A Troca.
4 Capítulo 4
Conhecendo Gerard como o conhecia, eu não poderia perder mais tempo naquele banheiro. Meu corpo estava em jogo. Mas, pensando bem, se ele fizesse algo com o meu corpo, porque não fazer com o dele? Se livrar desses cabelos longos , nesse momento, parecia uma idéia muito atrativa, que infelizmente eu não poderia colocar em prática.
Mesmo me distraindo a cada segundo sai do banheiro, sentindo o mesmo desconforto que sentia antes ao andar, direcionava-me novamente ao ninho de rato de Gerard. Agora que a luz estava acessa e a claridade do dia iluminavam o quarto ficava mais fácil ter uma idéia geral da situação. Se eu fosse procurar pelo meu corpo, eu teria que sair. Se eu fosse que sair, eu teria que me vestir. Se eu fosse me vestir, eu teria que tocar em um corpo e ver o que não queria.
Isso, de fato, me deprimia, e até mesmo me enojava. E se Gerard não tivesse tomado banho? E se ele fosse fedido em um lugar que eu não queria nem imaginar? E afinal, o que eu faria quando quisesse ir ao banheiro? Além de estar tonto, eu começava a ficar enjoado. A cama a minha frente se tornava novamente atrativa, não para descanso, mas sim como alternativa. Tudo bem que somos irmãos e tomávamos banho quando éramos pequenos, mas agora já estávamos quase adultos!
Olhei para o relógio dependurado na parede próximo a um pôster de um Audi e vi que já eram quase dez da manhã. Eu tinha aproximadamente duas horas para vestir o corpo de Gerard e achar meu pobre corpo. Aposto que qualquer desafio proposto por programas de ação que ofereciam dinheiro em troca seriam mais fáceis do que isso.
Para começar a fase um do desafio entrei na selva que era o quarto de Gerard, passando pelas enormes árvores que era suas coisas espalhadas pelo chão, finalmente chegando ao seu armário. Ok, agora só faltava abri-lo. Mas, levando em consideração os últimos minutos, o que eu encontraria dentro do armário dele? Calcinhas, sutiãs, saltos altos e brinquedos eróticos? O que as pessoas não fazem por dinheiro...
Abri o armário, e para minha surpresa, encontrei as roupas limpas organizadas. Havia uma série de blusas organizadas por cor, e depois por marca. As calças e tênis estavam organizados da mesma maneira, todos enfileirados e cheirosos. Pelo visto, todo chiqueiro tinha sua parte limpa.
Outra fase do desafio é que eu e Gerard tínhamos idéias completamente diferentes do que era moda e estilo. Ele usava roupas estilosas, com estampas de rock, pretas, cinzas e brancas em sua maioria, algumas de grifes, outras não, mas sempre mantendo o mesmo padrão de bom gosto. Eu , por minha vez, preferia se vestir ao estilo “nerd” e usar roupas que eram exatamente do meu tamanho. Acaba que a composição era sueter's , camisetas e calças bem cortadas.
Optando por algo mais simples acabei pegando uma camiseta preta da Ecko, junto a uma calça mais escura de uma marca que eu não conhecia e um tênis branco. Cuecas? Limpeza profunda não estava incluída no pacote. Sem demorar mais atirei as roupas sobre a cama, logo fazendo o mesmo percurso de volta para que finalmente pudesse chegar ao móvel. Não tendo roupas para tirar apenas coloquei a calça e a camisa, tendo certa dificuldade por causa do cabelo.
Já vestido me direcionei ao canto onde se encontravam os sapatos, optando por pegar um coturno com bolinhas pratas e um gorro preto, combinando com a estampa da blusa.
Fui novamente ao banheiro, sentindo novamente dor de cabeça, esta provavelmente causada pelo peso do cabelo. Eu novamente me perguntava como Gerard conseguia aguentar essa coisa na cabeça dele, sentindo tanta dor. Talvez fosse essa a explicação para seu estado mental próxima ao vegetativo.
Para começar, retirei o pequeno elástico que prendia a vassoura presa em um rabo de cavalo mal feito, deixando que o cabelo caísse por meu rosto. Pulando a etapa de pentear o cabelo que qualquer pessoa normal faria . O gorro foi posto com certa facilidade,. Mas como tudo que é muito fácil é suspeito, o mais difícil ainda estava por vir.
Eu não tinha a menor idéia de como pentear o cabelo. Virado? De frente? Entre arrumar o cabelo de Gerard e arrumar a casa inteira, eu ficava com a segunda opção. Primeiramente eu tentei colocá-lo normalmente, sem colocar franja. Pior do que estava não poderia ficar.
Além de eu/ Gerard ter ficado com a franja demais na parte da frente o gorro começava a cobrir meus olhos, além de me deixar parecido com um traficante. Porque meu irmão tinha que ter um mal gosto tão grande? Tirei o gorro e tentei ficar somente com o cabelo solto, mas quando eu pensei que não poderia piorar eu estava completamente enganado.
Antes parecer um traficante do que um mendigo. Usar o cabelo sem o gorro estava fora de cogitação. Agora só me restava enfiar aquele treco de qualquer jeito na cabeça ou arrancar a metade dos fios e esperar pela morte de quando encontrasse Gerard, ou no caso, me encontrasse.
Por alguns minutos me lembrei de uma ocasião em que gerard arrumou seus cabelos , e eu estava junto. Ele fez o mesmo penteado, colocou a toca de mendigo, e depois separou o cabelo em dois, deixando a metade dentro do gorro e os outros fora do mesmo. Quem olhava não via a diferença, mas na hora de arrumar o penteado fazia muita diferença. Ainda mais para quem não sabia fazer esse tipo de coisa.
Seguindo os mesmos passos do meu irmão dividi o cabelo em dois, passando a metade dos fios pelo gorro, e deixando a outra metade solta. Mesmo sendo eu a fazer isso, não estava bom. E pelo visto, jamais ficaria. Eu estava acostumado a arrumar tudo com minhas próprias mãos, unhas grandes e dedos mais finos. Mas para ir a procura do meu corpo estava mais do que perfeito.
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