A Vampira e o Tenor
1 Capítulo 1 - Encontro Improvável
Primeiro Semestre de 2013 – Tour We Are Love in America
—Jane, onde você está? – perguntava Nádia, nervosa do outro lado da linha.
—Fugindo, e você está me atrapalhando! – respondeu Jane, igualmente nervosa, se escondendo num canto escuro – Eu me meti em uma confusão com um clã de vampiros noturnos, e agora eles estão atrás de mim!
Nádia bufou do outro lado – O problema é que eu só tinha você a quem recorrer! Eu preciso da sua ajuda, Jane! Além do mais, você me deve!
—Argh! Eu já paguei a você centenas de vezes nesses 400 anos por ter me transformado e salvo da peste negra! Que mais você quer? – reclamou Jane, e então ouviu passos rápidos, que estariam a quilômetros, mas que graças à habilidade de super audição, ela sabia que os passos estavam atrás dela – Eu tenho que ir! Vou ficar em débito com você.
Antes que Nádia pudesse responder, Jane desligou o celular, e com ele na mão, voltou a correr o mais rápido que sua super velocidade vampiresca permitia. A vampira parou um instante para respirar, e reconhecer onde estava. Algum lugar do Brooklin, atrás de um hotel, onde tinha um enorme ônibus de banda parado, e algumas fãs que conversavam alto enquanto deviam esperar a tal banda.
Ao aguçar novamente sua audição, Jane pode perceber que os capangas de Christopher que corriam atrás dela estavam bem próximos, e se ela não arranjasse um lugar seguro para se esconder, provavelmente a pegariam e a levariam ao vampiro que ela menos queria ver naquele momento. Ao respirar fundo, sua garganta queimou ao sentir o aroma do sangue correndo com máxima adrenalina pelas veias das fãs eufóricas que ainda esperavam a banda, “Esse cheiro pode bem distraí-los”, pensou. Ao percorrer novamente os olhos pelo lugar, pode ver que a porta do ônibus acabara de ser aberta por alguém da produção. Sem nem pensar duas vezes, Jane correu e entrou no ônibus. Estava vazio, mas não por muito tempo, pois o volume da histeria das fãs aumentara quando provavelmente a banda, aliás, trio, chegara para cumprimentá-las.
—Que novos! Que patéticas essas velhas agindo dessa forma... – debochou Jane para ela mesma.
A vampira deu uma rápida olhada pelo ônibus, e fuçou alguns CDs e revistas com matérias do “Il Volo” que estavam em cima das mesas. Nunca tinha ouvido falar deles, mas bem que achou o de óculos uma graça. Rindo para si mesma, Jane pode ouvir alguns integrantes da banda se aproximando do ônibus, falando no italiano criado por Dante, tão diferente da Itália que ela viu se transformar por 400 anos. Olhando novamente, Jane decidiu se enfiar no primeiro buraco escuro que coubesse, e que não pudesse ser descoberta. Não soube quanto tempo ficou no buraco, conseguiu distinguir alguns outros passos, e mais vozes, mas acabou relaxando e pegando no sono ali mesmo.
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