Notas iniciais
demrei a postar pq estava me dedicando as outras fic's e essa é realmente detalhada e difícil.

Depois de muito pensar e quase chorar acabei adormecendo, tendo sonhos bem esquisitos, assim como meu dia. Era como se eu estivesse vivendo a vida de Gerard, saindo com seus amigos, agindo de maneira infantil e imbecil como ele. Isso não poderia ser classificado como um sonho, e sim como um pesadelo.

Por sorte hoje era sábado, o que significava dormir até tarde, andar todo desleixado pela casa, comer porcarias, assistir televisão, ouvir música e dormir. Porque todos os dias da semana não poderiam ser como esse? Nossa mãe sempre saía aos sábados de manhã com meu pai, sempre para passear em um parque ou algo do gênero.

Como eu e o Gerard sempre estávamos cansados – no caso do Gerard cansado de tanto beber e foder – mamãe nunca nos chamava para ir junto, porque sabia que a resposta sempre seria a mesma. Pensando em mamãe e Gerard, acabei me lembrando da briga de ontem, o que com certeza ela iria querer saber o motivo. Pensando bem era bom ela sair pela manhã.

Mesmo contra minha vontade tive que me levantar por causa de uma corrente de ar frio que invadia o quarto, chocando-se contra a parte superior de meu corpo. O que era mais estranho é que eu não me lembrava de ter dormido com poucas roupas, muito menos com a janela aberta.

O quarto estava escuro pelas cortinas que cobriam a janela, deixando minha visão de um recém acordado mais confusa ainda. No caminho para a janela acabei tropeçando em algo duro, machucando um pouco meu pé. Já irritado acabei chutando a maldita coisa para um canto qualquer, soltando uma carga de palavrões.

Meu quarto, no geral, era muito bem organizado. Não tinha nada espalhado pelos cantos, muito menos pelo chão. A sujeira nunca passava de uma fina camada de poeira, e as roupas – até mesmo as sujas – estavam sempre dobradas, a cama sempre arrumada, e janelas sempre fechadas antes de dormir. Será que eu havia agido como Gerard e enchido a cara?

Nosso pai tinha um mini bar no porão, mas não deixava Gerard se aproximar, porque sabia muito bem como vários tipos de bebidas, mais um lugar quieto e vazio e um adolescente retardado acabaria em total desastre. Já, quanto a mim, meu pai sabia que não havia problema. Eu até bebia, e gostava, mas não passava dos limites.

Tropecei novamente, mas dessa vez nos meus próprios pés. Eu não queria abrir novamente meus olhos, não queria nem pensar em acordar. Se não fosse aquela maldita janela eu ainda estaria nas minhas cobertas quentinhas, na minha cama macia, dormindo calmamente e talvez até roncando.

Eu sabia que estava próximo a janela pela brisa fria que sentia, mas não conseguia alcançá-la. Pelo que me lembrava não havia absolutamente nada na frente da janela do meu quarto, nem se quer uma folha de papel. Já desconfiado e um tanto receoso – e até curioso – decidi tocar o objeto que estava em meu caminho, ficando um tanto assustado ao identificá-lo.

Meus dedos contornavam calmamente, segurando o braço fino com a outra mão, impedindo que o tripé de pintura de Gerard fosse para o chão e ele me matasse. Mas porque a o material de desenho dele estava no meu quarto?

Afastei-me do tripé , deixando a janela aberta. Passar um pouco mais de frio não me mataria. Rapidamente fui até o interruptor de luz do quarto, tendo um pouco de dificuldade para acendê-lo, já que não enxergava absolutamente nada, e pela pressa tremia um pouco. Não sei dizer ao certo se meu corpo tremeu por completo ou ficou extremamente paralisado quando a luz iluminou o cômodo.

Olhei em volta, observando cada objeto que não me pertencia. O mesmo tripé próximo a janela, infinitos Cd’s de várias cores empilhados em um canto do quarto, várias roupas atiradas pelo chão, junto a livros e a uma mochila, um celular que não era meu sobre o criado mudo ao lado da cama, junto a algo que eu jamais desejaria ter visto: um pacote de camisinhas dourado. Sabe-se lá onde é que isso já esteve, e com quem esteve.

