Notas iniciais
Oi oi! Estou postando aqui mais rápido do que eu achava! Melhor, não? Haha. Obrigada pelos comentários e... o título deixou-os curiosos? Eu falei que ia ter POV Soluço mas não me contive e ficou meio a meio.

POV Soluço

A ideia de Astrid era genial, mas não queria ela no ataque, ela acabou de chegar à Academia, a melhor coisa que pude fazer foi deixa-la com Perna De Peixe distraindo Bocão, Baldão e Estrume. E foi fácil até demais destruir as catapultas que achei que outras iriam surgir. Mas não.

Voltei para onde Perna de Peixe e Astrid estavam e só encontrei o loiro olhando desesperado para as árvores e Tempestade voando para lá e para cá sem rumo, parecendo procurar algo. Ou alguém. Com isso, percebi...

–Onde está Astrid? – perguntei a Perna de Peixe.

–Ela se distraiu e uma pedra quase a acertou, a Nadder Mortal dela desviou, mas Astrid não estava sem segurando nas rédeas e caiu. – apontou para baixo – E nossos dragões não tem o porte certo para ir a uma busca entre as árvores além do... – ele me olhou – Banguela.

Demorei alguns segundos para entender e depois já estava mergulhando em meio às árvores com Banguela. Voamos um pouco até que vimos um vulto loiro escorregando de um galho.

–Vamos, amigão, rápido! – falei para Banguela que foi o mais rápido que podia.

Astrid bateu em um galho, mas logo depois já estava em meus braços. Sua blusa e sua calça, ambas pretas, estavam um pouco rasgadas. Seus braços tinham alguns leves arranhões e o que me preocupou foi o corte profundo em sua têmpora. Ela abriu os olhos e me encarou com os olhos azuis brilhantes, mas que agora tentavam esconder a dor. Não consegui encara-los muito porque ela desmaiou, simplesmente apagou em meus braços. Banguela subiu, saindo do meio das árvores.

–Ela desmaiou – falei – Aula encerrada, até amanhã, vou levá-la para casa. Vem Tempestade. – falei a dragão-fêmea que me seguiu sem hesitar ao ver sua dona apagada.

***

Abri a porta e a fechei com o pé após Banguela entrar, já que Tempestade é muito grande ela ficou com a cabeça na janela do quarto de Astrid. Limpei e tratei dos ferimentos dela e fiquei a observando. Era um momento ruim para falar que ela tinha um corpo lindo? Sim, Soluço, é. E você a conheceu há um dia, aquieta ai.

Desci as escadas e procurei algo para comer. Achei alguns restos de bacalhau da janta de ontem e um peixe para Banguela e fiquei pensando que algo em Astrid me intrigava. As palavras dela eram ditas com firmeza e um toque de orgulho, do que suspeitar?

O silêncio era bom, mas foi interrompido por um ranger no alto da escada. Vi Astrid, que ao invés de cabelos soltos e vestes pretas, usava uma trança lateral junto com um aro de aço fino sob sua franja, blusa vermelha e uma calça azul. Mas continuava com as mesmas botas, capuz, ombreiras e saia (esta sob uma saia marrom de malha, dois palmos acima do joelho) de metal com espinhos também de metal. Os ferimentos estavam um pouco melhores e seu corte na testa não estava visível por causa de sua franja.

–Finalmente acordou, Milady. – falei risonho.

–Não me chame assim. – ela falou ao andar pela sala.

–É um apelido... — carinhoso? – respeitoso.

–Tá bom. – ela revirou os olhos e roubou um bacalhau do meu prato, que eu já havia deixado de lado faz tempo. – Por quanto tempo fiquei desacordada? – olhei pela janela e me surpreendi com o sol quase se pondo.

–Umas boas horas – arregalei os olhos – Estávamos na aula e agora já está acabando o dia. – ela me olhou surpresa e ri – Além de rasgar as roupas, rasgou a testa também, han? – ri e percebi que não era uma boa hora para piadas.

–Muito engraçado – ela disse irônica e seca, e eu realmente não ligava para essas coisas. – Acho que vou dar uma saída...

–Opa, opa! Você mal se recuperou, mal comeu! – disse me levantando – Vai ficar aqui.

Ela ia protestar, mas acho que ela percebeu rápido que se fosse fazê-lo eu iria discutir até ela se cansar, e se deu por vencida, com uma careta.

–Ta, mas o que vamos ficar fazendo aqui?

–É uma boa pergunta – respondi – Que tal conversar, sei lá, nos conhecer?

–Então, diga-me sobre você, além do que já me contou.

–Hm... Não tenho nada para contar, então. Conte-me sobre você.

–Também... Ah, qual é, vamos sair logo! – ela voltou à discussão que eu pensei estar encerrada.

Vamos? Eu e você?

–Hm... Erm... Pode ser. – então eu tive uma ideia genial, pelo menos para passar um tempo com ela.

–Tá. Eu fiquei de te mostrar Berk e é isso que vamos fazer. – falei sorrindo.

–Perfeito! Melhor que ficar em casa, não? Vou buscar Tempestade e...

