A Thousand Years
31 24.2 - Extra
Notas iniciais
24.2
– Rach!
Ouvir a voz da loira nunca fez tão bem para Rachel. Virou-se, vendo a namorada praticamente correndo em sua direção pelos corredores do McKinley. Seria clichê demais se derrubasse seus livros no chão e também corresse de encontro a Quinn? Com certeza. A julgariam por isso? Não ligava a mínima.
Quando seu corpo encontrou com o outro, o sorriso mal cabia em seu rosto.
– Eu senti tanto a sua falta – sussurrou, apoiando a cabeça no ombro da loira. – Por favor, nunca mais faça isso, Lucy, por favor...
– Eu já voltei, eu já tô aqui de novo, calma, calma... – disse, as mãos acariciando os cabelos da namorada. – Tá tudo bem, vai dar tudo certo...
Ao menos era o que a loira esperava.
– O que aconteceu com o seu cabelo? – sussurrou, ainda enterrada no ombro da namorada.
– Não gostou do rosa? – não conseguiu conter uma risada.
– Você fica maravilhosa de qualquer jeito, amor...
E, mesmo feliz com o retorno da namorada, Rachel teria que lidar com uma coisa que tentava manter o mais longe possível de sua cabeça, mas não conseguia... A noite que passara com Finn. E a possível gravidez.
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– Quinn, Santana, é bom ter vocês de volta – Mr. Schue disse, ao virar-se para a sala, depois de escrever Love Songs no quadro. – Não sei o quão atualizadas estão, mas o tema para as Nationals esse ano é – apontou para o quadro atrás de si. – Ainda não temos nada fechado para a nossa setlist, mas já estamos com algumas ideias, já que amor é uma coisa tão presente aqui no grupo.
– Assim como gays... – sussurrou Brittany, conseguindo arrancar algumas risadas do grupo.
– Que não deixa de maneira alguma de ser um tipo de amor – o professor seguiu falando. – Eu acho que essa diversidade pode ser uma coisa que podemos usar ao nosso favor. Um dueto não precisa ser um menino e uma menina. A gente vai ter a liberdade de poder explorar isso. Então, para amanhã, eu quero que vocês realmente me tragam sugestões de músicas de amor. Podem ser antigas, recentes, de filmes, de musicias ... – olhou especificamente para Rachel nesse momento. – Qualquer coisa. Temos menos de um mês, pessoal...
O sinal tocou e todos levantaram-se. Pelo canto do olho, Quinn acompanhou Santana puxando Brittany para fora da sala o mais rápido possível. Uma risada fraca escapou de seus lábios. A latina não tinha juízo...
– Então... – ouviu a morena falar ao seu lado e virou-se para ela. – Nós mal conversamos hoje...
– O que você está pensando? – pegou a mochila no chão e a mão da namorada.
– Não sei, mas, sabe... Você mora sozinha...
– Isso não é conversar, Rach... – riu novamente, e dessa vez Rachel acompanhou-a. – É matar saudades, mas não conversar.
– Tá bom, não está aqui quem falou...
– Boba – sorriu, puxando-a para um beijo rápido. – Mas assim, se você não tiver nada planejado para o resto da tarde, acho que podemos dar uma passada no meu apartamento.
Rachel apenas sorriu, puxando a namorada para mais perto de si antes de seguirem o caminho até o lado de fora do colégio. Pelo canto do olho, podia ver o sorriso no rosto de Quinn. Era o mesmo sorriso que vira quando aceitara o pedido de namoro. Um sorriso que a loira demorara séculos para mostrar depois da morte de Rachel.
– Senti sua falta – sussurrou a morena, a cabeça apoiada no ombro da mais velha.
Talvez conversar fosse uma boa ideia... Tinham bastante assunto para por em dia.
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– Aqui – disse a loira, entregando o copo d’água para Rachel.
Tinham parado no meio do caminho para a casa de Quinn, quando a morena começou a passar mal. Droga... Não queria contar daquele jeito para a namorada...
– Obrigada – murmurou, tomando pequenos goles.
– Que que eu peça pra San dar uma olhada em você? – ela negou com a cabeça. – Tem certeza? Eu juro que ela não morde...
– Tenho sim... – soltou um suspiro pesado. – Amor, precisamos conversar – virou-se para ela.
Quinn sentou-se ao lado da mais nova, também virando-se para que pudesse olhá-la nos olhos. Aquilo assustava Rachel absurdamente.