Vários posters de roqueiros, mulheres e personagens de desenho refletiam um pouco da luz, deixando-me ainda mais confuso. Esse, definitivamente, não era meu quarto. Ah, e se não era. Tudo bem que eu poderia ter parado aqui por uma razão que ainda era desconhecida para mim, mas eu não era louco. Meu quarto era arrumado, e não era obsceno como o da pessoa que eu chamava de irmão mais velho.

Se ele me encontrasse aqui não iria ser nada bom. Ou não iria fazer simplesmente nada, só me mandar sair. Quanto a isso eu não tinha uma total certeza, já não o conhecia mais. Mas por via dar dúvidas era melhor sair do quarto dele. E se tivesse algum rato morto ali dentro? E o pior de tudo, que fez meu estômago dar voltas. E se tivesse resquícios de sexo na cama que eu havia dormido? Com certeza a primeira coisa que eu faria seria tomar um banho com desinfetante.

Mesmo com nojo do meu próprio corpo eu não poderia tomar um banho, pelo menos não agora. A dor de cabeça que sentia, o gosto amargo e forte que sentia em minha boca e a dor de estômago não poderiam ser ignoradas. Parecia que se eu permanecesse em pé acabaria desmaiando.

Também havia algo que incomodava minhas costas e pesava em minha cabeça. Provavelmente era meu cabelo que estava podre de tão sujo a ponto de chegar a pesar, fazendo-o ficar sobre minhas costas. Mas isso não era tudo., . Não era exatamente incômodo, mas era estranho. Porra, o que eu havia feito? Mergulhado em uma poça de lama e batido a boca no chão além de ter bebido o suficiente para deixar alguém em um coma alcoólico?

Saí do quarto de Gerard, apenas fechando a porta para que ele não desconfiasse de nada, mesmo que ele – aparentemente – não estivesse aqui. Sabe-se lá seu paradeiro, e também não me interessava. Fui até o quarto de nossa mãe , abrindo o armário e pegando uma pequena caixa branca onde ela guardava todos os medicamentos.

Já sabendo por qual remédio procurar busquei por um analgésico e um remédio para dor de estômago, junto a um relaxante muscular. A dor de cabeça e dor de estômago não eram as únicas coisas que me causavam dor. A sensação que tinha em meu corpo era de que havia corrido uma maratona e rolado a maior parte do percurso sem a menor preparação física.

Tomei os comprimidos sem nenhum líquido, ignorando a pequena queimação em minha garganta. Guardei a caixa exatamente como estava, sem querer deixar rastros do mal estar que havia tido. Em menos de uma hora eu estaria bem novamente, comendo algo ou vendo televisão, e o mais importante de tudo, limpo.

Saí do quarto sem fazer barulho, indo até o banheiro que se encontrava no meio do corredor. O clima estava realmente frio, e eu ainda nem me dera ao trabalho de olhar para meu corpo que deveria estar praticamente nu. Entrei no banheiro o mais rápido que podia, fechando a porta e ligando o pequeno aquecedor feito especialmente para o cômodo. Fiquei na frente do mesmo por um pequeno tempo, relaxando com o calor do aparelho.

Voltei minha concentração para o banheiro, olhando-me no espelho. Bom, no momento várias possibilidades passavam por minha mente. Primeira: eu estava louco. Segunda: eu estava bêbado. Terceira: eu estava drogado. Quarta: eu ainda estava dormindo e estava tendo o pior pesadelo de toda minha vida. Quinto e mais improvável: era somente mais uma brincadeira tão imbecil quanto o criador.

De tão impressionado que estava não conseguia nem piscar os olhos, muito menos respirar. Qual seria o momento em que Gerard sairia do espelho e me daria um susto tão grande que eu nunca mais iria conseguir dormir com a luz apagada?

– Vamos Gee, pode parar com a palhaçada, já perdeu a... – Não consegui continuar a frase, colocando a mão sobre meus lábios. Essa voz rouca e grossa não me pertencia.

Notas finais
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