A Traidora
8 Corrida de Dragões
Notas iniciais
Já havia se passado uma semana desde o ataque e decidiram voltar com as Corridas de Dragões, para distrair e divertir os que estavam sofrendo ainda. Cabeça-Dura e Cabeça-Quente estavam um pouco melhor desde a morte da mãe, as brincadeiras até voltaram. Poucas, mas melhor que nada.
Os pilotos estavam tristes ainda, assim como eu, mas não devastados. Tudo voltou a ocorrer normalmente na Academia, às vezes dávamos aulas até para crianças.
Sobre o “querido” trio que chegou em Berk: eles estavam participando de Berk como se fossem moradores há muito tempo. Seus dragões fugiram das armadilhas de Drago e vieram até eles, como os mesmos contaram.
Eu tinha acabado de me pintar e de pintar Tempestade para a Corrida, quando ouço meu nome sendo gritado por duas vozes infantis, logo depois sinto dois bracinhos em minha perna e olho para baixo, encarando os olhos violeta de Ágda.
–Oi, Astrid! – ela disse feliz. Eu havia me aproximado muito dos pequenos que haviam perdido o pai durante o ataque. Ruan se aproximou de mim.
–Vai ganhar a Corrida dessa vez, Astrid? – seus olhos âmbar brilhavam e eu sabia que o sonho de Ruan era participar de uma Corrida de Dragões.
Eu já havia participado de algumas dessas corridas em Berk antes e em poucas ganhei, o que não foi o caso da última que participei.
–Vou tentar. – afaguei seus fios ruivos e peguei na pequena mão de Ágda. – Por vocês dois.
Ágda e Ruan sorriram abertamente, se despediram e foram para as arquibancadas.
Com um sorriso no rosto, segui meu caminho e vi Valquíria, Brenda e Ian. Eles estavam usando suas roupas de sempre, mas optaram por verde escuro e marrom desde que chegaram, menos Valquíria que ainda estava com as roupas negras. Desde que eles chegaram eu também mudei minhas vestes, para preto novamente, tirando o capuz, as botas e a saia, que eram acinzentadas, quase brancas.
–E aí, linda. – Ian falou piscando para mim e apenas ignorei.
Ele estava pintando de branco o focinho de seu gigante Tufãomerangue, o Labareda. Seu rosto estava com branco e vermelho e provavelmente ele tinha se pintado sozinho já que não tinha ficado muito bom. Segurei a risada e encarei as gêmeas. Brenda com suas roupas curtas como sempre, estava com tinta laranja pelo rosto, assim como seu Pesadelo Monstruoso, – que era de uma coloração interessante, como se fosse uma folha seca, marrom desbotado – Mareritt. (N//A: se lê “mórerit”, como eu entendi). Já Valquíria tinha uma Transformasa, Mystery. Ela era inofensiva, perto da dona, claro.
–Perdeu algo aqui? – Valquíria perguntou de mau gosto.
–Se eu tivesse perdido nem ia buscar. – falei baixo, revirando os olhos e saindo de perto, até encontrar Soluço, tentando fazer os simples traços vermelhos em suas bochechas. – Oi – me agachei ao seu lado, tomando a tinta de suas mãos. – Como não consegue fazer isso? Sempre fez. – passei delicadamente meus dedos lotados de tinta em sua bochecha, molhando novamente os dedos na tinta.
–Porque não estou com um espelho em mãos e não vai dar tempo de voltar para casa. – ele disse como se fosse óbvio.
–Tá bom... Pronto. – limpei meus dedos no recipiente com água.
–Obrigado. – ele sorriu, beijou minha bochecha discretamente e se levantou, estendendo a mão para mim. Aceitei e me levantei também. – Pronta para perder, Hofferson?
–Nem um pouco, Strondus! – ri alto e montei em Tempestade. Ignorei a voz de Ian em minha cabeça -”... na Guerra Drago quer que você mate alguém, mais especificamente, o filho do líder dos Hooligan...”– e falei para Tempestade ir até o poleiro onde iria ter início a Corrida.
Soluço chegou pouco tempo depois de mim, podendo ouvir Stoico dar início a corrida. Todos dispararam e todos eram realmente rápidos.
–Vamos, Tempestade! – eu falei. – pegamos uma ovelha e poucos segundos depois ela já estava na cesta que continha a placa com o desenho de Tempestade. – Isso!
