A VOLTA DO PIRATA DO ESPAÇO
2 As Asas Mortais.
Notas iniciais
SALA DE COMUNICAÇÕES — BASE DA ILHA AKANE
A sala de comunicações estava silenciosa. Em torno da mesa, estavam reunidos o Professor Tobishima, Joe, Rita e os integrantes da comitiva gailariana.
No centro da sala, o holograma do Professor Yan permanecia projetado sobre a plataforma de comunicação. A conversa já havia começado quando a imagem de Yan retomou a palavra.
YAN:
- Lamento que esse infortúnio esteja acontecendo. Ainda mais agora. E, sobretudo, com quem estamos lidando.
Tobishima apoiou as mãos sobre a mesa.
TOBISHIMA:
— Então me fale sobre esse "Grande Almirante". E que tipo de grupo ele comanda?
Yan permaneceu alguns segundos em silêncio antes de responder.
YAN:
- Gailar está situado em um imenso sistema solar, cercado por outros planetas habitáveis. Há muito tempo, formamos com eles uma federação de cooperação e defesa mútua. Embora todos nós desejemos viver em paz, aquele sistema também abriga diversas hordas de bandidos espaciais. Verdadeiros piratas.
Ele fez uma breve pausa.
YAN:
- Entre elas, uma das mais antigas e temidas é a Horda Merodak. E, até onde sei, é a única que se refere ao seu líder pelo título de "Grande Almirante".
TOBISHIMA:
- Antiga quanto, Professor Yan?
YAN:
- Séculos. Alguns dizem que quase um milênio.
A resposta provocou alguns olhares entre os presentes.
TOBISHIMA:
- E como uma horda desse sistema solar veio parar aqui? E, ainda por cima, trazendo para sua tripulação antigos seguidores de Geldon?
Yan respirou fundo.
YAN:
- Para entender isso, é melhor começarmos pela própria natureza da Horda Merodak.
TOBISHIMA:
- Prossiga, professor.
YAN:
- A Horda Merodak surgiu, como eu disse, há muitos séculos. É formada por indivíduos de diferentes planetas e diferentes origens, unidos em torno da figura de um líder supremo, cujo título é sempre o mesmo: Grande Almirante.
A imagem holográfica de Yan pareceu ganhar uma expressão mais grave.
- O primeiro deles chamava-se Merodak. Não sabemos de onde veio. Com o passar dos séculos, tornou-se quase uma figura lendária. Provavelmente era humanoide. O que sabemos é que conseguiu reunir seguidores em torno de uma filosofia extremamente perigosa.
TOBISHIMA:
- Que filosofia?
YAN:
- Para eles, o Universo pertence aos fortes. Liberdade e poder são prerrogativas daqueles que têm força suficiente para exercê-los.
Yan fez uma pequena pausa.
- A Horda não reconhece governos, impérios, federações ou qualquer outra forma de organização institucional. Para eles, leis e contratos sociais são instrumentos criados pelos fracos para limitar os fortes.
TOBISHIMA:
- Então eles são contra qualquer tipo de governo?
YAN:
- Exatamente. Não importa se é uma democracia ou uma ditadura. Para a Horda, ambas representam a mesma coisa: uma sociedade organizada sob regras que eles não aceitam. Quando chegam a um sistema, atacam suas estruturas, provocam o caos e exploram seus recursos até que nada mais lhes interesse. Depois partem em busca de outro lugar.
SÓLUS:
- É por isso que costumamos chamá-los de gafanhotos espaciais.
Joe, que até então permanecera calado, olhou para os demais e indago:
- Meu Deus... Então, mais uma vez, a Terra está ameaçada. E por um inimigo talvez ainda pior que Geldon?
Yan olhou diretamente para ele:
- Sim, Joe. E, por falar em Geldon, há algo que precisamos esclarecer. Segundo as informações de nosso patrulhamento espacial, o atual líder da Horda é um dissidente gailariano. Seu nome é Kletus.
Joe franziu a testa.
YAN prossegue:
- Ele foi capitão de nossas Forças Especiais. Mas não posso dar muitas informações sobre sua carreira. Grande parte dela aconteceu durante os anos em que eu e Rita permanecemos em hibernação dentro do Gelmus, no Ártico. O que sei vem dos relatos daqueles que conviveram com ele.
Yan voltou-se para Sólus:
- Creio que o Capitão Sólus possa explicar melhor.
Todos olharam para Sólus.
Ele demorou alguns segundos antes de começar:
- Kletus era capitão da elite da Guarda Espacial de Gailar. Sua função era patrulhar, com autorização e auxílio dos planetas aliados, as regiões onde havia atividade de naves criminosas.
Sólus manteve os olhos baixos por um instante e prossegue:
- Era corajoso. Astuto. Um excelente combatente, mas essas qualidades acabaram sendo ofuscadas por outras características. Kletus era sádico. E extremamente frio.
TOBISHIMA:
- Frio? Como um sociopata?
SÓLUS:
- Ele não costumava deixar prisioneiros vivos. Quando capturava alguém, raramente o entregava às autoridades. Se precisava de informações, recorria à tortura, e os relatos que chegaram até nós eram perturbadores. Mesmo quando um prisioneiro colaborava sem resistência, Kletus podia decidir matá-lo. E não havia necessidade militar que justificasse aquilo.
O silêncio na sala tornou-se mais pesado.
SÓLUS:
- Também colocava seus próprios homens em situações absurdamente perigosas. Mandava-os para missões praticamente suicidas e não tolerava insubordinação. Seus castigos eram tão cruéis que pareciam pertencer a uma época que a sociedade gailariana havia deixado para trás havia muito tempo.
Joe interrompeu:
- E como foi que ele acabou na Horda Merodak?
Sólus ergueu os olhos:
- Isso aconteceu durante uma missão que mudou a vida dele.
SÓLUS:
- Kletus comandava uma equipe de segurança em uma estação científica espacial quando a Horda atacou. A companhia de Kletus conseguiu resistir aos ataques tempo suficiente para que as equipes de resgate enviadas por Gailar retirassem todos os cientistas civis da estação. A força de defesa dela era pequena diante da tripulação da enorme nave que os piratas utilizavam naquela época. Eles a chamavam de "Milagroso Robô Deus Titã".
Joe reage:
- "Milagroso Robô Deus Titã"?
SÓLUS:
- Isso mesmo.
Joe e Rita trocaram um olhar.
Sólus prossegue:
- A resistência teve um preço alto. Muitos dos nossos morreram. Kletus também foi atingido gravemente, praticamente perdendo seu braço e pernas direitos, e o demos como morto.
Joe franze a testa:
- Mas ele não morreu.
SÓLUS:
- Não. A Horda o levou.
Rita observa Sólus atentamente e faz uma pergunta retórica:
- E eles salvaram a vida dele?
SÓLUS:
- Ao que tudo indica, sim. Kletus havia perdido o seu braço e pernas direitos, a horda os substituíram por próteses mecânicas. E assim o dissidente reapareceu ao lado daqueles que haviam atacado a estação que ele mesmo defendia. Provavelmente, o 'Grande Almirante" daquela época, deve ter acolhido Kletus, depois de ver sua ferocidade e frieza durante a batalha, e daí, o acolheu. Especialmente, fazendo o ex-capitão acreditar que Gailar o havia abandonado.
Uma pausa.
SÓLUS:
- E, naquele caso, não posso dizer que ele estivesse completamente errado.
RITA:
- Então, vocês realmente...
SÓLUS:
- Sim, Srta. Rita, nós realmente o deixamos para morrer, um erro imperdoável, teríamos resgatado aquele miserável se soubêssemos que se tornaria o que veio a ser.
Silêncio caiu por alguns instantes na sala, até ser quebrado por outra pergunta de Joe:
- E como os três pilotos gailarianos que nos atacaram entraram na horda e como a nave deles reapareceu também?
Desta feita é o Professor Yan quem toma a palavra:
- Golgo foi capturado depois de tentar invadir a base para sequestrar o Pirata do Espaço, e entregue à Justiça japonesa, como vocês bem sabem. Já Dan e Tigan foram capturados pelos próprios gailarianos, liderados por mim, que se rebelaram contra Geldon, na base do Ártico. Os três viajaram sob nossa custódia na mesma nave que levou eu e minha filha Rita de volta para Gailar.
JOE:
- E foram levados para uma prisão espacial?
YAN:
- Sim. Eles foram julgados em Gailar e permaneceram presos, e então, a Horda Merodak apareceu.
TOBISHIMA:
- Para libertá-los?
YAN:
- Para libertar prisioneiros em geral. A Horda costuma atacar prisões espaciais para arregimentar tripulantes.
Sólus permaneceu em silêncio por alguns segundos, até decidir acrescentar:
- Foi assim que Dan, Tigan e Golgo chegaram às mãos de Kletus, e então eles devem ter contado a ele tudo o que sabiam sobre Geldon.
YAN:
- É provável. E, se isso aconteceu, Kletus também descobriu que uma delegação científica de Gailar viria à Terra.
RITA:
- Principalmente depois que Gailar desenvolveu a viagem de dobra.
YAN:
- Exatamente.
Tobishima olhou para Sólus insiste em perguntar:
- Mas ainda não explica uma coisa. Como Kletus conseguiu reconstruir o robô-bomba pilotado por Dan?
SÓLUS:
— Dan provavelmente forneceu as informações necessárias para uma reconstrução. Já que segundo pudemos apurar na época, com declarações dos próprios prisioneiros, o robô-bomba 'Zambara' original fora destruído, enquanto estava estacionado para reparos, junto na base secreta avançada onde estava a tripulação do Navio Kurioshio Maru e onde Joe e Rita derrotaram o Marechal Dógus¹.
SÓLUS segue:
- Mas acredito que Kletus não tenha feito aquilo simplesmente para ajudar Dan a se vingar de vocês.
Rita ergueu os olhos.
RITA:
- Então por quê?
Sólus olhou para Joe e Rita.
- Para observar vocês.
Joe estreitou os olhos.
JOE:
- Observar?
SÓLUS:
- Kletus sabia que vocês estavam aqui. Sabia do que o Pirata do Espaço era capaz. E tinha acesso às informações deixadas pelos antigos inimigos de Gailar. Mas ele deve ter quisto ver o Pirata do Espaço em ação. Reconstruir aquela máquina exigiu recursos. Tempo. Informações. E ele não faria esse investimento sem uma razão.
