Notas iniciais
Música sugerida para a leitura do capítulo: Fix You - Coldplay (na voz de Boyce Avenue)

Harry é oficialmente o tipo de pessoa que te fascina.

— Não me diga que você é aquela bebezinha chorona que eu peguei no colo à tantos anos atrás? — sua voz era rouca e baixa, o timbre suave, imaginei-o cantando alguma música do Life house, seria um cover perfeito.

— Sou – Sophia respondeu com um sorriso tímido e encantado, provavelmente ela estava prestando atenção nos mesmos detalhes que eu.

— Ora, então venha me dar um abraço pequena, quanto tempo. – ele sorriu e abriu os braços, Sophia aproximou-se timidamente e o abraçou, ele a recebeu tão carinhosamente que isso me tirou um sorriso, desviei o olhar de Harry e olhei para o chão, Harry soltou Sophia e a Sra. Evans falou em seguida:

— E essa é June – disse apontando para mim – a Babá de minha filha.

Até então, Harry nem notara a minha presença na sala, nossos olhos se cruzarem de uma maneira embaraçosa, sua beleza me deixava desconcertada, como se fosse visivelmente impossível se sentir confortável ao seu lado.

— Muito prazer, June. – ele estendeu a mão direita e abriu outro sorriso, me olhando de forma misteriosa, estendi a mão por reflexo.

— Muito prazer... Harry – disse por fim, um pouco constrangida.

— Separei o quarto de hóspedes para você, querido. Eu mesma me encarreguei de arrumá-lo ao seu gosto – a Sra. Evans sorria, me perguntei se um raio derrubaria o teto com tamanha mentira, mas nada aconteceu.

— Muito obrigado tia, eu espero não causar nenhum tipo de encômodo.

— Não causará encômodo algum, será um prazer ter você aqui conosco meu amor. – ele sorriu um pouco desconfortável, se existisse coisa pior do que ser humilhado por uma pessoa como a Sra. Evans, com certeza era ser bajulado. – Vou levá-lo ao seu quarto, há um banheiro no corredor principal caso queira tomar um banho e o almoço está fresquinho esperando por você, aposto que está com muita fome devido à viajem.

Ele assentiu e ambos sairam em direção as escadas, Harry soprou um beijo para Sophia antes de sair e lançou um ultimo olhar para mim, que desviei os olhos e sentei-me junto a Sophia.

— O que foi, June? – ela perguntou, me olhando com um olhar confuso.

— Nada! – suspirei e me levantei um pouco atordoada – Eu ja volto meu amor.

Sai em direção a cozinha, o cheiro da mesma exalava pela casa, Eleanor era a cozinheira, provavelmente estava fazendo sua especialidade, peguei um copo e enchi de água gelada.

— June... ta tudo bem? – Sheila perguntou com a mesma expressão de Sophia. Fiquei me perguntando se estava tão visível assim o meu constrangimento com a presença de Harry na mansão.

— Está – tentei normalizar o tom de voz. – Está sim – sorri – E o cheiro da comida está maravilhoso Eleanor – eu era uma péssima atriz, devia estar ridícula. Sheila não quis me encher de perguntas, apenas assentiu e voltou a limpar os vidros da cozinha. Peguei uma maça e voltei a sala, a Sra. Evans havia descido e estava com Sophia.

— Ei... você. – sua voz direcionou-se a mim. – Nada de gracinhas com o meu sobrinho, ouviu bem menina? – engoli em seco. – ou você se dará muito mal!

— Não se preocupe com isso Sra. Evans! – assegurei.

— E se puder, nem dirija a palavra à ele... somente se for extremente necessário. — Assenti repetidas vezes. – Eu e Sophia vamos ao shopping, preciso comprar um vestido novo à ela, sugiro que separe as roupas amassadas, as passe e depois as arrume em ordem de cor se não quiser ter uma demissão sem justa causa. Vamos Sophia!

Sophia levantou-se contra a vontade, ela não gostava do modo com que sua mãe tratava à mim e as outras empregadas, mas não arriscava falar nada, com medo de receber uma bronca.

