A Trindade Mágica
7 Capítulo 7 - Magia da Natureza Primordial
Mais oito anos se passaram. Galvia agora já é uma moça, uma adolescente, não muito diferente do que era na infância quando ainda era uma garotinha. Uma garota gentil e calma, mas quando era irritada mudava para algo mais violento. Graças a sua educação e crescimento sua paciência aumentou então os momentos de fúria eram menos frequentes, quase raros, de acontecerem.
O tempo não passou somente para a garota. Seus pais também envelheceram durante esses dezesseis anos, mas ainda estavam muito bem para continuarem com suas atividades do dia a dia e cuidar da filha.
Em um certo dia, Galvia estava treinando sua magia na floresta, em uma das montanhas próxima de sua cidade. Ela colocou uma de suas palmas no terreno e, com uma pequena pressão, uma grande quantidade de terra foi expelida de uma vez do chão, como se o mesmo tivesse cuspido. Galvia então colocou ambas as mãos naquele monte de terra que pairava e começou a mexer nele. Poucos segundos depois de movimentar aquele elemento, uma grande pedra se formou. Galvia sorriu e se afastou do mineral, que no mesmo instante caiu no chão, ainda fixo em sua rigidez mostrando que de fato era uma rocha natural.
— Tá. Agora vem a parte complicada.
Após dizer aquilo a garota fechou os olhos, respirou fundo, abriu os olhos novamente, apontou suas mãos para a rocha e começou a mover os braços lentamente. Ela repetia aqueles movimentos por alguns segundos como se esperasse algo, mas nada acontecia até que de repente uma brisa apareceu, mexendo alguns fios verdes do cabelo da personagem.
— Isso — a garota sorriu rapidamente, pois precisava manter a concentração para tentar aumentar a força daquele ar.
Depois de quase um minuto repetindo os gestos com os braços Galvia finalmente conseguiu criar uma corrente de ar forte o suficiente para esvoaçar todo seu cabelo. Isso pareceu não ser o bastante para ela que continuou se mexendo como antes, embora isso não tenha perdurado muito. Sua concentração foi quebrada por um som alto de motor e logo depois uma enorme árvore começou a tombar bem próximo a ela. Por mais que ela não fosse ser esmagada, a visão que teve causou um medo tremendo que a fez parar de usar magia e correr para longe do local onde o tronco caiu.
— Nossa… quase… — depois de se acalmar daquele susto ela olhou para a árvore e pensou em voz alta. — Deve ser gente de Duamontana pegando madeira.
Aceitando esse pensamento a adolescente voltou ao seu treino. Galvia tentava levantar a pedra que havia criado, mais uma vez usando magia para invocar ventos quando novamente escuta o mesmo som de motor de antes e aí outra árvore caiu próximo a ela
— AHHHHH! — Gritou ela assustada.
Com o passar do novo susto a menina se irritou e resolveu ir tirar satisfação com os prováveis lenhadores de Duamontana.
— Cara, eles precisam tomar mais cuidado. Eu tô treinando aqui e eles ficam cortando as árvores sem nem ligar onde elas vão cair? Não dá!
Ela seguiu a direção de onde as árvores foram cortadas, caminhando com passos rápidos e fortes até que finalmente chegou onde queria. Lá ela encontrou vários homens. Um grupo com quatro homens parecia ser mais propenso de ser os trabalhadores: grandes, fortes e barrigudos, mau encarados, usavam óculos protetores, vestiam camisetas e calças jeans além de segurarem motosserras. Os outros três deviam ser os chefes dali: tamanho e físicos medianos, usavam óculos de proteção, vestiam camisas e calças sociais além de segurarem papeis grandes nas mãos, olhando e analisando o que quer que estivesse escrito ou desenhado lá.
— Esses caras não parecem ser de Duamontana — disse Galvia em um tom baixo, fazendo força para tentar reconhecer alguém ali. — Melhor eu ir ver quem são eles e o que estão fazendo aqui.
A garota começou a se aproximar daquele grupo e um dos trabalhadores que estava prestes a cortar uma árvore com sua motosserra viu a jovem se aproximar e alertou a todos os outros presentes ali.
— Ninguém deveria estar aqui. É uma floresta numa montanha. A cidade fica a uns dois quilômetros — disse um dos homens bem vestido.