RITA:
- Você acha que ele queria testar o Pirata do Espaço? Todo esse empreendimento apenas para nos observar?
JOE:
- Então Dan, Tigan e Golgo pensavam que estavam lutando por vingança...
SÓLUS completa:
-... enquanto Kletus observava o que vocês fariam.
A sala ficou silenciosa.
Joe abaixou os olhos por alguns segundos.
JOE:
- Ele usou os próprios homens como cobaias.
SÓLUS:
- É o que parece.
Rita voltou-se para Joe.
- E agora?
Antes que Joe pudesse responder, uma imagem surgiu no grande monitor da sala.
Era Yoshida.
- Desculpe por atrapalhar a reunião, mas, conforme combinei com Prof. Tobishima, vim trazer notícias das ações do Governo.
Todos se voltaram para a tela.
TOBISHIMA:
- Também estávamos esperando seu contato, conselheiro.
YOSHIDA:
- Dois dos pilotos conseguiram abandonar suas aeronaves antes da destruição, conforme havia informado. Estão vivos e bem. O Ministro da Defesa determinou que nenhum dos dois fale sobre o que aconteceu. Os operadores de radar receberam a mesma ordem. E ninguém que esteva presente nas comemorações percebeu que o Pirata do Espaço encerrou sua apresentação para interceptar um inimigo num embate acima do alto-mar. Tivemos tempo de levar o combate o suficiente longe da visão da platéia presente.
TOBISHIMA:
- Para evitar o pânico.
YOSHIDA:
- Exatamente. Precisamos de tempo. Tempo para descobrir quem está por trás disso, quais são seus objetivos e como pretende agir novamente. Mas isso é apenas uma medida temporária. Se houver outro ataque, talvez seja muito mais difícil esconder o que está acontecendo.
Rita cruzou os braços e pergunta:
- E quanto à comitiva de Gailar?
Yoshida ficou com um semblante mais preocupado.
— Esse é outro motivo para manter a situação sob controle. Se a população descobrir que os responsáveis pelo ataque teve gailarianos envolvidos, antes que possamos explicar o que realmente está acontecendo...
Ele deixou a frase incompleta, mas ninguém precisou perguntar o restante.
YOSHIDA:
- Não podemos permitir que o medo se transforme em hostilidade contra os gailarianos que estão aqui para cooperar conosco.
YAN:
- Então precisamos descobrir o que Kletus pretende antes que ele ataque novamente.
Joe olhou para Rita que sustentou seu olhar.
JOE:
- E, quando ele atacar...
Rita completou:
- ...estaremos preparados.
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BASE SUBMARINA MERODAKIANA, OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
Num recinto permanentemente mergulhado na escuridão, a única fonte de luz vinha de um grande monitor holográfico.
Kletus permanecia diante da projeção, observando repetidamente as imagens da batalha contra o Pirata do Espaço. As cenas haviam sido captadas e transmitidas pelo robô-bomba Zambara antes de sua destruição.
A gravação mostrava cada movimento de Joe e Rita.
Ao lado das imagens, gráficos registravam a intensidade dos raios disparados pelo Pirata do Espaço e a potência dos impactos recebidos pela nave.
Kletus observava tudo atentamente. Até que Karpernek entra no recinto:
-Grande Almirante, o senhor me chamou?
Kletus não desviou os olhos do monitor.
-Chamei-o, diretor.
Sua voz era fria, calma e calculista.
KLETUS:
- Primeiramente, para elogiar seu bom trabalho no sistema de captação de imagens e na análise dos golpes e impactos aplicados e recebidos pelo Pirata do Espaço. Em segundo lugar, para que esteja ciente de que tudo isso ainda não representa a totalidade do arsenal que o Pirata do Espaço tem a oferecer. Pelo menos, segundo os relatos de nossos "saudosos" pilotos da Era Geldon.
Karpenek esboçou um sorriso discreto.
KARPENEK:
- Obrigado, senhor. E em que posso ajudá-lo a obter mais informações sobre o Pirata do Espaço?
Kletus finalmente desviou os olhos da projeção.
KLETUS:
- Estava pensando num ataque mais incisivo. Um ataque com maiores chances de vitória.
Karpenek pareceu surpreso e perguntou.
- Como assim, meu almirante?
KLETUS:
- Quando recriei o Zambara, contava pouco com a vitória e muito mais com a coleta de informações. Ainda assim, esperava mais daqueles meus três conterrâneos — Kletus voltou a observar as imagens — Pensei que, acreditando realmente que poderiam vencer Joe e Rita, eles provocariam o uso de uma variedade maior de recursos por parte dos dois. Admito que me enganei.
KARPENEK:
- Alguma ideia, senhor? Um novo teste?
KLETUS:
- Sim e não. Desta vez, quero uma máquina com chances reais de vitória. Na pior das hipóteses, ela deverá obrigar Joe e Rita a utilizar tudo o que o Pirata do Espaço tem a nos oferecer. Pensei na 'Lepidoros' do Capitão Fethon.
Karpenek ouviu atentamente.
KLETUS:
- Vamos tentar matar o "Rei dos Céus". Ou, ao menos, deixá-lo nu.
Karpenek ficou olhando para o Grande Almirante, sem compreender inteiramente o significado da última frase. Kletus percebeu sua expressão.
KLETUS:
- É uma expressão da literatura deste planeta — Ele fez uma breve pausa prossegue — Você não se interessa em conhecer um pouco da cultura dos povos antes de exterminá-los, doutor-diretor?
Karpenek hesitou.
KARPENEK:
- Err... sim. Sim, Grande Almirante.
Kletus voltou-se novamente para o monitor.
KLETUS:
- Agora vá.
KARPENEK:
-Sim, Grande Almirante!
Tão logo, Karpenek deixou o recinto. O monitor voltou a exibir a batalha. Novamente, o Pirata do Espaço surgiu diante de Kletus que assistiu à sequência mais uma vez, numa concentração cada vez mais obsessiva.
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Alguns dias depois, na Base da Ilha Akane, embora a apreensão diante da possibilidade de um novo ataque fosse visível, todos tentavam seguir a vida normalmente.
Os gailarianos mantinham suas rotinas de pesquisa, dividindo seus afazeres entre as atividades na base, palestras em universidades, conferências on-line e até aulas de língua gailariana para o staff da base.
As aulas eram administradas por Thallus, que levava a nova responsabilidade a sério.
Para Sabu, porém, havia uma motivação adicional. Aprender algumas palavras de Gailariano parecia uma excelente maneira de impressionar Liriana.
Enquanto isso, o Professor Tobishima, Sólus, Joe e Rita continuavam investigando a origem dos ataques de Kletus.
Tobishima abriu um mapa sobre a mesa.
TOBISHIMA:
- Bem, eis aqui um mapa no qual marquei todos os registros da detecção do robô-bomba que nos atacou, conforme as informações que o próprio Yoshida me passou. Além disso, ele me passou informações sobre registros misteriosos de desaparecimentos de navios de pesquisa em determinado trecho do Oceano Glacial Antártico, ocorridos pouco antes da chegada da comitiva. Há suspeitas de que esses acontecimentos possam estar relacionados.
JOE:
- Então é possível mesmo que ali esteja situada a base dessa tal Horda Merodak?
RITA:
- Faz sentido. Kletus se esconder no outro polo da Terra seria um bom despistamento. Seria muito óbvio se ele fosse se refugiar no Ártico, tal como Geldon fez.
SÓLUS:
- Além do que, aquela região do polo norte é extremamente vigiada pelas forças das Nações Unidas e está cercada por interesses estratégicos das principais nações da Terra desde quanto o que restou do esconderijo de Geldon foi entregue ao governo Canadense que permitiu a supervisão da ONU.
JOE:
- Será então que Kletus tem estudado nossa geopolítica? Não parece exatamente o perfil de um grupo de desordeiros espaciais que costuma atacar e exaurir tudo o que encontra pela frente.
SÓLUS:
- A menos que estejam avaliando nosso sistema de defesa. Tocaia também faz parte das táticas da Horda Merodak, ainda mais que a fama do Pirata do Espaço já seja conhecida em Gailar e, consequentemente, nos outros planetas do nosso sistema solar.
TOBISHIMA:
— Hum... mas há algo que não está batendo. Vejam.
Tobishima apontou para o mapa.
TOBISHIMA:
- Esta é a rota que o robô-bomba que nos atacou traçou desde seu primeiro sinal captado pelos nossos radares até a área onde ocorreu o embate contra o Pirata do Espaço. Se traçarmos uma reta a partir do primeiro local de registro, seguindo no sentido oposto ao da nave... vamos ver...
Ele acompanhou a linha com o dedo.
TOBISHIMA:
— Ora, com base nisso, ela teria vindo do hemisfério sul do Oceano Pacífico. Passando muito, mas muito longe da Antártida.
RITA:
- Eu não descartaria ainda uma ligação. A Horda pode muito bem ter despistado seu trajeto.
Antes que Tobishima respondesse, um sinal sonoro interrompeu a conversa.Todos olharam para o terminal de comunicação, cuja tela se acendeu. Era um aviso do Ministério da Defesa.
A voz de Yoshida surgiu pelo sistema.
YOSHIDA:
- Professor Tobishima, acabo de receber um novo alerta. Nossos sistemas detectaram uma possível nave inimiga aproximando-se pelo nordeste do Oceano Pacífico.
Tobishima imediatamente se voltou para o terminal.
TOBISHIMA:
- Como? O senhor tem certeza de que ela vem dessa direção? E tem certeza de que se trata de uma nave inimiga?
YOSHIDA:
- Ainda não podemos afirmar com absoluta certeza. Mas os dados de que dispomos são compatíveis com uma nave de origem desconhecida e seu comportamento não corresponde ao tráfego habitual da região.
Joe olhou para o mapa.
JOE:
- Mas essa direção é bem diferente da do ataque anterior.
Rita também examinou a rota indicada.
RITA:
- Será que a Horda tem várias bases?
TOBISHIMA:
- Vamos analisar isso depois. Por agora, temos que interceptar essa possível nova ameaça antes que ela chegue perto de uma cidade e coloque a população em risco.
Ele se levantou.
TOBISHIMA:
- Joe... Rita... preparar o Pirata do Espaço!
JOE E RITA:
- Sim, senhor!