— Até mais tarde June – disse por fim, eu sorri levemente e elas se foram. Desviei o olhar para o chão, sentindo uma sensação estranha, Sheila havia entrado na sala.

— Não fica assim por causa da Sra. Evans, June. – sua voz era reconfortante, eu a olhei.

— Não se preocupe Sheila – sorri e passei a mão em seu rosto – eu estou bem! Vou subir para separar as roupas de Sophia, nos vemos daqui a pouco.

Dei um beijo em seu rosto e subi as escadas, um som baixo de violão preenchia o segundo andar, olhei para um dos quartos de hóspedes, a porta estava trancada, mas o som não parecia vir de lá, caminhei lentamente pelo corredor e por fim encontrei a fonte, estava numa porta ao lado do quarto de Sophia, a melodia era suave, mas não pude reconhecer a letra. Sem fazer barulho, encostei meu ouvido na porta e fechei os meus olhos, a sensação de música ao vivo era algo inenarrável, sorria e suspirava conforme ele tocava, era realmente muito bonita. Não havia percebido que a porta estava apenas encostada, então acabei me debruçando na porta e ela se abriu violentamente. Fui a uma boa velocidade para o chão e cai por cima do meu braço, no mesmo instante Harry colocou o violão na cama e se prostou para me ajudar.

— Você está bem? – ele perguntou alarmado.

Eu não queria olhar para cima, minhas bochechas deviam estar da cor de uma pimenta madura e eu estava me sentindo uma completa idiota.

— Eu... é... eu estou bem! – respondi encarando o chão por todos os ângulos possíveis.

— Tem certeza? A sua mão está sangrando. – olhei para a minha mão e a palma da mesma estava com um corte e começando a ensopar no liquido vermelho.

— Ah meu Deus – tentei me levantar e teria sido melhor não ter feito isso, não tinha percebido como Harry estava curvado e acabei dando uma cabeçada em seu queixo, derrubando-o.

— Ai – ele caiu pra trás e instantanemanete segurou o seu queixo o movendo para os dois lados.

— Desculpe, por favor me desculpe! Ah meu Deus, como eu sou desastrada. — Levantei-me e estendi a mão boa para ele segurar, ele se levantou um pouco confuso e eu me sentia a rainha das idiotas.

— Tudo bem, tudo bem. – ele me olhava aturdido.

— Me desculpe, eu... eu... eu só estava ouvindo o senhor tocar – minhas bochechas coraram no mesmo instante – não vi que a porta não estava trancada e sem querer me debrucei – minhas bochechas já pegavam fogo, Harry riu.

— Estava me ouvindo tocar? Tipo... por trás da porta? – ele arqueou uma das sombrancelhas.

Eu assenti, encarando o chão completamente corada, coloquei as mãos no rosto para esconder o meu estado deplorável e senti a mão direita arder.

— Ai – segurei meu pulso fortemente enquanto o sangue saia.

— Para de apertar o pulso, quer ficar seca? – ele revirou os olhos e correu em direção ao banheiro, eu sai do quarto e ja ia descendo as escadas quando ele reapareceu – onde é que você vai? Volta aqui! – parei onde estava e me virei, Harry segurava uma caixa de primeiros socorros.

— Não! Não precisa, eu mesma faço o curativo. – disse tentando argumentar, mas ele era teimoso.

— Se você aparecer assim lá embaixo, uma das empregadas vai contar a tia Valquíria que você se machucou e ela vai comer a sua alma. – franzi o cenho, o que Harry ganharia me protegendo de sua tia? – Além do mais, não quero ser culpado de nada. – ele riu.

— Mas o senhor não tem culpa, eu é que sou uma desastrada, me desculpe.

— Que história é essa de senhor? Tenho tanta cara de velho assim? – Harry franziu o cenho e fez um bico, naquele segundo eu deduzi que nenhuma careta do mundo teria chances de concorrer com aquela.

— Não é isso... é que... – eu já havia perdido as palavras, a unica coisa que eu queria, era que o chão se abrisse embaixo dos meus pés.

