Notas iniciais
Uma introdução aos personagens da História.

A família Kennis

O vilarejo do Rio dos Seixos, onde moravam os amigos Jorge Kennis e Harbert Ihilane, tinha o básico para uma população de poucos habitantes: Uma igrejinha com uma praça em frente, um pequeno comércio (voltado para a agricultura), uma casa de pensão, escola, feira de frutas e artesanatos, e um posto de saúde que não era muito movimentado, já que as pessoas do vilarejo raramente ficavam doentes.

Desde muito cedo, Jorge gostava de colecionar pedrinhas, como os pequenos e os grandes seixos encontrados na beira do rio próximo à sua casa. Era um adolescente de dezesseis anos, usava óculos quadrados, o que fazia com que ele sofresse bullying por ser nerd, junto com seu amigo Harbert. Mas eles não se importavam, consideravam isso como elogios, e tinham razão. Sempre foi um garoto antissocial, não era de muitos amigos, e não fazia questão disso. Seu melhor amigo, Harbert, também tinha uma paixão desde a infância: Colecionar insetos.

Era uma dupla de amigos inteligente na escola, sempre tirando as melhores notas, principalmente nas aulas de mineralogia e biologia.

Harbert, com seus cabelos sempre bagunçados, não usava óculos e era apenas um ano mais velho que Jorge. Ambos não ligavam muito para a aparência, e isso ajudou muito com a divisão de opinião dos colegas em relação a eles: Enquanto uns os chamavam de nerds e gostavam de caçoar eles, outros os admiravam pela sua inteligência e os respeitavam ao máximo.

Embora não ligasse muito para opinião alheia, Jorge dizia que as críticas alimentavam mais ainda seu desejo de se tornar um grande cientista. Harbert concordava.

Eram amigos ambiciosos. Ambiciosos pela ciência, pelo conhecimento, pela curiosidade. Sempre recolhiam amostras de tudo e levavam para o pequeno laboratório da escola. Laboratório que praticamente já era deles, porque nem os próprios professores usavam.

Mas assim como todas as pessoas, eles também tinham seus defeitos. Jorge tinha pensamentos utópicos, o que fazia ser uma pessoa ignorante. Por quê? O que fazia com que um adolescente que não gostava de fazer amigos e era antissocial ter esses pensamentos? Harbert sabia a resposta. Eram tão amigos, que muitas vezes sabiam o que se passava na mente um do outro.

Harbert, assim como Jorge, era um exaltador da ciência. Sua adoração de cientista pela ciência era tanta, que isso fazia ser um ignorante cego. Ignorava qualquer tipo de crença, e quando vinham falar sobre religiões para com ele, a primeira coisa que fazia era xingar muito a corajosa pessoa que insistia em tal assunto.

***

Harbert gostava de ir sempre à casa de Jorge por causa do rio que "ficava" no quintal do melhor amigo. Às vezes passavam uma manhã inteira conversando sentados na Grande Pedra.

Eles consideravam a Grande Pedra como um lugar sagrado pra conversar, fazer planos etc.

-Harbert — disse Jorge -, eu acho que já esta na hora de começarmos a escolher qual profissão seguiremos. Você gosta de biologia, e eu de mineralogia...

Harbert murmurou algo.

- Faltam apenas um ano para a nossa formatura — continuou Jorge-, e a maioria dos colegas de classe já sabem o que farão após a conclusão do Ensino Médio...

Mas ambos sabiam muito bem que suas carreiras profissionais estariam voltadas para a ciência. E passaram o resto daquela manhã ensolarada conversando sobre seus futuros na área acadêmica. Às vezes sempre conversando o mesmo assunto, às vezes não.

E em determinado momento, várias coisas aconteceram ao mesmo tempo: O sino da igreja tocou, anunciando o meio-dia; a mãe de Jorge chamou os meninos para almoçar; e um pequeno abalo sísmico, que não chegara a ser um terremoto assustador que destruiria o mundo, mas foi forte o bastante para fazer tremer a Grande Pedra. Como Jorge tinha vários livros sobre tal assunto, a primeira coisa que fez foi olhar uma pedrinha que estava no chão quando ele e Harbert se sentaram na Grande Pedra perto do rio. Ele sabia como calcular a intensidade do abalo sísmico pela trajetória e distância que a pedrinha percorrera ao término do abalo.