Joe e Rita atravessaram o corredor em direção ao cockpit, correndo como se cada segundo perdido pudesse custar a vida de alguém. O som dos passos misturava-se ao alarme da base, enquanto os homens da equipe de apoio os observavam em silêncio, tensos demais para dizer qualquer coisa.
Joe foi o primeiro a ocupar o assento. Rita acomodou-se logo ao lado.
Por um instante, os dois trocaram apenas um olhar, rápido, mas carregado de entendimento. Não havia necessidade de palavras. Ambos intuiam que aquela não seria uma missão comum.
A escotilha começou a se fechar sobre eles.
Dentro do cockpit, os painéis se acenderam em tons de azul e vermelho. Luzes e indicadores começaram a piscar diante de Joe, refletindo-se na viseira azul de seu capacete. Ele já vestia o traje de piloto, com o cachecol amarelo preso ao pescoço, e mantinha as mãos firmes sobre os controles.
Rita, ao lado, também estava pronta. O capacete rosa emoldurava seu rosto concentrado enquanto ela acompanhava os instrumentos.
Joe pressionou um botão vermelho.
— Acionar os motores!
O Groizer X despertou.
Primeiro veio o tremor, profundo e poderoso, fazendo todo o cockpit vibrar. Em seguida, o rugido dos motores tomou conta do túnel de lançamento.
Joe inclinou o corpo para a frente, os olhos fixos no caminho.
— Levantar voo!
A nave disparou pelo túnel.
Por alguns segundos, só existiram velocidade, ruído e luz. As paredes vermelhas pareciam se estreitar à medida que a aeronave avançava, enquanto as luzes embutidas passavam depressa pelas laterais, transformando-se em riscos luminosos.
Então o Groizer X rompeu a abertura da falésia e mergulhou brevemente na água, levantando uma cortina branca de espuma.
Rita segurou-se com força, mas não desviou o olhar.
Um instante depois, a aeronave tornou a subir, deixando a água para trás e cortando o céu azul.
O Groizer X inclinou-se para um lado e depois para o outro, respondendo aos comandos de Joe com a agilidade de sempre. A luz do sol escorreu sobre sua fuselagem enquanto ele completava as manobras e se afastava da Ilha Akane.
Lá embaixo, o mar e a base ficaram rapidamente para trás.
No cockpit, Joe respirava fundo, ainda concentrado nos controles. Rita permanecia firme ao seu lado, acompanhando a trajetória da nave.
O medo continuava presente. Talvez estivesse nos dois. Mas nenhum deles estava disposto a deixar que aquilo interferisse na missão.
O Pirata do Espaço seguia em direção à nova ameaça.
Minutos depois, o Pirata do Espaço já sobrevoava o Japão, seguindo em direção ao Oceano Pacífico. A possível nave inimiga ainda não estava muito distante, mas o encontro aconteceria quando eles ainda estivessem próximos do litoral.
Rita acompanhava os instrumentos à sua frente:
- Joe, estamos prestes a encontrar a nave. Mas ainda estamos perto do litoral.
Joe olhou rapidamente para os instrumentos de navegação:
- Então vamos nos desviar um pouco da rota e adiar a interceptação. Se for mesmo uma nave inimiga, ela vai nos seguir. Assim, podemos levá-la para onde quisermos.
Joe alterou a trajetória do Pirata do Espaço, fazendo com que aeronave se afastar da rota original, avançando sobre o Pacífico. Durante alguns minutos, nada aconteceu. Então, alguns sinais surgiram na tela.
Rita continuava acompanhando o radar. Ela estreitou os olhos e percebeu:
- Joe, você tinha razão. A nave está mesmo nos seguindo.
Joe observou o radar.
- Então deve ser mesmo um robô-bomba. Vamos levá-lo para mais longe e...
KRAAAM!!!!
Um baque violento atingiu o Pirata do Espaço, fazendo-o estremecer de uma ponta à outra.
Joe e Rita foram empurrados contra os assentos enquanto os instrumentos do cockpit começaram a piscar.
Rita segurou-se nos controles:
- O que foi isso?!
Joe tentou estabilizar a aeronave:
- Fomos atingidos!
A uma distância considerável, o robô-bomba permanecia em sua trajetória. Ele havia disparado um poderoso raio contra o Pirata do Espaço.
Rita segurou-se nos controles.
O que foi isso?!
Joe tentou estabilizar a aeronave.
Fomos atingidos!
A uma distância considerável, a suposta nave inimiga continuava avançando pelo céu. Agora, porém, sua aparência podia ser vista com clareza.
Na configuração de voo, a máquina assumia a forma de uma gigantesca mariposa mecânica.
Suas quatro asas metálicas tinham um formato irregular e aerodinâmico. Placas sobrepostas cobriam suas superfícies, lembrando as escamas das asas de um inseto. A estrutura era predominantemente escura, marcada por áreas vermelhas e alaranjadas e por grandes desenhos circulares que lembravam os olhos de uma mariposa.
O corpo central era estreito e alongado, protegido por uma carapaça blindada. Na extremidade dianteira, a cabeça permanecia parcialmente recolhida durante o voo. Dois sensores luminosos vermelhos destacavam-se na escuridão, funcionando como olhos e permitindo que a máquina operasse mesmo em condições de baixa visibilidade.
As asas não serviam apenas para sustentação. Sistemas de propulsão estavam incorporados à própria estrutura e podiam alterar sua geometria durante manobras de alta velocidade.
Vista de longe, sua silhueta poderia ser confundida com a de uma criatura gigantesca atravessando o céu.
Mas aquilo não era uma criatura.
Era uma máquina construída para parecer viva.E era justamente essa aparência que fazia parte do projeto da Horda Merodak.
Dentro do cockpit, Joe ainda tentava estabilizar o Pirata do Espaço. Rita voltou os olhos para o radar.
- Ela está se aproximando novamente.
Joe olhou para a imagem que começava a surgir no monitor.
- Então vamos descobrir o que essa coisa realmente quer.
No monitor, surgiu a imagem do piloto da nave inimiga.
Era um alienígena de pele verde e escamosa, com aparência semelhante à de um grande lagarto. Seus olhos, assustadoramente brancos, destacavam-se no rosto enquanto ele encarava Joe e Rita com uma expressão de absoluta confiança.
FETHON:
- Então vocês são Joe e Rita. E essa nave é o tal Pirata do Espaço? Disseram que era uma nave avançada em sua época, mas vejo que não passa de um trambolho aéreo.
Joe estreitou os olhos.
JOE:
- Quem é você? E o que quer?
O alienígena abriu um sorriso arrogante.
FETHON:
— Sou o Capitão Fethon, do planeta Bitis. Devoto seguidor do Grande Almirante Kletus. Guardem bem esse nome para poderem explicá-lo aos fantasmas do submundo quando perguntarem quem os enviou para lá!
Joe não demonstrou qualquer reação.
JOE:
- Ah, é mesmo? Pois é você quem vai para lá, dizendo o meu nome.
Joe levou a mão ao controle.
JOE:
- LANÇAR SÔNICO!
Um poderoso disparo saiu pelo nariz do Pirata do Espaço e atravessou o céu em direção ao robô-bomba.
Fethon reagiu imediatamente.
Com uma manobra precisa, o robô-bomba desviou do ataque no último instante. Em seguida, inclinou-se bruscamente e mergulhou por baixo do Pirata do Espaço.
KRAAANG!
O impacto atingiu a parte inferior da aeronave.
Joe e Rita foram lançados contra os assentos. Joe agarrou os controles e lutou para recuperar a estabilidade enquanto o Pirata do Espaço balançava violentamente no ar.
RITA:
- Joe!
- Estou controlando!
Joe conseguiu nivelar a aeronave.
Sem perder tempo, acionou as armas de defesa.
JOE:
- METRALHADORA PIRATA!
Uma sequência de rajadas foi disparada contra o robô-bomba.
Fethon, porém, já havia antecipado o movimento.
A máquina realizou uma rápida mudança de direção. As rajadas passaram ao lado de sua estrutura e desapareceram no céu.
A voz de Fethon voltou a surgir pelo comunicador.
FETHON:
- Vamos, Joe! Vamos, Rita! Mostrem-me o que realmente sabem!
Joe olhou para o monitor, incrédulo.
JOE:
- Não acredito que ele conseguiu fazer essas manobras.
Rita acompanhava atentamente os movimentos da máquina.
RITA:
- Cuidado, Joe. Fethon parece ser realmente perigoso.
Joe apertou os controles.
JOE:
- Então vou mostrar a ele mais do que sei.
O Pirata do Espaço acelerou.
Joe colocou a aeronave em perseguição ao robô-bomba, procurando uma abertura na defesa adversária. Fethon mantinha distância, mudando constantemente sua trajetória.
Joe não economizou recursos táticos.
JOE:
- ARCO-ÍRIS PIRATA! FOGO!!!!!
O poderoso raio saiu pela abertura frontal do Pirata do Espaço e avançou pelo céu.
Fethon esperou até o último instante.
- Então, o robô-bomba girou violentamente sobre o próprio eixo e escapou da trajetória do raio.
O disparo passou ao lado da máquina e se perdeu no horizonte.
Joe bateu a mão no controle.
- Droga! Isso está começando a me irritar!
Rita manteve os olhos fixos no robô-bomba.
RITA:
- Acalme-se, Joe. É exatamente isso que Fethon deve estar querendo.
Como se tivesse ouvido a advertência, Fethon iniciou uma nova manobra.
O robô-bomba elevou rapidamente sua altitude e, de repente, executou um looping completo. Ao terminar a acrobacia, surgiu atrás do Pirata do Espaço, ligeiramente acima da aeronave.
Joe percebeu o movimento.
- Ele está atrás de nós!
Fethon aumentou a velocidade.
O robô-bomba aproximou-se até praticamente ficar sobre o Pirata do Espaço. Então, um compartimento se abriu na parte inferior de sua estrutura.
De dentro dele, começaram a cair milhares de pequenos objetos ovóides.
Por alguns instantes, pareciam apenas sondas lançadas no ar.
Mas não eram.
Os objetos espalharam-se sobre o dorso do Pirata do Espaço e aderiram à fuselagem, cobrindo uma grande parte da superfície da aeronave.
Rita arregalou os olhos.
RITA:
- O que são essas coisas?!
Joe tentou mudar a trajetória.
