A Valsa de Vênus

6 Capítulo 06


Dezesseis anos.

Os cordames do seu corpete estavam meio soltos, e de tempos em tempos Eliza lançava olhares de esguelha para os seus seios, parecendo apreciá-los com o mesmo olhar de encanto da primeira vez, como se ela não os tivesse tido nas mãos apenas alguns momentos atrás e não tivesse sido ela mesma a afrouxar o aperto do seu espartilho. Era agradável saber que exercia aquele tipo de fascinação sobre a outra; ao mesmo tempo em que, quando Eliza deslizava os dedos por sua face e a puxava para um beijo delicado, sabia que também estava perdida.

Naquele instante os lábios dela tinham gosto de amoras. As duas estavam escondidas no armazem de cereais, recostadas em uma manta estendida sobre sacas de trigos. Rozênia passou o braço em torno do corpo alheio para alcançar a cesta de frutas que tinham trazido, também levando um punhado de amoras à boca. Delicadamente, Eliza traçou um punhado de pintas que ela tinha sobre o ombro.

— Eu ainda lembro o quanto estava curiosa sobre você na primeira vez que nos vimos. Papai ficou furioso quando soube que minha ama não estava deixando que eu a encontrasse.

— Espero que não tenha se decepcionado muito quando finalmente me viu.

— Nunca! — ela disse, mas então riu. — Ok, um pouco, mas não com você. Esperava que as Filhas de Vênus fossem donzelas bonitas usando armaduras brilhantes, mas quando eu as vi chegarem ao Castelo pareciam apenas mulheres normais. — Era a primeira vez que contava isso à outra. Sempre achara que revelar essa decepcção poderia soar ofensivo, mas naquele instante havia intimidade o suficiente entre as duas para que esse tipo de segredo soasse supérfluo.

De fato, Rozênia também riu.

— As Filhas de Vênus dão pouco valor à donzelice, para sua sorte — ela disse em um tom de provocação, piscando um olho. — E se você acha que montar um cavalo é difícil, deveria saber com uma armadaura de metal a coisa é ainda mais complicada.

— Mas sua mãe carregava uma espada de verdade. Foi o suficiente, afinal.

— Imagino o que sua ama deve pensar das Filhas de Vênus... — Os anos de convivência pouco amigável com Brígida tinham instruído bem Rozênia nesse sentido. — Surpreende-me que você ainda tenha tido vontade de se aproximar.

— A opinião dela não é nada boa, certamente — Eliza anuiu com humor, puxando as frutas para si dessa vez.

— Acho que todos dariam razão a ela e concordariam que fui uma má influência se nos vissem agora.

Eliza bufou.

— Não seja prepotente. Mesmo se não fosse por você, creio que eu ainda acharia as curvas de Myranda muito bonitas.

— Myranda? — Rozênia arqueou uma sobrancelha.

— A filha da cozinheira chefe — Eliza esclareceu, sorrindo de lado.

— Ah! Acho que ficarei preocupada da próxima vez que você decidir surrupiar pães de mel! — disse, embora não houvesse ciúmes real em seu tom.

— E você? — Eliza questionou.

— Eu?

— Acha que as coisas seriam diferentes se não fosse por mim?

Era algo que Rozênia tinha considerado por algum tempo.

— Talvez — admitiu. — Acho os músculos do ajudante de ferreiro muito aceitáveis — falou, levando um tapa amigável de Eliza em seguida. — Mas ainda prefiro estar aqui, desse jeito, com você.

Foi o suficiente para fazer Eliza sorrir.

Rozênia deixou que ela acariciasse seu cabelo em gesto muito delicado, para então se aproximar e beijá-la. Quando a outra gemeu baixinho junto à sua boca, se permitiu inclinar-se sobre ela, arrastando os dedos por suas costas, apertando suas ancas e, por fim, puxando a barra do vestido que ela usava para cima. A pele clara de Eliza parecia suave como creme no momento em que ela deslizou os dedos por sua coxa.

Instantes depois, Rozênia não poderia distinguir muito mais do mundo para além de calor e doçura.