A Trágica Vida De Kinberlly
10 Capítulo 10 - Novamente a bendita mudança na aparência e companheiro de quarto
Notas iniciais
Eu sairia normalmente se a porta não abrisse do nada e eu me esbarrasse no peito de um garoto com cabelos negros. Olhei para ele, e ele parecia perfeitamente familiar. Quando o garoto me olhou, com seus olhos vermelhos, ele perguntou para Jeff:
–- Novata?
–- Sua irmã, Tamashi.
Ele se curvou delicadamente para mim, e disse:
–- Prazer em conhecê-la, senhorita...
–- Ki...Mira.
–- Meu nome é Tamashi, seja bem vinda a família Killer, Mira.
–- Jamais viverei nesse lugar!
–- Felizmente, eu pensei assim também, e olhe como eu estou agora. Sou um dos representantes da família, depois de Jeff. -- ele deu uma rápida olhada para Jeff, que estava tocando na boca cortada. -- E então? Você vai ser igual a Nina e cortar a boca também?
–- ISSO NUNCA!
–- Ok, ok. -- ele começou a rir baixinho -- Não quis deixá-la com raiva. Pode dormir aqui, no nosso dormitório, em vez de dormir no dos Eyeless, que por sinal, só tem uma pessoa.
–- Porque só tem uma pessoa?
–- Pelo fato de toda a família Eyeless ser exterminada pelos Herois na companhia dos Monstros. Ah, nas aulas, eu irei lhe explicar melhor o esquema do nosso mundo, se quiser, Mira.
–- ...A única coisa que eu quero é voltar para onde eu morava: A minha casa original.
–- Aquela casa destruída? -- disse Jeff, olhando-se no espelho -- Infelizmente, não poderemos levá-la, a menos que se torne uma de nós.
–- Uma....de vocês?
–- Sim, claro, uma de nós. Então, aceita?
Pensei. Claramente, eu poderia mentir, falando que sim, e quando fossemos para o mundo humano, eu fugiria. Claro que eu não iria ficar com eles, é óbvio. Nunca vou ficar com assassinos que fingem serem meus pais apenas para se aproveitarem de mim com algo que querem fazer. Não vou não. Ergui minha cabeça, olhando Jeff nos olhos negros e arregalados dele, logo dizendo:
–- Aceitarei, se me fizerem voltar a ser como eu era antes.
–- Negócio fechado. -- disse Jeff, sorrindo ainda mais do que podia sorrir. -- Tamashi, providencie tudo o que a jovem Mira necessita para ter a pele normal dela.
–- Sim, meu pai. Venha, Mira-san? -- ele colocou a mão em minhas costas e me empurrou levemente para uma sala branca, com uma cadeira cheia de amarras no centro. Fora ela, eu não via nada, a não ser pisos de banheiro brancos.
–- Err...eu gostaria de saber como eu voltaria ao normal aqui.
–- É simples, Mira-san. Você senta aqui. -- ele me pois na cadeira, e em seguida, pegou as fitas de couro -- Eu prendo isso em seus pulsos, para garantir que você não saia da cadeira e evite todo o processo pela metade. Só é feito uma vez. -- terminando de me amarrar, ele ligou uma maquina que eu não consegui ver. Estava no canto da parede, cheia de botões e alavancas.
A dor das agulhas cuja eu não as vi nas laterais da cadeira em contato com minha pele foi uma experiência nada boa de se sentir. Elas penetravam cada vez mais na minha pele, como se quisesse atingir meus ossos, querendo retirar um pedaço deles. Eu quase gritei, mas a voz não saia da garganta, apenas lágrimas caiam de meus olhos, pois não era só a agulha, mas também uma cerra elétrica pequena. Eu temia a cerra cortar alguma parte de meu corpo, mas a única coisa que ela fez foi cortar meu cabelo para ficar como era antes. Uma faca conectada a cadeira ficou em minha frente, e cortou um pedaço de meu rosto, mas antes que mais lágrimas descessem ali, a pele logo regenerou, com outra cor. Minha pele inteira mudou de cor, e meus olhos também, pois Tamashi se aproximou de mim e mostrou um espelho. Quando me soltou da máquina, secou minhas lágrimas e disse:
–- Bem, não foi tão doloroso, não é? Mas como você disse, era dar sua aparência de antes em troca de você fazer parte de nós, Mira-san. Vai dormir aqui ou com o Eyeless?
–- Porque...porque vocês o chamam pelo sobrenome?
–- Porque todos aqui em sinal de respeito chamamo-os pelo sobrenome. É uma regra aqui, para os mais velhos aos novatos. Se for de novato a novato, pode chamar pelo nome. Se bem que...você me lembra muito uma pessoa... -- ele olhou para mim, mais de perto. Mas, levantou a cabeça e riu baixinho -- Claro, ela provavelmente está viva ainda no mundo humano, com a terrível família que eu tive que deixar...com ela... -- ele parou de rir e olhou tristemente para baixo. Quis consolá-lo, mas Jeff entrou na sala, e olhou Tamashi
–- Tamashi, você precisa matar três pessoas inocentes cuja duas estão grávidas.
–- Sim, senhor... -- ele falou com um fio de voz, em tom baixo, emitindo tristeza e logo saiu da sala.
–- Bem, cá estou. -- Disse a Jeff
–- Ah, sim, Kinberlly, seu quarto é o mesmo de Tamashi. Irei lhe mostrar, se for de seu agrado.
–- ...Sim, é de meu agrado. Me mostre meu quarto.
Ele sorriu, ergueu a mão, e logo a segurei, guiando-me para um corredor antigo vermelho-sangue, com portas rústicas de madeira nova, logo parando na ultima porta.
–- Bem, cá estamos nós, Kinberlly. A chave é essa. -- Ele ergueu uma chave azulada brilhante em minha direção. Ela parecia borbulhar, como se fosse uma alma perdida humana.
Tirando essa sensação da cabeça, abri a porta, e suspirei ao ver o quarto. Era azul, do mesmo estilo que o corredor, mas não tinha sangue. As camas eram de solteiro, uma com um lençol azul estilo xadrez com cor azul escuro e azul claro, e do outro lado era apenas estilo xadrez, mas com a cor vermelha. Havia uma mesa de cabeceira de madeira rústica também, onde tinha um livro grosso em cima. Parecia mais um álbum de fotos. Entrei no quarto, e logo vi uma mala ao lado da cama de xadrez vermelha, que ficava na direita do quarto, encostada a lateral na parede, igual a cama de xadrez azul, mas era inversa.
Abri a mala, sem muita emoção de ver o que tinha dentro, afinal, eram coisas para matar pessoas. Sentei-me do lado da cama de xadrez, e adormeci em lágrimas. O bom é que havia uma janela entre as camas, mas estava com grades. Consegui acordar ao ouvir o som de um alarme. Alguma coisa havia invadido o local.
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