- Não sei! Mas tenho que tentar me desvincilhar...!
Antes que pudessem fazer qualquer coisa, os pequenos dispositivos começaram a emitir sinais luminosos.
E então explodiram.
BOOOOOM!
Uma sequência de explosões percorreu o dorso do Pirata do Espaço, quase simultaneamente.
A aeronave sacudiu violentamente.
Joe e Rita foram novamente pressionados contra seus assentos. Alarmes começaram a soar no cockpit, enquanto alguns dos painéis piscavam freneticamente.
Joe lutava para manter o controle da aeronave.
- Segure-se, Rita!
Rita agarrou os controles laterais.
Focos de incêndio começaram a surgir em diferentes pontos da fuselagem.
Joe percebeu as chamas pelos indicadores.
Ele acionou imediatamente o sistema de combate a incêndios.
Uma descarga do sistema percorreu as áreas atingidas, sufocando as chamas antes que pudessem se espalhar.
Mesmo assim, os danos já eram evidentes.
A voz de Fethon surgiu pelo comunicador, acompanhada por uma gargalhada.
FETHON:
- VAMOS LÁ, PIRATA DO ESPAÇO! EU ESTOU SÓ COMEÇANDO!
Joe cerrou os dentes.
Rita voltou-se para ele.
RITA:
- Joe, precisamos manter a calma. Ele está tentando nos fazer gastar nossos recursos.
Joe respirou fundo.
- Então vamos ver se ele consegue desviar de tudo.
O Pirata do Espaço recuperou velocidade.
Joe colocou a aeronave em uma trajetória de ataque.
JOE:
- BOLA DE FOGO!
Uma esfera incandescente foi disparada contra o robô-bomba.
Fethon não hesitou.
A Mariposa inclinou-se para a esquerda, passou por baixo do ataque e voltou a subir imediatamente, fazendo a Bola de Fogo explodir atrás dela.
Joe corrigiu a trajetória.
JOE:
- MÍSSEIS PIRATAS!
Os compartimentos de armamento do Pirata do Espaço se abriram.
Uma série de mísseis foi lançada em rápida sucessão, convergindo sobre o robô-bomba.
Fethon realizou uma sequência de curvas bruscas.
Um míssil passou por baixo.
Outro cruzou à frente.
Os demais foram sendo deixados para trás até que suas explosões iluminaram o céu sem atingir o alvo.
Rita acompanhava a movimentação pelo radar.
- Ele está antecipando nossos ataques.
Joe não respondeu.
Seus olhos estavam fixos na máquina inimiga.
JOE:
- Então vamos tentar outra coisa.
Joe acionou um novo comando.
JOE:
- BUMERANGUE PIRATA!
Do alto da cabeça do Pirata do Espaço, entre as duas antenas, dois discos em forma de meia-lua foram lançados.
Os bumerangues giraram em alta velocidade e avançaram em direções diferentes, fechando o espaço ao redor da Mariposa.
Fethon percebeu a armadilha.
O robô-bomba inclinou-se quase verticalmente, passando por uma pequena abertura entre os dois discos. Um deles passou raspando pela lateral da máquina, enquanto o outro desviou e desapareceu no céu.
Os dois bumerangues completaram sua trajetória e retornaram ao Pirata do Espaço.
Joe ficou surpreso.
Rita manteve os olhos no inimigo.
- Ele está esperando nossos ataques.
A Mariposa então mudou de direção.
Em vez de fugir, Fethon avançou.
Joe mal teve tempo de reagir.
O robô-bomba passou ao lado do Pirata do Espaço e uma de suas enormes asas metálicas raspou violentamente a fuselagem.
SKRRAAAASH!
O impacto arrancou placas da blindagem externa.
Joe perdeu momentaneamente o controle.
- Agh!
Rita segurou-se no assento.
- Joe!
Fethon fez outra curva e voltou para um segundo ataque.
Dessa vez, a outra asa metálica atingiu a parte lateral do Pirata do Espaço.
KRAAASH!
A estrutura inteira estremeceu.
Joe lutou para manter a aeronave nivelada.
- Esse sujeito está louco!
Rita olhou para os instrumentos.
- Não, Joe. Ele sabe exatamente o que está fazendo.
A Mariposa passou novamente por eles, suas asas metálicas quase tocando a fuselagem do Pirata do Espaço.
Por pouco, o golpe não atingiu uma área vital.
Joe puxou os controles com força e conseguiu afastar a aeronave.
Mas, pela primeira vez desde o início daquele combate, os dois perceberam que estavam diante de um adversário capaz de enfrentar o Pirata do Espaço com habilidade de pilotagem.
RITA:
- Joe, Fethon desapareceu. Não consigo localizá-lo nos radares.
Joe manteve os olhos nos instrumentos.
JOE:
- Vamos ficar de olho. Quero ver o que esse maníaco está tramando.
Durante alguns instantes, o Pirata do Espaço continuou navegando pelo céu, enquanto Joe e Rita vasculhavam o espaço ao redor à procura de qualquer sinal do robô-bomba.
Nada.
Nenhum contato aparecia nos radares.
O silêncio começava a ficar incômodo.
Joe continuava atento aos instrumentos.
JOE:
- Esse maldito está brincando conosco...
RITA:
- JOE, CUIDADO!
Joe virou-se imediatamente.
RITA:
- ELE ESTÁ ATRÁS DE NÓS!
A voz de Fethon surgiu pelo comunicador, acompanhada de uma gargalhada.
FETHON:
- Que tal mais uma sequência explosiva com minhas sondas de destruição?
O compartimento inferior da Mariposa começou a se abrir.
Mas, antes que Fethon pudesse lançar as sondas, Joe reagiu.
JOE:
- MÍSSIL FINAL!
Mesmo sem virar a aeronave, Joe acionou o armamento.
Um míssil foi lançado pelo Pirata do Espaço em direção ao inimigo que vinha por trás.
Fethon não esperava aquele ataque.
BOOOOM!
O míssil atingiu a Mariposa em cheio.
A explosão envolveu o robô-bomba e arrancou parte de sua blindagem. A máquina perdeu altitude por alguns instantes antes de conseguir recuperar o controle.
FETHON:
- Maldito terráqueo! Ele me antecipou!
Joe aproveitou a abertura.
JOE:
- Agora é a nossa vez! MÍSSEIS PIRATAS, FOGO!
Os compartimentos de armamento do Pirata do Espaço se abriram.
Uma sucessão de mísseis foi lançada contra a Mariposa.
Fethon tentou escapar, mas estava atordoado pelo ataque anterior. As explosões começaram a atingir a máquina uma após outra.
BOOM! BOOM! BOOM!
A Mariposa cambaleou no ar.
Fethon rangeu os dentes e iniciou uma manobra de evasão, tentando afastar-se da sequência de disparos e encontrar uma posição para contra-atacar.
Então, uma imagem surgiu no monitor do cockpit.
Era Karpenek.
O Diretor parecia acompanhar o combate diretamente de sua base.
KARPENEK:
— Fethon... Sč-sienʔ-V-lhân R-sienʔ Kâ! (Fethon, retorne para a base imediatamente!)
Fethon olhou para o monitor.
FETHON:
—( Zn-mž Karpenek... Mbþâx-Pþâss My-lhân D-tâss L-tâk Ø! Mas, Diretor Karpenek, eu posso virar o jogo!)
Karpenek perdeu a paciência.
KARPENEK:
— Pþlen-tûs-Pr-fêiʔ! Groizer-X S-sienʔ D-tâss N-fâ Râ! Sč-sienʔ-V-lhân R-sienʔ Kâ! (Seu idiota arrogante! Você subestimou o Pirata do Espaço! Volte para a base agora!)
Fethon ainda tentou protestar.
KARPENEK:
— Ja-krol M-êlañ X-sienʔ Ø! (A ordem é do Grande Almirante!)
Fethon ficou em silêncio.
Por alguns segundos, parecia disposto a ignorar a ordem. Então, finalmente, mudou a trajetória da Mariposa.
Antes de desaparecer, acionou um dispositivo.
Uma imensa cortina de fumaça foi lançada atrás do robô-bomba, cobrindo rapidamente uma grande área do céu.
Joe tentou localizar a máquina através dos instrumentos.
Nada.
A Mariposa havia desaparecido novamente.
A voz de Fethon surgiu uma última vez pelo comunicador, distorcida pela distância.
FETHON:
— Pþlen-D-sâñkʼ!O-tâ-Pþâss L-tâk Râ! O-tâ! My-lhân R-sienʔ Kâ! Mbþâx-V-lhân-Z-lhân. O-tâ-Pþâss My-lhân Mbþâx Kâ! (Vocês dois tiveram sorte! Mas eu voltarei! E, da próxima vez, enviarei vocês para o inferno!)
A transmissão foi interrompida.
Joe permaneceu olhando para o ponto onde a Mariposa havia desaparecido.
Rita observava os instrumentos.
O combate havia terminado.
Mas nenhum dos dois tinha a impressão de que aquela era a última vez que ouviriam falar do Capitão Fethon.
_____________________________________
BASE DA HORDA MERODAK
Na base da Horda Merodak, o Capitão Fethon permanecia diante do Doutor Diretor Científico Karpenek.
O cientista não escondia a irritação.
KARPENEK:
- Bitis-Z-lhân Pr-fêiʔ! Mbþâx-Pþâss O-tâ L-tâk Râ! Gailaria-Ž-eñi Mž-râs-Z-lhân-Pþâss Mbþâx-Pþâss O-tâ-My-lhân D-tâss R-sienʔ D-tâss N-fâ Râ? (Seu bitiano incompetente! Você estava com o domínio da situação. Como deixou que aquela gailariana e aquele terráqueo virassem o jogo?)
Fethon abaixou ligeiramente a cabeça, ainda contrariado com o resultado da batalha.
FETHON:
- Pþlen-D-sâñkʼ Zn-mž Karpenek. Pþlen-D-sâñkʼ Pþlen-tûs Ø! Pþâss-Sč-sienʔ My-lhân O-tâ-D-tâss Kâ. O-tâ-Pþâss My-lhân Mbþâx Kâ! (Foi sorte, senhor Diretor. Apenas sorte. Mas me dê mais uma chance e eu liquidarei de vez aqueles dois).
Karpenek o encarou por alguns segundos.