–Astrid consegue o primeiro ponto! – Stoico anuncia.
Dei meia volta e um giro no ar, inclinando e descendo bruscamente para a direção de outra ovelha branca. Nos últimos segundos da descida, umas cabeleira negra passa e a ovelha simplesmente some. Na verdade, foi roubada. Puxo as rédeas de Tempestade antes de bater feio contra a terra e olho para o lado a tempo de ver Mystery ficar visível novamente e fazer uma curva ligeira, sumindo entre as pedras.
–Que droga! – resmunguei. – Mas nem começou direito, ainda temos tempo de ganhar! – falei para Tempestade.
Seguimos o caminho da corrida e avistei algumas ovelhas. Novamente um fracasso. Soluço e Brenda foram mais rápidos.
–Quem sabe na próxima, Milady? – Soluço gargalhou enquanto passava do meu lado e ia em direção a sua cesta.
Os primeiros minutos foram um fracasso, felizmente era apenas o começo. Passei por cima das cestas não depositando nada. Pelo pouco que pude olhar Soluço, Ian e Brenda tinham duas ovelhas; Valquíria, os gêmeos e eu apenas uma enquanto Melequento não tinha nenhuma.
Olhei em direção a Ágda e Ruan que acenaram, como se me incentivassem a continuar.
***
Novamente eu me via em uma descida perigosa em direção a uma ovelha branca. Infelizmente Soluço a pegou.
–Desista, Astrid!
–Nem pensar. – disse firme.
Atualmente, eu, Ian, Soluço e Valquíria estávamos empatados com sete ovelhas, Brenda e os gêmeos com cinco e Melequento com quatro.
–Ultima volta! – anunciou Stoico.
Ouvi um barulho grave a minha direita e logo um vulto peludo e negro sendo jogado para o ar.
–A ovelha negra! Vamos, Tempestade! – ela fez meia volta, indo agora em direção ás nuvens. Ela esticou as patas traseiras, pronta para agarrar a ovelha, mas um Pesadelo Monstruoso passou mais rápido. Antes de poder dizer “Argh” ou “Que droga” ou algum outro xingamento, a cauda do Mareritt se chocou contra o pequeno corpo – perto de um Pesadelo Monstruoso – de Tempestade.
Com um giro seguido de rodopios que me deixaram um pouco tonta, fomos caindo até o mar. Quando consegui agarrar as rédeas de Tempestade, as puxei, fazendo-a voltar a posição certa e sem perder tempo nenhum com o susto fomos em direção a Mareritt. Mesmo com um pouco de tontura, pulei nas costas do dragão.
–Mas o que... – Brenda se virou para trás e como ela carregava a ovelha nos braços foi mais fácil de pegá-la.
Com um salto mortal perfeito e um pouso nas costas de Tempestade, seguimos para a cesta, nos desviando de alguns ataques raivosos de Melequento.
–Astrid vence o jogo! – anunciou Stoico.
Após um grito de felicidade e meus punhos ao ar, fui para as arquibancadas para um rápido “toca aqui” com os vikings.
Tempestade pousou ao lado dos irmãos que eu estava procurando.
–Astrid! Você ganhou! Você arrasou! – Ruan pulou em meu pescoço, que para dez anos era leve. Ágda seguiu o exemplo do irmão.
–Calma, assim eu caio! – eu ri e me agachei, separando o abraço. – Gostaram mesmo da corrida? – eles assentiram. – Acredito que um dia serão tão bons quanto eu!
–Sério? – aquele brilho nos olhos de Ruan voltou e concordei com um “uhum” baixo.
Olhei para Ágda que trocava olharem entre mim, Ruan e algo atrás de mim. Ruan acompanhou o olhar e depois os irmãos me observaram com um sorriso malicioso que não deveriam ter naquela idade. Trocaram um rápido olhar e correram entre a multidão.
–Até amanhã, Astrid! – gritaram.
Fiz uma careta e finalmente me virei encontrando Soluço parado, me olhando com um sorriso bobo.
–Não sabia que levava jeito com crianças, Milady. Parecia tão fria quando chegou em Berk.
–E eu sou. – soquei seu ombro.
–Ai! – ele esfregou o local acertado. – E você é fria quando quer. – ele passou o braço em volta de meus ombros.
–Você é um idiota.
–Um idiota legal. – ele me deu um selinho na ponta do nariz e riu, sendo acompanhado por mim.
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