Notas iniciais
Relevem por favor, ainda sou iniciante, mas prometo melhorar para os próximos capítulos :) Boa leitura.

Talvez aquela fosse à semana de minha vida. As melhores recompensas seguidas das melhores mortes. Cheguei a degolar um grupo de Orcs liderados por um Glaciomancer. Bem forte por sinal, mas não há uma veia sequer que se mantenha virgem diante minhas lâminas silenciosas como as sombras. Jinada, este é o nome de minha habilidade especial que aprendi com meu mestre caçador Soruq. Um corte exato, veloz e concentrado capaz de mutilar um braço ou perna em questão de segundos. Até os olhos mais treinados são ludibriados por tal movimento certeiro.

Porém, voltando ao que eu ia dizendo, naquela semana eu consegui acumular tantas riquezas que passei três dias seguidos sem estar sóbrio. A ressaca póstuma foi de grande proporção também. Que dor de cabeça infernal! Quando dei conta de mim estava num Pub deitado em vômito e com uma bela donzela ruiva de vestes verdes ao meu lado. O perfume amadeirado da dama apesar de delicioso era incapaz de esconder o nauseante odor do álcool-vomitado que permanecia em meus pelos. Ainda com meus olhos semiabertos ela começou a falar “Jamais pensei que encontraria Gondar, o caçador de recompensas em tal situação deplorável”. Seu olhar de decepção perfurou minha carne como uma flecha precisa. Mas afinal de contas eu sou apenas um humano, ou quase isso. Heh Hehih hih.

Levantando pude observar melhor suas feições. Seu rosto delicado era repleto de pequenas sardas. Cabelos lisos enferrujados com cachos nas pontas, e grandes olhos esverdeados. Ela vestia um uniforme da Guarda da floresta e portava um arco longo transversal ao tórax. Peguei sua mão e abaixei minha cabeça, lentamente, para ir de encontro. Tentei dar um beijo, entretanto antes de encostar meu focinho em sua nívea pele ela a puxou de forma defensiva. Argh! Não foi daquela vez, mas pelo menos consegui chegar perto o suficiente para pegar seu cheiro.

Deferi um olhar desafiante e disse “Se deseja assim, pulemos estas formalidades”. Ela detinha uma expressão de nojo que, de certa forma, me excitava. Mantive minhas escarlates pupilas voltadas para a arqueira, até agora não sei se por vontade própria ou porque fui hipnotizado por sua beleza. Ela tirou de sua pochete um pergaminho enrolado “Tenho um trabalho para você” sibilou. Fiz um movimento com minha cabeça para ouvir mais, eu precisava realmente de mais dinheiro. As putas e as bebidas dos pubs sempre me quebraram, mas mesmo assim amo vocês tá? Heh Hehih hih.

Seus finos, e perfeitos, lábios disseram enquanto ela desenrolava aquele papiro “Este é Riki, o assassino silencioso...”. Ela deu uma engasgada, como se repetir aquele nome fosse um sacrifício “E ele está em nossa floresta” continuou. Eu já havia escutado sobre este assassino e de como ele era capaz de garrotear qualquer batalhão de soldados a noite sem nem fazer um corpo despertar para se despedir da vida. Apesar de ser um prazer ajudar jovens ruivas o metal muito me interessava, então questionei sobre a remuneração. “Muito boa, mil moedas douradas pela cabeça do infeliz” escutei o ódio falar, não aquela senhorita que depositava seus olhos de repulsa em mim. Novamente com a cabeça fiz um sinal, dessa vez de concordância. Heh Hehih hih, mil moedas de ouro para trazer a morte, coisa que mais me agrada fazer em vida, é uma benção divina.

“Partimos para a floresta antes do nascer do sol, então se prepare hoje” proferiu a guardiã “Tome estas moedas e vá ao mercado conseguir o necessário para o serviço”. Havia 625 moedas. Essa quantia seria mais que suficiente para exterminá-lo. Conferi se minha conta já estava paga, apesar de assassino sou honesto com quem me serve, e assim segui para fora do estabelecimento. Ao abrir a porta me deparei com uma cidade completamente cheia. Para cada canto que eu olhava existia, no mínimo, cinco pessoas dividindo o espaço. Era época do festival de Primavera. O mais impressionante de tudo é o fato de como as pessoas não prestam atenção em suas mochilas. Seguindo caminho até a loja de utilitários vi no mínimo vinte furtos acontecerem sem nem serem percebidos, mas sou Caçador de recompensas não justiceiro. Chegando lá pedi um saco com Pó do aparecimento, algumas poções e um par de observadores e sentinelas, estes dois últimos são estacas de madeira com olhos espiões que seguem qualquer movimentação próxima ajudando no rastreamento.

Saí da lojinha e fui em direção à estalagem da cidade. Aquela aglomeração conseguiu me deixar com raiva. Mesmo assim, nada seria capaz de atrapalhar meu atual foco: tomar um banho. Blergh! Eu estava putrefato. Entrei pela grande porta de madeira da hospedagem. Pedi um quarto e assim foi. Deram-me um dos fundos, bem pequeno, com uma única janela que dava para a horta do albergue. Mas não precisava de luxo, minha infância toda, desde que meus pais foram mortos, passei dormindo na rua, até que Soruq decidiu me treinar. Ao entrar no cômodo comecei a me despir. Tirei minha mochila, minhas bandagens, minha cota de couro duro e minha bandana carmesim. Esta ultima foi tudo o que restou de meu mestre da noite em que ele foi pego, torturado e morto. Aconteceu por minha culpa, ele se sacrificou para que eu não fosse julgado pelas minhas ladroagens. Por isso deixei de roubar. Se eu não tivesse feito hoje ele estaria aqui. Mesmo com tudo repassando pela minha cabeça, eu tinha consciência de que amanhã uma nova caçada me esperava. Tomei meu banho e me deitei. Fechei meus olhos, e ouvi um vento que entrou pela minha janela sussurrar “Boa noite” e então dormi.

Notas finais
Gostaram? Dicas? Sugestões? Deixem nos comentários, e obrigado! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.