KARPENEK:
- Ja-krol Kletus Sč-âñkʼ-K-lâk D-sâñkʼ L-tâk Râ. O-tâ-S-sienʔ D-tâss O-tâ Pþlen-D-sâñkʼ L-tâk Ø! (Sua sorte é que o Grande Almirante Kletus estava de bom humor e achou melhor intervir).
Fethon levantou os olhos.
KARPENEK:
- Pþâss-Sč-sienʔ O-tâ L-tâk Kâ. Pþâss-Þmâñ Lepidoros-Ž-sâñkʼ Sč-âñkʼ My-lhân X-sienʔ Kâ. Groizer-X S-sienʔ My-lhân Mž-râs Pþâss O-tâ My-lhân R-sienʔ Kâ. (Você terá sua segunda chance. Mas, antes, vamos analisar todas as movimentações e ataques registrados pelo robô-bomba Lepidoros. Depois de estudarmos cada movimento do Pirata do Espaço, enviaremos você novamente).
FETHON:
- M-êlañ Pþlen-V-lâñ Zn-mž Karpenek.
(Muito obrigado, senhor Diretor).
Karpenek virou-se para os equipamentos de análise.
- Pþlen-V-lâñ D-tâss N-fâ. Pþlen-tûs X-sienʔ Pþâss-D-sâñkʼ Kâ.
(Não me agradeça. Apenas cumpra sua missão com competência).
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BASE DA ILHA AKANE
Na base da Ilha Akane, o Engenheiro Bidkon examinava as avarias sofridas pelo Pirata do Espaço. Técnicos trabalhavam ao redor da aeronave enquanto ele avaliava os pontos mais danificados.
BIDKON:
- É, pois é, o ataque foi pesado, mas pode ser reparado. Trouxe equipamentos para avaliar melhor os danos e reparar o 'Siliconium Milagroso'². Só sugiro que tomem mais cuidado num novo ataque.
Joe observava a fuselagem danificada.
JOE:
- Eu devia ter acionado o campo de força. Mas estava tão focado em pegar aquele miserável que nem pensei em acioná-lo.
BIDKON:
- Não sei se teria adiantado muita coisa. A barreira de táquions do campo de força consegue aguentar as explosões daquelas sondas explosivas. Mas um ataque com lâminas gigantes é outra história.
Bidkon apontou para uma das partes atingidas.
BIDKON:
- Além do mais, não recomendo manter a barreira de força ligada durante toda a batalha. Isso pode sobrecarregar o sistema de distribuição de energia da nave.
JOE:
- Isso eu já sabia. Assim como sei que posso derrotá-lo. Só preciso ser menos impulsivo.
Joe fechou a mão, irritado.
JOE:
- Droga, parece até que agi como um iniciante.
Rita aproximou-se dele.
RITA:
- Joe, graças à sua experiência, nós sobrevivemos a esse ataque e também conseguimos feri-lo. Se Fethon voltar com a mesma arrogância e nós contra-atacarmos sem cair nas provocações dele, podemos vencê-lo...
Joe olhou para ela, ainda irritado, a interrompeu.
JOE:
- Rita, você não precisa falar o que eu já sei!
Sem dizer mais nada, Joe saiu do ambiente, contendo a raiva.
Ippei, Sabu e Gen também haviam presenciado a discussão.
GEN:
- Puxa, o Joe, quando se irrita, fica sempre assim. Parece que não mudou muita coisa.
IPPEI:
- Pensei que, depois de dez anos, ele ficaria mais sereno.
SABU:
- E ele foi até indelicado com a Rita.
Rita, cuja audição gailariana era muito mais aguçada que a dos terráqueos, ouviu perfeitamente o comentário de Sabu. Ela sorriu discretamente.
RITA:
- Mas, sendo o mesmo Joe de sempre, tenho certeza de que ele vai dar um jeito. Eu ainda acredito que ele tenha capacidade de se adaptar.
Rita fez uma pequena pausa e olhou na direção por onde Joe havia saído.
RITA:
- Meu Joe sempre dá um jeito. É só ter paciência.
O tom de voz de Rita fez alguns dos presentes trocarem olhares discreto
_______________________
SALA DE COMUNICAÇÕES. BASE DA ILHA AKANE
No centro da grande sala, um mapa eletrônico ocupava boa parte da mesa de análise. Sobre ele, pontos luminosos indicavam as trajetórias registradas dos dois robôs-bomba.
Tobishima, Sólus e Yoshida acompanhavam os dados no visor. Ao lado deles, o holograma do Professor Yan observava atentamente as informações.
Tobishima ampliou o mapa e fez surgir as duas rotas.
TOBISHIMA:
- O primeiro ataque veio do sudeste do Pacífico. O segundo, pelo nordeste.
Ele ampliou outra região do mapa.
TOBISHIMA:
- Já os desaparecimentos das embarcações de pesquisa, se realmente tiverem alguma relação com a Horda, ocorreram no Oceano Antártico.
Sólus observava os pontos luminosos em silêncio.
Tobishima cruzou os braços.
TOBISHIMA:
- Se eu tivesse de apostar minhas fichas, diria que a base da Horda está no polo sul. Os dois robôs-bomba podem ter usado desvios de rota justamente para nos despistar.
Ele voltou-se para o visor onde aparecia Yoshida.
TOBISHIMA:
- Conselheiro Yoshida, nas investigações realizadas pelo Ministério da Defesa do Japão, em colaboração com outros países, foi registrado algum avistamento dessas naves antes de serem detectadas pelos nossos radares?
YOSHIDA:
- Até agora, nenhum.
Yoshida consultou alguns documentos antes de prosseguir.
YOSHIDA:
- Nossas investigações não encontraram relatos confiáveis de avistamentos. Nem mesmo tripulantes ou passageiros de aviões comerciais e navios relataram ter visto essas máquinas. Isso me leva a acreditar que o novo inimigo está evitando, a todo custo, qualquer observação que permita cruzar informações e chegar a uma pista sobre a localização da base.
SÓLUS:
- Isso seria coerente com os métodos da Horda.
Todos olharam para ele.
SÓLUS:
- Segundo os registros de nossos aliados interplanetários, a Horda raramente realiza ataques de tocaia. Só costuma recorrer a esse tipo de estratégia quando considera que o planeta possui um sistema de defesa suficientemente forte para representar uma ameaça.
Sólus voltou os olhos para o mapa.
SÓLUS:
- No caso da Terra, esse sistema de defesa tem um nome: Pirata do Espaço.
Uma breve pausa.
SÓLUS:
- Se não fosse por Joe e Rita, provavelmente já teriam lançado seus robôs-bomba diretamente contra os centros populacionais e provocado o caos.
YAN:
- Felizmente, essa discrição ainda está nos ajudando a evitar o pânico.
A expressão de Yan tornou-se mais séria.
YAN:
- Mas creio que todos aqui já entendemos que isso é temporário. Cedo ou tarde, a Horda vai atacar às claras.
Ele fez uma pausa.
YAN:
- E, quando isso acontecer, não estará em jogo apenas a segurança da população.
Yan pareceu preocupado.
- Um ataque dessa natureza poderá desencadear sentimentos xenofóbicos contra qualquer indivíduo vindo de fora. E, fatalmente, a comitiva de Gailar poderá ser associada ao inimigo.
Tobishima voltou a olhar para o mapa.
TOBISHIMA:
- Então precisamos agir com rapidez e cautela.
Ele apontou para as duas trajetórias.
TOBISHIMA:
- O problema é que esses dados continuam sem nos dar uma resposta clara.
Tobishima estreitou os olhos.
TOBISHIMA:
- Quanto mais analisamos essas rotas, mais parece que Kletus está brincando conosco.
SÓLUS:
- Eu diria que ele definitivamente está.
Sólus fez uma breve pausa.
SÓLUS:
- Como um gato brinca com a presa antes de se alimentar dela.
O comentário deixou a sala em silêncio por um instante.
YAN:
- Que péssimo momento para minha filha retornar à Terra...
Tobishima olhou para o holograma.
TOBISHIMA:
- Acalme-se, Professor Yan. Sei que o momento é preocupante, mas não podemos perder as esperanças. Lidamos com Geldon e agora vamos lidar com Kletus.
Nesse momento, a porta da sala se abriu.
Thallus entrou carregando seu dispositivo de comunicação.
THALLUS:
- Com vossa permissão, senhores.
Todos se voltaram para ele.
THALLUS:
- Trago alguns registros que captei durante minhas pesquisas na rede mundial da Terra, utilizando o sistema de informática gailariano integrado.
YAN:
- E o que você encontrou, Thallus?
Thallus aproximou-se da mesa e ativou o dispositivo.
Uma pequena tela holográfica surgiu diante dele, exibindo uma série de registros, comentários e relatos.
THALLUS:
- Parece que...
Ele examinou os dados por alguns segundos.
THALLUS:
- Deixai-me verificar.
Thallus passou os dedos pela tela holográfica.
THALLUS:
- Algumas pessoas já estão comentando que viram o Pirata do Espaço lutando contra robôs-bomba. Provavelmente são relatos de embarcações pesqueiras, além de observações feitas por operadores de radares amadores.
Tobishima olhou para Yoshida.
TOBISHIMA:
- Então existem relatos.
YOSHIDA:
- Relatos não confirmados. Foi isso que eu quis dizer quando falei que não havia registros de avistamentos. Até agora, nenhuma autoridade recebeu uma informação que pudesse ser oficialmente confirmada.
Tobishima permaneceu alguns segundos olhando para a tela.
TOBISHIMA:
- A população sempre acaba sabendo. Não importa o quanto um governo tente esconder alguma coisa. Não é preciso que todos tenham visto. Basta que alguém tenha visto.
Thallus continuou percorrendo os registros.
THALLUS:
- E parece que algumas dessas pessoas decidiram contar o que viram.
Thallus hesitou antes de continuar.
- E há mais uma coisa.
Todos olharam para ele.
THALLUS:
- O que mais temíamos já começou a acontecer.
O ambiente ficou silencioso.
THALLUS:
- Comentários xenofóbicos contra os gailarianos e manifestações de desprestígio contra a comitiva começaram a aparecer aqui e ali.
Yan ficou sério.
THALLUS:
- Por enquanto, tudo isso está sendo tratado como, usando um termo dos terráqueos, 'teoria conspiratória'. Mas os comentários estão se espalhando.
Ninguém respondeu imediatamente.