— É que... é que... é que nada! – ele ria – Vem, June! Harry caminhou até o quarto e eu o segui, completamente derrotada. Entramos no quarto e ele o fechou, fiquei parada no canto da porta, olhando o quarto arrumado anteriormente por uma das empregadas, não havia alteração nenhuma. – Ah, olha só o que foi que te cortou – ele apontou para o chão e eu segui seu olhar. Havia um caco de vidro, Harry o pegou e o jogou pela janela. – Tem ideia de como isso veio parar aqui? – balancei a cabeça negativamente – Muito bem, sente-se.

Eu me sentia absurdamente desconfortável, idiota e todos os piores adjetivos possíveis, Harry me intimidava por ser tão bonito e agora me intimidava mais ainda por ter sido plateia do maior mico da minha vida, ele mal havia chegado e já teria do que dar risada pelo resto da semana, me sentei na beirada da cama, ele se ajoelhou à minha frente.

— Pode me dar a sua mão? – sua voz era carinhosa, respirei fundo e entreguei minha mão à ele, ele a pegou delicamente e tirou de dentro da caixa, um liquido que me parecia ser água buricada. Senti o machucada arder e fiz uma careta – Ah, não seja tão menininha June, nem deve estar doendo tanto.

— Está sim – apertei os olhos enquanto o liquido queimava, de repente senti um soprar gentil em minha mão, abri os olhos e ele estava soprando o meu corte de olhos fechados, fiquei paralisada, a sensação era gostosa se comparada a anterior, ele me olhou.

— Melhor? – eu balancei a cabeça positivamente e ele sorriu de canto, por um momento me esqueci de respirar, balancei a cabeça e pigarreei, permancendo em silêncio. Ele passou uma pomada e colocou algumas gases por cima, em seguida enfaixou minha mão e celou a ponta da faixa com um esparadrapo, soltou-a e eu a recolhi. O curativo parecia feito por um enfermeiro.

— É... obrigada! – agradeci timidamente e desviei o olhar.

— Não há de que, mas... na próxima vez que quiser me ouvir tocar, pode entrar no quarto pra não machucar a outra mão – ele riu e eu não pude evitar o sorriso constrangido. – Costuma fazer isso sempre? – “Não, só quando garotos extremamente bonitos e príncipes se hospedam na casa da minha patroa.”

— Não! Na verdade, eu me sinto péssima... me desculpe. – olhei para ele e sorri timidamente.

— Com este, devem ter totalizados mil pedidos de desculpas. Está desculpada senhorita June.

Eu ri, Harry era um garoto de humor elevado, ele fazia piada de quase tudo e parecia estar se divertindo com o meu constrangimento.

— Bom, eu... eu preciso ir passar a roupa da Sophia, com licença... – eu já ia adentrando o quarto de Sophia, quando Harry segurou o meu braço.

— Como você pretende passar roupa com a mão machucada, posso saber? – olhei para minha mão e senti a confusão se aproximando, a Sra. Evans me mataria da forma mais dolorosa, Harry pareceu ter o mesmo pensamento que eu.

— É verdade – fiquei pensativa por alguns minutos – Mas, não tem importância, eu vou passar mesmo assim.

— Você é muito boba, June! – ele riu – É óbvio que não vai conseguir... Vamos lá, eu passo a roupa dela pra você.

— O que? – meus olhos se arregalaram.

— É isso ou você ser demitida. – sua expressão parecia muito tranquila.

— Você... passando as roupas da Sophia? – não pude segurar a risada.

— Por que me toma? Não acha que um homem é capaz de fazer os serviços domésticos? Pois eu me garanto – ele empinou o seu nariz e fez uma cara exibida, eu ri ainda mais e balancei a cabeça.

— Ok, chega de piada, você tem que descançar da viajem, eu dou um jeito... é o meu trabalho!

— June, eu sou novo por aqui, não conheço ninguém e seria bom fazer pelo menos uma amizade, me deixe te ajudar... quando eu estiver precisando de ajuda, você me ajuda... é simples! – ele sorriu e eu assenti, derrotada.