— E o que a gente faz? — Perguntou outro com o mesmo nível de roupa.
— Mandaram a gente destruir parte da floresta sem que ninguém soubesse. Precisamos obedecer para sermos pagos — disse o terceiro homem com um sorriso sinistro no rosto enquanto olhava para a jovem.
Os trabalhadores ao ouvirem que poderiam não receber caso alguém os descobrisse logo trataram de correr, erguendo as motosserras em direção a garota.
Galvia congelou de medo. Ver homens grandes e fortes correndo daquele jeito em sua direção com uma arma era algo que ela nunca havia presenciado. Os homens perceberam que a jovem estava amedrontada e largaram suas armas pelo caminho enquanto continuavam a correr. O primeiro estava tão desesperado em pegar a moça que a meio metro de distância saltou para cima dela, agarrando-a, e pelo impacto do ato ambos caíram no chão. Lá o homem a manteve presa em seu abraço apertado. Os outros quando os alcançaram se jogaram por cima deles numa tentativa de esmagar ou sufocar a garota.
Sentindo uma enorme pressão no corpo e tendo dificuldades para respirar, Galvia ficava cada vez mais temerosa, achando que seu fim estava próximo. Ela até começou a ver sua vida passar diante de seus olhos, mas por alguma razão os acontecimentos de sua trajetória pararam nos momentos de seus treinos com a magia e foi aí que ela se lembrou de sua habilidade. A garota começou a fechar a cara, colocou a palma das mãos no solo e disse em um tom enraivecido:
— Sai… de cima… de MIM!
Logo em seguida um pequeno tremor espantou a todos e então uma erupção terrestre ocorreu. Galvia e seus agressores foram empurrados para cima por um jato de terra disparado diretamente do solo chegando a uma altura de três metros. Os quatro homens caíram de cara e costas no chão enquanto que a moça descia lentamente, com os cabelos esvoaçantes.
De volta ao solo, Galvia estava bastante irritada com aquele ataque e atos supostamente criminais. Ela agachou, pegou um punhado de terra com as mãos, se levantou e então começou a afrouxar seus punhos: devolvendo lentamente o que havia apanhado. Com isso, os homens caídos foram rapidamente cobertos pelo solo, como se estivessem sendo enterrados vivos, embora suas cabeças não estivessem sendo tampadas.
— ELA USA MAGIA! — Gritou um dos lenhadores caído no chão, coberto por terra e gemendo de dor pela queda.
— Ah vá. É mesmo? — Ironizou um dos três homens bem vestido. — Vocês vão ficar sem receber — o analista estava frustrado com o acontecido e decidiu punir seus subordinados.
Os quatro presos ao ouvirem aquilo começaram a se debater, tentando se soltar. Ninguém queria ficar sem receber o pagamento, mas infelizmente, para eles, a força da natureza era maior então eles tiveram que se entregar ao cansaço das tentativas e desistir.
— Isso não é Magia da Natureza normal. Precisamos ir embora e avisar ao chefe — um dos analistas ficou espantado com o que viu e aconselhou a retirada para os seus companheiros.
Todos os três acharam aquela a melhor solução para usar no momento e então fugiram dali.
Galvia, que ainda estava bem brava, esticou seus braços na direção dos fujões e então os cipós das árvores próximas a garota se alongaram, perseguindo os três. Eles não conseguiram ir muito longe até serem agarrados por aquele vegetal que começou a suspendê-los no ar, mas nesse processo, dois daqueles também usaram Magia da Natureza. Um deles colocou suas mãos no cipó e depois baforou em cima das mãos fazendo elas esquentarem o suficiente para queimar o tronco enroscado, que o soltou. O outro fez algo similar, mas ele não usou assoprou em cima de suas mãos, apenas as esfregou criando assim uma chama que também consumiu boa parte de sua prisão, deixando-o cair. Assim ambos fugiram descendo a montanha enquanto seu terceiro colega continuou preso, no ar sem saber o que lhe aconteceria.
Galvia finalmente se acalmou e caminhou em direção ao último homem que conseguiu prender, ignorando todos os outros no solo.
— Será que você pode por favor responder algumas perguntas? — Perguntou a moça educadamente para seu prisioneiro.
Fale com o autor