Tobishima olhou para Yoshida.
TOBISHIMA:
- Conselheiro Yoshida, acho que a verdade precisa ser revelada.
Yoshida permaneceu em silêncio.
TOBISHIMA:
- Quanto mais cedo a população for informada, mesmo que isso antecipe algumas reações desagradáveis, ainda teremos a nosso favor o fato de que o governo foi sincero com ela.
Tobishima apontou para os registros na tela.
- Se essas informações forem descobertas da pior maneira possível, o escândalo será muito mais difícil de controlar.
Yoshida respirou fundo.
YOSHIDA:
- Professor Tobishima, eu entendo e compartilho da sua preocupação.
Ele olhou para os demais.
YOSHIDA:
- Mas essa decisão não depende de mim.
Uma pausa.
YOSHIDA:
- Se o Governo entender que tudo deve continuar sendo abafado até onde for possível, eu terei de cumprir essa determinação.
Yoshida baixou os olhos.
YOSHIDA:
- Sinceramente, lamento.
A sala voltou ao silêncio.
No centro da mesa, os pontos luminosos continuavam mostrando as rotas dos dois robôs-bomba.
Nenhum deles revelava de onde haviam vindo.
Tobishima voltou a atenção para o mapa eletrônico. Os registros das trajetórias dos dois robôs-bomba continuavam projetados sobre a mesa.
TOBISHIMA:
- Bem, vamos nos concentrar nesse novo robô-bomba. Será que ele foi construído aqui, no esconderijo da Horda, ou já apareceu em outros ataques no sistema de Gailar?
Sólus respondeu imediatamente.
SÓLUS:
- Já apareceu em outros ataques.
Tobishima voltou-se para ele.
SÓLUS:
- É chamado de Lepidoros. É um modelo um pouco mais avançado do que muitos dos robôs-bomba construídos a mando de Geldon.
TOBISHIMA:
- E o piloto?
SÓLUS:
- Capitão Fethon, um pirata do planeta Bitis, conhecido por ser um planeta de recursos naturais importantes. E também por ter sido uma das vítimas da Horda Merodak.
Sólus fez surgir algumas imagens no mapa.
SÓLUS:
- Suas principais cidades foram atacadas pela Horda sem encontrar grande resistência. A tecnologia espacial bitiana ainda era pouco desenvolvida naquela época.
TOBISHIMA:
- Então como conseguiram formar bons pilotos?
SÓLUS:
- Essa era uma das poucas áreas em que Bitis vinha apresentando um desenvolvimento considerável. Seus pilotos eram reconhecidos por sua habilidade.
Sólus mudou as imagens.
SÓLUS:
- Muitos acabaram se tornando mercenários. Alguns foram recrutados por hordas como a Merodak.
TOBISHIMA:
- E Fethon foi um deles.
SÓLUS:
- Exatamente.
Uma imagem de Bitis surgiu sobre a mesa.
SÓLUS:
- Depois que o planeta foi praticamente arrasado e seus recursos naturais, exauridos, muitos de seus habitantes ficaram sem alternativas. Fethon acabou entrando para a Horda.
YAN:
- E Bitis ainda sofre as consequências.
SÓLUS:
- Sim. Apesar dos esforços contínuos de outros planetas para ajudá-lo a se recuperar, tanto social quanto tecnologicamente, as consequências daquele ataque ainda são sentidas.
Tobishima voltou a olhar para os registros do combate.
TOBISHIMA:
- Isso explica de onde veio Fethon. Mas, para mim, o mais importante agora é descobrir como ele luta. -Tobishima aponta para a imagem do Lepidoros — Quero saber qual é o arsenal completo desse robô-bomba e, principalmente, qual é o estilo de pilotagem de Fethon.
Sólus assentiu.
SÓLUS:
- Já me antecipei. Solicitei esse tipo de informação às autoridades da Confederação de Planetas do nosso sistema. Os dados devem chegar a qualquer momento.
TOBISHIMA:
- E sobre o Lepidoros? Que outras informações temos sobre suas armas?
Sólus tocou no painel, aumentando a imagem do Lepidoros sobre a mesa, mostrando a máquina em diferentes posições.
SÓLUS:
- O Lepidoros possui duas configurações principais. A primeira é a forma de voo que vocês enfrentaram. A segunda é uma configuração de robô de combate.
Joe e Rita, que haviam acabado de entrar na sala, aproximaram-se para observar a projeção.
Sólus continuou:
- Na forma de voo, suas quatro asas funcionam como superfícies de sustentação e também como sistemas de manobra. Mas não se enganem pela aparência — A imagem destacou as enormes asas metálicas- elas são blindadas e possuem bordas extremamente resistentes. O Lepidoros pode utilizá-las para atingir outras naves diretamente.
Rita observou a projeção.
RITA:
- Foi exatamente o que Fethon fez conosco.
SÓLUS:
- E ele provavelmente fará novamente.
A imagem mostrou uma simulação do Lepidoros aproximando-se lateralmente de outra aeronave.
SÓLUS:
- A vantagem dessa arma é a velocidade. O piloto não precisa parar para atacar. Ele pode transformar uma aproximação em um golpe.
Tobishima estreitou os olhos.
TOBISHIMA:
- Então, quanto mais próximo ele estiver, maior o risco.
SÓLUS:
- Exatamente. E há outro problema.
A projeção mudou.
Pequenos dispositivos surgiram na parte inferior do Lepidoros.
SÓLUS:
- As sondas explosivas.
TOBISHIMA:
- As mesmas que ele tentou utilizar contra o Pirata do Espaço.
SÓLUS:
- Sim. O Lepidoros pode lançar várias delas simultaneamente. Elas podem perseguir um alvo, aproximar-se por diferentes ângulos e explodir quando atingem uma determinada distância.
RITA:
- Então não basta apenas derrubá-las.
SÓLUS:
- Não.
Sólus ampliou uma das sondas.
SÓLUS:
- Se vocês destruírem uma perto demais do Pirata do Espaço, a própria explosão poderá causar danos. O ideal é interceptá-las antes que alcancem uma distância perigosa.
Joe observava atentamente.
JOE:
- E as asas?
SÓLUS:
- São o maior problema.
Sólus voltou à imagem principal.
SÓLUS:
- O Lepidoros não depende apenas das armas convencionais. Seu projeto permite que Fethon use a própria estrutura do robô como arma. Ele pode realizar ataques laterais, mergulhos e aproximações rápidas para atingir a fuselagem do adversário com as asas.
JOE:
- E se usarmos a barreira defensiva de táquions?
Sólus pensou por um instante.
- SÓLUS:
É uma boa tática. A barreira pode proteger o Pirata do Espaço contra as sondas explosivas e outros ataques à distância. Mas não deve contar com ela como uma proteção permanente, já que contra as lâminas das asas, ela não oferece a mesma segurança, e além do que, se permanecer acionada durante toda a batalha, poderá sobrecarregar o sistema de distribuição de energia da nave.
Joe ficou alguns segundos em silêncio. Então se lembrou das palavras de Bidkon.
JOE:
- O Engenheiro Bidkon disse exatamente a mesma coisa.
SÓLUS:
- Então vocês já sabem que terão de escolher o momento certo para acioná-la.
Joe voltou os olhos para a imagem do Lepidoros.
- Entendi. Não podemos usá-la somente como escudo. Temos que usá-la como parte da estratégia.
SÓLUS:
- Exatamente.
Joe cruzou os braços.
JOE:
- Essas lâminas, por pouco, não atingiram, os mecanismos mais vitais do Pirata do Espaço.
SÓLUS:
- Sim. E vocês cometeram um erro importante.
Joe olhou para ele.
SÓLUS:
- Aceitaram o combate exatamente na distância que favorecia Fethon.
Joe não respondeu.
Rita continuou olhando para a projeção.
RITA:
- E a configuração de combate?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Sólus mudou novamente a imagem.
O Lepidoros apareceu transformado em uma gigantesca máquina humanoide, com as asas recolhidas de maneira diferente e os sistemas de armamento distribuídos pelo corpo.
SÓLUS:
- Quando assume a configuração de combate, o Lepidoros utiliza as asas de maneira diferente. Elas deixam de funcionar apenas como superfícies de voo e passam a integrar o sistema ofensivo do robô.
TOBISHIMA:
- Então teremos de considerar duas formas de ataque.
SÓLUS:
- Na verdade, mais de duas.
Tobishima olhou para ele.
SÓLUS:
- Fethon não é um piloto que depende apenas do armamento. Ele utiliza velocidade, aproximação, mudanças bruscas de direção e ataques sucessivos para obrigar o adversário a reagir.
Joe finalmente falou.
JOE:
- Ele tenta fazer o inimigo perder a iniciativa.
Sólus assentiu.
SÓLUS:
- Foi exatamente o que aconteceu com vocês. Primeiro, ele os provocou. Depois, forçou aproximações sucessivas. Quando percebeu que vocês estavam concentrados em localizá-lo, atacou por trás.
Rita olhou para Joe.
RITA:
- E nós caímos na provocação.
JOE:
- Dessa vez.
Sólus continuou:
SÓLUS:
- Portanto, há três coisas que vocês precisam evitar se enfrentarem Fethon novamente. Não permitam que ele escolha a distância do combate. Não permaneçam muito tempo atrás dele tentando acompanhar suas manobras. E, principalmente, não reajam às provocações.
Joe deu um pequeno sorriso.
JOE:
- Essa última eu já aprendi.
Tobishima olhou novamente para a projeção do Lepidoros.
TOBISHIMA:
- Então temos uma vantagem.
SÓLUS:
- Qual?
TOBISHIMA:
- Agora sabemos o que ele pretende fazer.
Rita completou:
RITA:
- E ele ainda acredita que pode nos vencer da mesma maneira.
Joe olhou para a imagem do robô-bomba.
JOE:
- Da próxima vez, Fethon vai descobrir que nós também aprendemos.
A projeção do Lepidoros permaneceu suspensa sobre a mesa, e naquele momento o robô-bomba se tornou um desafio que começava a ser compreendido.
____________________________________________
No setor de manutenção da base, o Pirata do Espaço permanecia sobre a plataforma de reparos. Técnicos circulavam ao redor da nave enquanto Bidkon conferia os últimos ajustes.
Joe e Rita observavam o trabalho quando o engenheiro se aproximou.
