A Trindade Mágica
10 Capítulo 10 - A cidade de Duamontana
Era mais um belo e calmo dia na cidade de Duamontana. Uma cidade pequena entre duas montanhas diferentes: de um lado, uma montanha com muitas árvores longas e do outro uma montanha muito rochosa, com diversas cavernas.
O município em si não é muito grande. Tem em torno de trinta mil habitantes que exercem diversas funções na comunidade para continuar mantendo-a em harmonia. Algumas ruas percorrem toda a localidade, facilitando a locomoção de transportes públicos e particulares, mas ainda assim deixando bastante espaço para as calçadas movimentadas onde moradores e comerciantes trocam informações, passeiam com seus familiares e animais de estimação além de fazerem compras.
Embora aquele dia parecesse tranquilo como os outros algo chama a atenção de algumas pessoas no limite leste da cidade. Um baixo som de explosão e poucos milésimos de segundos após, ou literalmente ao mesmo tempo, uma fumaça acinzentada com bastante poeira subia ao céu. Quem não percebido esses sinais durante o ocorrido, com certeza foi chamado a atenção pelo medo e preocupação de alguém próximo e assim pôde perceber o que acontecera. Cada vez mais pessoas começavam a se juntar ali, no leste da cidade, para tentar entender o que estava acontecendo ao mesmo tempo que algumas pessoas se afastavam, assustadas com o que viam.
No centro da cidade, próximo a prefeitura ficava o departamento de polícia e lá dentro o delegado: um senhor ainda em boa forma, com cabelo curto e bigode mediano, ambos lisos e grisalhos; recebe um chamado em sua sala. O guarda atendente da delegacia: um garoto jovem, branco, provavelmente entre seus vinte anos de idade, de olhos azuis, cabelo curto e preto, sem bigode; entra no escritório de uma forma estrondosa, quase arrancando a porta para fora da saleta, informando em um tom de preocupação, beirando o desespero, ao seu superior o que diversas pessoas contaram a ele nas ligações telefones a poucos segundos atrás:
— Senhor! Houve uma enorme explosão na montanha do leste.
O delegado, sentado na sua confortável cadeira, de frente para a mesa, lendo em paz seu jornal, levou um tremendo susto com a entrada de seu subordinado em sua sala. O espanto foi tamanho que ele nem sequer prestou atenção no que foi dito. Colocou seu noticiário sobre a mesa calmamente, tentando acalmar seu coração, e então questionou o policial:
— O que foi homem?
— Senhor, há muitos relatos de que houve uma grande explosão em uma das minas na montanha do leste.
Agora sim o capitão entendeu o desespero daquele guarda ao entrar na sua sala. Sem demorar muito ele levanta e se encaminha para fora do escritório:
— Então vamos para lá imediatamente. Chame os homens e também ligue para o hospital. Peça que enviem uma ambulância urgente e que se preparem para cuidar dos feridos.
— Sim senhor!
Do outro lado da cidade, no limite oeste, dois homens grandes, fortes e barrigudos desciam correndo, desesperados, a montanha, chegando até a cidade. Os moradores que estavam por ali perto ficaram surpresos e confusos com o que viam. Aquelas duas pessoas nunca haviam sido vistas nas redondezas e de repente aparecem descendo a montanha como se não houvesse amanhã.
Os forasteiros, ao chegarem na calçada, desviando dos carros que passavam pela avenida, pararam para descansar daquela correria que tiveram. É claro a todos de que aqueles homens estavam cansados e possivelmente com medo de algo.
— Com licença. Vocês estão bem? O que houve? — Uma das cidadãs se aproximou da dupla para entender o que acontecia.
— Sim… — o homem ainda tinha um pouco de dificuldade para falar pois ainda ofegava, mas depois de respirar bem ele continuou. — É que uma garota atrapalhou o nosso trabalho e…
O homem foi cutucado e encarado pelo seu parceiro, em um ato de interrupção, como se estivesse recebendo um aviso para ficar de boca calada e então este mesmo resolveu falar pelos dois:
— Não foi nada. Apenas nos assustamos com a queda de algumas árvores e preferimos correr do que ficar lá esperando para ver o que poderia ser.
A mulher que havia lhes perguntado pareceu confiar naquela resposta pois sorriu calorosamente já alguns outros moradores ainda pareciam estranhar aqueles homens, seus comportamentos e essa sua história.
— Olha só a hora, estamos atrasados. Precisamos ir… — disse o mesmo homem que havia dado a falsa resposta, enquanto olhava para o parceiro sinalizando com o olhar que eles deveriam ir embora.
— Ah é. Verdade. Precisamos mesmo ir.
— Muito obrigado pela gentileza de se preocuparem conosco, mas estamos bem. Temos que ir embora agora então tchau.
Os dois pesos pesados não esperaram pelas despedidas dos habitantes, caminhando em passos rápidos em sentido ao norte da cidade, como se já soubesse que lá era uma das saídas e entradas de Duamontana. Os poucos duamontanenses que acreditaram na história contada agora estava achando aquelas duas pessoas estranhas, no sentido de não serem socialmente normais, enquanto os outros cidadãos que ainda desconfiavam da dupla agora estavam preocupados com tudo o que aconteceu, com alguns até mesmo olhando na direção da montanha oeste como se esperassem por uma resposta surgindo de lá.
De volta ao centro da cidade, em frente à delegacia, o delegado estava dando as ordens aos seus homens para que fossem até a montanha leste quando aquele policial atendente sai de dentro do departamento correndo, indo em direção ao seu superior, aparentemente com uma nova notícia preocupante, mas devido ao seu comportamento parecia ser menos urgente:
— Senhor, recebi uma ligação de um morador. Ele disse que dois homens estranhos, nunca vistos antes na cidade, haviam descido a montanha oeste correndo e que depois eles foram embora da cidade sem explicar direito quem eram e o que faziam.
— Hm. Isso parece suspeito. Ok, irei enviar alguém para investigar — respondeu o capitão.
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