– Promete que não vai fica brava comigo?
– Por que eu ficaria, Rach? O que está acontecendo?
– Lucy... – puxou o ar para seus pulmões novamente. – Você precisa entender que eu sofri muito logo que você partiu e... – a loira abriu a boca para falar, mas a mais nova a impediu. – Deixa eu terminar. Eu sei que foi para o meu bem, que você também sofreu... Enfim, eu sofri muito, e teve um dia que o Puck fez uma festa, eu acabei bebendo um pouco mais do que eu deveria e... – uma lágrima escorreu pela lateral de seu rosto. A morena passou sua mão para secá-la. – Quando eu acordei eu estava na cama do Finn. Nua – respirou fundo novamente. – Duas semanas depois, minha menstruação não veio e... – sua voz foi sumindo, alguns soluços tomando seu lugar conforme as lágrimas voltavam a cair. – Desculpa, Lucy... Eu nunca quis isso, eu não sei como aconteceu, eu não me lembro...
A loira continuava calada quando envolveu Rachel em seus braços, apoiando a cabeça dela em seu ombro. Ela ainda chorava, mas o que se passava por sua mente não era mais contar para Lucy do que tinha acontecido entre ela e Finn, e sim a reação da namorada. Na cabeça dela, não era como se ela fosse terminar o namoro, mas... Esperava ao menos alguma reação por parte dela.
– Amor – sussurrou, secando as lágrimas que teimavam em escorrer por seu rosto. – Você não está brava?
– Brava acho que não é a palavra... – a loira passeava uma de suas mãos pelos cabelos de Rachel. – Não é como se você estivesse me traindo, você estava bêbada, amor...
A morena apenas assentiu lentamente, engolindo o choro e secando as lágrimas mais uma vez. Nunca imaginou que a namorada reagiria tão bem com a informação tão bem.
– Vem – disse, levantando-se e esticando uma mão para a namorada para ajudá-la a se levantar. – Vou te levar pra casa.
– Não íamos passar um tempo juntas?
– Nós vamos... Mas, do jeito que você está, acho melhor se formos para a sua casa, onde corre o risco de seus pais chegarem – uma risada leve escapou de seus lábios.
As duas entraram no carro e, minutos depois, já estavam parando em frente à casa de Rachel. No entanto, apenas a morena desceu.
– Você não vem?
– Vou até a farmácia comprar um remédio para você e no mercado pegar alguma coisa para você comer... Já volto.
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Era óbvio que Quinn não estava bem. No momento em que Rachel lhe contou o que tinha acontecido, sua vontade era de correr até o Hudson e matá-lo com a mesma vontade que tinha de matar Mara. Idiota... Ela sabia que o menino sempre tivera uma queda pela namorada, mas... Fazer o que ele fez numa situação em que ela estava tão frágil...
– Ridículo – murmurou para si mesma, conforme se aproximava do colégio novamente.
Não se preocupou em estacionar bem o carro. Largou-o o mais perto que conseguiu da entrada principal e bateu a porta, praticamente correndo para dentro, procurando por Finn. Não demorou para encontrar com Kurt e Blaine. Já era um começo.
– Kurt! Blaine!
Os dois garotos pararam de conversar e viraram-se em direção à loira.
– Quinn, oi!
A menina parou na frente de ambos.
– Onde está seu irmão?
– Finn? Acho que está no treino, por quê? Aconteceu alguma coisa?
Isso bastava para ela. Nem mesmo agradeceu aos dois antes de sair em direção ao campo de futebol.
– Merda... – disse Blaine entre os dentes, pegando o celular em seu bolso.
– O que foi, amor?
– Ela sabe...
– Não liga para a Rachel – Kurt tomou o celular do namorado. – Vai atrás da Quinn!
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– Hudson!
O menino estava sozinho, próximo à entrada do vestiário. Quinn agradeceu o fato de ele sempre ser um dos úlitmos a deixar o campo enquanto andava até ele com passos duros, a raiva ainda preenchendo seu corpo.
– Quinn! O que você está...
A menina empurrou-o em direção à parede e prensou-o, usando do elemento surpresa para, uma vez na vida, ser mais forte do que ele.
– Qual é o seu problema?! – gritou, apertando um de seus braços contra o pescoço dele.
– Mas que porra, Quinn?! Fica calma, que porra é essa?!