Mas o que mais se ouvia nem era tanto o abalo em si, mas as pessoas gritando apavoradas. Foi a terceira vez em um mês que tal evento acontecera, e os geólogos ainda não sabiam explicar a causa de tal fenômeno. Qual seria o motivo para esses eventos se intensificarem com tanta frequência em um vilarejo pacato?

A mente de Jorge borbulhava. Ele estava tão atordoado, com mil e uma ideias na cabeça, que, quando o pequeno abalo de 7 segundos terminou, ele quase escorregou da Grande Pedra para dentro do rio. Jorge e Harbert estavam tão confusos que não sabiam o que fazer naquele momento. Mas talvez pensaram a mesma coisa: iriam correr para a biblioteca pública.

E mais uma vez a mãe de Jorge chamou os garotos para irem almoçar. Jorge, por costume, pegou a pedrinha que se movera com o abalo, colocou-a no bolso e partiram. Entraram pela porta dos fundos, lavaram as mãos e sentaram-se à mesa para almoçar. A família Kennis já era tão acostumada com a presença de Harbert, que já o consideravam um membro da família. Era visto por muitos que não os conhecia como irmão de Jorge.

Sentados à mesa estava Harbert, o Sr. Kennis e seus quatro filhos — Jorge, Yrla, Lani e Leon-, e sua esposa estava servindo o almoço. O Sr.º Kennis, era um homem trabalhador que vivia de agricultura. Saía todas as manhãs para plantar e cultivar. Leon era o primogênito, ajudava seu pai vendendo o que ele colhia e nas horas vagas ficava lendo jornais, e às vezes lia a Constituição de seu país. Queria porque queria ser advogado, mas seu pai não concordava. Ele dizia que não queria ver o filho trabalhando com mentiras e jogo sujo. Lani trabalhava numa banca de livros e sempre cedia grátis, o jornal do dia ao seu irmão Leon. Yrla era a que mais se parecia com Jorge, e queria ser professora de ciências. Sempre que podia, ficava conversando com Jorge e Harbert. Tinha uma afeição muito grande pelo melhor amigo do irmão.

Dona Joana Kennis servia o almoço, e comentava com todos sobre o pequeno tremor.

-Se continuar assim, vamos ter que mudar para outra cidade- falou com receio-, já é o terceiro no mês, e está ficando mais forte. Que Deus nos ajude, não quero morrer soterrada pelo meu próprio lar! -Era óbvio que ela estava com muito medo.

–Querida — e pela primeira vez desde o abalo, o Sr. Marvin falava–, vai ficar tudo bem. Logo, logo vamos ficar sabendo de alguma coisa. E até lá, vamos esperar, não acredito que possa piorar. –

–Que Deus nos ajude, que Deus nos ajude... – Dona Joana estava tão preocupada, que todos perceberam tal medo apenas pelo seu tom de voz. – Em todos esses anos que moramos aqui, nunca vi nada parecido. – parou um pouco, e, coitada! Só prestou atenção que Jorge e Harbert não estavam mastigando a comida direito depois de muito tempo! Naturalmente ela deu um pequeno sermão nos garotos, e, se não tivesse dado, não seria a Dona Joana.

Yrla percebeu que algo estava acontecendo. Queria muito perguntar a seu irmão, mas não queria estragar, seja lá o que fosse.

Os amigos terminaram de almoçar primeiro que todos, e saíram quase correndo de casa. Harbert tinha que passar em casa, há essa hora sua mãe já estara preocupada. Não demoraram mais que cinco minutos na casa de Harbert e correram para a biblioteca.

Notas finais
Curtiram pessoal? Entrem em contato com os autores da História, eu e meu amigo Josenildo..
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Espero que tenham curtido galera
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.