- O revestimento externo já foi reparado. Também redistribuímos parte da energia dos sistemas defensivos. O campo de força está funcionando normalmente.
Joe olhou para a nave.
- E os danos provocados pelas asas daquele robô?
- Foram mais sérios do que pareciam. A estrutura aguentou, mas alguns pontos precisaram de reforço. Se aquele piloto tentar repetir os mesmos golpes, vocês terão um pouco mais de margem para reagir.
Sabu, que acompanhava a conversa ao lado de Gen e Ippei, aproximou-se um pouco da plataforma.
- O reforço também deve melhorar a distribuição do impacto sobre a estrutura secundária. Se o golpe atingir uma área próxima aos condutores de energia, a vibração pode interferir na estabilidade do sistema.
Bidkon olhou para ele.
- É exatamente isso.
Sabu sorriu.
- Eu sabia.
Gen não perdeu a oportunidade.
- Claro que sabia. Só demorou um pouco para explicar.
Sabu:
- Eu estava pensando.
Gen:
- Durante todo esse tempo?
Ippei riu.
- Deixa o Sabu. Ele já entende melhor dessas coisas.
Joe resolveu entrar na brincadeira.
- Entende mesmo. O problema é que, quando entende alguma coisa, ele faz questão de contar para todo mundo.
Sabu olhou para Joe, fingindo indignação.
- Até você, Joe?
JOE:
- Principalmente eu.
Gen caiu na risada.
- Agora acabou!
Sabu apontou para Joe.
- Você ficou tanto tempo fora da base e voltou ainda pior.
Joe sorriu.
- E você continua falando demais.
SABU:
- Pelo menos eu não abandono uma conversa no meio quando fico irritado.
Rita, rindo, olhou para Joe.
- Essa foi boa.
Joe fez uma pequena reverência para Sabu.
- Obrigado. Ainda estou treinando.
Sabu balançou a cabeça, mas também acabou rindo.
Nesse momento, Liriana se aproximou.
- O que aconteceu?
Gen respondeu:
- Sabu descobriu que entende de engenharia.
SABU:
- Eu sempre entendi.
- E agora todo mundo já sabe — completou Joe.
Liriana olhou para Sabu e depois para Bidkon.
- E ele está certo?
Bidkon respondeu com absoluta seriedade:
- Tecnicamente, está.
Sabu abriu um sorriso vitorioso.
- Está vendo?
Gen suspirou.
- Pronto. Era tudo o que ele precisava ouvir.
Liriana começou a rir.
- Vocês sempre fazem isso com ele?
- Só quando ele facilita — respondeu Joe.
Sabu cruzou os braços.
- Eu sou perseguido nesta base.
Ippei, entrando na brincadeira:
- "Coitado", o mundo despreza seus "gênios" — disse Ippei.
Liriana continuou sorrindo.
- Acho que eu estava mesmo precisando disso. Depois de um dia inteiro em Tóquio, entre pesquisa, assistência à palestra da doutora Kaela e todo aquele trabalho, uma boa risada faz bem.
Rita sorriu.
- Então você veio ao lugar certo.
Bidkon fechou o painel de controle.
- Enquanto vocês continuam se divertindo, eu vou terminar de preparar o Pirata do Espaço.
Sabu apontou para a nave.
- Se precisar de ajuda...
Gen interrompeu:
- Não precisa. Tudo já viu sua demonstração de conhecimento o suficiente por hoje, Sabu.
Joe completou:
- Amanhã ele pode explicar tudo de novo.
Sabu lançou aos dois um olhar de reprovação.
Liriana voltou a rir.
Por alguns instantes, o setor de manutenção pareceu mais leve.
Então Bidkon terminou os últimos ajustes com seu aparato de tecnologia gailariana e se levantou.
- Pronto. O Pirata do Espaço está novamente operacional.
Joe olhou para a nave.
- Então vamos estaremos preparados para o novo ataque de Fethon e seu robô-bomba 'mariposa'.
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BASE DA HORDA MERODAK
Na sala de comando, Kletus observava o grande monitor, quando Karpenek apareceu na tela.
- Zn-mž. Lepidoros-Ž-sâñkʼ Pþâss-D-sâñkʼ Ø?(Diretor. O Lepidoros está pronto?)
- Ja-krol M-êlañ... Pr-tâ. Pþâss-Þmâñ Sč-sienʔ My-lhân X-sienʔ Râ (Sim, Grande Almirante. Todos os sistemas foram revisados).
Kletus fez um breve sinal de cabeça.
- Xþenʔ-Mž-râs Fethon Sč-sienʔ Ø? (E o Capitão Fethon?)
O capitão aproximou-se do monitor.
- Ja-krol M-êlañ... Pþâss-Sč-sienʔ My-lhân Pþâss-D-sâñkʼ Ø. Pþâss-Þmâñ My-lhân Mbþâx Kâ!
(Estou pronto para um segundo combate, Grande Almirante. Desta vez, eu vencerei).
Kletus ficou alguns segundos em silêncio.
Fethon então perguntou:
- Ja-krol M-êlañ... Sč-sienʔ-V-lhân S-sienʔ My-lhân L-tâk Kâ? O-tâ-Mž-râs-Z-lhân Sč-âñkʼ My-lhân Mbþâx Kâ? (Senhor, devo manter a mesma rota do primeiro ataque ou mudar o caminho para confundir os radares humanos?)
- S-sienʔ-V-lhân L-tâk Kâ. (Mantenha a mesma).
Fethon pareceu surpreso.
— S-sienʔ-V-lhân? (A mesma rota?)
Kletus:
- S-sienʔ-V-lhân O-tâ Mž-râs Ø. O-tâ-Mž-râs-Z-lhân Mž-râs Ø. Mbþâx-Pþâss O-tâ L-tâk Groizer-X Mbþâx Kâ. Mž-râs-Z-lhân-V-lhân Pþâss-D-sâñkʼ N-fâ Kâ. Groizer-X-S-sienʔ D-tâss N-fâ Mž-râs-Z-lhân S-sienʔ Mbþâx Kâ. (Você já a conhece. E eles também. Se você vencer, o Pirata do Espaço estará fora de combate. A Terra ficará sem sua principal defesa. Então a Horda deixará de se esconder, não haverá necessidade de confundir os terráqueos).
Kletus fez uma pequena pausa.
- My-lhân Sč-sienʔ-V-lhân D-tâss Râ! Pr-fêiʔ-S-sienʔ My-lhân Mbþâx Kâ... Mbþâx-Pþâss My-lhân L-tâk Kâ!
(É para isso que viemos! Destruir o que supostamente pertence aos fracos e tomar seus recursos àqueles que realmente os merecem) .
Karpenek observava em silêncio.
Kletus concluiu:
- Pþâss-M-êlañ-Z-lhân! (Aos fortes)!!!
Fethon curvou a cabeça.
- Ja-krol M-êlañ... Pr-tâ.
(Entendido, Grande Almirante).
Kletus:
- Skr-lhâk Kâ. (Então vá).
A transmissão terminou.
Na base da Horda, os sistemas do Lepidoros começaram a despertar.
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BASE DA ILHA AKANE
Na sala de comando, Joe e Rita já estavam em seus lugares diante dos controles do Pirata do Espaço.
O alerta soou.
Tobishima aproximou-se do painel de comunicações.
- Conselheiro Yoshida, temos alguma informação?
A voz e imagem de Yoshida veio pelo comunicador.

- Professor Tobishima, acabamos de detectar uma nave desconhecida. Está se aproximando pelo setor do Pacífico.
Tobishima olhou para Joe e Rita.
- Alguma identificação?
Yoshida:
- Ainda não. Mas a trajetória e a velocidade são compatíveis com a possibilidade de ser uma máquina da Horda, talvez a mesma que vocês enfrentaram. Tomem cuidado.
Joe:
— Então, vamos interceptá-la de novo e desta vez, garantir que ela não escape..
Tobishima assentiu.
- Joe, Rita. Interceptem a nave antes que ela se aproxime da costa. Preparem o Pirata do Espaço!!!
- Sim, senhor.
Joe e Rita descem pelo elevador que leva ao hangar subterrâneo, onde está o Pirata do Espaço. Extremente concentratos na missão, como sempre fizeram. E uma vez na nave, a rotina pré-batalha segue.
Os sistemas de propulsão foram acionados.
- Pirata do Espaço, levantar voo!!!
O Pirata do Espaço avançou pelo túnel de lançamento e ganhou velocidade rapidamente. A estrutura da base ficou para trás enquanto a nave atravessava a passagem subterrânea e emergia sobre o oceano.
Por alguns segundos, voou rente à superfície.
Então Joe elevou o nariz da nave.
O Pirata do Espaço subiu em um movimento firme, deixando o mar para trás. As nuvens passaram rapidamente ao redor da cabine enquanto os motores aumentavam a potência.
Rita acompanhava os instrumentos.
- Estamos saindo da área da ilha, até agora, tudo em perfeito funcionamento depois dos reparos.
- Então, velocidade máxima!!! — comanda Joe.
A nave acelerou ainda mais. O oceano se transformou em uma faixa azul sob eles. À frente, o horizonte permanecia limpo. Mas os instrumentos continuavam acusando a aproximação de alguma coisa.
Joe manteve as mãos firmes nos controles.
Desta vez, não havia surpresa.
Eles sabiam que o inimigo estava vindo. Que não tardou em aparecer.
E estavam prontos para recebê-lo.
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SOBRE O PACÍFICO
O Pirata do Espaço avançava sobre o oceano quando um clarão surgiu no horizonte.
Um raio atravessou o céu em sua direção.
- Lá vem ele! — avisou Rita.
Joe puxou os controles.
O Pirata do Espaço fez uma brusca guinada lateral, deixando o disparo passar por poucos metros.
Ao longe, a silhueta do Lepidoros surgiu entre as nuvens.
Joe reconheceu imediatamente o padrão de aproximação.
- O mesmo estilo de recepção como da outra vez.
Rita observou a nave inimiga.
- Será que Fethon usará as mesmas táticas?
Joe sorriu.
- Se ele for muito arrogante, talvez. E, sendo assim, vamos dar uma corda para ele se enforcar.
O comunicador foi ativado.
O rosto de Fethon apareceu no monitor.
- Joe e Rita! Desta vez vocês não escaparão! Vou mandá-los para o outro mundo, em nome do Grande Almirante Kletus!
