Mais um dia na minha vida. Me levanto e faço todas aquelas merdas matinais que é uma desgraça ter que escrever na fanfic sempre.
Visto um moletom panda, um shorts rasgadinho e curto, uma touca e um Allstar cano alto vermelho, porque tenho realmente muita personalidade e odeio ser igual as outras meninas. Imagina que algum dia eu vou seguir modinha, hahah, impossível!
Me despeço de todos e vou à caminho para a escola, como todos os dias, no carro dos meus pais, com vidro blindado e um segurança/motorista no banco da frente. O percurso é um tanto demorado, então pego meu Iphone na mochila e entro no Whatsapp para conversar com minhas manas. Uma delas diz ter sido assaltada e reclamou do sistema capitalista opressor presente aqui no Brasil. Concordei. FORA CAPITALISMO!
Depois de um tempo, chego em meu objetivo, na escola. Ah, e como é difícil! Sempre preciso vencer o patriarcado de cada dia. Sei disto com meus muitos 16 anos de experiência, além das pesquisas na wikipedia e ao assistir a vídeos no Youtube de minhas manas negras/trans/gays/queer empoderadas. Enfim, essa é uma das minhas funções aqui e...
—Ei, Josefina, -chega um nerdotakuespinhento do nada, que pede com licença para falar comigo. Acha mesmo que eu vou cair na lábia dele, haha!- tem um trabalho e eu queria que você fizesse comig...
—CALA A PORRA DA BOCA, Ô SEU MERDA! VÁ CUMÊ MULHER, VIADO, E VÊ SE SAIA DA MINHA FRENTE!
Como eu estava dizendo até ser oprimida, a sociedade atual é muito machista e é necessário combater isto todos os dias.
Depois disso o sinal bateu e os alunos se dirigiram para a sala; menos eu e alguns amigos, porque é claro que já sabemos de todas as matérias.
Sentei-me na por rotina. Eu poderia ficar lá por séculos esperando por Joano, mas depois de um tempo mesmo já pude ouvir aquele maravilhoso som que declarava a sua vinda...
"Malandramente, a novinha inocente, se envolveu com a gente, só para podê curtîi..."
Era ele, com sua revolução de música. E antes mesmo que eu pudesse refletir em como é culta a minha alma gêmea, fui enterrompida por palavras poéticas:
— Eai novinha...vai kolah nu baile funk du morruh nesta noiti??!?! vi vc discenu ateh u xaum ein... ke issu.
— Se você tivê lá com sua gangue, já tou co-la-dé-rrí-ma — eu, do jeito que sou, só pude soltar essas tímidas palavras.
— Jah foi entaum gata...lah vc me passa u whatsup seu i das suas amigas!!!!! — com essas palavras ele se afastou, provavelmente indo pixar os muros da escola, o que me fez perder o interesse naquela escada.
Desci até a cantina para roubar alguns cachorros- quentes. Entrei lá e peguei (educadamente, mas sem que as tias me avistassem, porque elas com certeza poderiam brigar) três bolinhos de laranja, quatro suquinhos de uva e dois cachorros-quentes, que no caso eram o meu objetivo. Sentei abaixo de algumas árvores da escola filosofando em como os políticos corruptos de hoje em dia são capazes de roubar tanto! Os pais de todos, tirando os da Dilma, é claro (ela é inocente! Machistas não passarão! Democracia!), não devem se orgulhar.

Só estava observando o tempo passar no celular com um menino loirinho do Youtube que grita como uma menina e sempre traz conteúdos relevantes para seus inscritos, como "O DIA EM QUE EU EXPLODI". Nós da geração Z somos mesmo gênios da revolução, hahah.
"Cry baby, cry baby..."
Ao som do meu celular tocando (uma música muito original, aliás, que ninguém conhece e que passa uma ótima mensagem de superação), me irrito pela interrupção de meu vídeo, mas atendo por ser uma pessoa educadérrima.
— Alô?
— Ah... olá, filha, só quis ligar para checar se está tudo okay. É que de manhã não tive tempo para que convers...
— AHAM MÃE. HOJE EU VOU VOLTAR MAIS TARDE, TIPO AS CINCO DA MADRUGA, MAS ANTES PASSO EM CASA PARA PEGAR 100 CONTOS, TÁ? TCHAU! -e desliguei.
Mães, vocês sabem como são: sempre ligando desnecessáriament...
— Senhorita Josefina, desulpe-me, mas eu poderia saber o porquê de estar aqui? -a inspetora chega como se mandasse em alguma coisa.
— Na verdadi eu cheguei atrasadáh na escola e estou esperando o sinal batê para entrar na próxima aula.
— A aula começa daqui 40 minutos, e na verdade a sua sala... 7°ano, certo? Está em período de prova agora.
— Sim, e é exatamenti por isto qui eu queria ir rápido, para ter tempo de fazer a prova. -ela fez uma cara feia.
Logo tive que ir para a sala de aula, né, porque eu preciso dar credibilidade para estas escolas de hoje em dia que não sabem como educar seus alunos adequadamente.
Eu não sabia direito como fazer a merda dos exercícios, então pedi para uma menina nerd da frente para que ela me desse a resposta, e como ela terminou a prova cedo eu fui liberada.
Depois do dia tedioso na escola, eu só precisava mesmo é relaxar em um pancadão de funk, para aproveitar a juventude, não é? Porque para que se preocupar com o futuro, o importante é viver a vida. Então procurei o Joano para ele colar e me mostrar onde seria a festa, mas no lugar ele infelizmente deu a notícia de que não poderia me levar (e nem ao restante das meninas) porque o carro roubado foi fiscalizado pela polícia. Que bom que estamos no Brasil e a probabilidade de qualquer um -especialmente menor- ser preso é mínima.
Como dito anteriormente, tive que ir para a casa pegar uma grana e se pá bater um rango.
—Hei velha, vai me arranjar uns 100 contos âe?
— Mas Josefina, não acha que 100 reais é muito para apenas uma noite? Não sei se o orçamento será suficiente se você pedir todas as semanas este dinheiro. Além do ma...
— Ah, e você vai tê qui me levar de carro. Saímos daqui a 15 minutos.
— Tudo bem filha, se isto te faz feliz.

Chegando lá festa subi o morro e fui no barraco indicado por Joano quando conversei com ele da ultima vez. Subindo, o encontrei a caminho do local, então o segui.
Era uma casa afastada e já estava começando a escurecer, mas mesmo assim entrei, clamando pelo melhor.
Os móveis eram poucos, enquanto o lugar, grande. Não tinham coisas que se encontra em festas "normais", apenas pessoas e mais pessoas amontoadas, além de que o cheiro de bebida era forte.
Depois disso não lembro do que aconteceu, só depois de nove meses. Impossível esquecer do meu filho, que aliás agora deve estar fazendo uns cinco anos... ou será que são 6? Não sei, ele está bem com minha mãe, de qualquer maneira. Aliás, deve ser ela me ligando agora. Preciso mesmo de mais uns 200 contos.

Notas finais
Não sei bem o que eu estava pensando na hora de escrever, mas com certeza em alguma desgraça presente no diário do nosso país. E de rir para não chorar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!