Caminhamos em silêncio em direção ao quarto de Sophia, eu abri a porta e nós entramos, deixei-a trancada caso alguém passasse pelo corredor e me visse com Harry, o que seria um problema de proporções gigantescas.

— Quais são as roupas que eu tenho que passar? – Harry perguntou, abrindo as portas do armário com uma expressão interrogativa. Eu não conseguia associar os fatos, minha cabeça estava girando, haviam muitas informações querendo ser processadas ao mesmo tempo.

— Harry... – eu o olhei – Eu agradeço muito a sua boa vontade, mas... você não tem que fazer isso, é o meu trabalho e se a Sra. Evans descobrir, ela vai me matar, entendeu? – dei ênfase na palavra matar e ele arqueou uma sobrancelha, sorrindo despreocupado.

— Por que você é tão teimosa? – seus olhos azuis foram golpeados por um raio de sol, ele deu um passo à frente, ficando mais próximo.

— Eu não sou teimosa... Você é teimoso. – já estava começando a ficar irritada, não com ele, mas comigo, se eu não fosse curiosa e não tivesse enfiado o nariz (nesse caso, o ouvido) onde não fui chamada, nada disso estaria acontecendo e eu não estaria na confusão em que estava. Ele pareceu perceber minha inquietação.

— Ah... então agora a culpa é minha? – seu tom era surpreso, já estava pronta para rebater quando a porta se abriu, me fazendo ressaltar.

— June? – era Eleanor, nos olhando com um olhar extremamente confuso – O que... – ela olhou para Harry – O que está acontecendo aqui?

Tentei esconder minha mão, mas era tarde demais, seu olhar já estava pousado nela, imaginei que um turbilhão de perguntas se formavam na cabeça de Eleanor e que ela me jogaria na jaula dos leões na primeira oportunidade que surgisse...

— Eu... eu estava... – tentei começar.

— Ela só estava me ajudando a esconder um presente pra Sophia – Harry começou, eu o olhei perplexa – Queria aproveitar a oportunidade de ela não estar em casa para fazer a surpresa, e como a June é a baba, imaginei que ela saberia onde seria o lugar ideal. – franzi o cenho e desviei o olhar, segurando um riso confuso pela ideia repentina de Harry, voltei o olhar a Eleanor, que pareceu ¼ convencida da história.

— E esse curativo na sua mão? – olhei para minha mão, desejando que minha mente fosse tão rápida quanto à mente de Harry para inventar desculpas.

— Me cortei no banheiro – foi o máximo que pude dizer, Harry me olhava apreensivo.

— Desastrada – o olhar de Eleanor estava severamente voltado à mim, mas quando dirigiu-se a Harry, suavizou. – Eu vim perguntar se o senhor não gostaria de almoçar – seu sorriso amarelado surgiu.

— Não... eu... – Harry começou a negar, mas eu o interrompi.

— Sugiro que o senhor vá almoçar, o presente já esta bem escondido e eu ainda tenho que arrumar as roupas de Sophia antes da Sra. Evans chegar. – ele me lançou um olhar chatiado, eu engoli seco, era a única oportunidade de me livrar daquela encrenca.

— Está bem – ele assentiu e saiu do quarto, seguido por Eleanor que me encarou pela ultima vez antes de fechar a porta.

Finalmente eu estava sozinha. Sozinha e perturbada. Me sentia mal pelo fato de ter causado uma péssima primeira impressão em Harry, há essas horas ele devia estava me achando uma idiota de categoria majestosa, porém me sentia terrivelmente grata à ele por ter me livrado da fúria da Sra. Evans, caso Eleanor soubesse a verdade sobre o corte em minha mão e o fato de Harry estar comigo dentro do quarto de Sophia, ela contaria tudo a patroa, que me esqueartejaria. Voltei minha atenção ao meu trabalho, que me esperava acumulado, passei e arrumei as roupas com alguma dificuldade e os pensamentos distantes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.