romântica, oque, na minha opinião, não podia ter sido mais obvio. O filme não foi muito bom mas Thomas era um cara legal, ele me fazia rir fazendo comentários tipo: "Calma, daqui a pouco essa chatice acaba", "Não sei porque chamam de comédia", "Esse cara é muito idiota".
Ele era loiro, tinha olhos azuis e usava óculos. Fazia o tipo nerd moderno e bonitinho.
Embora ele fosse legal e tudo mais, me senti aliviada quando troquei o vestido por calça, o saltinho por uma sapatilha e saí a procura da minha mãe.
O primeiro lugar para qual me dirigi foi o Salão das Mulheres. Minha mãe, tia May e algumas criadas estavam por ali.
–Conseguiu sobreviver aos encontros?- perguntou minha mãe sorrindo divertida.
–Foi uma tortura psicologíca. Mas, sim, sobrevivi. Obrigada pela sua preocupação apesar de que foi você que me obrigou.
–Melody foi você quem inventou essa história de Seleção- minha mãe rebateu.
Dei de ombros. Não queria começar a discutir agora. Meu pai costumava dizer que ficar entre nos duas quando estamos brigando é igual estar entre um vulcão e um furacão. Não se sabe qual é pior.
–Só que não achei que ia ser assim tão complicado- reclamei me jogando no enorme sofá.
–Acha ruim agora? Espere o grupo começar a diminuir.
–Foi tão ruim assim na Seleção do papai?
–Todas as garotas pareciam estar em guerra- ela falou com tanta sinceridade que tive que rir.
–Espero que ninguém se mate até o final disso.
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