–Não, não, Milady. Eu vou mostrar-lhe Berk e acho que então eu decido como vamos. — ela revirou os olhos e fez um gesto com a mão para que eu continuasse. – Vamos no Banguela. – ao ouvir seu nome, Banguela se juntou a nós, exibindo um sorriso, com a boca aberta, mas sem os dentes.

–Pode ser – ela sorriu confiante e me seguiu.

POV Astrid

O segui até a frente da casa e vi Tempestade, que parecia aliviada em me ver.

–Oi, amiga – falei ao me aproximar dela e acariciar seu queixo – Vou dar uma volta e você fica aqui, tá bom? Qualquer coisa vá para a Academia. – voltei para perto de Soluço após acariciá-la novamente. – Vamos?

–Claro – ele disse com uma cara marota.

Não sabia muito o que fazer então montei em Banguela, meio hesitante, após Soluço. Ver um Fúria da Noite é novidade para mim, montar em um... Nem sei o que dizer, mesmo que eu não fosse a piloto do dragão.

Coloquei minhas mãos no ombro de Soluço e Banguela deu impulso. Berk vista de cima era linda, mesmo sendo pequena. Ele me apontou cada lugar, disse-me sobre cada morador e isso é muito bom para o relatório que irei enviar a Drago.

–Acho que já, acabamos... Vamos para casa Banguela – Soluço disse, mas com um tom suspeito, de quem não queria voltar já.

Olhei o sol que já estava quase inteiramente se posto ao horizonte, mas ao invés de Banguela retornar, ele foi mais alto e se curvou, indo rapidamente em direção a água. Minha única reação foi gritar e descer minhas mãos do ombro de Soluço até sua cintura. Eu costumava fazer coisas perigosas com Tempestade, mas não um suposto suicídio. Banguela mergulhou e parecia se divertir com isso, voltou à superfície e quando chegou a uma certa altura começou a girar.

–Banguela, assim ela não vai gostar da gente! – ouvi Soluço gritar entre meus gritos. – Obrigado por nada, réptil inútil!

A essa hora eu já estava até com as pernas entrelaçadas na cintura de Soluço. Banguela continuou fazendo piruetas no ar, por diversão, mas eu não achei graça e acho que já tinha deixado Soluço surdo.

–Para, por favor... – sussurrei para Banguela, mas no ouvido de Soluço, que pareceu se arrepiar. Pelo menos não estava surdo. Eu não estava com medo, só assustada pensando que iria vomitar ou morrer a qualquer instante. Eu não podia demonstrar fraqueza, mas o modo que eu falei já me entregava um pouco.

Banguela abriu as asas e começou a planar calmamente, ainda parecendo sorrir. Abri meus olhos lentamente e logo depois fiquei boquiaberta também.

O céu estava maravilhoso, a vista era perfeita, o jeito de Banguela voava dava um ar... Romântico. Por que não aproveitar? Tirei minhas pernas da cintura de Soluço e voltei minhas mãos aos seus ombros, mas não me contive e as levantei até as nuvens para poder senti-las, que iam se desfazendo entre meus dedos.

Eu me sentia livre. Sem pensamentos. Sem missão. Sem preocupações.

Banguela virou-se, mais lentamente, fazendo ficarmos acima das nuvens e a aurora estava visível. Contra minha vontade – talvez – passei meus braços novamente pela cintura de Soluço e coloquei meu queixo em seu ombro.

–Isso é incrível – sussurrei em seu ouvido e pude vê-lo dar um sorriso de canto.

Banguela voou um pouco mais baixo até chegar em uma clareira e foi direto tomar um pouco d’água num laguinho ali, após eu e Soluço descermos do mesmo. O moreno colocou uma mão na nuca, como se estivesse nervoso.

–Eu não tinha planejado que ele fizesse tudo aquilo e...

–Não tem problema – ele sorriu, mas o sorriso se desfez quando soquei seu braço. – Isso foi por me assustar.

–Mas foi o Banguela que... – o interrompi com um abraço.

–E isso foi por todo o resto. – era raro eu abraçar alguém, quando me afastei de Soluço ele estava com uma cara de quem não era muito abraçado também e até um pouco corado. Qual é, foi só um abraço. – Acho que já vou indo.

–Quer carona, Milady? – ele se aproximou, mas coloquei a mão em seu peito, o parando.

–Não. Obrigada, de verdade. Mas vou andando.

Ele apenas assentiu e se sentou ao lado de Banguela. Me virei e caminhei para fora da clareira, olhando uma única vez para trás. É possível se apaixonar em apenas uma tarde? Não, respondi seca para mim mesma, você tem uma missão e isso inclui não se apaixonar.

Notas finais
Gostaram? Esperavam um beijo, nem se fosse na bochecha, não? Hehe. Os acontecimentos do voo não estão em ordem porque não me lembro muito bem. Desculpe se tiver algo errado, não deu tempo de revisar e estou atrasada para o ballet! (Sim, faço ballet, mas só tenho cara de delicada haha). Beijos :*