– Calma? Você não só transa com a minha namorada enquanto ela está bêbada como também engravida ela e você me pede pra ficar calma?! Ah, você mexeu com a pessoa errada, Hudson...
– Bom, ela não pareceu reclamar...
– Você se aproveitou do estado frágil dela! – cortou-o. – Você sabia que ela não estava bem e ainda aproveitou que ela estava bêbada! Seu nojento!
Fechou seu punho e com toda sua força, socou o moreno no olho, o braço logo voltando para o pescoço dele. Não saberia por quanto mais tempo aguentaria segurá-lo naquela posição e, honestamente, tinha medo do que ele pudesse fazer com ela quando se soltasse.
– Você é nojento, Finn.
– Você me socou! Sua vadia!
– Soquei mesmo e vou socar de novo se você não ficar longe da minha namorada, ouviu? Ela é minha! Sempre foi e sempre será, Hudson! E, aliás, eu posso ser vadia, mas pelo menos eu tenho um pouco de ética, coisa que você não tem nem nunca vai ter!
O garoto começou a se remexer nos braços da loira. Só tinha conseguido prendê-lo porque foi pego de surpresa, ele era muito mais forte do que ela... Antes que ele conseguisse se soltar, dois corpos se aproximaram e afastaram-nos um do outro, fazendo com que ela perdesse o contato não só com Finn, mas também como o chão.
– Blaine me põe no chão agora! – gritou, conforme perdia o outro garoto de vista.
– Quinn, se acalma!
– Como?! Esse filho da puta praticamente abusou da minha namorada e você quer que eu fique calma?! Vá à merda, Blaine!
– Quinn...
– Imagina se fosse com o Kurt! Se você tivesse que sair daqui por uns tempos, ele ficasse mal e, sei lá, o Sebastian chegasse e se aproveitasse do estado que ele estava pra dormir com ele?! Como você ficaria?!
– Provavelmente do mesmo jeito que você, mas violência não é a solução, Lucy! Se controla!
A loira fechou os punhos e respirou fundo algumas vezes, sentindo seu coração desacelerar aos poucos. Blaine já havia parado de afastá-la de Finn, e seus pés já tocavam o chão novamente, mas o abraço dele ainda era forte em torno de seu corpo.
– Me solta, por favor – disse, tentando soar o mais calma possível.
– Você vai voltar pra cima dele?
– Se eu voltar você vai me tirar de cima dele de novo e vai ficar puto da vida comigo porque eu menti para você então não, eu não vou voltar para cima dele. Além disso, eu posso ter quebrado a minha mão, preciso pedir pra San dar uma olhada nela...
Sentiu os braços de Blaine se afrouxando lentamente. Teve que se controlar para não voltar correndo para a saída do campo para bater mais um pouco em Finn. Ele merecia.
– Você sabia, não? – sua voz saiu praticamente num sussurro. Mal viu o moreno assentir. – Por que você não me contou?
– Rachel pediu para eu não te contar. Antes mesmo dela me contar ela me fez prometer que eu não te falaria nada.
– Aquele filho da puta... – seu tom de voz já começava a subir.
– Carole não tem nada a ver com isso, Lucy.
– Você me entendeu.
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Uma hora e meia havia se passado quando a campainha de Rachel soou. Levantou-se do sofá num pulo, e abriu a porta para dar de cara com um buquê de flores e uma mão enfaixada.
– Voltei – disse a loira, tirando a cabeça de trás das flores.
– O que aconteceu com a sua mão?
– Você quer a história longa, a história curta, ou a história que você quer ouvir?
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– Mr. Schue? – a morena levantou a mão, antes do professor lhe dar a palavra. – Você disse que poderíamos cantar musicas de musicais, certo? – ele assentiu.
– Lá vem... – Santana murmurou, levando um tapa de Quinn.
– Eu fiz uma seleção de algumas músicas para sugerir – enfocou na última palavra, olhando diretamente para a latina. – Para o grupo. Aí podemos escolher uma para o dueto ou o primeiro número em grupo...
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– É isso aí pessoal! – disse o professor, entrando no ônibus. – Nationals, aí vamos nós!
Era uma tarde fria de quinta-feira, no meio de maio. O ônibus partiria em direção ao aeroporto com todos os membros do New Directions à bordo. De lá, partiriam para Boston. Para as Nationals. Para o sonho de todos.
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