Joe respondeu sem alterar a expressão.
- Então fale menos e venha pra cima, Fethon!
Fethon abriu um sorriso.
- Como o terráqueo assim desejar... hahahaha!!!
O Lepidoros acelerou.
Fethon iniciou uma aproximação em alta velocidade, ganhou altitude e desapareceu acima das nuvens.
Rita acompanhou o movimento pelo radar.
- Ele está subindo.
- Eu sei, Rita, já vi.
O Lepidoros mergulhou de cima para baixo e Joe manteve o Pirata do Espaço em sua trajetória, permitindo que o inimigo se aproximasse.No último instante, Fethon abriu as asas e lançou uma série de pequenas sondas explosivas.
- Agora! — gritou Joe.
A barreira defensiva de táquions envolveu o Pirata do Espaço.
As sondas explodiram ao redor da nave, formando uma sequência de clarões, mas a barreira absorveu os impactos.Joe e Rita permaneceram intactos.
Fethon arregalou os olhos.
- O quê?!
Rita sorriu.
- Ele caiu direitinho, Joe.
Joe acionou os controles.
- Minha vez.
O Pirata do Espaço fez uma rápida rolagem e passou por baixo do Lepidoros.
Fethon tentou corrigir a trajetória.
Tarde demais.
Pelas antenas traseiras do Pirata do Espaço, surgiu uma esfera incandescente.
- Bola de Fogo!
O disparo saiu para trás e atingiu o Lepidoros em cheio e a explosão fez a máquina perder altitude.
Fethon recuperou o controle a tempo de evitar uma queda.
- Malditos!
Joe não o perseguiu, ao invés disso, reduziu a velocidade.
Rita percebeu.
- Você vai deixá-lo vir?
- É isso que ele espera.- confirma, Joe.
O Lepidoros abriu completamente suas quatro asas metálicas.
Fethon acelerou.
As enormes lâminas avançaram contra o Pirata do Espaço em sucessivos ataques rasantes, que obrigaram a Joe realizar uma série de manobras evasivas: mudança brusca de direção, rolamento defensivo, mergulho e subida vertical.
As asas passaram perigosamente próximas.
Uma vez... duas... três.
Mas nenhuma conseguiu atingir a nave.
- Ele está tentando nos encurralar! — disse Rita.
- E está ficando impaciente.
Joe fez uma curva fechada. O Pirata do Espaço passou por baixo do Lepidoros, ganhou velocidade e executou uma manobra de reversão.
De repente, as duas máquinas ficaram frente a frente.
Fethon foi pego de surpresa.
- Impossível!
Joe não perdeu a oportunidade.
RITA:
- Agora, Joe!
- Certo! Raio Arco-Íris Pirata, fogo!!!!!!!!
O feixe atingiu o Lepidoros frontalmente. A máquina perdeu o controle e começou a descer em espiral.
Fethon tentou recuperar altitude, mas não conseguiu.
O Lepidoros atingiu uma área montanhosa de uma ilha e abriu uma enorme nuvem de poeira.
Joe e Rita acompanharam a descida.
- Ele caiu na ilha — disse Rita.
- Vamos ver o que ele pretende fazer.
A nuvem começou a baixar.
No meio da vegetação, o Lepidoros se ergueu novamente.
Suas asas começaram a se recolher. Placas metálicas se moveram. O corpo estreito se expandiu.
As estruturas laterais se reposicionaram enquanto a cabeça emergia da carcaça.
Em poucos segundos, o Lepidoros havia abandonado sua configuração de voo.
Era agora um enorme robô de combate.
Fethon abriu o canal de comunicação.
- Joe! Rita! Já que não conseguiram me derrotar no céu, vamos terminar isso aqui!
O Pirata do Espaço pairou sobre a ilha.
Joe olhou para Rita, que já havia entendido. E diz:
- Muito bem, Fethon.
O Pirata do Espaço começou a descer.
- Aceitamos.
O Pirata do Espaço surge voando entre nuvens coloridas, em tons avermelhados e rosados, sobre uma paisagem tropical. Então começa a transformação.
Partes da fuselagem se deslocam com movimentos mecânicos rápidos e precisos. As pernas são projetadas para fora da estrutura enquanto os propulsores mudam de posição e se encaixam na nova configuração.
De repente, os dois punhos são disparados para a frente. Eles se afastam da nave e ficam suspensos no ar por alguns instantes, enquanto as asas começam a se recolher para dentro da estrutura. Os punhos então retornam em alta velocidade. Cada um se encaixa perfeitamente nas laterais da fuselagem, formando os braços do robô.
A transformação está completa.
O Pirata do Espaço, agora em sua configuração de combate, atravessa as nuvens em grande velocidade.
Por alguns segundos, avança diretamente na direção da ilha tropical, enquanto Fethon, em seu robô-bomba, aguarda o confronto que logo começa.
Lepidoros ergueu a cabeça e suas antenas dispararam uma sequência de raios. Os feixes atingiram o Pirata do Espaço em cheio.
Joe e Rita sentiram o impacto dentro da cabine.
- Aguente firme, Rita!- disse Joe.
A nave oscilou, mas logo recuperou o equilíbrio.
Lepidoros aproveita a abertura, avança e desfere um chute poderoso.
Joe colocou o Pirata do Espaço na trajetória do golpe.
O impacto fez a estrutura inteira estremecer, mas o robô conseguiu absorvê-lo.
- Agora!
O Pirata do Espaço respondeu com um soco direto, fazendo Lepidoros cambalear para trás.
Fethon recuperou o controle e abriu as asas.
- Asas Mortais, avancem!
As enormes lâminas avançaram contra o Pirata do Espaço.
Joe realizou uma rápida manobra lateral e escapou por pouco. O segundo ataque veio imediatamente, mas Rita antecipou o movimento.
- À esquerda!
Joe desviou novamente.
Fethon ficou furioso.
- Parem de fugir!
Ele avançou sem esperar e isso foi o erro que Joe aguardava.
O Pirata do Espaço girou o corpo e acertou outro soco.
O golpe atingiu Lepidoros com força.

Dentro da cabine, Fethon foi lançado contra os controles. O maquinário começou a apresentar falhas, luzes de alerta piscaram e alguns instrumentos entraram em sobrecarga.
- Maldito Pirata do Espaço!
Joe não lhe deu tempo para se recuperar.
- Vamos terminar isso! Soco Pirata!!!!!!!!!!!
Os dois punhos foram disparados como mísseis atingindo Lepidoros diretamente no peito e atravessando sua estrutura metálica.
Fethon arregalou os olhos em desespero.
Os punhos retornaram em alta velocidade e se encaixaram novamente nos braços do Pirata do Espaço.
Lepidoros permaneceu imóvel por um instante.
Então, seu corpo começou a explodir.
Em meio às chamas e aos destroços, a voz de Fethon ainda ecoou:
"""PÞÂSS-M-ÊLAÑ-Z-LHÂN-V-LÂÑ! JA-KROL M-ÊLAÑ-V-LÂÑ! MBÞÂX-MŽ-RÂS-V-LÂÑ!"""
(GLÓRIA AOS FORTES! GLÓRIA AO GRANDE ALMIRANTE! GLÓRIA À HORDA)!
A explosão iluminou o céu da ilha.
Joe e Rita permaneceram em silêncio por alguns segundos.
A batalha havia terminado.
Os destroços do Lepidoros ainda ardiam na ilha quando o Pirata do Espaço iniciou sua transformação.
As estruturas dos braços se recolheram. Os punhos retornaram aos encaixes, as pernas foram acomodadas e as asas voltaram à posição de voo. Em poucos instantes, o robô de combate havia retornado à sua forma de nave aérea.
Joe colocou a nave na rota de volta à Ilha Akane.
ILHA AKANE
Quando o Pirata do Espaço apareceu nos monitores da base, a tensão deu lugar à comemoração.
- Eles conseguiram! — exclamou Ippei.
Gen levantou os braços.
- Mais uma vez!
Sabu sorriu.
- Eu sabia que conseguiriam.
Bidkon acompanhou os indicadores.
- E os reparos aguentaram.
Os técnicos também comemoraram.
Tobishima sorriu, satisfeito. Mas logo voltou a olhar para o monitor.
Aquela segunda máquina havia sido mais difícil de enfrentar do que esperavam. O inimigo estava aprendendo, testando os recursos do Pirata do Espaço e procurando maneiras de superar suas defesas.
Tobishima permaneceu pensativo.
"Será que esse novo inimigo dará mais trabalho do que Geldon"?
NO CÉU
O Pirata do Espaço seguia sobre o oceano, de volta à Ilha Akane.
Na cabine, Joe percebeu que Rita estava calada.
Ela observava o horizonte com uma expressão pensativa.
Joe conhecia aquele olhar.
- Rita.
Ela se virou.
- Sim?
- Eu sei o que está pensando, Rita.
Rita permaneceu em silêncio.
- A comitiva não esperava encontrar um novo inimigo tão cedo. Nem nós.
Ela baixou os olhos.
- Parece que tudo está começando novamente.
Joe ficou alguns segundos em silêncio antes de responder.
- Talvez o drama de uma nova guerra esteja começando a se repetir.
Rita olhou para ele.
- E isso não o preocupa?
- Claro que preocupa.
Joe voltou os olhos para os controles.
- Mas vamos derrotar Kletus. E, quando isso terminar, a Comitiva poderá finalmente continuar o trabalho de vocês em paz.
Rita observou-o.
- Você realmente acredita nisso?
Joe sorriu.
- Claro que Acredito, Rita. Já passamos por situações piores. Vamos conseguir novamente.
Rita também sorriu.
- Espero que sim.
Joe voltou toda a atenção para a pilotagem. O Pirata do Espaço continuou seu voo tranquilo sobre o oceano.
Rita permaneceu olhando para seu companheiro de pilotagem por alguns instantes.
Então, quase sem perceber, deixou escapar:
- E quando essa guerra terminar...
Ela se calou.
Joe não percebeu o pequeno ato falho. Continuava concentrado nos controles.
Rita baixou os olhos e continuou a frase em seu pensamento no seu idioma natal.
"Ŋe-mi-me ya rēva kēva".
(Quero que nós dois finalmente comecemos).
Um discreto sorriso surgiu em seu rosto.
O Pirata do Espaço desapareceu no horizonte.
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